sábado, 31 de março de 2012

Clara de Sousa na FNAC Madeira

«Nunca em anteriores sessões nas FNAC tive uma sala tão cheia!»
Esta foi a frase com que a jornalista Clara de Sousa iniciou a apresentação do seu livro de culinária A Minha Cozinha - esta tarde na FNAC Madeira. O espaço tornou-se pequeno para acolher tantos admiradores da pivô da SIC.
Começou a cozinhar aos 8/9 anos por impulso da sua mãe (que era cozinheira profissional), partilhou com os presentes na sala. Explicou a razão de querer escrever um livro com esta temática (ofuscando a proposta dos editores para escrever um livro sobre política).
Uma apresentação que primou pelo à-vontade e simpatia com que a autora brindou a plateia. A jornalista logo passou à prática [culinária], fazendo “ao vivo” uma receita que vem no seu livro, nomeadamente Mousse de lima.
Três pacotes de natas, uma lata de leite condensado e quatro limas. Estes foram os ingredientes com que Clara (sim, quando está na cozinha é a Clara e não a Clara de Sousa – como sublinhou) preparou a guloseima. No final todos provaram da mousse, que foi preciso ser repetida, pois uma dose não deu para todos os que estavam na sala. E teve a jornalista que repetir o processo todo, pois não queria «ver ninguém a chorar!»
Provei e aprovei.
Fotos cedidas por Mixchoice Medialab

sexta-feira, 30 de março de 2012

O mestre do amor - Augusto Cury (Divulgação)

Ano da Edição / Impressão / 2012
Número Páginas / 184
Editora / LIVROS D'HOJE

Sinopse 

Este livro conta uma história de amor: amor pela vida e pela humanidade, pelas suas falhas e superações. Apenas uma pessoa foi capaz de levar este sentimento até às últimas consequências e, em nome dele, entregar- se à morte, Jesus. Através de uma abordagem poética - embora baseada na ciência, na história e na psicologia -, o autor faz um estudo sobre as comoventes mensagens que Jesus nos deixou antes de morrer na cruz. Ele, em cada momento de dor, reforçava os laços com o seu Pai. Sabia que o sofrimento fazia parte do seu destino e que precisava dele para completar a sua missão. Refletindo sobre as suas generosas reações, descobrimos o quanto as nossas atitudes podem ser egoístas e superficiais. Com o seu exemplo, percebemos a nossa tendência a superdimensionar os problemas, deixando de ver as valiosas lições que eles nos trazem. Pela força da sua inabalável fé em nós, Jesus tornou-se a personagem mais importante da história.

Palheiro Spa

       Se passar por cá, visite-nos!        

quinta-feira, 29 de março de 2012

Passatempo: CASAS/HOUSES - Papiro Editora

O blogue em colaboração com a Papiro Editora tem o prazer de dar início a mais um passatempo.
A editora edita - também - livros de Arquitectura, e é a pensar nos leitores do blogue que apreciam a temática, que damos a oportunidade de ganhar um livro com várias fotografias de moradias de traço moderno, projectadas por 3 arquitectos: Jean Pierre Porcher, Margarida Oliveira e Albino Freitas.

Título: Casas / Houses
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 156
Editor: Papiro Editora
P.V.P.: 29.00
 O passatempo decorrerá até ao dia 2 de Abril.

Para participar, não tens de responder a nenhum formulário, apenas vir aqui, e deixar o teu nome e e-mail. O vencedor será escolhido, não pelo Random, mas por mim. 

Silence(s) [qui parlent]

terça-feira, 27 de março de 2012

O Hipnotista, de Lars Kepler

Editora: Porto Editora
Edição/reimpressão: 2012
Nº de Páginas: 560
Alexandra Coelho Ahndoril é uma escritora sueca, com ascendência portuguesa (da parte materna) e forma conjuntamente com o marido – escritor também - um duo que assina os seus romances policiais com um só pseudónimo: Lars Kepler. Os autores escolheram o pseudónimo fazendo reminiscência a Stieg Larsson e a Johannes Kepler, um escritor sueco (autor da Trilogia Millennium) e um cientista alemão, respectivamente. 
O Hipnotista foi o primeiro livro a ser publicado pelo casal sueco em 2009 e foi considerado um dos melhores bestsellers nórdicos dos últimos anos.
O clima frio e cinzento da Súécia serve de adorno físico e psíquico à trama policial que tem como personagens principais, o comissário Joona Linna e o psiquiatra Erik Maria Bark.
Um sangrento homicídio envolvendo três membros de uma família; um adolescente em coma que é a única testemunha do massacre; um hipnotista que «rompe» uma promessa feita há dez anos; um grupo de jovens delinquentes; pacientes de hipnose que guardam rancor. São apenas alguns ingredientes que pelas páginas deste policial serão «saboreados».
O livro é forte. Tem personagens complexas (com uma história por trás, sem o leitor aperceber-se); um enredo «de cortar à faca»; um q.b. desproporcional de violência gratuita (mas que resulta), e reviravoltas mais do que suficientes para manter as páginas virando sucessivamente.
O flashback de quase cem páginas que interrompe o fluxo da narrativa, a cerca de cinquenta por cento do livro, funciona eficientemente e é a força motriz da compreensão de toda a história, até ao seu término. 
O jogo de escrita pioneiro, tão bem manipulado pelos autores, deriva num tenso, intrigante e inteligente policial, que aborda temas como a doença mental, o abuso infantil, o abuso sexual, o bullying, o ciúme, a raiva, o medo, além de métodos clínicos e policiais forenses.
O filme baseado neste O Hipnotizador, ao que tudo indica, será apresentado nos cinemas ainda no decorrer deste ano.
O Executor, o segundo livro desta série, já se encontra publicado também pela Porto Editora.

domingo, 25 de março de 2012

Na ilha por vezes habitada - José Saramago

   MP

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

in PROVAVELMENTE ALEGRIA, Editorial CAMINHO,1985

sexta-feira, 23 de março de 2012

Os sítios sem resposta - Joel Neto (Divulgação)

A 3 de Abril nas Livrarias
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 192
Sinopse
Um homem muda de tudo: muda de mulher e de partido, muda de religião e até de sexo ¿ muda daquilo que quiser, menos de clube de futebol.

Miguel João Barcelos mudou. Atrás, tem dois casamentos fracassados, uma monótona carreira de profissional de seguros e uma longa história de serões passados ao lado do pai, chorando algumas das mais belas e irresistíveis derrotas do Sporting. Agora, começou a sofrer pelo Benfica. E é quando se prepara para confessar o seu crime que vê entrar em cena uma misteriosa executiva de saltos altos, determinada a virar do avesso todas as certezas sobre as quais esperava erguer o seu projeto de nascer de novo.



Ao todo, foram dez anos de espera. Uma década depois de O Citroën que Escrevia Novelas Mexicanas, considerado pelo Expresso um dos melhores livros de 2002, Joel Neto volta, enfim, à ficção: Os Sítios sem Resposta, que a Porto Editora publica no dia 3 de abril, é uma homenagem à relação pai/filho e à paixão do futebol como recurso de linguagem intergeracional, colocando em confronto o Sporting e o Benfica, a cidade e o campo, a ternura e o desamor, o sexo e a ausência dele.

www.joelneto.com
http://www.facebook.com/neto.joel
http://www.goodreads.com/author/show/746620.Joel_Neto

Novo site da Sextante Editora (Divulgação)

A partir do endereço www.sextanteeditora.pt, é possível aceder a todas as informações sobre Livros e Autores, comprar exemplares e acompanhar toda a atividade editorial: novidades, datas de lançamentos, notícias, sessões de autógrafos ou visitas de autores estrangeiros. Tem ainda acesso à página no Facebook e a possibilidade de subscrever a Newsletter da editora.











Dias de chuva em casa (Divulgação)

Autor: António Medeiros
Coleção: Arte
P.V.P: € 10.00

Fotografias e memórias.
Inspirado pelo ambíguo universo que um dia de chuva em casa pode gerar.
Um dia chuvoso pode ser visto como uma porta fechada para certos horizontes, mas também como a abertura para muitos outros mundos.
Terminando com a sugestão “vive o teu dia de chuva”, o autor convida-o a visitar e descobrir o seu mundo através das fotografias, a preto e branco, captadas no seu primeiro dia de chuva em casa na cidade de Lisboa.


Fragrâncias de Luz, Vol I (Divulgação)

Coleção: Arte
P.V.P: € 20.00

Passatempo: Vingança em Paris - Steve Berry

O blogue em colaboração com a Livros d'Hoje tem o prazer de dar início a mais um passatempo. 
Desta vez temos para oferecer um exemplar do seguinte livro:
 O passatempo decorrerá até às 23h59 de 29 de Março. 

Para participar, só tens de ser seguidor do blogue e responder acertadamente ao formulário seguinte, e esperar seres o feliz contemplado.

Encontra as respostas aqui no blog ou aqui.




Regras do Passatempo:
1) O passatempo decorrerá entre os dias mencionados, sendo exclusivo a participantes residentes em Portugal (Continental e Ilhas);
2) Será validado exclusivamente as participações com as respostas acertadas e será aceite apenas uma participação por pessoa ou email;
3) O vencedor será sorteado aleatoriamente através do Random.org e o seu nome publicado aqui no blogue, além de ser comunicado ao mesmo via e-mail.

quinta-feira, 22 de março de 2012

O Sono, de Ângelo Soares

Editora: Lidel
Ano de Publicação: 2010
Nº de Páginas: 112
O que é o sono? Quais os sinais de perturbação do sono? Quais as fases do sono? Que efeitos a privação do sono provoca? Quantas horas devemos dormir? As respostas a estas e a outras perguntas são esclarecidas por Ângelo Soares, o autor deste livro que é médico Neurologista. Casos clínicos reais, retirados da prática médica do doutor, complementam, comprovam e desmistificam alguns mitos que a pessoa leiga no tema, possa ter sobre o sono. 
O autor define o sono (do latim somnu) da seguinte acepção: «é uma actividade fisiológica normal e indispensável, que quando contrariado, dá máu resultado.»
Após a definição é assinalado o efeito de toda a actividade cerebral enquanto se dorme e evidenciado o trabalho dos neurónios e respectivos neurotransmissores. 
O autor sublinha ainda a importância vital do sono: «dormir é essencial, não só para a sobrevivência, mas também para o bem-estar físico e psíquico do ser humano.»
O sono tem fases distintas, que se sucedem por ciclos, durante a noite e que está dividido em dois tipos básicos: o sono não-REM "Movimento Não Rápido dos Olhos" e o sono REM "Movimento Rápido dos Olhos". Os sonhos normalmente ocorrem durante o sono REM, realça o clínico Ângelo Soares. 
Foi muito interessante ficar com este conhecimento, mas o que despertou a minha atenção foi saber que quando estamos a dormir, com as pálpebras fechadas, obviamente, os nossos olhos movem-se ocularmente em várias direcções. Isto fez-me comparar o sono REM com o EMDR [Eye Movement Desensitization and Retroprocessing] (um tema que este livro não aborda, mas que é muito interessante).
Se o leitor sente constantemente fadiga, irritabilidade, distracção, visão turva ou falta de memória, é sinal de que o seu sono não é «saudável». Para se usufruir de um sono profundo e reparador, é fundamental ter um tipo de alimentação leve e saudável, principalmente antes de dormir, sublinha o neurologista.
O que vou citar agora, irá certamente desmistificar o que pensava e fazia até agora: «Dormir mais ao fim-de-semana não compensa a falta de dormir durante a semana. Dormir até tarde ao domingo de manhã só causa mais dificuldade em deitar-se no domingo à noite e em acordar na manhã de segunda-feira, começando mal a semana.» Por isso, e como é dito popularmente «quem muito dorme, pouco aprende!». Já Homero disse: «O excesso de sono é prejuízo».
«Os sonhos, bem como os pesadelos, podem estar relacionados com a expectativa do que vai suceder num futuro mais ou menos próximo, mas que nos preocupa»; «O número de horas que devemos dormir varia consoante a idade e a característica própria de cada pessoa. 
Um recém-nascido deve dormir cerca de vinte horas por dia, e conforme vai crescendo (em idade) vai dormindo cada vez menos horas, até chegar a adulto. Um adulto deve dormir cerca de sete a oito horas por noite»; «O que conta não é a quantidade, mas a qualidade do sono», citações que sublinhadas também.
Alguns conselhos úteis que poderemos colher desta leitura: «Dormir sete a oito horas é o ideal, e de preferência, entre as 23h e as 8h; Praticar exercício regularmente, pois ajuda a adormecer-se mais rapidamente e descansadamente; Não levar problemas e preocupações para a cama; Animais de estimação no quarto não é preferível, porque eles interferem com o nosso sono; A memorização é pior nos 30 minutos que antecedem o adormecer.»
Quando estamos com gripe, ficamos com febre e sonolência. Certo? Porquê? Leiam este pequeno livro e ficaram a saber.
O público-alvo deste livro são os profissionais de saúde, maioritariamente, mas também toda e qualquer pessoa que queira conhecer melhor o (seu) sono.
Para rematar este texto (que espero não o ter deixado em sonolência) passo a palavra a Honoré de Balzac: «Não há dor que o sono não consiga vencer.»

quarta-feira, 21 de março de 2012

«Segredo» - Fernando Pinto do Amaral


Segredo

Esta noite morri muitas vezes, à espera
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.

Fernando Pinto do Amaral

domingo, 18 de março de 2012

Assim foi o Festival Literário da Madeira 2012

O Festival Literário da Madeira 2012 chegou ao fim. 
Com a sua abertura no passado dia 15, e tendo como mote inaugural o sublinho da obra de Agustina Bessa-Luís, o festival encerrou as cortinas ontem à noite, em grande clima de euforia. Entre o hiato do seu início e término, muito foi o que se disse, muitos assuntos foram abordados nas «5 Mesas redondas», e muitos foram os «declaradores de poemas» na grande noite do espetáculo Ser Poeta Não É Uma Invenção Minha.
Eu estive lá, e sendo madeirense, fiquei orgulhoso que numa ilha – na minha ilha - um festival deste «calibre» tivesse acontecido, e já na sua segunda edição.
Para muitos de vós, leitores do Silêncios que Falam, o que se segue é a minha visão do festival, que decorreu no Teatro Baltazar Dias, do que foi proferido in loco e em alguns apontamentos de bastidores, visualizados através do meu aposento, numa das galerias do Teatro (de onde foi disparada a foto abaixo), onde nada - mas nada - se me escapou.

Quando estava a ler o programa do Festival Literário da Madeira deste ano, pensei que estava a ler o do festival de 2011, mas com o acrescento de mais alguns nomes de escritores, que não estiveram presentes nessa edição. Mas não. Era efectivamente o programa deste ano. O que constatei foi que dos 25 escritores participantes deste ano, 9 estiveram – também – presentes na 1ª edição. Ou das duas uma: ou os escritores são mesmo muito bons, ou são repetentes porque os laços e parcerias várias assim o ditam a sua presença novamente. Num país com grande número de escritores (de bons escritores) a repetição das suas presenças foi, sinceramente o que mais me evidenciou negativamente – e não menosprezando a qualidade literária de nenhum escritor do «grupo dos 9».

A primeira Mesa do festival teve como tema Éramos felizes e não sabíamos e contou com a participação de Inês Pedrosa, José Manuel Fajardo, Patrícia Reis, Pedro Vieira e Rui Nepomuceno. 
Moderando (o que apenas fez, foi apresentar os convidados) a conversa (ou não) esteve o Reitor da UMA (Universidade da Madeira). O tema foi apenas o ponto de partida para uma conversa sobre a tão enfastiada crise.  
Patrícia Reis sublinhou que as notícias das manchetes dos telejornais são sempre péssimas, devastadoras, o que faz com que as pessoas pensem que as notícias boas, simplesmente não existem, no país e no mundo. A escritora sublinhou ainda que «o português, em geral, não é feliz, queixa-se é com muita facilidade». A troika foi chamada também à conversa, inevitavelmente.
 José Manuel Fajardo (que autografou-me um livro) na sua percepção de felicidade diz que «quando falamos de felicidade, falamos da nossa percepção da vida.»
«Infâncias felizes não fazem bons romancistas», foi citado por Pedro Vieira e a partir dessa citação, este escritor deambulou, em tom de brincadeira, em torno de alguns nomes relevantes da literatura, e confrontou as suas infâncias, às obras dos mesmos.

O espectáculo denominado Ser Poeta Não É Uma Invenção Minha, decorrido na noite de sexta-feira, preencheu por completo o Teatro Baltazar Dias. Sinónimo que na ilha temos um grupo de pessoas que interessa-se pela cultura. 
Acho que tem de ser desmistificado este estereótipo de que a Madeira é só flores, turistas e viadutos. 
A literatura está acessível tão bem e também, do mesmo modo que no «rectângulo».
Fica aqui a página dos Booktailors do Youtube, onde poderão ver alguns vídeos deste espectáculo, entre outros.

Na segunda Mesa, e moderando (e muito bem) a conversa sob o tema Éramos poors e não sabíamos, esteve Ana Isabel Moniz. Os convidados Júlio Magalhães, Eduardo Pitta, Afonso Cruz e Ana Margarida Falcão, discutiram o peso da crítica literária e na sua influência sobre os leitores. 
A docente da UMA, Ana Margarida lembrou os espectadores e participantes da Mesa, o programa que houve, em que em horário nobre, uma pessoa divulgava um livro, em pouco minutos, e que essa pequeníssima abordagem, significava imenso e adoçava o gosto para a literatura. A escritora madeirense disse ainda «existe imensa gente a escrever, o que dificulta a seleção dos leitores e críticos», e comparou a comida artificial à comida caseira. Isto para passar a mensagem de que a oferta literária é vastíssima e que cabe ao leitor, separar o trigo do joio. O crítico literário Eduardo Pitta, sublinhou que «é preciso polir a mão para atingir um patamar respeitável», e admitiu que os seus primeiros trabalhos [menos moldados] fizeram parte do seu crescimento literário. Concordo por completo nesta citação, pois se algum dia alguém está numa posição engrandecida, é sinal que teve um esforço para chegar ao patamar que está.  A crise foi novamente vinda à Mesa, desta vez por Júlio Magalhães, que disse «Portugal sempre esteve em crise. Agora é que esta está mais acentuada». O binómio literatura-escola e literatura-televisão foi vincado pela jornalista também, querendo dizer que existe cada vez mais o divórcio entre as novas gerações pelo gosto pela leitura. 
Tenho de partilhar o que Júlio Magalhães confidenciou aos espectadores do Teatro. Contou que no último lançamento do livro de Lobo Antunes, uma jornalista da TVI foi fazer o cobrimento do lançamento e quando ela fez uma pergunta ao escritor sobre o dito livro, este em tom arrogante (o seu habitual) respondeu-lhe que a jornalista não estava apta a fazer-lhe perguntas, porque ela não tinha lido o livro ainda. Como resultado, não houve peça nenhuma no telejornal, pois a arrogância de certos escritores, tem como resultado a não divulgação do seu trabalho. Isto  para que Júlio Magalhães explicasse que há escritores que auto-excluem-se, simplesmente, devido às suas maneiras de ser. Evocou o exemplo de A. Lobo Antunes também para responder a uma pergunta de Inês Pedrosa, que desta vez estava no papel de espectadora na plateia, mas não se incumbiu de se evidenciar (uma nova vez), perguntando porque os escritores (ela, digamos) não são convidados mais vezes a apresentar os seus últimos livros na tv (isto depois de ter relatado as suas reprovações e despedimentos em vários jornais, aos quais queria ter uma crónica ou que foi despedida por causas várias). 
Esta temática foi muito extensiva e abordada de pontos divergentes, e claro, no fim e em tom conclusivo, todos assentiram que sim, que a influência pesa, e muito na compra ou escolha de um livro, pela parte do leitor. 

Na Mesa 3 falou-se no poder da palavra e de maneira a poesia pode mudar a nossa vida. Os poetas João Carlos Abreu e Jaime Rocha falaram nesse poder e nessa mudança, em tom individual, respectivamente. 
A [minha] grande revelação desta Mesa foi Fernando Pinto do Amaral. Este sublinhou que quando escreve poesia, tem de haver sempre tensão. A calma e felicidade não combinam com a produção de poesia, disse. Os outros convidados, Francesco Benozzo, Barry Wallentsein e Yang Lian, sendo eles de nacionalidades diferentes (italiana, americana e chinesa, respectivamente), divergiram as suas opiniões no que se refere à poesia.

Diana Pimentel, docente na UMA, foi a moderadora da Mesa 4, sob o tema «Éramos piegas e não sabíamos».
À volta da Mesa estavam sentados os escritores Valter Hugo Mãe, Joel Neto e Manuela Ribeira, e o docente e ilustrador madeirense Paulo Sérgio BEju. Este foi o painel de convidados que fizeram o público rir, pois a literatura também tem esta vertente de sátira, de brincar com as palavras. E o que foi dito?
O açoriano Joel Neto, que publicará este livro proximamente, foi o primeiro a fazer rir o amplo leque dos presentes na sala, dizendo que tinho muito gosto em participar na mesma sessão que o Valter Hugo Mãe; que o sucesso estava garantido; que podiam desligar as câmaras para ele. Depois saudou a organização [Booktailors e Nova Delphi] por terem o convidado a vir à ilha, uma «ilha quase tão bonita como a dos Açores», e claro que ninguém levou a mal. 
Manuela Ribeiro falou da forma quase imposta a que foi submetida, por parte de Paulo Ferreira (um dos responsáveis pela Booktailors) para fazer parte da Mesa 4. A escritora ora cita Eça, ora cita Rui Rink, mas é através da leitura de um poema de Pessoa, na pessoa de Álvaro de Campos, que ela protagonizou um dos momentos mais brilhantes do dia. 
Paulo Sérgio prosseguiu a «corrente de riso» usando palavras para legendar as imagens que foram projectadas, ora através de música, ora por meio de poesia. Não deixou a sua prestação terminar, não antes de evocar a Livraria Esperança, uma das maiores do Mundo, com sede no Funchal, dizendo que esta livraria «marca os livros», de uma forma pouco conveniente. (Abro parêntesis para dizer que nunca compro livros na dita livraria, pois sendo uma das maiores do mundo, deveria respeitar o objecto livro, o que, infelizmente não faz. Os livros não podem ser tratados como peças de roupa. Jamais). 
Por fim, chegou a vez de Valter Hugo Mãe. Este começa por se desculpar não ter estado presente nas sessões anteriores, e por afirmar que sim, que é piegas e lamechas; que já chorou vendo novelas. Logo de seguida leu um texto dedicado a uma Grande Obra de Arte (este termo já é meu), que é a Casa das Mudas, situada na Calheta, e que foi desenhada pelo arquitecto Paulo David. Não sabia do gosto por arquitectura do escritor, e ainda por cima evocando a minha obra de eleição – na Madeira – de arquitectura comtemporânea.

Por fim, a mesa 5 terminou o programa do festival, sob o tema Éramos originais e não sabíamos. Francisco Fernandes moderou a sessão, em que um dos escritores que deveriam participar, não marcou presença: de seu nome Francisco José Viegas [Secretário de Estado da Cultura]. 
Com menos um participante a Mesa iniciou-se com as palavras de Graça Alves, que questionou os presentes se existia alguma diferença a nível de produção literária, entre os escritores que vivem na ilha e os do continente. 
A palavra seguinte pertenceu ao crítico literário (o conhecido Bibliotecário de Babel) José Mário Silva (que gentilmente autografou-me um dos seus livros). Ripostando o que tinha sido dito por Graça Alves, o crítico literário crê que podemos «reinventar o que foi feito para trás [a nível literário], mas adaptando à realidade actual». Depois leu um texto do escritor Enrique Vila-Matas, um dos autores que tem acompanhado literalmente. Sublinha José Mário Silva que «a originalidade não deve ser uma preocupação do escritor», pois desde o momento que um autor tem essa preocupação eminente, a originalidade tende a perder-se.
A escritora cubana Karla Suárez foi a última a transmitir os seus pensamentos sobre os clássicos, e se se estes podem influenciar o que o escritor produz. Contou a sua história de adolescência, e de que maneira os livros mudaram a sua percepção de ver e escrever também livros. 
Francisco Fernandes conclui que o escritor é um baú de livros que tem dentro de si, que vai preenchendo durante o seu caminho, e que o importante não é tanto a originalidade, mas que não se deixe de escrever.

O festival encerrou as cortinas. Vim para casa e divaguei nos meus pensamentos. Concluí duas coisas. Uma. De facto, já sabia que ser madeirense é um orgulho. Segunda. Ler é o melhor que se pode fazer...

sábado, 17 de março de 2012

Vingança em Paris - Steve Berry (Divulgação)

Ano da Edição / Impressão / 2012
Número Páginas / 448
Editora / LIVROS D'HOJE
Sinopse 
Quando Napoleão Bonaparte morreu no exílio, em 1821, levou para o túmulo um poderoso segredo. Como general e imperador, roubara incontáveis riquezas de palácios, tesouros nacionais, e até dos Cavaleiros de Malta e do Vaticano.
Os britânicos que o capturaram nos seus últimos dias de vida, tinham a esperança de obter a informação de onde estaria escondido o tesouro. Mas ele nada lhes disse e no seu testamento não deixou nenhuma menção. Ou será que deixou? É isso que Cotton Malone vai tentar descobrir ao mergulhar numa busca desesperada pelo lendário tesouro perdido de Napoleão.

Outros livros de Steve Berry já publicados pela Livros D’hoje:

Juliana – Condessa de Stroganoff - José Norton (Divulgação)

A vida da portuguesa mais influente da Europa no século XIX
Editora: Livros d’Hoje 
N.º Páginas: 440+12 
Preço: 15,50 €
ISBN: 978-972-20-4794-4
1ª Edição: Abril de 2012
Sinopse
Forçada a exilar-se em 1808, Juliana de Almeida Oeynhausen, a terceira filha da marquesa de Alorna, parecia condenada às agruras da emigração e à tristeza de um casamento infeliz. Contudo, dotada de um espírito vivo e inconformista, conseguiu libertar-se de constrangimentos sociais e familiares, vencer a adversidade e conquistar a sua independência e felicidade.
As suas qualidades de mulher ilustrada e cosmopolita, foram conhecidas e apreciadas por grandes figuras da Europa de então com quem teve a oportunidade de privar: a rainha Vitória de Inglaterra, o imperador da Alemanha, e os czares Nicolau i e Alexandre ii da Rússia. A surpreendente e colorida história da sua vida, que uma investigação profunda e exaustiva permitiu trazer agora a público, foi esquecida e deturpada nos alvores do século xx e, desde então, a sua memória tem sido injustamente enxovalhada. Porém, como disse um diplomata português seu contemporâneo «não se pode fazer mais honra do que ela fez sempre ao nome português». Deixou abundantes provas disso mesmo em São Petersburgo, na Rússia, onde viveu os últimos anos da sua vida, como condessa Stroganoff.

NAS LIVRARIAS A 2 DE ABRIL

Convite: Lançamento de «Razão e Liberdade» (Divulgação)

Nazis e o Vaticano juntos no novo thriller de Frattini (Divulgação)

Edição/reimpressão: Março dezembro de 2012
Páginas: 448
Editor: Porto Editora

Sinopse
Berlim, 1945: entre os escombros de uma capital arrasada, Hitler enfrenta as suas últimas horas de vida. Ou será que não? Numa Europa devastada pela Segunda Guerra Mundial, o jovem seminarista August Lienart vê-se implicado numa operação de grande escala: uma organização enigmática tenta encontrar uma via de escape para os nazis e lançar os alicerces para a construção do Quarto Reich.

Quem estará por trás da sinistra organização secreta em cujas teias se enreda Lienart? Estará a Igreja Católica envolvida na fuga dos criminosos de guerra? Uma incrível e fascinante intriga, plena de suspense e mistério, até à última página.

Ouro do Inferno é o novo thriller do espanhol Eric Frattini, especialista em terrorismo que colabora com a União Europeia. Chega às livrarias a 15 de março, com a chancela da Porto Editora, e junta nazis e o Vaticano, numa parceria no mínimo polémica.

A obra aborda o final da Segunda Grande Guerra, a morte de Hitler e os planos para a construção do Quarto Reich... com a ajuda da Igreja Católica. O autor considera que o livro «tem um terço de fantasia, um terço de realidade e um terço de recriação da realidade».

Críticas
«Eric Frattini mistura realidade e ficção de forma magistral. Em Ouro do Inferno, traz-nos os aspetos mais interessantes da mitologia nazi. O resultado é um livro fascinante.»
Luís Miguel Rocha

A Porto Editora publicou O Labirinto de Água, romance em que Frattini ficciona a possibilidade de a Igreja Católica esconder uma alternativa à versão oficial da vida e morte de Jesus Cristo.
 
Edição/reimpressão: fevereiro de 2010
Páginas: 448
Editor: Porto Editora
 
Sinopse
E se Judas traiu Jesus a seu pedido?
E se Pedro não estivesse destinado a ser chefe da Igreja?
E se a Igreja que Jesus Cristo queria criar não tivesse um papa?

Quando a jovem arqueóloga Afdera Brooks acode ao leito de morte da sua avó, uma excêntrica milionária, colecionadora de obras de arte, recebe como legado as pistas para chegar a uma caixa de segurança de um banco americano onde está guardado um antiquíssimo manuscrito.
Afdera empreende uma viagem por meio mundo para desentranhar o conteúdo desse misterioso documento que culminará em Veneza, o labirinto de água.
A partir do Vaticano, o maléfico cardeal Lienart fará o impossível para que a verdade que se esconde no maltratado pergaminho nunca conheça a luz do dia.