terça-feira, 14 de novembro de 2023

PACTOR e LIDEL publicam as obras «Violência nas Escolas» e «Saúde Escolar»

A editora PACTOR acaba de publicar um livro com dados exclusivos sobre a violência escolar, baseados em informações oficiais e ainda não divulgadas. A obra Violência nas Escolas: Caracterização, Análise e Intervenção é um recurso essencial para profissionais, estudantes e investigadores e para todos os interessados na defesa e promoção dos direitos das crianças e jovens.

A editora LIDEL fortalece o seu contributo na área da enfermagem com o lançamento do livro Saúde Escolar: Intervenções de Promoção de Saúde, com a coordenação e autoria de Elisabete Borges e Teresa Martins, Professoras Coordenadoras da Escola Superior de Enfermagem do Porto
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Texto de apresentação
Um recente relatório da UNICEF aponta para que metade dos alunos em todo o mundo já tenha vivenciado violência na escola ou nas suas imediações. Em Portugal, a violência na escola é também uma realidade crescente e preocupante, comprovada pelas mais de nove mil ocorrências anuais em média na última década.
O presente livro apresenta os números reais sobre a violência nas escolas portuguesas, até agora desatualizados, permitindo fazer aqui uma caracterização e análise das várias dimensões da problemática.
São analisadas as consequências oficiais dos fenómenos criminais ligados à esfera escolar, como a delinquência juvenil, a criminalidade grupal, o bullying e cyberbullying e a violência no namoro, fenómenos estes que desencadeiam muitas vezes a sinalização de crianças e jovens por comportamentos de perigo, o internamento em centros educativos e, em consequência última, a pena de prisão.
Com esta obra pretende-se contribuir para mais e melhores planos de ação, com o intuito de dar a conhecer a realidade da violência escolar no nosso país, comprometendo o Governo, a escola, a comunidade educativa e a família para uma cultura de paz e para a construção de respostas que possam auxiliar na execução de programas educativos eficazes na prevenção e intervenção sobre os vários tipos de violência em ambiente escolar.

Alguns dos conteúdos abordados no livro
- Delinquência juvenil enquanto fenómeno criminal e suas consequências oficiais
- Sistema de justiça juvenil português
- Crianças/jovens sinalizados por comportamentos de perigo
- Violência no namoro
- Ocorrências criminais em ambiente escolar
- Natureza criminal e não criminal da violência nas escolas
- Programa Escola Segura das Polícias

Público-alvo
Profissionais das polícias e forças de segurança;
- Alunos e professores de cursos de Criminologia e Ciências Policiais;
- Docentes do ensino básico ao secundário;
- Técnicos e investigadores de Intervenção Social, Psicologia e de outras áreas que lidem com estas matérias.

O autor
Miguel Rodrigues é chefe da Polícia de Segurança Pública (PSP), com 20 anos de experiência profissional, incluindo no Programa Escola Segura (PES). Docente do Ensino Superior. Investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento (CEIED). Doutorado e Pós-Doutorado em Educação. Licenciado e Mestre em Serviço Social. Pós-Graduado em Criminologia. Possui especializações em: Cibercrime; Profiling Criminal; Tráfico Humano; Vitimologia Forense; Suicídio e Comportamentos Autolesivos; Psicologia do Luto; Bullying e Cyberbullying; Alienação Parental; Depressão na Infância; Violência Doméstica; Igualdade de Género e Orientação Sexual; Mutilação Genital Feminina; e Técnico de Apoio à Vítima.



Texto de apresentação

A principal missão da saúde escolar é promover a consciência coletiva de que a saúde é um bem valioso, da responsabilidade de todos. Investir nesta área significa investir duplamente, tanto na educação quanto na saúde. Adicionalmente, ao promover o bem-estar físico, emocional e social, a saúde escolar desempenha um papel crucial na promoção da inclusão e equidade, contribuindo para a formação de adultos saudáveis. Neste contexto, os enfermeiros têm um papel fundamental, implementando estratégias criativas e inovadoras que ajudem crianças e jovens a compreender e adotar comportamentos saudáveis, sendo, assim, capazes de tomar decisões informadas sobre a saúde e bem-estar.
Este livro é uma ferramenta multifacetada e orientadora, tanto na conceção de ideias, de estratégias e de atividades, como na sua implementação e posterior avaliação, projetada com base na atividade de profissionais da área com diferentes especializações. Na primeira parte, é feito um enquadramento da área, abordando temas essenciais como projetos escolares, avaliação da intervenção, recursos pedagógicos, desenvolvimento de competências em crianças e jovens e ação participativa. Na segunda parte, em que os capítulos apresentam especificidades e estratégias para cada grupo etário distinto, são abordados temas frequentes como saúde oral, alimentação, sono, bullying, comportamentos aditivos, entre outros.
Este livro aborda, assim, a saúde escolar, de uma forma simples e clara, útil para Enfermeiros que trabalhem em contexto escolar, de saúde comunitária e familiar ou de saúde infantil e juvenil.

Excerto da introdução
«A todos os leitores que consultarem o livro, sugerimos que o vejam como um guia que pode ser adaptado às suas necessidades e preferências pessoais. Tal como numa receita, os ingredientes e a finalização podem ser ajustados de acordo com o gosto individual e a situação em questão.»

Público-alvo
- Enfermeiros, educadores e professores


As coordenadoras e autoras
Teresa Martins é Professora coordenadora da Escola Superior de Enfermagem do Porto; Doutora em Psicologia da Saúde; Mestre em Saúde Pública; Especialista em Enfermagem de Saúde Pública; Investigadora do CINTESIS@RISE.

Elisabete Borges é Professora coordenadora da Escola Superior de Enfermagem do Porto; Pós-Doutorada e Doutora em Enfermagem; Mestre em Filosofia-Bioética; Especialista em Enfermagem Comunitária; competência acrescida diferenciada em Enfermagem do Trabalho; Investigadora do CINTESIS@RIS.

As publicações mais recentes da Escolar Editora

Faz Merdas Épicas
, de Ankur Warikoo

Ankur Warikoo é um empreendedor e criador de conteúdos cujos pensamentos profundos, astutos e brutalmente honestos sobre sucesso e fracasso, dinheiro e investimentos, autoconsciência e relações pessoais.
É também professor e mentor. Atualmente, passa o tempo a criar conteúdos, a ensinar online e a orientar fundadores principiantes.
No seu primeiro livro, Ankur apresenta as ideias-chave que estimularam o seu percurso — um que começou com o seu desejo de ser engenheiro espacial e que finalizou com ele a criar conteúdos que já foram vistos e lidos por milhões de pessoas.
Os seus pensamentos vão da importância de criar hábitos para um sucesso a longo prazo aos fundamentos da gestão de dinheiro, de abraçar e aceitar o fracasso à verdade sobre a empatia na aprendizagem.


Nudge - Dê a Si Mesmo Um Empurrã
o, de Ralph L. Keeney

A melhor forma de melhorar a qualidade da sua vida é através das decisões que toma. Este livro apresenta-lhe várias competências fundamentais na tomada de decisão, fornece numerosas aplicações e exemplos e, em última instância, impele-o a fazer escolhas mais inteligentes. Estes «empurrões» desenvolvem decisões mais desejáveis que pode enfrentar identificando os objetivos para as mesmas e criando alternativas melhores do que as consideradas inicialmente. Todos podemos melhorar as nossas tomadas de decisão e colher a maior qualidade de vida que daí resulta. Este livro mostra-lhe como fazê-lo.


Problemas Indomáveis
, de Russ Roberts

Roberts explora as decisões que tomamos nas nossas vidas e como elas nos moldam como indivíduos. Ele discute tópicos como carreira, relacionamentos, finanças e ética, fornecendo conhecimento e conselhos sobre como fazer escolhas que nos ajudem a tornarmo-nos pessoas mais fortes e resilientes.
O autor argumenta que as decisões que tomamos ao longo da vida são cruciais para moldar quem somos e o que alcançamos. E enfatiza a importância de tomar decisões informadas e conscientes, e não apenas seguir a multidão ou agir por impulso. Ele destaca que a vida é cheia de problemas “indomáveis", desafios com plexos que requerem habilidades de pensamento crítico, resolução de problemas e tomada de decisões.
O livro é dividido em quatro partes, cada uma com várias secções nas quais o autor partilha histórias pessoais, exemplos da vida real e conhecimentos baseados na sua própria experiência e estudo.
Uma visão valiosa sobre como tomar decisões informadas e conscientes que ajudarão o leitor a alcançar os seus objetivos e a viver uma vida significativa e satisfatória.


Como Dominar a Sua Mente
, de Napoleon Hill

Uma obra clássica e inovadora, de Napoleon Hill. Em Como Dominar a Sua Mente, o Dr. Hill mostra-lhe o modo de estabilizar a sua mente e alcançar o sucesso na vida. Como continuadamente repetia o autor, a acção é crítica para o sucesso.
Mas o leitor tem de pensar antes de agir ou as suas acções serão em vão. Esta obra intemporal acerca do pensamento e reflexão antes da acção e da decisão provar-lhe-á ser essencial na ajuda para alcançar os seus principais objectivos. E para isso, terá de aprender a dominar a sua própria mente.
Como Dominar a Sua Mente é um autêntico curso superior em como pensar focado no sucesso. Ao longo de três capítulos cativantes, Napoleon Hill demonstra como organizar, como estabelecer prioridades e como agir baseado em informação de modo a que tudo se traduza em oportunidades positivas.


Overthinking - A Cura Para o Pensamento Excessivo
, de Nick Trenton

A preocupação é uma parte normal da vida, mas pode ser um problema quando fica excessiva. Overthinking: A cura para o Pensamento Excessivo, oferece uma série de ferramentas e estratégias para o ajudar a gerir a sua preocupação.
Nick Trenton, começa por definir a preocupação nos seus diferentes tipos e os efeitos negativos, tanto físicos como mentais. Ele também discute os diferentes fatores que podem contribuir para o Pensamento Excessivo, como a genética, a personalidade e as experiências de vida.
Na segunda metade do livro, Trenton fornece uma série de ferramentas e estratégias para o ajudar a gerir a sua preocupação. Essas ferramentas incluem técnicas de relaxamento, como a respiração profunda e a meditação. Aborda também a importância de estabelecer limites e de procurar ajuda profissional quando necessário.
Ao usar as ferramentas e estratégias que Nick Trenton fornece em Overthinking, pode aprender a gerir a sua preocupação e viver uma vida mais plena e feliz.


Escute, Expresse e Fale!
, de António Sacavém, L. Kyrillos, M. Jung e T. Brieu

Se tem dificuldades em conectar-se com os outros para além da conversa fiada ou se fica sem palavras diante de certas pessoas e situações, saiba que esse desconforto é bastante comum e, mais importante ainda, solucionável. Melhorar as suas competências de comunicação é a chave para normalizar ideias e pensamentos, aproximar pessoas, diminuir diferenças e produzir diálogos saudáveis e relações sustentáveis.
Neste livro, António (autor de Aprenda a Dizer Não Sem Culpas; A Linguagem Corporal Revela o que as Palavras Escondem), Leny, Milton e Thomas reuniram um conjunto de recursos de comunicação para estabelecer trocas eficazes — seja nos diálogos internacionais ou nas conversas locais; seja no escritório da empresa ou à mesa do jantar.
Este livro vai ajudá-lo a criar vínculos emocionais com as outras pessoas, através da empatia, da escuta ativa, da vulnerabilidade positiva, etc. Ao estar mais consciente da sua linguagem corporal, da expressividade na sua voz e do processo de “escutatória”, vai influenciar as pessoas de forma bem-sucedida. Através deste livro, vai aprender a conhecer-se a si próprio e, também, a compreender o outro, de forma genuína, generosa e eficiente.
Este livro ensina-o a criar vínculos conjugando comunicação efetiva e afetiva, empatia e exigência, acolhimento com posicionamento, vulnerabilidade com coragem. Inspira-o a conhecer-se a si próprio e a compreender o outro, e a ser genuíno, generoso e eficiente. Ainda vai aprender através de exemplos e experiências diversas. O livro aborda tudo isto e muito mais, e pretende preparar o leitor para os desafios da expressão e da comunicação.

Outro livro a publicar em breve pela Escolar Editora: Domina as Redes Sociais, de Miguel Raposo.

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

«Seios e Óvulos», de Mieko Kawakami

Editora: Casa das Letras
Data de publicação: 22-08-2023
N.º de páginas: 504

A ficção japonesa traduzida ganhou uma nova voz de relevo. A escritora Mieko Kawakami causou celeuma entre os conservadores e o establishment literário no Japão quando o seu segundo romance, Chichi to Ran, foi publicado em 2008. O livro, que explora a feminilidade, a repulsa corporal e a maternidade, acabou por ser galardoado com o mais prestigiado prémio literário do seu país. O livro foi completamente reescrito e aumentado (a versão inicial tinha 138 páginas) em 2019, supostamente, com o intuito de ser bem "acolhido" pelos editores internacionais. Assim foi: uma tradução para o inglês de Natsu Monogatari foi publicada em 2020, sob o título Breasts and Eggs. A partir dessa tradução inglesa, chegou até aos leitores portugueses Seios e Óvulos, um trabalho de tradução assinado por Renato Carreira.
Esta obra, desta autora literariamente “apadrinhada” por Haruki Murakami (a autora o entrevistou ao longo de dois anos, encontros que resultaram num livro publicado em 2017), já foi traduzida para cerca de três dezenas de idiomas, tendo-se tornado um sucesso de vendas internacional.
Esta história está dividida em duas partes. A primeira, passa-se em 2008 e inicia-se quando Natsuko Natsume, de 30 anos, que tem a pretensão em vir a ser escritora, recebe na sua casa, em Tóquio, a visita da irmã e sobrinha. Enquanto confraternizam e relembram as dificuldades por que passaram — foram criadas pela avó, após fugirem de um pai agressivo —: «Não tínhamos dinheiro. Não tínhamos nada. Mas tínhamo-nos umas às outras. Tínhamos as nossas palavras e todos os sentimentos que nunca sequer tínhamos pensado traduzir em palavras.»
Makiko trabalha muito num bar em Osaka, passa dificuldades financeiras, mas mesmo assim, a sua visita à irmã mais nova não foi mais do que um pretexto para ir a uma consulta para pôr implantes mamários — a sua obsessão é tornar os seus seios maiores.
Midoriko, a sobrinha da protagonista, é uma jovem a entrar na puberdade, que está a descobrir a sua identidade sexual, não consentindo as transformações inerentes ao processo de vir a se tornar uma mulher. Uma entrada do seu diário diz: «Depois de ter o período, o corpo consegue fertilizar espermatozoides. E isso significa que podemos engravidar. (…) Fico um bocado deprimida só a pensar nisso. Nunca o farei. Nunca terei filhos. Nunca.»
Enquanto está escrevendo o seu primeiro livro, Natsuko vai trabalhando em bares e livrarias, onde faz amizades. Pertencer a esse grupo de amigas, um dia deixou de fazer sentido à narradora (sentia-se posta de parte), pois elas abordavam essencialmente assuntos relacionados com os seus namoros, casamentos e filhos.
Na segunda e mais longa parte da história, oito anos depois, o leitor fica a saber que Natsuko tinha tido um único namorado, mas «o sexo com ele não era uma coisa que precisasse… não era uma coisa que quisesse», «nunca era agradável, confortante ou satisfatório», «sempre que ficávamos nus e o deixava começar, o mundo escurecia.»
Nesta fase da sua vida, o seu primeiro livro já tinha sido publicado e tinha sido um sucesso, ela era cronista em algumas revistas e conseguia viver apenas da escrita. Mas alguma coisa fazia falta à sua existência. Estava solteira e desesperada para ter um filho: «Não tinha um companheiro e não procurava um. Conseguiria mesmo ter um filho se não conseguia suportar o sexo?».
Seios e Óvulos é um romance protagonizado por uma mulher e povoado quase por completo por figuras femininas pertencentes a gerações diferentes. Baseando-se na sua própria experiência como mulher solteira e escritora, Kawakami retrata a solidão de mulheres e homens asiáticos, que percorrem uma longa batalha burocrática para os seus direitos poderem ganharem voz. Questões éticas e dilemas da sociedade moderna são levantadas.
Além de assuntos relacionados com o universo feminino (Kawakami escreve com precisão sobre o corpo feminino: os seus desconfortos, seus desejos, seus cheiros e secreções, etc.), a autora, nascida em 1976, aborda neste romance temas sensíveis como a morte, o cancro, a violência doméstica e sexual, a assexualidade, os direitos das mulheres, infertilidade, entre outros.
Embora algumas passagens da narrativa pudessem ter sido purgadas (porque não acrescentam nada à história), o estilo desta ex-cantora permeia-se pela ironia e humor ácido. É um romance que se lê intensamente, mas que não deixa de se tornar estranho e enfadonho em certos momentos.
As traduções de traduções são sempre alvo de ter falhas, principalmente quando a língua original é o japonês. Esta tradução da edição inglesa é um exemplo, mas, mais evidente é a péssima revisão assinada por Isabel Garcia (mais de uma dezena de gralhas foram anotadas).
Como curiosidade, salientar que a revista Granta portuguesa, na edição de Maio de 2017, incluiu um texto de Mieko Kawakami, intitulado Sobre ela e as memórias que lhe pertence (About Her and the Memories that Belong to Her).

Excertos
«Às vezes, pergunto-me se sou mesmo uma mulher (…). Sei que tenho o corpo de mulher. Tenho seios, como uma mulher, tenho o período como uma mulher. Quando estava com esse homem, havia momentos em que lhe queria tocar e estar com ele. Mas o sexo… abrir as pernas e tê-lo dentro de mim… era horrível.»

«Toda a gente. Acham que os bebés são adoráveis. Querem experimentar ser pais. Querem tirar o máximo partido do seu corpo. Querem dar continuidade aos genes dos seus companheiros. Ou talvez se sintam sós e queiram alguém que cuide deles quando forem velhos (…) só pensam em si próprios. Nunca pensam na criança que vai nascer. Ninguém quer saber como a criança se vai sentir.»

O livro que inspirou o filme «A Minha Melhor Amiga Anne Frank»»

«Fiquei imediatamente deslumbrada com Anne, esta primeira amiga, embora tenha percebido rapidamente que éramos muito diferentes. Eu tinha o hábito de me encolher, de inclinar a cabeça para o lado e de pensar no que queria dizer antes de falar. (…) Anne tinha uma pele cor de azeitona pálida e era cerca de uma cabeça mais baixa do que eu. (…) Mas o seu pequeno tamanho escondia uma grande personalidade. Era excelente a dar ideias para jogos e a liderar outras crianças. Era confiante mesmo com os adultos. Era capaz de perguntar qualquer coisa a um adulto; de facto, parecia estar sempre a fazer perguntas».

Hannah Pick-Goslar, sobrevivente do Holocausto, ficou conhecida por ter sido amiga de infância de Anne Frank. Após a deportação de Anne Frank, reencontraram-se no campo de concentração de Bergen-Belsen.
Passados oitenta anos sobre esta fase negra da nossa História, chega às livrarias A Minha Amiga Anne Frank, um livro (com tradução assinada por Maria Ferro) que conta-nos uma história da amizade. Neste depoimento profundamente tocante, a autora, falecida em 2022, aos 93 anos, mostra toda a sua admiração por Anne Frank. E, ao mesmo tempo, revela alguns detalhes dos últimos dias da adolescente que escreveu, provavelmente, o mais famoso diário da história.

Esta obra, inspirou o filme da Netflix «A Minha Melhor Amiga Anne Frank», com interpretações das actrizes Josephine Arendsen e Aiko Mila Beemsterboer.

«A história de Hannah finalmente completa o que Anne não pôde concluir. É tão desoladora quanto defensora dos valores e atitudes mais importantes da vida, e precisamos da sua verdade agora mais do que nunca.» Edith Eger, autora de O que Aprendi em Auschwitz e A Bailarina de Auschwitz.

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

«Jésus-la-Caille», de Francis Carco, entre as novidades da Sistema Solar

Eis algumas das mais recentes publicações lançadas pela Sistema Solar. Todas estas obras de Literatura, de autores nascidos no séc. XIX, foram traduzidas para para o nosso idioma por Aníbal Fernandes.


O controverso aparecimento de Carco como romancista. A homossexualidade masculina com uma audácia então desconhecida na literatura francesa. E o nome Jesus a baptizar… inocentemente… um gigolô.


Em 1914, o ano em que foi publicado pela primeira vez Jésus-la-Caille, Francis Carco só tinha como antecedentes literários uns quantos versos a que o autor chamava canções agridoces e podiam ser lidos em edições pobres, com reduzida circulação nas livrarias. Viviam-se dias de guerra, mas com uma presença editorial marcada por alguns sobressaltos. Poucos meses antes, os leitores franceses tinham sido surpreendidos com os versos de Alcools de Apollinaire e os de La Prose du Transsibérien de Blaise Cendrars; Barrès publicava o seu melhor livro, La Colline inspirée, e Martin du Gard provocava amenamente os católicos com Jean Barois; Proust dava a conhecer uma primeira amostra do seu enorme romance, e chamava-lhe Du Côté de chez Swann; Alain-Fournier, a poucos meses da bala alemã que o ia matar, mostrava-se com todas as seduções do seu Le Grand Meaulnes; Gide supunha-se impertinente com Les Caves du Vatican e Raymond Roussel fora de todas as regras com Locus Solus; o Jean-Christophe de Romain Rolland recebia o Grande Prémio da Academia Francesa.

No meio desta efervescente convivência criativa Jésus-la-Caille, a primeira obra em prosa de Francis Carco (que viria a ter a sua versão definitiva em 1917), levantava hesitações conservadoras aos editores de Paris. Era a primeira vez que a homossexualidade masculina da prostituição de engate surgia com tanta audácia num romance da literatura francesa. Ainda por cima, com um título que se atrevia a dar o nome de Jésus a um gigolô e a acrescentar-lhe na alcunha um La Caille, que embora significasse na linguagem vulgar uma inocente codorniz, tinha no calão da época o sentido de «a trampa». O som destas palavras, que num inevitável desvio de significação poderia sugerir Jesus a Trampa, era um mau gosto que roçava o sacrilégio. (Registe-se que muitos anos depois, em 1955, o banal filme de André Pergament baseado neste romance achou que devia adoçar o seu título para um bem comportado M’sieur La Caille). [Aníbal Fernandes]
Dois pontos altos nas novelas de Mérimée. «Carmen», a oportunidade de uma dissertação sobre o mundo dos ciganos ibéricos. «Lokis», um fantástico de escabroso subentendido que recupera e transtorna uma lenda da tradição eslava.

Um livro onde Carmen e Lokis surgem reunidos pode não ser mais do que a associação de dois pontos altos na série de contos e curtas novelas que se fizeram o essencial na obra literária de Prosper Mérimée; mas reúne, além disto, duas histórias-pretexto; ou seja, em Carmen a oportunidade de uma dissertação sobre o mundo e os hábitos dos ciganos ibéricos; em Lokis um fantástico de escabroso subentendido que recupera e transtorna uma lenda da tradição eslava, aqui deslocada até à Lituânia como pretexto para uma reflexão sobre a estranha língua samogítica que Mérimée designa no texto com a forma popular jmud.
Mérimée nasceu em Paris no mês de Setembro do ano 1803; o seu pai, pintor de quadros banais, tinha o curioso nome de Léonor Mérimée; a sua mãe anglófila, culta e autoritária, dominou o filho com uma possessiva relação edipiana e durante toda a vida incitou-o à prudência de um celibato que ele temperou com relações cuidadosamente desviadas da vigilância materna. […]
Mérimée, um dos românticos mais corajosos e marcantes da sua geração, teve de J. Barbey d’Aurevilly esta curiosa frase: «Talento brilhante e negro como a Espanha que ele pintou, e com um refinamento que chega à malvadez. Há Goya em Mérimée.» [Aníbal Fernandes]

 


Roman Rolland: «É um contador de histórias do Oriente que encanta e se comove com as suas próprias narrativas; e de um tal forma se prende a elas, que uma vez começada a história ninguém sabe, nem ele próprio sabe, se vai durar uma hora ou mil e uma noites.»


O mais significativo resultado de tudo isto deu-se em 1924 — o ano em que André Breton publicava Les Pas perdus, Raymond Radiguet surgia com o póstumo Le Bal du comte d’Orgel, Jean Cocteau com Le Grand écart e Jean Giraudoux com Juliette au pays des hommes — quando um desconhecido com estranho nome a soar muito a romeno, mas a mostrar que escrevia em francês, ofereceu ao público uma sedutora história de orientalismos que se chamava Kyra Kyralina. Dois anos antes, este Istrati já tinha quatro obras terminadas — Oncle Anghel, Kir Nicolas, Sotiz e Mikhail — mas o seu «mestre» preferiu-o na estreia literária com esta outra, mais recente e perturbante — que acrescentava ao nome de uma mulher o seu diminutivo — a que surgiu em 1923 na revista Europe e um ano depois em livro e prefaciada por Romain Rolland:

«Nos primeiros dias de Janeiro de 1921, foi-me entregue uma carta que vinha do Hospital de Nice. Tinha sido encontrada no corpo de um desesperado que acabava de dar um golpe na garganta. Havia poucas esperanças de que ele sobrevivesse ao ferimento. Li-a e fui invadido pelo tumulto do génio. Um vento que queimava na planície. Era a confissão de um novo Gorki dos países balcânicos. Conseguiram salvá-lo. Eu quis conhecê-lo. Encetámos uma correspondência. Ficámos amigos.»

[…] A surpresa de Kyra Kyralina animou um editor a fazer o contrato que deu a conhecer poucos meses depois Oncle Anghel e Présentation des Haïdoucs. E em 1927 a Nouvelles Littéraires já se interessava por ele como entrevistado. […]

Panait Istrati morreu em 16 de Abril de 1935. Tem uma lápide no cemitério de Bellu, em Bucareste, aonde foi parar sem serviços religiosos. A sua fama política incomodava a ortodoxia romena. [Aníbal Fernandes]
Codine, transformado no fora-da-lei por um sentimento cheio de violência contra a injustiça dos homens. Adrien, um apaixonado aprendiz do seu desiludido conhecimento dos males do mundo. Um estranho, incómodo e radical conceito do amor-amizade.

Os títulos do Istrati ficcionista vão aparecendo com uma imperturbável regularidade. Constroem aos poucos uma disfarçada autobiografia onde teremos de destrinçar o realmente vivido do literariamente contado, e que se divide em várias secções. […]
Panait Istrati conviveu com Codine cerca de cinco anos, desde 1891 a 1896, ou seja, desde os seus sete aos doze anos de idade. E a passagem a literatura desta apaixonada admiração põe-nos perante um estranho, incómodo e radical conceito de amizade. Nas histórias de Adrien Zograffi, a amizade tem um papel importante; é o mais profundo dos sentimentos, aquele que ultrapassa todos os outros, incluindo o do amor sensual. Deste amor sensual há a mais explícita das confissões quando escreve em Narrantsoula: "Amo no homem o que ele transporta consigo desde que nasce, o amor-amizade. Amo a mulher quando o seu sangue está abrasado pela paixão carnal. Entrego-me a eles sem condições, com frenesi. Isto custa caro, mas as decepções que sofri nunca me decepcionaram, nunca diminuem a soma dos meus desejos."
Na sua obra há a história de duas amizades masculinas que se destacam por uma brutal violência de sentimentos. [Aníbal Fernandes] 

sábado, 4 de novembro de 2023

Será publicado «Eu Sou Porque Eles Foram», de especialista em terapia transgeracional e psicogenealogia


Sara Larcher é Terapeuta Sistémica e Integrativa, formada em Psicologia, com especializações em Psicologia Positiva, Constelações Familiares e Sistémicas, Terapia Transgeracional e Psicogenealogia. Com uma vasta experiência em terapia transgeracional e psicogenealogia, a autora explica o impacto que o contexto familiar exerce sobre as pessoas.

Explorando a herança que nos é deixada, Eu Sou Porque Eles Foram (a editar pela Pergaminho a 16 deste mês) debruça-se sobre a importância das raízes da família, a alma da família e o impacto que tem nas nossas escolhas de vida. Ao longo do livro, o leitor inicia a sua jornada e é incentivado a conhecer o seu legado ancestral e a sua história, através de exercícios práticos.
Com recurso a testemunhos reais, escritos diretamente por quem já iniciou a jornada sistémica, esta obra oferece uma introdução à Terapia Transgeracional e à Psicogenealogia, esclarecendo como podemos descobrir as nossas heranças psicológicas – e o que fazer com elas.

«Estamos todos interligados e conectados. As feições, as profissões, os talentos, os feitios passam de geração em geração. Os traumas, as dores, os segredos, as exclusões também. Repetimos padrões, por amor e lealdade invisível, muitas vezes, do mesmo modo e nas mesmas datas. E, até serem trazidos à consciência, os mesmos factos repetem-se, uma e outra vez.
Não somos assim tão livres como julgamos. Carregamos histórias que não são nossas (...)
Quando nascemos, não somos um livro em branco. Antes de nós, viveram milhares de antepassados, com as suas histórias e vivências, alegrias e dores.
Nós somos porque eles foram.
São tantos os exemplos. As mesmas profissões, que se repetem de geração em geração, como forma de reparar um trauma. Uma avó que morre a dar à luz, registando no sistema familiar que dar à luz é perigoso, pelo que as gerações seguintes preferem não ter filhos ou têm um medo enorme de engravidar. Acidentes que se repetem na mesma data e com as mesmas características.
Significa isto que o teu destino é reviver as experiências e legados disfuncionais dos teus antepassados? Claro que não! Podes sempre dar um novo significado à tua história. Mas, para isso, precisas de conhecer a tua herança.
E essa é a proposta que te trago.»

Outro livro que pode interessar: Herança Emocional (Ed. Alma dos Livros, Out. 2023).

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Relatos inspiradores de 12 grandes líderes, para ler em «O Sucesso Está Nos Detalhes»


A Editora Clube do Autor publica este mês O Sucesso Está Nos Detalhes, o quinto livro de Nelson Marques, ex-jornalista que  escreveu para várias publicações internacionais, como The Guardian, El Mundo e The Jerusalem Post.

Esta obra, com testemunhos que mostram 12 líderes como raramente os vemos - com o seu caráter forte, mas também com as suas angústias e fragilidades - oferece importantes conselhos e regras de ouro para todas as pessoas que sonham chegar ao topo.

Texto de apresentação
O que os grandes líderes nos ensinam.
O que podemos aprender com os grandes líderes empresariais?
De que massa são feitos?
Com que linhas se cose o seu êxito?

Neste livro, Nelson Marques responde a estas e outras perguntas fundamentais sobre o sucesso e a liderança a partir das inspiradoras conversas de vida com doze personalidades notáveis como o arquiteto Renzo Piano, o designer Philippe Starck, o editor Benedikt Taschen, os empresários António Trindade e Rui Sanches, as gestoras Ana Figueiredo e Madalena Cascais Tomé, e muitos outros.

Outros livros do autor: Filhos da Quimio (2018), Chefs Sem Reservas (2019), Os Homens Também Choram (2021) e Chefs Sem Reservas: Segundo Prato (2022).

Outros livros que podem interessar: 
Cheguei ao Topo! E Agora?, Liderança no Feminino e Masculino, Gestão Moderna – Sucesso nos Negócios Tradicionais e Digitais.

Chega a Portugal «Demon Copperhead», o romance vencedor do Pulitzer 2023


Suma de Letras lançará a 20 deste mês
Demon Copperhead, o romance vencedor do prestigiado Prémio Pulitzer 2023. Barbara Kingsolver nasceu em 1955, é bióloga, jornalista, romancista e poeta. Em Portugal tem publicados os livros Pequeno Milagre e Outros Ensaios (Ed. Sinais de Fogo, 2005) e A Lacuna (Ed. Clube do Autor, 2011).

O que a imprensa internacional escreveu
«Com excertos hilariantes e comoventes, esta é a história de um rapaz irreprimível que ninguém quer, mas que os leitores vão adorar. Provavelmente, o melhor romance do ano.» The Washington Post

«O reconto lírico de David Copperfield, de Dickens, deu origem a um romance deslumbrante. As injustiças sociais da Inglaterra vitoriana foram transpostas, com um incrível sucesso, para os Apalaches modernos, povoados pela subclasse branca rural da América, agora devastados pela crise dos opiáceos.» The Times

«Com ousadas reviravoltas do destino e um elenco extravagante, esta é uma história épica, incisiva, apaixonada e evocativa, contada por um narrador que é um produto de múltiplos sistemas falhados, sim, mas também de uma paisagem rural profunda com as suas próprias tradições.» The Guardian

«Um David Copperfield dos Apalaches... Demon Copperhead reconta a história de Dickens numa América rural moderna que luta contra a pobreza e a dependência de opiáceos. Kingsolver e Dickens são ambos escritores exuberantes de romances sociais com uma forte mensagem política e uma preocupação com as classes mais baixas.» The New York Times

Texto sinóptico

Demon Copperhead vive com a mãe adolescente nas montanhas do sul dos Apalaches, sem nada além da boa aparência do seu falecido pai e do seu cabelo acobreado, um espírito cáustico e perspicaz, e um feroz talento para se desenvencilhar numa vida dominada pela pobreza.
Narrando a sua história pela sua própria voz implacável, Demon demonstra uma capacidade notável de sobreviver a orfanatos, a trabalho infantil e a escolas terríveis, equilibrando ao mesmo tempo o seu sucesso atlético com uma epidemia de opiáceos, desgostos amorosos e perdas avassaladoras.
Muitas gerações antes, Charles Dickens escreveu David Copperfield partindo da sua experiência como sobrevivente da pobreza institucional e relatando as suas consequências nocivas para as crianças na época em que viveu. Esses problemas ainda não foram resolvidos na nossa sociedade. Ao inspirar-se nessa obra e ao transpor um romance vitoriano para uma américa contemporânea, Barbara Kingsolver recorre à raiva e à compaixão de Dickens e, acima de tudo, à sua fé no poder transformador de uma boa história.

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Entre os romances a publicar pela Minotauro em Novembro consta «A Velha Senhora Webster»

Além de A Mansão Minúscula de Myra Malone (romance de estreia e fenómeno no Goodreads, da autoria da escritora e advogada norte-americana Audrey Burges) e Vingativo (a sequela de Vicioso, da autora bestseller V. E. Schwab), outra das apostas literárias da Editora Minotauro para o mês de Novembro intitula-se A Velha Senhora Webster, da socialite e diletante anglo-irlandesa Caroline Blackwood (1931–1996).
A autora, que escreveu dez romances, levou uma vida agitada e boémia, que incluiu casamentos com o pintor Lucian Freud, o pianista Israel Citkowitz e o poeta Robert Lowell. Esta obra, Great Granny Webster (seu título original), foi nomeada para o Booker Prize de 1977.


Texto sinóptico
A Senhora Webster é um monstro fabuloso, a mais fria das matriarcas, que preside com mão de ferro sobre uma paisagem de vidas arruinadas. Mas esta é apenas um dos parentes frios e excêntricos que a narradora adolescente tem de suportar. Outros entes queridos incluem uma avó desvairada e uma tia promíscua e alegremente suicida.
Este romance macabro, mordazmente engraçado e parcialmente autobiográfico revela a loucura gótica que grassa nos bastidores das grandes casas da aristocracia, tal como é testemunhada pelos olhos impiedosos de uma adolescente órfã.