Páginas

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

«A Rapariga do Último Verão», de Leslie Wolfe

Data de publicação: Setembro de 2025
N.º de páginas: 320

A Rapariga Sem Nome foi o romance de estreia da escritora norte-americana Leslie Wolfe em Portugal, em junho de 2019. Desde então, a editora Alma dos Livros já publicou mais catorze títulos desta autora fascinada por Psicologia. Leslie Wolfe — que integra o top 3 das escritoras de tríleres mais lidas no nosso país — apresenta aqui o quarto volume da Série Kay Sharp, depois de A Rapariga do Lago Silencioso, A Rapariga na Água e Raparigas no Inferno
Em A Rapariga do Último Verão, traduzido por Carla Ribeiro a partir de The Girl on Wildfire Ridge (originalmente lançado em 2022), a narrativa destaca-se pelo ritmo acelerado e pela tensão constante, sustentados por uma sucessão de reviravoltas que mantêm o suspense sempre elevado. 
O corpo de Jenna, uma adolescente de dezassete anos dada como desaparecida, é encontrado nas montanhas isoladas de Mount Chester, na Califórnia: «Ninguém tinha ouvido os seus gritos. Ninguém a podia ajudar.»; «Deitando a cabeça latejante na rocha áspera coberta de musgo, resignou-se a enfrentar a fria escuridão sozinha na montanha.» 
Para a detetive Kay Sharp, tudo indica que a vítima sofreu bullying online e foi aliciada e drogada por um homem mais velho, supostamente o autor das últimas palavras que Jenna ouve antes de morrer: «o que te aconteceu hoje foi inteiramente obra tua e nada menos do que mereces». Quando uma segunda rapariga desaparece, a investigação — já por si complexa — ganha contornos ainda mais densos, intensificando o suspense e envolvendo o leitor de forma quase visceral, numa leitura marcada pela urgência e pela tensão emocional. 
A Rapariga do Último Verão é um tríler bem escrito e envolvente, fiel à qualidade da série, mas emocionalmente exigente devido aos temas sensíveis que aborda. A evolução da detetive Kay Sharp enquanto personagem é um dos pontos mais fortes da narrativa, sobretudo na forma como enfrenta o seu passado enquanto resolve o caso. Aliás, este volume aprofunda significativamente a história pessoal de Kay, explorando a figura do pai e o segredo que partilha com o irmão, Jacob. 
Apesar do tom sombrio, o romance mantém uma leitura ágil e cativante, com uma escrita direta e eficaz, aproximando-se do estilo de autoras consagradas do género, como Karin Slaughter.

Sem comentários:

Enviar um comentário