domingo, 20 de abril de 2014

«Profiler», de Pat Brown

Editora: Guerra e Paz
Ano de Publicação: 2011
N.º de Páginas: 312

Um profiler resolve casos? Segundo Pat Brown, não: um profiler elabora perfis. É precisamente o resultado de dez das suas muitas investigações que a autora apresenta neste livro, The Profiler, publicado originalmente em 2010 nos Estados Unidos, e em Portugal lançado um ano depois, numa tradução de Helena Durães e edição da Guerra e Paz.
O livro divide-se em duas partes. Na primeira, a autora começa por contar a sua história pessoal, de como em 1990, ela, acabada de se licenciar em Antropologia, não encontrando trabalho decide ser uma simples dona-de-casa e mãe a tempo inteiro. Para ajudar nas despesas o marido e ela decidem alugar um dos compartimentos da casa. Walt Williams, um jovem de 22 anos, fora um dos hóspedes da casa localizada em Maryland, nos EUA. Quando uma jovem mulher é encontrada estrangulada num percurso de jogging perto da casa, Pat rapidamente descobre uma forte evidência que aponta para que seja o seu inquilino o provável autor do homicídio. Mesmo na posse de provas, quando Pat vai à Polícia ela é alvo de chacota e alcunhada de possuir uma imaginação fértil. Depois de ter mandado embora Walt da sua casa Pat decide aprender mais sobre psicopatologia, homicídio em série e ciência forense. A autora diz que leu cerca de quatrocentos livros relacionados com o tema, durante os seguintes cinco anos após o sucedido. «Foi a razão que me impulsionou a tornar-me profiler criminal profissional.» Em 1995, com mais conhecimentos e formação, Pat voltou a investigar o caso, qual epifania, que a fez seguir por uma nova vida. Assim ela torna-se analista criminal freelancer, uma investigadora a quem as famílias de vítimas de homicídios cujos autores são desconhecidos contrata para perfilar.
Na segunda parte do livro, Brown revela os pormenores de dez casos que decidiu investigar, guiando os leitores pelos bastidores de crimes bizarros e mortes misteriosas, relatando muitos dos encontros que teve com os prováveis assassinos e familiares de vítimas. Pat Brown leva-nos para as próprias mentes dos prováveis assassinos, que matam a sangue-frio. Mary Beth (uma bibliotecária encontrada morta dentro de um armário), Doris (uma mãe de sete filhos, cujas provas relacionadas com o homicídio tinham sido eliminadas), Missy (uma adolescente agredida sexualmente, cujo principal suspeito era o seu próprio pai, um homem com distúrbios mentais, cuja família não conseguia acreditar ter sido o culpado, e por isso, nove anos depois do ocorrido, ter pedido a ajuda de Pat), Sabrina (uma jovem de catorze anos encontrada no quarto enforcada, mas os pais não acreditavam em suicídio), são alguns dos casos apresentados. Há que salientar que os perfis que Pat elaborou às famílias em cada caso (dos apresentados no livro) não serviram de uma mais-valia para a solução e detenção dos suspeitos. Um profiler não resolve casos… e uma das advertências que a autora transmite, através dos seus relatos, é que os serviços judiciais colaboram muito pouco com profilers criminais que não trabalham para o FBI, o que torna o seu trabalho muito mais facultoso e menos preciso.
Profiler é um livro indicado para quem não perde um episódio de Mentes Criminosas ou CSI, séries que têm feito com que o conceito de perfil criminal esteja familiarizado para a maioria das pessoas. A autora transmite através da linguagem e tom com que compôs o livro, ser uma mulher com auto-estima e auto-confiança extremos, e obcecada com o mundo criminal. Este seu “perfil” cria uma certa apatia entre autora-leitor — este talvez seja o aspecto menos favorável do livro.
Pat Brown é convidada frequente de programas americanos como o The Today Show e The CBS Early Show, e é autora e co-autora de vários livros como The Murder of Cleopatra (2013). Pat também analisou o caso do desaparecimento de Madeleine McCann, e o teor da sua investigação encontra-se publicado em e-book, intitulado Profile of the Disappearance of Madeleine McCann.


10 comentários:

Fátima Martinho disse...

esre livro deve ser muito interessante, é um tema que me fascina

isabel magalhaes disse...

Este livro, apesar do tema que trata ser "sinistro" parece-me bastante interessante, ou não fosse eu viciada na série Mentes Criminosas... :p

Maria Manuela disse...

Este livro aborda uma temática, a amizade que gosto bastante de ler. Incrível como os amigos de infância nos marcam tanto mesmo tendo passado tantos anos.

Marta Vilão disse...

Este livro é interessante na sua forma de ser.

Rita Carmo disse...

A mente dos criminosos é algo que me fascina, sigo atentamente a literatura referente ao tema, assim como séries de televisão e filmes. Este livro será uma das próximas aquisições!

Bárbara Castro disse...

Fico sempre fascinada com este tema e com a personagem principal da série O Mentalista, que me parece ser um bom exemplo de um profiler, bem como com a equipa de Mentes Criminosas. Há algo de mágico em perceber o outro mesmo neste contexto tão sinistro! Um livro que não tinha ouvido falar mas que agora me deixou curiosa!

Tomé,
http://bloguinhasparadise.blogspot.pt/

ica680 disse...

Tipo de livro que gosto, não conhecia, mas vou gostar de ler

Ana Filipa Machado disse...

Este livro suscita-me curiosidade, embora seja concerteza um tema delicado a minha intriga -me e tenho vontade de o ler, sempre "gostei" deste mundo e tentar entender a cabeça destas pessoas que cometem estas atrocidades.

Ana Rodrigues disse...

Gosto deste tipo de livros e este abriu-me muito a curiosidade. Sem dúvida que vou comprar e ler.

Liliana Santos disse...

Não sabia que existia este livro.
Fiquei bastante interessada por ser um tema de que goste bastante.
Penso adquiri-lo brevemente. :)