quarta-feira, 11 de maio de 2011

Alma - Manuel Alegre

Manuel Alegre neste livro fala da sua infância na voz de Duarte. Este devia ser o nome que o tratavam na sua meninice, acho eu (Manuel Alegre que me corrija!). As traquinices com os amigos, as primeiras descobertas da vida e do corpo, o ambiente familiar, a vizinhança, e os primeiros anos de escola são algumas memórias que Manuel Alegre partilha connosco.

De Alma, partiu toda a sua vida e é num tom saudosista e ternurento que lembra episódios que o marcaram profundamente.

“Alma” quase que é uma biografia da sua infância.
É escrito de uma forma liberal, realista e o autor não poupa o leitor dos seus episódios mais intimistas.

Manuel Alegre neste livro critica as diferenças sociais da época, do Estado Novo e da azáfama politica que se vivia naquele tempo, de como as pessoas acompanhavam os relatos da segunda guerra mundial.

Ele, com os seus 10 anos pergunta ao pai, na sua total inocência, o porquê de alguns dos seus colegas de escola não terem sapatos? O porquê de nem todos poderem continuar com os estudos?...

É um bom livro, leve, transparente, propício para quem gosta de histórias simples e sentidas.


"Muitas vezes, nas horas do exílio e da solidão, eu agarrava-me à memória.
Não sei se alguém consegue voltar de um longo exílio. Não sei se alguma vez se volta verdadeiramente a casa. Nem sei tão pouco se alguém verdadeiramente nos reconhece quando voltamos. Talvez Alma fosse a única maneira de voltar à minha terra, à minha casa, ou a mim mesmo. Talvez a única forma de finalmente ser reconhecido pelos que já cá não estão, pelos que nunca me conheceram e pelos que só assim poderão saber quem sou. Ou quem não sou. Sabe-se lá."

Excerto da intervenção de Manuel Alegre no lançamento da 1ª edição de "Alma", Águeda, 19 de Janeiro de 1996.

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