Páginas

quinta-feira, 2 de abril de 2026

«Amor e Desconcerto do Mundo», uma abordagem abrangente da lírica camoniana


Após a publicação de Amore e Disordine del Mondo – sonetti e altre poesie (edição bilingue português-italiano), a Shantarin Editora apresenta agora a versão monolíngue Amor e Desconcerto do Mundo – sonetos e outros poemas. Nesta obra de Luís de Camões, desafia-se a leitura tradicional da lírica camoniana: mais do que um simples tema literário, o amor afirma-se como a força que simultaneamente estrutura e desestabiliza o mundo e o próprio sujeito.

Resultado de uma abordagem que encara o amor como elemento estruturante da existência e das relações humanas, esta antologia distancia-se de uma visão homogénea ou cristalizada de Camões, destacando antes a riqueza e complexidade do seu pensamento poético. Amor e Desconcerto do Mundo – sonetos e outros poemas propõe uma interpretação da experiência amorosa nas suas diversas manifestações, atravessando dimensões afetivas, éticas e sociais, e revelando-a como um espaço privilegiado de tensão, conflito e conhecimento.

Organizada e traduzida pela reconhecida camonista Valeria Tocco (Università di Pisa), esta edição percorre um arco que vai da exaltação do amor neoplatónico ao pessimismo melancólico do Maneirismo. O volume inclui ainda um ensaio de Vítor Manuel de Aguiar e Silva (Universidade do Minho) e ilustrações de Marta Nunes, que acrescentam uma nova dimensão estética aos versos do autor de Os Lusíadas.

Erros meus, má fortuna, amor ardente,
em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava amor somente.

«Camões está para o imaginário coletivo português como Dante para o italiano ou Shakespeare para o inglês: é o grande poeta, o fundador da identidade cultural nacional» Valeria Tocco

O clássico ensaio de José Medeiros Ferreira sobre a Revolução do 25 de Abril


No mês em que se assinalam os 52 anos da Revolução dos Cravos, importa destacar a obra A Revolução do 25 de Abril. Ensaio Histórico, de José Medeiros Ferreira, publicada pela Shantarin Editora e actualmente na sua 3.ª edição.
A presente edição é enriquecida por um texto de introdução (lê um excerto aqui) da autoria de Pedro Aires Oliveira e Maria Inácia Rezola, que contribui para um enquadramento historiográfico mais aprofundado da obra. De referir que este livro integra as recomendações do programa LER+, do Plano Nacional de Leitura.

Texto sinóptico
A 25 de abril de 1974, um grupo de militares portugueses derrubou uma das últimas ditaduras da Europa ocidental do séc. XX e apresentou-se ao País com um programa político assente em três pilares: Democratizar, Descolonizar e Desenvolver. Aquela que ficou conhecida como a Revolução dos Cravos inaugurava a «terceira vaga da democratização» (Samuel P. Huntington), que depois atingiu a Espanha, a Grécia e dezenas de outros países na América Latina, na Ásia e Pacífico, em África e na Europa de Leste.

Um ano antes, em Abril de 1973, fora apresentada ao 3.º Congresso da Oposição Democrática em Aveiro uma tese que José Medeiros Ferreira enviara do exílio na Suíça. Na referida tese, recebida com desconfiança por vários setores da Oposição, mas que viria a revelar-se premonitória, o autor sublinhava a necessidade de envolvimento das Forças Armadas, primeiro, para pôr termo à ditadura e à guerra nas colónias africanas, e depois para apoiar a execução de um plano de ação nacional que, precisamente, conduzisse à descolonização, à democratização e ao desenvolvimento. Da pena de Medeiros Ferreira — que, regressado do exílio pouco depois da Revolução, desempenhou um papel de relevo na abertura da jovem democracia portuguesa à Europa e ao mundo, afirmando-se mais tarde como um dos mais brilhantes académicos de história contemporânea da sua geração — sairia à estampa, em 1983, o Ensaio Histórico sobre a Revolução do 25 de Abril, que agora se reedita.

Nesta primeira tentativa, pioneira e ousada, de registar uma história da Revolução portuguesa, reconhecendo os riscos da proximidade temporal entre o texto e o objeto de estudo, e bem assim da proximidade entre o narrador e a ação histórica em que fora interveniente, o autor impôs-se um redobrado esforço de rigor metodológico, nomeadamente na seleção, análise e interpretação das fontes disponíveis, legando uma obra que se mantém fundamental, atual e intelectualmente desafiante.

O autor
José Medeiros Ferreira (1942-2014), nascido em S. Miguel, Açores, doutorou-se em História Institucional e Política e foi docente universitário. Enquanto político, fez parte do primeiro Governo Constitucional de Portugal, em 1976. É autor, entre outros, dos livros Os Açores na Política Internacional (2011) e da 
obra póstuma Memórias Anotadas (2017).

Edição em espanhol: La Revolución de los Claveles en Portugal. Ensayo histórico

«A Península das Casas Vazias», o maior fenómeno editorial em Espanha

J. Teixeira de Aguilar trabalhou na tradução portuguesa de A Península das Casas Vazias, obra narrada em tom de realismo mágico, fruto de quinze anos de trabalho e de uma exaustiva viagem de documentação e memória pela geografia espanhola. Para a sua criação, recebeu as bolsas Leonardo e Montserrat Roig.
Ainda hoje, dois anos depois de ter sido publicado, não há em Espanha quem não fale deste romance, já considerado um dos mais importantes sobre a Guerra Civil espanhola, com mais de 300 mil exemplares vendidos, prémios atrás de prémios, assim se tornando num dos maiores acontecimentos literários dos últimos tempos. 
David Úcles
(n. 1990), a nova estrela das letras espanholas é licenciado e mestre em Tradução e Interpretação, escritor, músico e desenhador.
Publicou os romances La ciudad de las luces muertas (2026), La Península de las Casas Vacías (2024), Emilio y Octubre (2020) e El llanto del león (2019). 

A Península das Casas Vazias (obra com 688 páginas; ebook disponível aqui), que chegou às livrarias a 24 de Março, recebeu os seguintes prémios:

Prémio Cálamo Melhor Livro do Ano 2024
Prémio Dulce Chacón 2025
Prémio Andaluzia da Crítica 2025
Prémio Kelvin 505 para o melhor romance original em castelhano 2025
Prémio Espartaco para o melhor romance histórico 2025
Prémio Literário Arcebispo Juan de San Clemente 2025
Prémio Festival 42 para melhor romance em castelhano 2025
Prémio Un Año de Libros 2025 El Corte Inglés Melhor Livro de Ficção

Sinopse
Estamos em presença da história da decomposição total de uma família, da desumanização de um povo, da desintegração de um território e de uma península de casas vazias.
A história de um soldado que retalha a pele para deixar sair a cinza acumulada, de um poeta que cose a sombra de uma menina a seguir a um bombardeamento e de um professor que ensina os seus alunos e fazerem-se de mortos; de um general que dorme junto da mão cortada de uma santa, de um menino cego que recupera a vista durante um apagão e de uma camponesa que pinta de preto todas as árvores do seu quintal; de um fotógrafo estrangeiro que pisa uma mina perto de Brunete e não levanta o pé durante quarenta anos, de um habitante de Guernica que conduz até ao centro de Paris uma furgoneta com os restos fumegantes de um ataque aéreo e de um cão ferido cujo sangue tingirá a última faixa de uma bandeira abandonada em Badajoz.
Estamos, pois, em presença da história total da Guerra Civil espanhola e de uma Ibéria agonizante onde o fantástico escora a crueza do real; onde os anónimos membros de um extenso clã de olivicultores de Jándula cruzam os seus destinos com os de Alberti, Lorca e Unamuno; Rodoreda, Zambrano e Kent; Hemingway, Orwell e Bernanos; Picasso e Mallo; Azaña e Foxá; onde o épico e o costumbrista se entrelaçam para tecer uma portentosa tapeçaria, poética e grotesca, bela e delirante.

Elogios
«Uma família do Sul afunda-se na Guerra Civil espanhola como na maldição de um naufrágio. David Uclés relata a história desta estirpe – espelho de um país inteiro – com perfeito pulso narrativo e exuberância, com insólito engenho, com humor e dor, com o dom da fantasia alada e a imagem nítida.» Irene Vallejo

«É um livro único e extraordinário. Comoveu-me e fez-me entender e sofrer pela Guerra Civil de Espanha. Personagens inesquecíveis e uma prosa mágica que desafia os limites da realidade.» Gioconda Belli

«Que a imaginação é porventura a ferramenta mais reveladora, sólida e bela de investigação da realidade é algo que David Uclés demonstra em cada página deste livro, capaz de encontrar beleza nas paisagens desoladas de um dos episódios mais importantes da história recente da Europa, que talvez tenha sido contada antes, mas nunca assim.» Fernando León de Aranda

«Nenhum romance contemporâneo me comoveu tanto como A Península das Casas Vazias. Estou assombrado e agradecido.» Pablo Martín Sánchez

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Chegam a Portugal livros de Tara Menon e Siri Hustvedt com tradução de Tânia Ganho

Tânia Ganho assina a tradução de dois livros que vão ser lançados nas próximas semanas, pelas editoras Livros do Brasil e Dom Quixote.

Debaixo de Água é uma história sobre amizade e luto, sobre a beleza e a devastação do mundo natural. Este romance de estreia da escritora indiana Tara Menon, actualmente a viver nos Estados Unidos da América, teve direitos vendidos para mais de trinta línguas ainda antes do lançamento. Nas livrarias a 2 de Abril.

Fantasmas - Um livro de memórias, a publicar a 5 de Maio, é um relato biográfico da autoria da romancista, ensaísta e poeta americana Siri Hustvedt. O livro inclui o esboço da última obra de Paul Auster - seu ex-marido falecido em Abril de 2024. Verão Sem Homens, Aquilo que Eu Amava, Elegia Para Um Americano, O Mundo Ardente (tradução de Tânia Ganho) são títulos de alguns dos seus livros publicados no nosso país. A sua obra está traduzida para mais de trinta línguas.  

Texto sinóptico
Quando Marissa perde a mãe, aos seis anos, é levada pelo pai para viver numa pequena ilha tailandesa, no mar de Andamão. É aí que conhece Arielle e juntas tornam-se companheiras de exploração das maravilhas da natureza envolvente, feita de florestas, recifes e praias. Sustendo a respiração, mergulham cada vez mais fundo e nadam lado a lado com as jamantas, que aprenderam a reconhecer individualmente. Até que, a 26 de dezembro de 2004, um tsunâmi se ergue do oceano Índico e as duas amigas são separadas pelas águas que tanto as haviam unido. Oito anos mais tarde, Marissa vive em Nova Iorque e à medida que uma tempestade de grande intensidade se aproxima vê-se levada de volta ao passado e a uma reflexão sobre a fragilidade da existência. 



Texto sinóptico
Fantasmas é a obra mais pessoal de Siri Hustvedt até à data, uma reflexão sobre os mais de quarenta anos que passou com o marido - o escritor, poeta e cineasta Paul Auster -, desde o encontro de ambos na Nova Iorque dos anos 1980 até à morte dele, em 2024. Siri Hustvedt partilha entradas de diário, notas e cartas de amor trocadas ao longo das décadas, bem como o último livro de Paul Auster - o inacabado Cartas a Miles - dedicado ao neto, nascido a 1 de janeiro de 2024. Parte livro de memórias, parte investigação filosófica, Fantasmas explora a intimidade de uma vida partilhada, os rituais do luto, o poder da linguagem e a própria natureza humana. É uma reflexão profunda sobre o que deixamos para trás e os fantasmas que habitam em nós - mesmo quando seguimos em frente. 

Outro livro de memórias a publicar pela LeYa: Indignidade - Uma vida reimaginada, de Lea Ypi