segunda-feira, 2 de março de 2026

Livros a publicar em Março da Dom Quixote

Foi com Beleza Vermelha (2025), vencedor do Prémio Frei Martín Sarmiento, que Arantza Portabales (n. 1973) iniciou a série protagonizada pela dupla de polícias Abad e Barroso, que continua em A Vida Secreta de Úrsula Bas. Este novo caso é uma excecional intriga de ciúmes e vinganças, pela mão da nova senhora do romance policial espanhol. Com tradução de Rui Elias, nas livrarias a 10 de Março. 


Thomas Enger (n. 1973) se tornou autor best-seller da série Henning Juul e coautor, com Jørn Lier Horst, da internacionalmente aclamada série Blix & Ramm, que a Dom Quixote publica. Johana Gustawsson (n. 1978) é uma autora premiada e muito conceituada, conhecida como a Rainha do Noir Francês. Estes são os autores de SON, um policial sombrio e cheio de reviravoltas de uma nova série de cortar a respiração, que tem como protagonistas uma especialista em linguagem corporal e consultora da polícia de Oslo, a psicóloga Kari Voss e da comissária da polícia Ramona Norum.
Assina a tradução João Carlos Alvim. O livro chega às livrarias a 10 de Março.


A Dom Quixote apresentou Davide Enia (n. 1974) aos leitores portugueses em 2021, com Notas Sobre Um Naufrágio, e publica agora Autorretrato - Instruções para Sobreviver à Máfia, livro que é também uma peça de teatro que conta a experiência deste dramaturgo, encenador, actor e romancista desde criança com a máfia em Palermo. 
Davide Enia, que já recebeu os mais importantes prémios de teatro em Itália, conta-se a si próprio neste texto belíssimo, que já foi levado à cena no seu país e no qual ele empresta a voz a três investigadores policiais que, como uma obsessão, uma vocação, um dever, lutaram e derrotaram o braço armado da máfia. 
Nas livrarias a 17 de Março, com tradução de Ana Pereirinha.


J. Teixeira de Aguilar trabalhou na tradução portuguesa de A Península das Casas Vazias, obra narrada em tom de realismo mágico, fruto de quinze anos de trabalho e de uma exaustiva viagem de documentação e memória pela geografia espanhola.  
Ainda hoje, dois anos depois de ter sido publicado, não há em Espanha quem não fale deste romance, já considerado um dos mais importantes sobre a Guerra Civil espanhola, com mais de 300 mil exemplares vendidos, prémios atrás de prémios, assim se tornando num dos maiores acontecimentos literários dos últimos tempos. David Úcles (n. 1990), a nova estrela das letras espanholas é licenciado e mestre em Tradução e Interpretação, escritor, músico e desenhador. 
A Península das Casas Vazias dará entrada nas livrarias a 24 de Março.


Escrito após o suicídio da irmã mais nova de Anne Serre, que tinha um problema de saúde mental, Um Chapéu de Leopardo pode ser lido como a celebração de uma vida tragicamente interrompida ou como uma despedida incrivelmente bela e sensível. Finalista do Man Booker Prize Internacional, este livro de Anne Serre (n. 1960), autora de dezoito livros de ficção, é aclamado como o seu romance mais comovente até ao momento e uma «obra-prima de simplicidade, emoção e elegância».
Traduzido por Rui Elias, nas livrarias a 24 de Março.


Iris Wolff (n. 1977), é uma escritora premiada cuja obra transporta o leitor para o coração da sua antiga terra natal. O destino dos que ficam e daqueles que escolhem emigrar é o tema constante e poderoso que permeia os seus romances. Clareiras (nas livrarias a 24 de Março) é um romance luminoso sobre a forma como duas vidas podem tocar-se e transformar-se para sempre, em que a memória se entrelaça com a História, e cada gesto, cada silêncio e cada paisagem – até cada clareira na floresta – transporta a polifonia de um país e as vidas daqueles que sobreviveram aos regimes e às suas fragilidades com a força dos laços humanos e dos reencontros.
Tradução de Paulo Rêgo.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Segundo o 'The Sunday Times', «Toda a Beleza do Mundo» é o livro de arte mais notável do ano


Além de Graziella, de Alphonse de Lamartine, outra novidade que saiu em Fevereiro pela Minotauro intitula-se Toda a Beleza do Mundo, obra de não-ficção traduzida para o nosso idioma por Sónia Amaro a partir de All the Beauty in the World.
Este livro de estreia de Patrick Bringley, que vive em Brooklyn, trata-se de o retrato de um grande museu e a história comovente de um vigilante em busca de consolo na arte. 

Nota do autor
«Este livro é composto por acontecimentos reais ocorridos durante os dez anos em que trabalhei como vigilante de museu. Num esforço para escrever cenas que demonstrem o alcance da minha experiência, por vezes, juntei incidentes que sucederam em dias diferentes. Os nomes dos funcionários do museu foram alterados.»

Sinopse
Quando o irmão mais velho de Patrick morre, aos vinte e seis anos, tudo o que Patrick quer é afastar-se. E assim faz. Despede-se do emprego e procura refúgio no lugar mais bonito que consegue imaginar: o Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque. 
Toda a Beleza do Mundo conta a experiência de Patrick como vigilante do museu, onde zelou silenciosamente por alguns dos nossos maiores tesouros e desvendou os segredos mais íntimos do Met. 
À medida que cresce a sua ligação à arte e ao que a rodeia, o vigilante emerge do luto, transformado pelo desgosto, pela comunidade e pelo poder da arte de iluminar a vida em toda a sua dor, alegria e esperança.

Outro livro que pode interessar: 
Espanto e Encantamento - Memória de um vigilante de museu, de Pablo d’Ors (Quetzal, 2023)

De Confúcio, um dos clássicos da sabedoria oriental


A Ideias de Ler publicou recentemente Analectos: As palavras do Mestre
um clássico incontornável da sabedoria oriental, uma obra fundamental do pensamento de Confúcio, possivelmente o filósofo mais influente da história mundial. Assina a tradução (não se sabe a partir de que língua) Miguel Marques.

Segundo nota do editor deste título, este é um livro «para ler devagar, sublinhar e revisitar. Não oferece respostas fáceis, mas desafia-nos a fazer melhores perguntas e, acima de tudo, lembra-nos de que o verdadeiro poder (...) começa sempre na forma como escolhemos ser.» 

Sinopse
Analectos: As palavras do Mestre vai guiá-lo numa jornada de aperfeiçoamento pessoal, pela prática da virtude e construção da harmonia social. Confúcio, o filósofo chinês que guiou a cultura e a política do seu país até aos dias de hoje, revela como o carácter, a sinceridade e o compromisso ético são pilares para uma vida plena e justa. As suas ideias demonstram que a verdadeira liderança nasce do exemplo que alia dever e compaixão, e convidam o leitor a refletir sobre o poder transformador da educação e da ética.
O resultado é uma obra com pensamentos milenares que ecoam através de gerações e que, hoje, continuam a fazer-se sentir de forma poderosa.
Uma leitura essencial e intemporal sobre a dignidade, o respeito e a construção de uma sociedade virtuosa e próspera – aquilo que todos almejamos.

«Li os escritos de Confúcio com atenção; recolhi excertos; não identifiquei neles nada além da mais pura moralidade, sem o menor traço de charlatanice.» – Voltaire

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Guias de Viagem Ilhas da Madeira e dos Açores

Porto Editora publica em Março novos Guias de viagens.

A Madeira pode fazer parte de Portugal, mas é um mundo por si só. Trilhos de cortar a respiração, florestas ancestrais, picos montanhosos e vinho mundialmente famoso aguardam os visitantes nesta espetacular ilha do Atlântico. Não quer perder nada? Com o Guia TOP 10 Madeira, irá desfrutar do melhor que a ilha tem para oferecer.


Apelidadas de “Galápagos do Atlântico”, as nove ilhas vulcânicas dos Açores são a orla selvagem da Europa, com um aspeto robusto e uma diversidade natural abundante. Mas qual das ilhas explorar primeiro? Com o Guia TOP 10 Açores, irá desfrutar do melhor que cada ilha tem para oferecer.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Livros de George Steiner e Eduardo Lourenço serão reeditados em Março

A Gradiva publicará a 10 de Março as obras Como Caminhar num Pântano, O Labirinto da Saudade  (reedição)O Fantasma do Rei Leopoldo e Os Livros Que Não Escrevi (reedição).

«A técnica consiste em restaurar cerâmicas, encarando cada quebra e rachadela como única. Reconstroem-se as partes e preenche-se a cicatriz (as cicatrizes) com pó de ouro. Aceitar a impermanência de tudo, embelezar a fenda. Tornar a fissura visível. Fazer do defeito força maior. Restaurar-me. Juntar as minhas peças quebradas, iluminar-me com pó dourado, agora sim – obra de arte. Dizem-me que devo criar um diário, registar o processo. Aprendo o acabamento, a limpar o material no fim. É bom aprender uma coisa nova. É como se algo se reconstruísse, um princípio de esperança, digo-o sem pudor. Como se as coisas fossem possíveis. A formadora está connosco em todas as fases, essa certeza consola-me. Fala com tanta doçura, gentileza. Não parece ter problemas reais, de pessoas reais, levita noutra dimensão. Nunca conheci nenhum guru, nenhum santo, talvez tenha sido esse o meu problema. Teria sido uma boa discípula.»
 - Marta Pais Oliveira


«Chegou o tempo de nos vermos tais como somos, o tempo de uma nacional redescoberta das nossas verdadeiras riquezas, potencialidades, carências, condição indispensável para que algum dia possamos conviver connosco mesmos com um mínimo de naturalidade. Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo. A reserva e a modéstia que parecem constituir a nossa segunda natureza escondem na maioria de nós uma vontade de exibição que toca as raias da paranóia, exibição trágica, não aquela desinibida, que é característica de sociedades em que o abismo entre o que se é e o que se deve parecer não atinge o grau patológico que existe entre nós.»
 - Eduardo Lourenço


Finalista do prémio The National Book Critics Circle, O Fantasma do Rei Leopoldo é o relato verdadeiro e assombroso do regime brutal do rei Leopoldo e do seu efeito duradouro numa nação arruinada.
 Pondo em cena personagens mais vívidas e sedutoras do que as de um romance, este livro brilhante inscreve para sempre na consciência humana um episódio brutal da História da colonização moderna.
Adam Hochschild, escritor, jornalista, professor universitário e conferencista americano.


«Não há ninguém a escrever sobre literatura que se possa comparar a Steiner enquanto polígrafo e poliglota, e poucos poderão igualar a verve e a eloquência da sua escrita.»  - The Washington Post

«Os Livros Que Não Escrevi não é um compêndio de pensamentos ilusórios. Cada capítulo é um mapa reflexivo, lúcido e cheio de factos acerca de um lugar cuja exploração, diz Steiner, ele se recusa a realizar. Misteriosamente, esta cartografia é suficiente.» - Alberto Manguel

«Brilhantemente iluminador.» - Alain de Botton, autor de Uma Viagem Terapêutica

George Steiner foi Professor Weinfeld de Literatura Comparada da Universidade de Oxford, Professor Charles Eliot Norton de Poesia da Universidade de Harvard e Extraordinary Fellow na Faculdade Churchill da Universidade de Cambridge. Autor de diversos ensaios de crítica literária e de obras de ficção, publicou recensões e artigos em revistas e jornais como The New Yorker, Times Litterary Supplement e The GuardianÉ autor de O Silêncio dos Livros.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

«Morte na Cornualha», de Daniel Silva

Editor: HarperCollins
Data de publicação: 05-03-2025
N.º de páginas: 400


No mais recente livro da série Gabriel Allon, Daniel Silva prova que ainda tem muito fôlego narrativo. Morte na Cornualha não é apenas mais um tríler de espionagem: é um regresso simbólico a um dos cenários mais marcantes da saga e uma demonstração de maturidade literária. Entre a sofisticação do mundo da arte e a brutalidade de um assassino em série, o autor de A Ordem, O Confessor e O Colecionador constrói uma história envolvente, elegante e cheia de tensão. 
A história começa com a celebração da recuperação de uma obra de Van Gogh numa galeria londrina. Gabriel Allon, o restaurador de arte incumbido do restauro, parece estar apenas a cumprir um dever profissional. Mas, durante a comemoração, recebe uma chamada do sargento-detetive da Polícia da Cornualha: um assassino em série já matou quatro mulheres. Charlotte Blake, professora em Oxford e respeitada especialista em História da Arte e investigadora de proveniência (verificava a origem, autenticidade e histórico de obras de arte), surge morta, e tudo indica que será a quinta vítima do “Lenhador”. 
Um telemóvel desaparecido. Indícios de que Blake investigava um Picasso roubado, avaliado em milhões de dólares… Aos poucos, a narrativa desmonta a hipótese mais óbvia e revela algo muito mais sofisticado do que um simples caso de psicopatia rural. 
Morte na Cornualha confirma Daniel Silva como um mestre do equilíbrio entre acção e elegância. A brutalidade do serial killer contrasta com a delicadeza do mundo artístico, criando uma tensão permanente entre o sublime e o selvagem. A grande questão que fica no ar — Charlotte Blake foi realmente vítima do assassino em série ou peça num jogo muito mais vasto? — sustenta o suspense até ao fim.
Importa ainda informar que, no início de Março, a HarperCollins publicará A Obra-Prima, o 25.º livro do autor protagonizado por Gabriel Allon.

Excerto
«Eram onze e dezassete da noite, quando a porta de madeira do abrigo, finalmente, se abriu e dois homens entraram na cela improvisada de Gabriel. Amarrado e encapuzado, não sabia que horas eram, mas o número de visitantes era facilmente discernível pelo som dos sapatos que se arrastavam pelo chão de cimento.»

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Editora Devir publica «O Guia do Mau Pai», uma nova BD de Guy Delisle

Depois de lançar Pyongyang - Uma viagem à Coreia do Norte (2015), Shenzhen - Uma Viagem à China (2017), Crónicas da Birmânia (2020) e Crónicas de Jerusalém (2024), a Editora Devir publica amanhã uma nova banda desenhada do artista canadiano 
Guy Delisle, actualmente com 60 anos. A novela gráfica  O Guia do Mau Pai é um conjunto de histórias curtas humorísticas sobre a dificuldade de educar os seus filhos.

A série é composta por 4 volumes principais publicados separadamente. 
Além disso, existe uma edição integral publicada em 2021 que reúne os quatro volumes em um único livro. 

Le guide du mauvais père – Volume 1 (2013) 
Le guide du mauvais père 2 – Volume 2 (2014) 
Le guide du mauvais père 3 – Volume 3 (2015) 
Le guide du mauvais père 4 – Volume 4 (2019) 

Pour une fraction de seconde (2024) é o título original do seu mais recente álbum.

Sinopse

Inicialmente editadas no blog do autor, as pranchas agora reunidas nesta versão integral ilustram, de forma irónica, com o humor característico de Guy Delisle, situações do seu quotidiano enquanto pai de duas crianças pequenas.
Um relato terno satirizando os mal-entendidos, as incertezas e as aprendizagens próprias de todas as decisões dos pais. 

Outra novidade da editora: Kiki de Montparnasse, de Catel & Bocquet

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Gabriel Allon está de volta: Daniel Silva lança o 25.º livro da série


A 3 de Março, a HarperCollins publicará A Obra-Prima, o 25.º livro da série protagonizada por Gabriel Allon, personagem criada pelo escritor norte-americano Daniel Silva
Gabriel Allon é um restaurador de obras de arte de elite, espião israelense ligado ao serviço secreto e especialista em contraterrorismo. A personagem surgiu em The Kill Artist (2000), publicado em Portugal como O Artista da Morte (Bertrand, 2008). A série chega agora ao 25.º título com An Inside Job (Gabriel Allon Series #25). 

Além da edição em formato normal, estará à venda uma edição especial, aprimorada, com edges (ver aqui).

A editora, que tem vindo a apresentar ao público português os mais recentes livros de Daniel Silva, lançou em 2025 Morte na Cornualha, tido como um dos seus melhores romances.

Texto sinóptico
Gabriel Allon é o escolhido para restaurar um dos quadros mais emblemáticos de Veneza mas, após descobrir o cadáver de uma mulher a boiar nas águas da lagoa veneziana, lança-se numa corrida frenética para recuperar uma obra desconhecida de Leonardo da Vinci.
O quadro, um retrato de uma bela jovem, estava escondido sob uma pintura de pouco valor atribuída a um artista desconhecido. que estava esquecida há mais de um século num depósito dos Museus do Vaticano.
Como ninguém sabe que Leonardo está ali, ninguém sabe do seu desaparecimento. Ninguém à exceção dos criminosos por trás do roubo e da misteriosa mulher cujo cadáver Gabriel descobriu nas águas de Veneza. Uma mulher sem nome. Uma mulher sem rosto.
Com esta sofisticada e elegante viagem pelo lado mais sombrio do mundo da arte, Daniel Silva demonstra mais uma vez que é o grande mestre do suspense e da intriga internacional da atualidade.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

«Confissão», de Tolstói

Editora: Presença
Data de publicação: 18-02-2026
N.º de páginas: 112

Numa carta dirigida a Mahatma Gandhi, datada de 7 de Setembro de 1910, Liev Tolstói, já consciente da proximidade da morte, manifesta o desejo de partilhar aquilo que mais profundamente o tocava. Aos 82 anos, descontente com uma existência marcada pelo conforto e pela abundância material, o escritor decide abandonar o lar para procurar uma vida mais simples. No dia 28 de Outubro desse mesmo ano — poucas semanas antes de falecer, a 20 de Novembro — deixa uma carta à esposa, explicando que a convivência doméstica se tornara insuportável e que pretendia afastar-se da vida mundana para viver em paz e recolhimento os seus últimos dias. 
A fase final da sua vida, muitas vezes designada como período de conversão, ficou profundamente marcada por uma crise espiritual. Essa perturbação interior alterou de forma decisiva o modo de pensar e de encarar o mundo de um homem que, prestes a completar cinquenta anos — por volta de 1877, quando relata ter vivido uma espécie de despertar —, era amplamente reconhecido, possuía estabilidade familiar, riqueza e prestígio. À partida, reunia todas as condições para ser feliz. Ainda assim, era ciclicamente assaltado por pensamentos suicidas. A inquietação agravava-se, intensificada por uma fé fragilizada desde a adolescência, altura em que deixara de frequentar a igreja. 
Na tentativa de encontrar um sentido para a vida, Tolstói revisita o seu passado e confronta-se com os seus erros: a participação em mortes durante a guerra, mentiras, roubos e comportamentos moralmente condenáveis. A consciência de que cometera inúmeras faltas e, apesar disso, continuava a ser admirado pela sociedade, aprofunda o seu conflito interior. O autor de Ressurreição inicia então uma procura persistente de respostas, dialogando com sábios indianos e monges, e confrontando-se com o pensamento de figuras como Socrates e Arthur Schopenhauer. Aproxima-se das camadas mais humildes da população, procurando compreender o significado que as pessoas simples atribuem às suas existências, e acaba por concluir que a finalidade do homem reside na salvação da alma.
Confissão é uma obra de carácter autobiográfico, escrita em 1882 e publicada na Rússia apenas em 1906, devido à censura eclesiástica. Redigido na primeira pessoa, o texto desenvolve-se em várias direcções reflexivas que convergem numa inquietação central. Ao longo destas páginas, o leitor acompanha de perto a angústia do autor perante a ausência de um propósito claro para a vida. Trata-se de um livro que convida à introspecção e que, depois de lido, continua a inquietar.
Quatro anos após concluir esta obra, Tolstói publica A Morte de Ivan Ilitch, narrativa centrada numa personagem que, perante a iminência da morte, também procura atribuir significado ao tempo que lhe resta. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Contraponto publica «Neurociência do Corpo», da neurocientista Nazareth Castellanos


De Nazareth Castellanos, neurocientista e investigadora, que dedica-se a estudar o cérebro e, sobretudo, a relação entre o cérebro e o corpo, será publicado na primeira semana de Março pela Contraponto Editores a obra Neurociência do Corpo
Segundo Pablo d’Ors (autor de Espanto e Encantamento, A Biografia do
SilêncioO Amigo do Deserto e Sendino Está a Morrer), esta é «uma obra que mostra com elegância como ciência e humanidades podem e devem voltar a anda
r de mão dada.» 
Informar que desta autora espanhola, será publicado a 24 deste mês O Espelho do Cérebro (Ed. Bookout).


Texto sinóptico
Para muitos, o cérebro é o órgão de comando, aquele que determina todos os aspetos da nossa personalidade. Mas será mesmo assim? E haverá, de facto, uma separação entre cérebro, consciência e corpo, com o primado do primeiro, conforme defendiam os grandes filósofos, ou tratar-se-á de uma tríade a funcionar em uníssono?
Em Neurociência do Corpo, Nazareth Castellanos, uma das maiores autoridades mundiais nesta área, acompanha-nos numa viagem fascinante pelo corpo, levando-nos a reconhecer que a memória, a atenção ou as emoções são influenciadas pela postura corporal e pelos gestos faciais, pela microbiota intestinal e pelo estômago, bem como pelo complexo padrão de batimentos cardíacos e pela maneira como respiramos, exemplos que provam que o corpo é o verdadeiro escultor do cérebro.
Nesta obra única e unanimemente aclamada pela crítica e pelo público, as evidências científicas entrelaçam-se com a história da medicina no Oriente e no Ocidente, numa proposta para explorarmos todo o potencial do nosso corpo e da consciência, dando-nos uma perceção completamente nova de como nos tornamos quem somos.