A coleção Ensaios da Fundação obedece aos princípios estatutários da Fundação Francisco Manuel dos Santos: conhecer Portugal, pensar o país e contribuir para a identificação e para a resolução dos problemas nacionais, assim como promover o debate público. O principal desígnio desta coleção resume‑se em duas palavras: pensar livremente. Eis os ensaios a publicar durante este mês de Maio.
Energia e digitalização, As escolhas da transição mostra como o futuro exige um equilíbrio difícil a nível energético (entre sustentabilidade a preços baixos e abastecimento sem paisagens alteradas), digital (entre inovação, direitos e privacidade) e político (entre o papel do Estado, do mercado e da sociedade civil). Defende, contudo, que vivemos uma oportunidade histórica para o país, que tem recursos renováveis ímpares, caso ultrapasse a retórica política, e desafia cada cidadão a participar nas escolhas desta mudança acelerada.
Excerto
«A escala do planeta, geológica, multimilenar, passa por transformações radicais ao longo de milhões de anos, com períodos muito mais quentes e muito mais frios, e atmosferas com muito mais e com muito menos dióxido de carbono. A questão fundamental não é se o planeta sobreviverá, porque vai sobreviver. A questão é se nós seres humanos, nós ecossistemas, nós biodiversidade, conseguiremos sobreviver neste planeta com as condições que estamos a criar.» (p. 14)Hugo Martins de Carvalho é engenheiro, tem-se dedicado às áreas da inovação e da tecnologia, mais recentemente na vertente da inteligência artificial. Foi deputado à Assembleia da República entre 2019 e 2024. Presidiu, a convite do Governo, à Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis (EMER 2030). Foi presidente do Conselho Nacional de Juventude, membro do Conselho Económico e Social e do Conselho Nacional de Educação.
Regiões Autónomas analisa o funcionamento das instituições políticas na Madeira e nos Açores e as suas relações com o poder central, a Europa e o Atlântico, desde o início do séc. XIX. Pelo caminho, explica as identidades próprias e dinâmicas específicas das democracias e das autonomias insulares, em renovação constante, unindo o passado de resistência ao presente de liberdade e progresso.Sabia que é devido aos Açores e à Madeira que a zona económica exclusiva de Portugal é a terceira maior da Europa?Excerto
«A Autonomia própria das Regiões Autónomas é uma Autonomia com integração (Miranda, 2020). É a Autonomia — sejam quais forem as razões em que esta se funde — de comunidades que compõem, com outras, um povo, ao qual corresponde um certo e determinado Estado e que, por essa via, têm pleno acesso à soberania desse mesmo Estado.» (p. 19)
Paulo Miguel Rodrigues é professor associado na Faculdade de Artes e Humanidades da Universidade da Madeira. É mestre e doutor em História Contemporânea, pelas Universidades de Lisboa e da Madeira, e licenciado em História. Em 2021, publicou a obra Dicionário Breve da História da Autonomia da Madeira.
Pensar o futuro: Portugal e o mundo em prospetiva estratégica apresenta a prospetiva estratégica, disciplina prática que analisa como governos e instituições podem passar da mera gestão de crises para uma verdadeira cultura de preparação. Guia-nos por um ecossistema global de antecipação — da resiliência da Finlândia ao pragmatismo de Singapura — e mostra que Portugal tem de treinar o seu «músculo intelectual» para transformar sinais fracos do ‘onde’, o ‘como’ e o ‘que’ se pensa sobre o futuro em decisões robustas e planos de ação que resistam ao teste do tempo.Excerto
«Efetivamente, é mais fácil explicar o que é a prospetiva estratégica começando por aquilo que ela não é. Não é nem predição, nem adivinhação, nem mesmo previsão (forecast, em inglês), embora as previsões ou projeções possam complementar as análises prospetivas, dependendo da área em foco.» (pp. 19-20)
Ricardo Borges de Castro é analista em assuntos europeus e globais, com mais de 25 anos de experiência em relações internacionais, políticas públicas e prospetiva estratégica. As suas áreas de interesse centram-se na geopolítica, no papel internacional da UE e no futuro da Europa, nas relações transatlânticas, nas tendências globais e nos cenários. É mestre em Artes (MALD) pela The Fletcher School e doutor (DPhil) em Relações Internacionais pela Universidade de Oxford (St Antony's College).



Sem comentários:
Enviar um comentário