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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Novos livros de Gabriela Relvas e Susana Amaro Velho abordam a solidão e o luto, o abuso e a violência


Cai Neve no Diabo é o mais recente romance da escritora, actriz e apresentadora Gabriela Relvas. Editado pela Minotauro a 3 deste mês, esta é uma história surpreendente sobre a solidão e a superação do luto.
Foi com A Ilha da Formiga (2019) que a autora nascida em 1983 se estreou na literatura. Seguiram-se Gula de Uma Rapariga Esquelética de Amor (2022), Uma Vaca a Arrotar Metano (2024) e A Confissão da Defunta (2025).

Sinopse
Uma mulher marca um encontro com um homem - «às vinte em ponto no Diabo» - por necessidade de sair das catacumbas da sua solidão. Abre a porta de casa. Vemos que está de cabelo rapado. Vemos que veste um vestido-verão-ambulância num inverno rigoroso. Vemos que carrega um bicho gigante às costas, que fede mais a mãe do que a bicho e tem o peso de dois caixões.
Uma mulher marca um encontro com um homem e acontece uma história em cima de outra história, que a mudará para sempre. Ou deveremos dizer, que os mudará para sempre? Sim. Mudará a mulher, mudará o homem, mudará a autora.
Uma mulher marca um encontro com um homem e acontece um romance repleto de monstros e de misericórdia, assim como de cadernos de autora escritos na imprevisibilidade dos dias, que, juntos, gritam a duplicidade da condição humana, feita de ficção e não-ficção, numa entreajuda constante e inevitável. O desfecho é surpreendente.


A Casa das Letras publicou anteontem Sou Uma Multidão Minúscula, um romance profundamente humano sobre aquilo que herdamos sem escolha, o que tentamos esconder, e a forma como a violência atravessa gerações. Afirma-se como um tributo à memória das mulheres silenciadas pelo abuso. Este quinto romance de Susana Amaro Velho faz-nos perguntar: Até onde iríamos por um filho quando a justiça falha? O que fazer quando sobreviver e permanecer íntegro tornam-se caminhos separados e inconciliáveis? 
Susana Amaro Velho (n. 1986) estudou Jornalismo e trabalha actualmente como freelancer na área da comunicação. Publicou o primeiro romance em 2017, As Últimas Linhas Destas Mãos, seguindo-se Bairro das Cruzes (2019), Inquieta (2022), O Sono Delas (2024) e Descansos (2024).

Sinopse
Em 1971, numa aldeia esquecida, Margarida cresce no casarão da colina rodeada por uma felicidade postiça. Há o piano de Elvira, os salões antigos cheios de livros, a presença de Jaime, filho da casa, e os dias longos de uma infância que parece ainda protegida. Mas longe da delicadeza dos gestos e da ordem dos dias, a brutalidade repete-se, aceite como uma fatalidade doméstica. Margarida é empurrada para fora daquela beleza encenada e aprende cedo que crescer é ser expulso da própria infância.
Décadas mais tarde, viúva e mãe de dois filhos, procura equilibrar-se entre três empregos e a luta diária pela sobrevivência. Mas quando um novo ato de violência ameaça destruir aquilo que mais ama, é obrigada a regressar ao lugar exato que decidira abandonar no passado. Proteger a filha poderá exigir-lhe o impensável.
Cruzando duas histórias de violência atravessadas pela mesma protagonista, Susana Amaro Velho constrói uma narrativa de tensão crescente, onde a estrutura e o jogo de perspetivas desafiam continuamente o leitor, confirmando a sua singularidade na forma como desmonta o rumo dos acontecimentos.

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