quinta-feira, 22 de agosto de 2013

«Washington Square», de Henry James

Editora: Europa-América
Ano de Publicação: 2001
Nº de Páginas: 152

Em 1835, o ideal da calma e de retiro distinto encontrava-se em Washington Square, em Nova Iorque. É nesta época e cidade que Catherine Sloper, de vinte e dois anos, se apaixona por Morris Townsend, um jovem «belo, apaixonante», mas desprovido de meios financeiros, ao contrário dela que cresceu e vive na prosperidade. Seu pai, médico, é um homem orgulhoso e insensível e acredita que o pretendente da filha é um «caçador» da herança familiar. O Dr. Austin Sloper, que tem a filha como dona de uma «mente fraca», «rústica», e «desprovida de beleza» («O Dr. Sloper gostaria de se orgulhar na filha; mas não havia nada na pobre Catherine que fosso motivo de orgulho.»), proíbe o casamento e para que a jovem esqueça a paixoneta («Longe da vista, longe do coração»), iniciam uma viagem à Europa, só pai e filha (o médico é viúvo), não antes de fazer um ultimato: se ela casar com Morris ele deserda-a, ao que Catherine promete: «Se não casar antes da morte do pai, não casarei depois.» — esta é uma das frases fulcrais da narrativa.
Durante um ano percorrem o continente europeu, e Catherine nessa sua primeira grande viagem cultiva o seu ser, regressando a Nova Iorque surpreendentemente mais corajosa, decidida e madura, com uma personalidade refeita. A primeira pessoa a quem a mudança de Catherine é notada é Lavinia, a sua tia que ficou tomando conta da mansão, e sem o Dr. Austin saber, recebeu variadas vezes na casa o ex-pretendente da sobrinha, a fim de o «consolar». Será que Catherine com uma atitude perante a vida diferente depois da viagem esqueceu o jovem por quem se apaixonara? Será que a «nossa heroína» — como diz o narrador (Henry James) — manterá a promessa que fez ao pai? Ou o amor reacende-se, casa-se com Morris, e é deserdada?
Washington Square, um dos primeiros trabalhos de Henry James, autor de obras como Daisy Miller ou Diário de um homem de 50 anos, é uma novela curta, com poucos personagens, e que dada a simplicidade a nível estilístico pode levar a que o leitor a julgue desprovida de interesse. É exatamente isso que torna Washington Square uma obra interessante. Saber quais as frases-chave que os quatro personagens principais proferem, ao longo da narrativa, é um dos pontos fundamentais para encontrar a essência deste romance, que não é mais do que um retrato acutilante e profundo sobre as relações familiares. Uma leitura que requer vagar e atenção. Como curiosidade, esta história é baseada em uma história real contada ao autor por uma amiga sua, e a obra foi adaptada já por duas vezes para o cinema, em 1949 e 1997.

7 comentários:

Daniel Nascimento disse...

Fantástica crítica!

Alu disse...

Tenho imensa curiosidade por ler algo deste autor. Talvez comece por este.

roshy disse...

Gosto muito de Henry James! Lerei este com toda a certeza! Obrigada pela opinião!

Sofia Araújo disse...

Ainda não conhecia este livro, mas sem dúvida já entrou para a minha lista!

Ana Cardoso disse...

Um belo romance, que desconhecia. Parece ser subtil e sem exageros. Decerteza que o vou ler.

Inês disse...

Adoro romances históricos, e este parece ser excelente! =)

Ana Barros disse...

Mais um belo romance que não quero perder!!!