Livro «Aquilo que Vi no Escuro» retrata vidas marcadas pela psicose
Portugal é o segundo país com maior prevalência de doenças psiquiátricas da Europa. Quando
olhamos apenas para as perturbações mentais graves, os dados da
Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental apontam para 4% da
população afetados por patologias como a esquizofrenia e a doença
bipolar. Como é viver com a psicose? Que apoios existem? Que resposta dão as instituições e as famílias? O que acontece, de facto, a quem perde o laço com a
realidade? Que
tipo de cuidados se lhes reserva? O internamento num hospital
psiquiátrico é um fim de linha justificável? É possível a reabilitação
real e a vida integrada? O livro Aquilo que Vi no Escuro - Histórias sobre psicose, publicado em Fevereiro pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, visa desmistificar a incompreendida e estigmatizada realidade dos doentes com psicose.
Excerto do prólogo «O contexto clínico tradicional assim o distingue: «eles», «os outros», «os indivíduos», «os psicóticos», «os esquizofrénicos». E o estigma em torno da doença mental ajuda a que imaginemos essas categorias como estanques, e não desconfiemos de quão frágil é esta divisão do mundo. Este livro é um resumo de muitas coisas, possível por tantas outras terem ficado de fora. Existe por causa da generosidade de meia centena de pessoas que deram o seu tempo e confiaram as suas histórias na esperança de que possam ser úteis para mais alguém. As doenças mentais são doenças da solidão. Mesmo que milhares de pessoas que estão por perto partilhem o mesmo diagnóstico, são muitas vezes sentidas como vividas a sós. E, entre elas, não haverá experiência de maior isolamento e incompreensão do que a da psicose.» Sinopse Sabia que a psicose não é um diagnóstico, mas sim um sintoma? Surge quando alguém vê e ouve algo que não existe para os outros, num estado que pode ser estável, intermitente ou único na vida. Estigmatizados e incompreendidos, os episódios psicóticos afetam uma em cada três mil pessoas por ano. Apesar de se associarem à esquizofrenia, integram um espectro mais vasto de doenças mentais. Este livro retrata vidas marcadas pela psicose, logo, pela perplexidade e pelo estigma. Porque a alteração do entendimento da realidade comum é, sobretudo, uma experiência de solidão extrema. E, até mesmo quando condena alguém a viver numa clínica psiquiátrica dentro de um estabelecimento prisional, significa dor e sofrimento mentais quase inconcebíveis. Margarida David Cardoso é jornalista, pós-graduada em Ação Humanitária, formada como técnica de apoio à vítima, e estudante de Psicologia. Coordenou os livros Verdes Anos: Retratos de Juventude e E depois da Revolução: Cinco Décadas de Democracia, da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Outros títulos recentes da colecção Retratos: Peneda-Gerês - Parque Nacional de Portugal, um apelo à preservação da riqueza e diversidade de um património que
corre o risco de perder a sua identidade cultural e ambiental. De Miguel Brandão Pimenta; Pais Nossos - Conversas sobre paternidade, um livro, de Frederico Batista, que aborda modelos de masculinidade, a força, a vulnerabilidade e a saúde mental dos pais.
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