quinta-feira, 30 de abril de 2026

«O Fazedor de Teatro», a peça de teatro mais aclamada de Thomas Bernhard

Entre as novidades da Documenta, destaque para uma nova edição da peça do escritor Thomas Bernhard (1931-1989) que, até hoje, alcançou maior êxito e foi a mais representada. Publicada quando tinha 53 anos, já na sua fase madura, e estreada em 1985 no prestigiado Festival de Salzburgo, a obra, considerada uma "meta-comédia", centra-se na personagem Bruscon, um actor tirânico e obsessivo. Entre os seus temas-chave encontram-se o absurdo da existência e do próprio teatro.
Esta tradução, assinada por José A. Palma Caetano, foi publicada pela Assírio & Alvim em 2004, estando o livro esgotado há muitos anos.

Nas palavras do tradutor: «Bernhard deixou-nos uma obra que, para além de bastante vasta, sobretudo se considerarmos que morreu ainda muito novo, apenas com 58 anos de idade, é sobretudo revolucionária, inovadora, polémica, provocante, mas ao mesmo tempo profundamente humana, de alto nível estético e de uma grande sensibilidade, mesmo nos momentos em que se revela mais violenta e mais irreverente.» 
Lembrar que no início deste ano a editora lançou 
O Sobrinho de Wittgenstein - Uma Amizade.

Texto de apresentação
O Fazedor de Teatro é uma das peças de Thomas Bernhard que até hoje mais êxito alcançaram e mais representadas têm sido. Pertence já à fase de «maturidade dramática» do autor, pois foi escrita na primeira metade dos anos oitenta, publicada em 1984 e estreada no ano seguinte. 
Uma das reflexões fundamentais, se não a reflexão fundamental a que esta peça e especialmente a figura de Bruscon — a personagem principal — nos conduzem é o absurdo que em tantos actos humanos se contém e que, no fundo, caracteriza toda a existência humana. Poderíamos falar mesmo de uma denúncia do absurdo, que, aliás, se encontra não apenas nesta peça, mas em toda a obra de Thomas Bernhard. O absurdo não só da realidade «fingida» que é o teatro, mas também da existência real a que, no fundo, o teatro serve de espelho, ainda que frequentemente distorcido. E as seguintes palavras proferidas por Bruscon podem, sem dúvida, ser tomadas não apenas como teatro ou literatura, mas como expressão da realidade: Efectivamente servimos toda a vida/o absurdo/de ter nascido/Fatal construção do mundo. [José A. Palma Caetano]

Novas publicações com o cunho da editora Sistema Solar


Texto de apresentação
O progresso científico e a sua utilização? 
O homem como cobaia, acessível a percepções desconhecidas do homem normal? 
Duas astúcias, com a mais perversa a obter a sua vitória. 

Há uma bem marcada tendência nos criadores literários de homens transformados: nunca ou quase nunca lhes atribuem a sua nacionalidade. (...) Maurice Renard, na sua obra mais célebre, As Mãos de Orlac (...), germanizou com esse Orlac o pianista duplamente amputado por um desastre ferroviário e sujeito a uma cirurgia exímia que lhe enxertou as mãos de um assassino. 
Neste O Homem Transformado, a mesma tendência é assumida com um desvio mais complexo. O seu Jean Lebris, francês como Renard, é levado à cegueira por uma granada alemã, capturado cego por alemães mas enviado para um país europeu nunca identificado e com uma irreconhecível língua pouco central, onde sofreu a «transformação» que lhe instalou olhos electroscópicos só sensíveis à electricidade ínfima que existe em todos os objectos, em todos os movimentos, em todas as emoções. A intervenção de alemães nesta manipulação orgânica não disfarça a animosidade de Renard contra o país durante largas épocas inimigo da França, e talvez agravada por uma hostilidade pessoal contra os lançadores da bomba que arrasou, durante a Primeira Guerra Mundial, o castelo Saint-Rémy em Hermonville, a ancestral propriedade dos Renard. 
Um ser dotado desta particularidade seria capaz de identificar a presença «eléctrica» de humanos atrás de paredes e outros obstáculos, e até de avaliar estados emocionais prenunciadores de uma qualquer actuação hostil; seria com tudo isto bom trunfo numa espionagem de características políticas. [Aníbal Fernandes]

Outro livro do autor: O Nevoeiro de 26 de Outubro (2023)

 

Texto de apresentação
Quatro das suas aventuras amorosas 
e menos associadas à «normalidade» casanoviana.

Mas… o escritor? Tardio. Primeiro em italiano, com ficções e não-ficções só hoje lembradas por arrastamento, por se acrescentarem ao célebre autor da História da Minha Vida, muitas vezes intitulada apenas Memórias. Casanova começou a escrever este longuíssimo texto de mais de três mil páginas em 1790, mas nunca o publicou. A sua edição póstuma, setenta e três anos depois da sua morte, paralelamente à boa surpresa provocou uma negativa excitação. O seu impávido amoralismo, a insolência de algumas reflexões, a evidente e narcisista paixão por si próprio, irritavam. Houve depois disto uma pausa, um esquecimento. Em 1825, uma edição bem comportada entregou-o ao público amaciado; só em 1960 este Casanova foi conhecido integralmente, revisto a partir do manuscrito e corrigido em todos os pontos em que o seu francês resvalava. Hoje compreende-se que Casanova é um escritor raramente erótico e nunca pornográfico — «admirável», disse Robert Desnos, «pela sua faculdade de desejo, amor e aventura.» [Aníbal Fernandes]

A selecção destes quatro textos, Quatro Histórias da Minha Vida (Uma seleção tendenciosa) seguidas de História Clínica e Autópsia do Cavaleiro Casanova, por Gregorio Marañónprocura mostrar Casanova em quatro episódios amorosos menos convencionais, afastando-se do modelo típico de conquista que habitualmente lhe é atribuído.

 


Texto de apresentação
Uma história à Swift, soprada por uma ligeireza enlouquecida.

A conversa tinha saltado de tema a tema, insistido em maldosas apreciações, deitando abaixo aquele poeta que nunca sairia dos seus desastres, quando uma razão qualquer a desviou para a forma — a forma que sobressai e triunfa, ao ponto de esmorecer ou passar a secundárias outras qualidades que têm, em geral, maior peso na literatura. Foram dados exemplos: franceses, portugueses, ingleses. E nessa altura, Luiz Pacheco perguntou: «Já leram um curioso livro, Lord Algernon, de um suíço chamado Pierre Girard? O que lá se conta vale um pouco menos do que a forma habilidosamente dominada para o contar.»

Na antiga livraria Buchholz, nesses dias sob o domínio de uma avinagrada e vetusta fräulein que parecia odiar quem lhe comprasse um livro, fiquei no dia seguinte a saber que Lord Algernon era dado como inexistente no mercado livreiro francês; e só um daqueles acasos, frequentes em Paris e nos alfarrabistas do Sena, fez com que anos mais tarde eu lhe deitasse a mão num envelhecido exemplar da editora Kra e da sua primeira edição de 1925. Luiz Pacheco tinha, de facto, razão: o jovem Lord Algernon impunha-se página a página, atrás de todo um espectáculo formal; mas ao invés do que habitualmente acontece quando a formalidade é referida em relação a um texto, a sua não procurava requintes estilísticos nem requintadas disciplinas gramaticais; só revolucionava, servida por uma invulgar semântica e pelo singular talento de um criador loufoque de imagens inesperadas (às vezes voluntariamente desatinadas), a servirem as banais realidades do mundo. 
A sua história, que através das páginas corre como um Swift soprado por essa ligeireza loufoque (...), arrasta o leitor e surpreendendo-o com imagens divorciadas da realidade convencional, impossíveis num escritor que se obrigue, nas suas ficções, a respeitar a lógica bem comportada e serena que a todos nos rodeia e dirige. [Aníbal Fernandes]



Texto de apresentação
«Falar da obra de Bove é falar sempre de outra coisa. É com a afectação da inocência que Bove descreve tantas realidades horríveis, até mesmo o horror latente de toda a realidade.» Raymond Cousse

Em Agosto de 1944, depois de quatro anos de domínio nazi, Paris foi libertado. E dois meses mais tarde Emmanuel Bove foi visto nas suas ruas, regressado da Argélia no péssimo estado físico que só iria consentir-lhe mais dez meses de uma vida dia a dia vivida em precárias circunstâncias. Não se sentia com forças para gozar os tão ansiados prazeres que a liberdade reconquistada teria podido conceder-lhe. 

Estes sete contos de Emmanuel Bove foram, em 1928, reunidos num volume. O primeiro, Henri Duchemin e as suas sombras, dá o título ao livro e adquire neste conjunto outro sentido; porque estas «sombras», que começaram por ser apenas de Duchemin quando este conto existia isoladamente (foi a primeira obra escrita por Bove), ao assumirem-se como um título que precede outros seis contos fazem-nos entender que todas as suas personagens principais são «sombras» de Duchemin; prolongam-no com os seus desejos incertos e as suas situações sem saída, todas disfarçam sob uma calma aparente uma subtil crueldade que se faz, assim diluída, a inconfundível marca de Emmanuel Bove.[Aníbal Fernandes]

quarta-feira, 29 de abril de 2026

«O Café Sem Nome», de Robert Seethaler

Editora: Clube do Autor
Data de publicação: 18-02-2026
N.º de páginas: 256

O Café Sem Nome é um romance de aparente simplicidade que esconde uma profundidade silenciosa e persistente. Passado na Viena dos anos 60, acompanha a vida de Robert Simon, um homem comum que decide abrir um café modesto num bairro marcado pelas cicatrizes ainda visíveis da Segunda Guerra Mundial. Mais do que contar uma história linear, Robert Seethaler constrói um espaço — físico e emocional — onde vidas se cruzam, se tocam e, por vezes, se perdem. 
O café depressa se transforma no coração da narrativa. É palco de encontros, brigas e mexericos; um lugar onde se vai para desabafar ou, simplesmente, para permanecer em reflexão tranquila. É, no fundo, tudo aquilo que Robert esperava que fosse — um refúgio discreto para uma comunidade fragmentada. 
O romance estrutura-se em pequenos fragmentos que iluminam o quotidiano do proprietário, dos empregados e dos clientes. Aos poucos, vamos descobrindo mais sobre a vida destas figuras: há momentos de alegria e tristeza, de esperança e desespero. Algumas cenas são profundamente comoventes, mas o autor equilibra esse peso com subtis toques de humor.
O autor austríaco escreve com uma contenção notável. A sua prosa é minuciosa e carregada de significado. Evita o dramatismo fácil e prefere sugerir em vez de explicar, criando uma narrativa onde o não dito tem tanto peso quanto o explícito. A mudança está constantemente presente, ainda que de forma subtil. Viena reconstrói-se, moderniza-se, transforma-se — e, com ela, as vidas que habitam o café. No entanto, Robert Simon permanece quase inalterado, como um ponto fixo num mundo em mutação. Essa tensão entre permanência e mudança confere ao romance uma dimensão melancólica e contemplativa. 
No essencial, O Café Sem Nome é um olhar discreto e subtil sobre as desilusões e tristezas da vida, mas também sobre as pequenas alegrias que a tornam suportável. O autor de Uma Vida Inteira (Porto Editora, 2019), obra finalista do Man Booker International, explora a existência das pessoas comuns com um toque envolvente, hábil e profundamente compassivo, lembrando-nos que mesmo as vidas mais aparentemente banais carregam uma dignidade e uma beleza próprias. É um romance que não se impõe — infiltra-se. E, tal como o aroma de café que parece pairar nas suas páginas, permanece connosco muito depois de terminado.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Porto Editora publica um novo livro de Jean-Baptiste Andrea


O escritor, argumentista e realizador francês Jean-Baptiste Andrea (n. 1971), autor de obras como Ma reine (2017), Cent millions d’années et un jour (2019) e Des diables et des saints (2021), regressa agora ao público português com Diabos e Santos, romance antecedor da sua obra mais conhecida,
 Velar por ela (2023).
Distinguido com o prestigiado Prémio Goncourt — o mais importante galardão literário em França, atribuído a Velar por ela — Andrea afirma-se como uma das vozes mais marcantes da literatura contemporânea europeia. Em Diabos e Santos, escreve com precisão e contenção, deixando a narrativa avançar sem pressa, entre momentos de dureza crua e instantes inesperados de luz.
Mais do que uma história, este é um relato de fuga e sobrevivência, onde a amizade e o amor se impõem como forças centrais. Com humor mesmo nos seus tons mais sombrios, o romance celebra o triunfo do bem sobre o mal, num equilíbrio raro entre emoção e sobriedade narrativa.
Traduzido para português por Isabel Ferreira da Silva, este é um livro que reúne todas as emoções que nos tornam humanos — intenso, comovente e profundamente luminoso na sua escuridão.

Elogios da crítica internacional
«Uma história de amizade, amor e música… Neste encantador romance há humor mesmo na escuridão.» - Books on the Hill, The Times

«Um romance comovente, estimulante e arrebatador.» - Mail on Sunday

«Jean-Baptiste Andrea domina a sua partitura do princípio ao fim. Diabos e Santos é um conto cuja música conquistará leitores de todas as gerações.» - Les Echos

domingo, 26 de abril de 2026

Nova edição do polémico livro que deu origem ao filme 'Ligações Perigosas'


Pierre Choderlos de Laclos (1741–1803) foi um escritor e militar francês ligado à Revolução Francesa, conhecido sobretudo por uma única obra que o tornou célebre. As Ligações Perigosas é um romance epistolar brilhante e provocador que revela, através de cartas, jogos de sedução, manipulação e poder entre aristocratas. A obra, publicada em 1782, escandalizou na época, mas hoje é considerada um marco do romance psicológico e uma crítica mordaz à hipocrisia do Antigo Regime.

O livro teve várias adaptações, sendo a mais famosa o filme 'Ligações Perigosas' ('Dangerous Liaisons'), de 1988, realizado por Stephen Frears e protagonizado por Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer.

Este Clássico inesquecível, sobre as complexas ambiguidades morais, fazem deste romance um dos mais escandalosos e controversos da literatura europeia, e continua a chocar e a deliciar gerações de leitores.  As Ligações Perigosas ganha uma nova edição, pelo Clube do Autor, a 12 de Maio, com prefácio de Inês Pedrosa, que sobre a obra escreve: «Considerado um romance erótico, fixa-nos na sensualidade da narrativa, e na luminosidade clássica do vocabulário. Uma lição magistral, e trágica, sobre a arte de viver.»

Excerto
«E aqui estou eu, há quatro dias, entregue a uma forte paixão. A minha amiga sabe como desejo intensamente e como devoro os obstáculos: mas desconhece o quanto a solidão aumenta o ardor do desejo. Tenho apenas uma ideia; de dia penso nela, sonho com ela à noite. É-me absolutamente necessário possuir essa mulher, para evitar o ridículo de estar apaixonado por ela: pois até onde não nos conduz um desejo contrariado? Ó delicioso gozo! Imploro-lhe para minha felicidade e, sobretudo, para meu sossego. Que sorte a nossa as mulheres se defenderem tão mal! Ou não passaríamos, junto delas, de tímidos escravos.»

Outros títulos da mesma colecção
África Minha, de 
Karen BlixenTerra Abençoada, de Pearl S. Buck.

«Noites Brancas» é o novo Clássico da Literatura Russa a publicar pela Alma dos Livros


Traduzido do inglês por Sónia Maia, Noites Brancas é o próximo título da colecção Clássicos, da Alma dos Livros, iniciada com O Primeiro Amor, de Ivan Turguéniev.
Esta novela de Fiódor Dostoiévski é uma história delicada sobre o amor idealizado, a solidão e a distância entre os sonhos e a realidade. 
Quatro noites em São Petersburgo. Um encontro inesperado. Uma história capaz de iluminar uma vida inteira. 

«Dostoiévski dá-nos mais do que literatura, dá-nos uma nova forma de ver a alma humana.» Virginia Woolf

Lê o texto sinóptico aqui.

Excertos
«Estava uma noite maravilhosa, daquelas que só são possíveis quando somos jovens, caro leitor. O céu estava tão estrelado, tão luminoso, que, ao olhá-lo, não podíamos deixar de nos perguntar se seria possível que vivessem pessoas mal-humoradas e caprichosas debaixo dele. Esta é também uma pergunta típica da juventude, mas que o Senhor no-la traga ao coração mais vezes! Por falar em pessoas mal-humoradas e caprichosas, não posso deixar de recordar a minha disposição durante todo esse dia. Desde a manhã, sentira-me oprimido por um estranho desânimo. De súbito, sentia-me só, abandonado e evitado por todos.» 

«Há algo indizivelmente tocante na natureza em volta de São Petersburgo, quando, à chegada da primavera, exibe todo o seu esplendor, todos os poderes que o céu lhe concedeu, rebentando em folhagem, enfeitando-se e adornando-se com flores…»

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Chega a Portugal três peças de Shakespeare adaptadas para BD

A Levoir, A Seita e o jornal Público apresentam aos leitores portugueses Trilogia Shakespeariana, BD que contém as adaptações de Romeu e Julieta, A Tempestade e Hamlet, baseadas nas peças de William Shakespeare. A obra é lançada no dia em que se assinala 410 anos da morte do autor e génio inglês.

Gianni De Luca (1927-1991) foi um dos mais inovadores desenhadores e ilustradores italianos de banda desenhada de sempre, destacando-se na forma como explorou o movimento e a continuidade das cenas, rompendo com a estrutura tradicional da BD. Estudou no Liceo Artistico de Roma e iniciou-se profissionalmente no pós-guerra, publicando ilustrações e histórias curtas em Il Vittorioso desde 1947. A sua formação em arquitetura influenciou a estrutura espacial e a composição rigorosa das suas páginas, reconhecíveis pela clareza e economia de traço.

Publicadas originalmente entre 1975 e 1976, pelo jornal Il Giornalino, estas obras representam um marco na história da banda desenhada europeia, que continua a influenciar autores contemporâneos e a demonstrar o potencial artístico da banda desenhada enquanto meio narrativo. Nestas novelas gráficas, De Luca abandona a divisão clássica em quadradinhos, criando páginas onde as personagens se movem livremente através de cenários contínuos, quase como se estivessem em palco. Essa solução visual aproxima a banda desenhada da linguagem teatral, respeitando simultaneamente o espírito das obras originais. Não é só adaptação de William Shakespeare — é praticamente uma reinvenção visual do teatro dele.
Por serem histórias mundialmente conhecidas, não há surpresas… a não ser quando se trata da forma. Shakespeare é extremamente difícil de transpor para a BD, mas o autor italiano encontrou uma solução gráfica, simples e revolucionária. Em cada uma das obras, a força inovadora da arte de Gianni De Luca salta aos olhos e mostra com clareza por que o autor se tornou um dos mestres da potente escola italiana de fumetti.

É uma obra inovadora, elegante e intelectual, mais próxima de uma experiência artística do que de entretenimento puro. Muita gente considera esta trilogia uma das adaptações mais criativas de Shakespeare já feitas em qualquer meio.


«Ler esta obra significa testemunhar uma revolução narrativa pura. A intuição de De Luca restaura toda a fisicalidade do drama de Shakespeare usando exclusivamente tinta e imaginação.
Uma valsa de tinta imortal onde o pano só cai quando fechamos os olhos.»


Trilogia Shakespeariana
 - 
Hamlet, 
Romeu e Julieta e A Tempestade teve tradução de João Miguel Lameira.


O Desassossegado Senhor Pessoa, de Nicolas Barral, é outra BD lançada recentemente pela editora.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

«Riso, humor e... matemática» entre as novidades da Fundação FMS


Riso, humor e... matemática
, de 
Cláudia Custódio

Este livro propõe uma leitura do humor como um superpoder, uma estratégia de sobrevivência ou, tão-só, uma forma diferente de pensar, com origens, expressões e funções ligadas à filosofia, à neurologia e até à economia. Percorre reflexões, teorias e exemplos, dos clássicos da literatura ao stand-up contemporâneo, de economistas do século XIX a ratos de laboratório. Sabia que há piadas irresistíveis? Descubra, por exemplo, o que Diógenes e Herman José têm em comum.

Excertos
«O riso é um fenómeno surpreendentemente complexo. Embora seja mais conhecido como uma reacção espontânea a algo engraçado ou cómico, também tem funções sociais e fisiológicas importantes. Quando rimos, activamos uma série de músculos faciais e respiratórios, o que pode gerar sons cadenciados e ruidosos, reconhecidos por todos. Simultaneamente, o corpo aumenta a produção de endorfinas e de serotonina, o que promove uma sensação de bem-estar, e reduz a produção de cortisol, a hormona que está normalmente associada a estados de tensão e ansiedade. O riso também estimula a produção de dopamina, que está ligada aos mecanismos de prazer e recompensa. Como se tudo isto não fosse já suficiente, o riso activa ainda o sistema nervoso parassimpático, que é responsável pelo estado de relaxamento do corpo.»

«A ideia de resolver uma expressão matemática ou uma equação para determinar um resultado ou dar um valor a uma incógnita é central na matemática. E também no humor. Algumas das situações humorísticas ou piadas são formuladas sob a forma de pergunta-resposta.»



Em Torno de Abril - 25 anos que mudaram Portugal (1961-1986)
, de 
José Miguel Sardica

Este livro oferece um olhar histórico sintético sobre Portugal nos 25 anos que decorreram entre o início das guerras de África, em 1961, e a entrada na CEE, em 1986, a partir de diferentes focos: a política, a sociedade, a economia, a cultura, os media, as mentalidades ou a posição no mundo. A complexidade da revolução de abril justifica esta contextualização, importante para compreender os 50 anos de existência democrática e a situação atual do país.

Excerto
«Desde 1974, as liberdades, a democracia, o progresso e o futuro a que a determinação de Salgueiro Maia e dos outros capitães de Abril abriu portas fizeram o seu curso, tiveram os seus altos e baixos, os seus avanços e retrocessos, constituindo os ingredientes de base de um processo de cinco décadas de transformação do país que nunca poderá considerar‑se finalizado. E será sempre da (re)descoberta do que se tornou consensual na política, na sociedade, na economia e nas mentalidades e valores democráticos que Portugal poderá determinar o rumo para construir o futuro a partir de uma tão rica história do seu passado recente.»

Outra publicação recente da editora FFMS: 
Aquilo que Vi no Escuro - Histórias sobre psicose.

domingo, 19 de abril de 2026

Livro «Aquilo que Vi no Escuro» retrata vidas marcadas pela psicose


Portugal é o segundo país com maior prevalência de doenças psiquiátricas da Europa. Quando olhamos apenas para as perturbações mentais graves, os dados da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental apontam para 4% da população afetados por patologias como a esquizofrenia e a doença bipolar. 
Como é viver com a psicose? Que apoios existem? Que resposta dão as instituições e as famílias? O que acontece, de facto, a quem perde o laço com a realidade? Que tipo de cuidados se lhes reserva? O internamento num hospital psiquiátrico é um fim de linha justificável? É possível a reabilitação real e a vida integrada? 
O livro Aquilo que Vi no Escuro - Histórias sobre psicosepublicado em Fevereiro pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, visa desmistificar a incompreendida e estigmatizada realidade dos doentes com psicose.

Excerto do prólogo
«O contexto clínico tradicional assim o distingue: «eles», «os outros», «os indivíduos», «os psicóticos», «os esquizofrénicos». E o estigma em torno da doença mental ajuda a que imaginemos essas categorias como estanques, e não desconfiemos de quão frágil é esta divisão do mundo.
Este livro é um resumo de muitas coisas, possível por tantas outras terem ficado de fora. Existe por causa da generosidade de meia centena de pessoas que deram o seu tempo e confiaram as suas histórias na esperança de que possam ser úteis para mais alguém.
As doenças mentais são doenças da solidão. Mesmo que milhares de pessoas que estão por perto partilhem o mesmo diagnóstico, são muitas vezes sentidas como vividas a sós. E, entre elas, não haverá experiência de maior isolamento e incompreensão do que a da psicose.»

Sinopse

Sabia que a psicose não é um diagnóstico, mas sim um sintoma? Surge quando alguém vê e ouve algo que não existe para os outros, num estado que pode ser estável, intermitente ou único na vida. Estigmatizados e incompreendidos, os episódios psicóticos afetam uma em cada três mil pessoas por ano. Apesar de se associarem à esquizofrenia, integram um espectro mais vasto de doenças mentais.
Este livro retrata vidas marcadas pela psicose, logo, pela perplexidade e pelo estigma. Porque a alteração do entendimento da realidade comum é, sobretudo, uma experiência de solidão extrema. E, até mesmo quando condena alguém a viver numa clínica psiquiátrica dentro de um estabelecimento prisional, significa dor e sofrimento mentais quase inconcebíveis.

Margarida David Cardoso
é jornalista, pós-graduada em Ação Humanitária, formada como técnica de apoio à vítima, e estudante de Psicologia. Coordenou os livros Verdes Anos: Retratos de Juventude e E depois da Revolução: Cinco Décadas de Democracia, da Fundação Francisco Manuel dos Santos. 
Outros títulos recentes da colecção Retratos
Peneda-Gerês - Parque Nacional de Portugal
, um apelo à preservação da riqueza e diversidade de um património que corre o risco de perder a sua identidade cultural e ambiental. De 
Miguel Brandão Pimenta;
Pais Nossos - Conversas sobre paternidade, um livro, de Frederico Batistaque aborda modelos de masculinidade, a força, a vulnerabilidade e a saúde mental dos pais.

Gradiva reedita em Maio livros icónicos de José Rodrigues dos Santos e de Kazuo Ishiguro

Depois de publicar, em Fevereiro, novas edições de O Codex 632 e Klara e o Sol, a Gradiva volta a dar uma nova vida a outros dois livros de José Rodrigues dos Santos e de  Kazuo Ishiguro.
Kazuo Ishiguro foi elogiado no Sunday Times por «ampliar as possibilidades da ficção». Em Nunca Me Deixes, que se encontra certamente entre as suas melhores obras, conta-nos uma extraordinária história de amor, perda e verdades escondidas.
É um romance profundamente comovente, atravessado por uma percepção singular da fragilidade da vida humana. Considerado um dos melhores romances do autor, já foi adaptado ao cinema. Nas livrarias a 5 de Maio.

Baseada nas últimas e mais avançadas descobertas científicas nos campos da física, da cosmologia e da matemática (aquando da sua 1.ª edição), A Fórmula de Deus transporta o leitor numa espécie de percurso iniciático, numa empolgante e primordial viagem até às origens do tempo, à essência do universo e ao sentido da vida. 
Uma história de amor, uma intriga de traição, uma perseguição implacável, uma busca espiritual que nos leva à mais espantosa revelação mística de todos os tempos. 
Nas livrarias a 19 de Maio.

Conhece outras recentes reedições da editora, aqui.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Novos tríleres psicológicos chegam às livrarias com o selo das Edições ASA


Valerie Keogh é autora de vários bestsellers como The Widow, The Lodger e The Trophy Wife. A autora inglesa cresceu a ler Agatha Christie e começou por escrever romances policiais, mas agora dedica-se a tríleres psicológicos. A Enfermeira marcou a sua estreia em Portugal. As Esposas é o título do seu novo livro.

Texto sinóptico
Quando Natasha conhece Daniel, acredita que conheceu o homem perfeito, o marido ideal. Rico, carismático, irrepreensível. Até que a perfeição começa a ser desmascarada. O cruzeiro de luxo, uma oferta de Daniel, parece a oportunidade ideal para impressionar as amigas, Barbara, Tracy Ann e Michelle, e provar que finalmente alcançou o que sempre desejou. Sol, champanhe, jantares exclusivos. Um cenário idílico. Mas em alto-mar não há escapatória. À medida que o navio se afasta da costa, a fachada de Daniel começa a ruir. Segredos antigos vêm à tona. Mentiras entrelaçam-se. E Natasha percebe que não é a única a esconder algo. Porque cada uma das esposas tem um motivo. E pelo menos uma está disposta a matar. Esta viagem não é uma celebração. É um jogo perigoso e nem todos regressarão a terra firme.


Um livro perturbante, que fica connosco muito depois de virarmos a última página. Assim é Onde o Rio Espera, uma experiência emocionalmente dilacerante que leva o leitor aos recantos mais sombrios - e mais sublimes - da condição humana. Wally Lamb é romancista e professor de escrita criativa. Vive em 
Connecticut.

Texto sinóptico
Corby Ledbetter está no limite. Desempregado, com filhos pequenos em casa e um vício que alimenta em segredo, sente que a vida lhe está a escapar por entre os dedos. Até mesmo a relação com a mulher que adora, Emily, se degrada a cada dia. E é então que um momento irreversível destrói a família. Após a tragédia, Corby é condenado a uma pena de prisão. Atrás das grades, esmagado por uma culpa avassaladora e pela dureza implacável do sistema prisional, é testemunha de atos de brutalidade inimagináveis. No meio da escuridão, porém, também há pequenos gestos de humanidade: a bondade discreta da bibliotecária, e a inesperada cumplicidade com outros reclusos - entre eles, um colega de cela generoso e um adolescente perdido, desesperado por alguém que lhe sirva de exemplo. Sustentado por estas ligações e pelo apoio inquebrantável da sua mãe, Corby começa lentamente a transcender os limites do seu cativeiro. Mas será que aqueles que ama conseguirão alguma vez perdoar-lhe? Conseguirá ele perdoar-se? 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Entre os lançamentos deste mês consta o livro «Como Detetar Um Psicopata»

Além de Quando Eles Partem (de Julia Navarro) O Assassino Cego (de Margaret Atwood),o também novidades da Bertrand Editora os livros Como Detetar Um Psicopata e V., que darão entrada nas livrarias a 23 de Abril.

Os psicopatas estão por toda a parte: na política, no trabalho e até na família. Estima-se que cerca de 1 % da população exiba altos níveis de psicopatia e, segundo o criminologista espanhol Vicente Garrido, esta prevalência aumenta substancialmente em posições de poder ou liderança.

No livro Como Detetar Um Psicopata, o especialista partilha o conhecimento adquirido há mais de duas décadas no terreno, desmontando mitos comuns e oferecendo uma análise clara e acessível dos «psicopatas integrados» – aqueles que não cometem crimes violentos, mas que se misturam na sociedade, manipulam os outros e causam danos significativos.

Outro livro que pode interessar: Rodeado de Psicopatas.

Finalista do National Book Award em 1964, V. é um primeiro romance brilhante, uma sensacional porta de entrada que revela o génio que viria a caracterizar as obras posteriores de 
Thomas Pynchon.
Com uma imaginação criativa que não conhece limites, esta é uma história sobre dois homens, uma misteriosa mulher e o século XX, que consegue conter nas suas páginas a brutalidade, a beleza e a multiplicidade do mundo moderno. V. é um marco absoluto da literatura norte-americana contemporânea, um clássico abismal e irreverente.