segunda-feira, 21 de abril de 2014

Os poderes do Perdão, para ler em obra escrita pelo Prémio Nobel da Paz 1984



O caminho para a reconciliação consigo e com os outros
de Desmond M. Tuttu e Mpho A. Tutu

Título Original: The Book of Forgiving – The four-fold path for healing ourselves and our world
Tradução: Isabel Andrade
Páginas: 236
Data de Publicação: 15 Abril 2014
Sinopse
O Livro do Perdão foi escrito pelo Arcebispo e Prémio Nobel da Paz (1984) Desmond Tutu em coautoria com a filha, Mpho, sacerdote da Igreja Episcopal. Expõe as verdades simples sobre o significado do perdão. Todos precisamos de saber como concedê-lo e recebê-lo, e de tomar consciência de que perdoar é a maior dádiva que podemos oferecer a nós mesmos quando nos sentimos injustiçados. Segundo uma perspetiva inovadora, explica como se processa o ciclo do perdão e os quatro passos para lá chegar. Todos nós, sem exceção, podemos passar pela experiência emocional e profundamente terapêutica de perdoar e ser perdoados. Um livro que inspirou práticas pioneiras e bem-sucedidas em países que passaram por graves conflitos internos.


Críticas
«Um procedimento inovador que nos permite reconhecer e lidar com a angústia e o sofrimento… Um novo paradigma que assenta na capacidade transformadora do perdão.» | Annie Lennox, cantora

«Esta obra retira o halo de mistério que tantas vezes envolve o perdão e é também um manual que nos revela a mais libertadora de todas as capacidades humanas em toda a sua complexidade.» | Krista Tippett, apresentadora do programa On Being, emitido pela NPR

«Um guia fundamental que nos ajuda a encontrar o caminho para o bem-estar e a recuperar o equilíbrio biológico, mental e espiritual.» | Deepak Chopra, autor de Soluções Espirituais

Os autores
O Arcebispo Emérito Desmond M. Tutu foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz em 1984 e com o Prémio Templeton em 2013. É membro fundador da organização internacional não-governamental The Elders, tendo sido seu presidente entre 2007 e 2013. Em 1986 foi eleito Arcebispo da Cidade do Cabo, o mais elevado cargo hierárquico da Igreja Anglicana na África do Sul. Em 1994, Nelson Mandela nomeou o Arcebispo Desmond Tutu presidente da Comissão para a Verdade e Reconciliação, cargo em que desenvolveu uma atividade pioneira para ajudar países que tivessem passado por conflitos internos graves. Em 2009, os Estados Unidos da América distinguiram-no com a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração de cidadania concedida por este país.

Mpho A. Tutu filha de Desmond e Leah Tutu, é atualmente diretora da Desmond & Leah Tutu Legacy Foundation. É casada com Joseph Burris e tem duas filhas, Nyaniso e Onalenna.


Excerto: «Em criança, foram muitas as noites em que, impotente, tive de assistir ao meu pai a agredir verbal e fisicamente a minha mãe. Ainda me recordo do cheiro a álcool, do medo estampado nos seus olhos e do desespero impotente que sentimos quando vemos pessoas que amamos magoarem‑se umas às outras de forma incompreensível. Desejo que ninguém passe por essa experiên­cia, sobretudo uma criança. Quando volto a essas memórias, sinto vontade de agredir o meu pai, como ele fazia à minha mãe, e de forma que eu não era capaz em criança. Vejo o rosto da minha mãe e recordo aquele ser humano gentil que eu amava tanto e que não fazia nada para merecer a dor e o sofrimento que lhe eram infligidos.
Quando me recordo desta história, apercebo‑me de como o pro­cesso de perdoar é tão difícil. Racionalmente, sei que o meu pai cau­sou sofrimento, porque ele próprio estava a sofrer. Espiritualmente, sei que a minha fé me diz que o meu pai merece ser perdoado como Deus nos perdoou a todos. Apesar disso, continua a ser difícil fazê‑lo. Os traumas que testemunhámos ou que vivenciámos continuam vivos na nossa memória. Até mesmo anos mais tarde, eles podem reavivar a dor dentro de nós sempre que os recordamos.
Sente‑se magoado e em sofrimento? Trata‑se de uma dor nova ou de uma ferida antiga ainda por sarar? Lembre‑se de que aquilo
que lhe foi feito foi errado, injusto e imerecido. Você tem razão para se sentir indignado. E é perfeitamente natural que queira retaliar, magoando a outra pessoa se ela também o magoou. No entanto, respondermos dessa forma raramente nos satisfaz. Pensamos que sim, mas a verdade é que não. Se eu lhe der uma bofe­tada depois de você me ter dado uma a mim, isso não atenua a dor do que ainda sinto na cara, nem diminui a minha tristeza pelo facto de você me ter agredido. Na melhor das hipóteses, o que a retaliação faz é muito simplesmente permitir um breve período de acalmia da dor emocional que sentimos. A única maneira de vivermos a experiência da cura e da paz é perdoarmos. Enquanto não formos capazes de perdoar, permaneceremos fechados na nossa própria dor e afastados da possibilidade de vivermos a experiência da cura e da liberdade, privados da possibilidade de nos sentirmos em paz.
Sem o perdão, ficamos prisioneiros da pessoa que nos fez mal. Ficamos ligados a ela por grilhões de amargura, presos a ela e encurralados. Enquanto não perdoarmos, ela será a guardiã da chave da nossa felicidade; será o nosso carcereiro. Quando per­doamos, reassumimos o controlo do nosso próprio destino, bem como dos nossos sentimentos. Tornamo‑nos os nossos próprios libertadores. Não perdoamos para ajudar a outra pessoa. Não perdoamos pelos outros. Perdoamos por nós mesmos. Por outras palavras, o perdão é a melhor forma de manifestarmos interesse por nós próprios. Isto é verdade tanto em termos espirituais como científicos.» (pp. 23-24, Cap. I - Porquê Perdoar?).
 


1 comentário:

Filomena Mendes disse...

Deve ser um livro muito interessante, vou tentar encontrar para o ler e consultar sempre que precisar. Obrigado pela informação. F.M.