terça-feira, 5 de novembro de 2013

«Uma Coisa Supostamente Divertida Que Nunca Mais Vou Fazer», de David Foster Wallace

Editora: Quetzal
Ano de Publicação: 2013
Nº de Páginas: 456

Uma Coisa Supostamente Divertida Que Nunca Mais Vou Fazer reúne alguns dos mais significativos ensaios que David Foster Wallace (1962-2008) escreveu, dos quais fazem parte artigos originalmente publicados em revistas americanas de conteúdo tão diferente como a cinéfila Premiere, a musical Rolling Stone e a gastronómica Gourmet. Dos nove trabalhos jornalísticos que completam a obra que a Quetzal publicou a 11 de Outubro, portanto, todos têm estilos e conteúdos do mais opostos e imaginários. Na primeira centena de páginas encontra-se o ensaio que deu título ao livro e, sumariamente, é um relato minucioso em que Wallace conta a sua viagem num cruzeiro, de uma semana, que fez em trabalho, pelas Caraíbas. Isto em 1995. «Todas as coisas que vi, ouvi e fiz», diz o autor, foram registadas no seu caderno de viagem, pois este viajante não levou nenhuma máquina fotográfica (e não necessitou mesmo dela; comprovamos). No ensaio, o leitor acompanha intimamente os dias de um «semi-agorafóbico» assumido, que também é obsessivo em perceber todo o modus operandi do extenso stafe do luxuoso navio. Humor, sarcasmo e inteligência marcam este ensaio-remate. O quarto e quinto textos do livro são reportagens que o autor de A Piada Infinita fez em dois festivais que tiveram lugar em dois dos estados americanos: o primeiro, decorrido em 2003, no Maine; o segundo, em Nevada, em 1998. Pensem na Lagosta foi o título que Wallace atribuíu ao artigo que escreveu sobre o Festival da Lagosta, em que a palavra «lagosta» vem citada umas dez vezes em cada uma das páginas 291 a 314. Qual a legitimidade ética de ferver lagostas vivas para degustá-las? — pergunta o escritor. Wallace se concentra nos detalhes mais inusitados, nas situações que resvalam para o absurdo. Começamos a ler o artigo, que inicia-se na página 315, O Grande Filho Vermelho — sobre os Prémios AVN (da indústria de filmes porno), que o jornalista escreveu, sob duplo pseudónimo —, ainda arrotando lagosta, e também digerindo a escrita densa e rica, e cujo estilo ignora as convenções da apuração jornalística. Outros ensaios a referir, que revelam do autor um poder de observação levado ao máximo: o relato do dia 11 de Setembro de 2011; uma resenha acutilante sobre a autobiografia de uma tenista, Tracy Austin; o discurso que David Foster Wallace proferiu a alunos finalistas, em 2005, em que fala-lhes de duas parábolas sobre o trabalho, a integridade, as oportunidades que devem ser agarradas e sobre as escolhas que temos perante qualquer encalço da vida. Duas histórias que fazem reminiscência a Kafka, e ao mesmo tempo a si próprio, ao seu mundo, aos seus «estados» de alma. Fala sobre suicídio.
A capacidade de penetrar minuciosamente nos tormentos psicológicos do que é observável, levou o Los Angeles Times Book Review a definir o falecido escritor como «o mais cerebral e prolífico dos jovens mestres.» Esta edição única, obedeceu a uma escolha editorial da Quetzal dos textos de não-ficção que a esta considerou mais representativos do autor norte-americano. Uma Coisa Supostamente Divertida Que Nunca Mais Vou Fazer está provido de um extraordinário trabalho de tradução, da autoria de Vasco Teles de Menezes. Traduzindo: um livro imperdível.


6 comentários:

Cheila Nogueira disse...

Intrigante

Espiral disse...

Gosto do título e a editora é uma das minhas favoritas.

Marta Vieira disse...

parece interessante o livro

Sandra Santos disse...

Uma edição única em todo o mundo.
Livro interessante.

André Silva disse...

Sublime e intenso

lilia gomes disse...

Adorava ter a oportunidade de ler, quem sabe ainda compre, beijinhos