Com a morte de Edgar Morin, ontem, desaparece uma das grandes referências intelectuais do último século. Filósofo, sociólogo e pensador da complexidade, Morin deixou uma obra vasta e influente, marcada pela defesa de um conhecimento capaz de unir saberes e compreender a realidade na sua riqueza e contradição.Edgar Morin (1921-2026) manteve uma ligação forte a Portugal, onde esteve pela última vez em 2023. Os seus livros foram sendo publicados ao longo de décadas, desde o início dos anos 1980, com as Publicações Europa-América, passando pela Relógio d’Água Editores e, sobretudo a partir de meados da década de 1990, pelo Instituto Piaget/Edições Piaget, que se tornou a principal casa editorial da sua obra entre nós.
Entre as edições mais recentes de obras suas destacam-se Um Momento Mais… (2024), Lições de Um Século de Vida (2.ª edição, 2025) e Os Sete Saberes para a Educação do Futuro (3.ª edição, 2025). Já em novembro de 2025, a Editora Planeta de Livros (sob a chancela Crítica) publicou Lições da História – Podemos aprender com o nosso passado?, aquele que viria a ser o seu último livro, escrito quando o pensador francês contava 104 anos.
Seguem notas de pesar das editoras
«O Piaget manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento do escritor, filósofo e sociólogo Edgar Morin, que nos deixou aos 104 anos. Mais do que uma referência global, Edgar Morin faz parte da nossa identidade. Temos o orgulho de ser a casa editorial de várias das suas obras fundamentais através das Edições Piaget e de celebrar o seu legado, de forma permanente, na Aula Magna Edgar Morin, no Campus de Almada. A sua visão do "Pensamento Complexo" e o seu compromisso com uma educação humanista transformaram o mundo. Hoje, a sua voz cala-se, mas o seu legado permanece vivo em cada página.»
«A Planeta de Livros manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento de Edgar Morin. Filósofo, sociólogo e um dos mais influentes pensadores do nosso tempo. Aos 104 anos, deixa uma obra incontornável que continuará a inspirar leitores e pensadores em todo o mundo.»
sábado, 30 de maio de 2026
A obra e o legado de Edgar Morin (1921-2026)
Romance vencedor do Booker Prize 2025 é publicado pela Relógio D'Água
Entre as novidades da Relógio D'Água, constam o romance vencedor do Booker Prize 2025. Carne - traduzido por Maria de Fátima Carmo a partir de Flesh - foi considerado um dos melhores livros do ano por publicações como o The New Yorker, The Guardian e The Times.
Texto sinóptico
István, ainda adolescente, vive com a mãe num tranquilo complexo de apartamentos na Hungria. Tímido e recém-chegado à cidade, é alheio aos rituais sociais praticados pelos colegas e rapidamente se vê isolado, sendo arrastado para uma sequência de acontecimentos que o deixam para sempre estranho aos outros, à vizinha que o seduz e depois à mãe e a si próprio. Assombrado pelo espectro de uma tragédia passada e pela apatia da modernidade, o confronto entre István e tudo aquilo que o envolve avança até que uma súbita nova tragédia volta a pôr em risco a vida que conhece.
Carne traça os contornos quase impercetíveis de um trauma não resolvido e das suas consequências, no contexto da precariedade e da violência de uma Europa cada vez mais globalizada; e fá-lo com uma lucidez incisiva, um pathos inabalável e uma humanidade surpreendente.
David Szalay, nasceu no Canadá, cresceu em Londres e vive actualmente em Viena. É autor de cinco obras de ficção, incluindo Tudo o Que Um Homem é (2018) e Turbulência (2019), ambos publicados em Portugal pela editora Elsinore.Uma nova edição de Norte e Sul foi lançada no início de Abril pela editora. Elogiado por Charles Dickens como uma «história admirável, cheia de personalidade e poder», este romance publicado em 1855, é uma das mais impressivas descrições literárias da Revolução Industrial no século XIX.Texto sinóptico
A ação de Norte e Sul decorre em meados do século xix, narrando o percurso da protagonista desde o ambiente tranquilo mas decadente de uma Inglaterra sulista até um norte vigoroso mas turbulento.
Neste romance, Elizabeth Gaskell fala-nos de um amor incomum, para mostrar o modo como a vida pessoal e a pública se entrelaçavam numa sociedade recentemente industrializada.
Esta é uma história de triunfos conquistados com enorme esforço, onde o pensamento racional é mais valorizado do que o preconceito e o lado humano se sobrepõe ao respeito cego pela atividade económica.
Os leitores do século xxi irão sentir-se absorvidos, à medida que a trama deste romance vitoriano os transporta até às origens de problemas e possibilidades que ainda hoje, cento e cinquenta anos mais tarde, subsistem: a complexidade das relações, públicas ou privadas, entre homens e mulheres de diferentes classes sociais.
Elizabeth Gaskell (1810-1865), publicou anonimamente o seu romance de estreia, Mary Barton, em 1848, elogiado por Charles Dickens, que chamou à autora a sua “querida Xerazade”, convidando-a a colaborar no seu jornal. Foi nessa época que Elizabeth conheceu Charlotte Brontë, quando passava férias nos arredores de Windermere. Tornaram-se amigas e Elizabeth Gaskell escreveu The Life of Charlotte Brontë (1857), que permanece uma das mais importantes biografias da literatura inglesa. A autora escreveu várias outras obras, como Cranford, A Maldição e Fantasmas Vitorianos.
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Novo livro de Bernardo Pinto de Almeida: «Marilyn - Ninfa e Dasein»
That’s the trouble — a sex symbol becomes a thing. I just hate to be a thing.— Marilyn à Life, dois dias antes de morrerTexto de apresentação
A Ninfa, cuja função maior, como nos ensinou Warburg, é tornar visíveis os emblemas da beleza, da vitalidade e da paixão erótica, foi uma incontornável figura da Antiguidade, quer na literatura (mitológica, filosófica e poética) quer nas artes, e sobreviveu, secretamente incógnita, durante séculos. Ela reapareceu no Renascimento, de novo figurada nas artes e nas letras, associada à redescoberta da Antiguidade.
O seu reaparecer no século XX iria fazer-se com o cinema, já que foi o cinema que permitiu repensá-la e, sobretudo, revê-la, sob a forma da imagem-movimento. A Ninfa cumpriu, no século XX, o que fora um desígnio da Antiguidade depois redescoberto pelo Renascimento e agora actualizado: o que Botticelli sugeriu foi, assim, amplificado por Hollywood.
Se for como penso, deveremos procurar entender de que modo essa figuração reapareceu no contexto que é o nosso, contemporâneo, pelo menos desde a Modernidade e até hoje, para poder traçar-lhe uma arqueologia: entender, na luminosa e enigmática figura de Marilyn, um exemplo da nachleben da Ninfa — e uma vez que a nachleben (sobrevivência, imagem póstuma) não significa repetição, mas reinscrição em um novo contexto — na época contemporânea é o propósito deste ensaio.
Bernardo Pinto de Almeida (n. 1954). Prémio AICA/Fundação Gulbenkian de Crítica de Arte (1983), Prémio de Poesia do Centro Nacional de Cultura, 2004. Prefaciou mais de cinco centenas de catálogos em Portugal e no estrangeiro. Dirigiu a colecção Caminhos da Arte Portuguesa no Século XX na Editorial Caminho. Colaborou em diversas revistas, nacionais e estrangeiras. Publicou vários livros de ensaio e tem poemas traduzidos em várias línguas, nomeadamente espanhol, italiano, francês, inglês, alemão e russo. Publicou em 2023 a obra Sicília. Marilyn - Ninfa e Dasein (Ed. Documenta) é o seu livro mais recente.
Outro livro publicado recentemente pela Documenta: O Fazedor de Teatro.
Os volumes n.º 96, 97 e 98 da colecção 'Retratos' da Fundação Francisco Manuel dos Santos
Baseado em entrevistas com promessas portuguesas (atuais e do passado), técnicos e especialistas, Promessas do futebol mostra como a sorte molda o destino no futebol e revela fenómenos como o efeito da idade relativa, que privilegia jovens nascidos entre janeiro e março. Na Seleção, por exemplo, por cada 24 eleitos, dez mil ficam de fora. Este é o retrato real do que custa chegar ao topo. Autoria de Rui Passos Rocha.
No livro Portugueses ciganos, Cinco séculos de resistência, de Ana Cristina Pereira, retrata-se o passado e o presente desta minoria em Portugal, através do resgate de factos e memórias históricos e da escuta ativa de protagonistas (por vezes, várias gerações numa família), das feiras às universidades, do futebol de elite aos acampamentos nómadas. Também se relata como um novo ativismo cigano combate, em simultâneo, muitas formas de discriminação e algumas demandas da tradição.
Bancários, Retratos com data-valor, de Luís Bento, retrata a trajetória dos bancários portugueses e a evolução do setor financeiro, desde a força sindical e o «milagre económico» dos anos 70 e 80 até ao atual cenário de erosão da solidariedade laboral, automação e contração da rede bancária, despedimento e desgaste dos trabalhadores. Através de testemunhos de diferentes gerações de bancários e ex-bancários, documenta os custos humanos da modernização crescente de um setor que passou do serviço de proximidade à crueza dos algoritmos e das metas comerciais.
Novo livro de Pedro Chagas Freitas esgota em pré-venda e avança para 2.ª edição
«Este é o livro mais íntimo que escrevi, o mais difícil, até. Obrigou-me a percorrer estradas emocionais onde não tinha conseguido passar», escreveu Pedro Chagas Freitas nas suas redes sociais, revelando a profundidade emocional do seu mais recente romance.
Antes mesmo de chegar às livrarias, Benjamim e os Dias Cheios de Nada já se tornou um verdadeiro fenómeno editorial em Portugal. Em menos de 72 horas de pré-venda, e ainda a várias semanas da data de lançamento, marcada para 12 de Junho, o livro, com o selo da Oficina do livro, alcançou os 35 mil exemplares e avançou para a 2.ª edição.A nova obra do autor mergulha em temas profundamente humanos e universais: os dias em que o vazio parece ocupar tudo, em que as emoções se confundem e em que se torna difícil compreender aquilo que sentimos. Com a sensibilidade e intensidade que caracterizam a escrita do autor, Benjamim e os Dias Cheios de Nada promete tocar leitores de todas as idades.
Sinopse
Benjamim vive as emoções como ninguém. A sua forma de ver a vida, de pensar a vida, de sentir a vida, é desconcertante. A existência também o é.
Ao atravessar as páginas deste livro, vamos conhecer um caminho de emoções, de gargalhadas, de lágrimas, de medos, de coragens, este é ao mesmo tempo um diário e um caderno de sentimentos, com múltiplas camadas e ainda mais leituras.
domingo, 24 de maio de 2026
Editora Taiga lança novo livro de J. Marques-Teixeira, figura de relevo na área da Saúde Mental em Portugal
Arquitetura do Tempo Humano é o título do novo livro da Taiga, editora especializada nas áreas da saúde mental e da psicoterapia.
O autor, João Marques-Teixeira, exerceu a presidência da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental entre 2016 e 2019. É Diretor do Neurobios – Instituto de Neurociências, entidade dedicada ao desenvolvimento e à integração de abordagens neurocientíficas aplicadas à compreensão e intervenção em saúde mental.Foi fundador e presidente da Associação Portuguesa de Neurofeedback e Neurotecnologia e da Sociedade Portuguesa de Psicoterapia Centrada no Cliente e Abordagem Centrada na Pessoa, tendo desempenhado um papel relevante na promoção, consolidação e articulação de diferentes perspetivas terapêuticas e científicas no campo da saúde mental em Portugal. Foi docente durante 35 anos na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), onde construiu uma carreira académica de grande relevo.
Este ensaio, Arquitetura do Tempo Humano, encontra-se estruturado em duas partes. A Parte I, 'Fundamentos do Tempo Humano', reúne capítulos dedicados à análise da experiência temporal, abordando temas como o tempo vivido, a consciência, a memória, a identidade e a corporeidade. A Parte II, 'Ritmos Neurobiológicos e Tempo', explora os fundamentos biológicos da temporalidade, com especial enfoque nos ritmos biológicos e nos mecanismos cronobiológicos que moldam a experiência subjetiva do tempo.
Texto de apresentação
A presente obra é um ensaio que parte de uma premissa simples e transformadora: não vivemos no tempo — somos feitos de tempo.
Da consciência ao cérebro, da memória às emoções, da saúde à psicopatologia, a nossa vida interior é moldada por ritmos, intervalos, durações e antecipações que raramente reconhecemos, mas que estruturam tudo o que somos — a temporalidade é o eixo da condição humana, o princípio invisível que sustenta memória, identidade, emoção e existência.
O autor promove um diálogo raro entre a fenomenologia e a neurociência, combinando-as com a sua vasta experiência clínica — psiquiátrica e psicoterapêutica.
É explorada a forma como retenção, presença e protensão (Husserl) se traduzem na atividade cerebral; como o corpo regula a experiência através de ritmos biológicos; como o sonho reescreve o passado; e como a depressão, a ansiedade, o trauma, a mania e a esquizofrenia revelam, cada um à sua maneira, o que acontece quando o tempo adoece.
Arquitetura do Tempo Humano é, ao mesmo tempo, investigação e convite: uma tentativa de compreender o tempo e uma forma de aprender a habitá-lo com mais consciência.
Um ensaio para leitores que procuram pensar mais fundo — e sentir mais claramente — naquilo que nos atravessa desde o primeiro instante até ao último: o tempo que nos acontece.
«Afinal, ser alguém implica sempre poder estender-se entre aquilo que já aconteceu, aquilo que está a acontecer e aquilo que ainda pode acontecer.
Quando esta articulação se perde, não se modifica apenas a experiência do tempo — transforma-se a própria forma de existir» J. Marques-TeixeiraO autor
João Marques-Teixeira é médico psiquiatra, psicoterapeuta e neuroterapeuta. A sua atividade científica e clínica desenvolve-se na interface entre neurociência, fenomenologia e prática clínica, explorando a forma como o tempo, o corpo e a consciência se organizam na experiência subjetiva. O seu interesse centra-se nos ritmos da mente e na temporalidade da experiência humana, articulando dados neurofisiológicos com abordagens fenomenológicas numa perspetiva de neurofenomenologia clínica. Neste enquadramento, procura compreender de que modo o sofrimento psíquico e os processos de transformação terapêutica se manifestam na vivência temporal do sujeito. É autor de mais de dez livros, entre os quais Neurofeedback - Aspetos Teóricos e Práticos (2022), mais de duas centenas de publicações científicas e mais de 60 artigos em revistas nacionais e internacionais de elevado fator de impacto.Outros livros que fazem parte do catálogo da editora:
sábado, 23 de maio de 2026
Pedro Eiras regressa ao romance e revisita o imaginário de Fernando Pessoa
Pedro Eiras (n. 1975) é Professor de Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A sua produção literária distingue-se pela diversidade de géneros e pela profundidade reflexiva, abrangendo a ficção, a poesia, o ensaio e o teatro. Ao longo da sua carreira, tem desenvolvido uma obra vasta e multifacetada, na qual se destacam títulos como Bach, Os Três Desejos de Octávio C., Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa, Constelações, A Cura, bem como a trilogia, publicada pela Assírio & Alvim, Inferno, Purgatório e Paraíso.
Nevoeiro - uma investigação é o título do seu novo livro, que acaba de ser publicado.
Excerto
«Começa por uma tremura ao rés do Tejo. O ar baço confunde as imagens, apaga os contornos de mastros, velas e cordames. Bocados de tela parda pousam sobre a ondulação morosa, arremetidas de vapor infiltram-se nas pedras, esgarçam os ancoradouros. Do rio espesso sobe um manto fantasmagórico, que lentamente galga a terra e embebe as pedras, os pilares.»
Texto de apresentação
Decido escrever um livro para investigar as relações entre a escrita e o poder.
De regresso ao romance e ao universo de Fernando Pessoa, Pedro Eiras segue o poeta português, qual detective no seu encalço, pelos cerrados anos de António Ferro e Salazar nos primeiros avanços do Estado Novo. Tempos de metafórico e espesso nevoeiro, em que talvez se possam reconhecer outras nuvens, bastante mais recentes: «Que resta dizer? Talvez apenas isto: que não se escreve uma investigação sobre o passado sem se ser movido pelo presente. E que não há uma única página desta narrativa – ambientada nos primeiros anos do Estado Novo – que não seja tingida pela sombra dos dias de hoje.
domingo, 17 de maio de 2026
«Toda a Beleza do Mundo», de Patrick Bringley
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Editora: Minotauro
Data de publicação: 05-02-2026N.º de páginas: 248 |
Este livro de memórias, considerado o livro de arte mais notável do ano 2023 para o The Sunday Times, acompanha os dez anos em que o autor trabalhou como vigilante no Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque. A decisão de Patrick Bringley mudar de profissão e de vida surge após a morte do seu irmão mais velho, Tom, em 2008, vítima de cancro, acontecimento que o marca profundamente e o leva a abandonar o seu emprego anterior em busca de um espaço de refúgio e contemplação.
Ao longo da obra, o autor conduz o leitor pelos bastidores de um dos maiores museus do mundo, revelando não apenas o funcionamento interno do Met, mas também o quotidiano dos seus vigilantes e a diversidade de visitantes que por ali passam. Entre salas repletas de obras de mestres como Picasso, Renoir, Monet, Rembrandt, Vermeer, Paul Cézanne e artefactos de civilizações antigas, Bringley descreve uma rotina feita de silêncio, vigilância e observação atenta, onde a arte se cruza constantemente com a vida quotidiana.
Um dos aspetos mais interessantes de Toda a Beleza do Mundo é a forma como o contacto diário com as obras de arte transforma progressivamente a visão do autor, levando-o a desenvolver uma relação mais lenta e profunda com a arte e com o tempo. Paralelamente, a experiência do luto está sempre presente, mas sem se tornar o foco principal da narrativa.
Apesar de, por vezes, o estilo de Bringley ser demasiado poético e metafórico, esta obra, traduzida para o nosso idioma por Sónia Amaro, trata-se de uma autobiografia envolvente e serena, que mostra como o contacto contínuo com a arte pode funcionar como um espaço de abrigo e transformação.
No final, concluí que o livro mostra claramente o poder curativo e transformador da arte, e que, mesmo em tempos de perda, o mundo ainda se pode revelar cheio de beleza e significado.
Excerto
«Estou a começar a descobrir que a vida é longa. (...) Quando Tom morreu, encontrei o caminho para o Met, e foi fácil conceber a idade adulta como um estado final, um fim do crescimento e da mudança, em vez de uma viagem própria. Agora, encontro-me na posição de ter envelhecido mais do que o meu irmão mais velho, e é estranho e não é natural, como ter ficado mais alto do que uma árvore que escalava na infância. Mas agora também tenho perspetiva suficiente para ver que a minha vida se estenderá para lá dos seus horizontes atuais (...)» (p. 193)
sexta-feira, 15 de maio de 2026
POESIA Noun Feminine: o novo projecto literário da Shantarin Editora
A Shantarin Editora lança, a 27 de Maio, o projecto POESIA Noun Feminine – Women’s Voices from the Southwest, iniciativa dedicada a projetar a excelência da poesia feminina portuguesa no cenário internacional, conquistando novos públicos e horizontes geográficos.Integrado no Europa Criativa, o prestigiado programa da União Europeia de apoio aos setores cultural e criativo, este projecto apresenta-se aos leitores com a publicação simultânea de sete edições bilíngues e obras de doze autoras, estabelecendo uma ponte entre vozes canónicas e contemporâneas.
Os títulos levam além-fronteiras poemas incontornáveis de Florbela Espanca, Natália Correia e Ana Luísa Amaral. O projeto distingue-se, ainda, pelo cruzamento interdisciplinar em duas obras coletivas: na primeira, a palavra dialoga com o universo visual de artistas como Paula Rego; na segunda, a poesia funde-se com a musicalidade do fado através de uma linhagem de seis intérpretes-autoras, de Amália Rodrigues a Teresinha Landeiro, incluindo Aldina Duarte, Mafalda Arnauth, Cuca Roseta e Carminho.
«Este projeto assume-se como um contributo sem precedentes para a internacionalização da produção literária de mulheres portuguesas nos séculos XX e XXI», afirma Sofia Lima, coordenadora editorial e de comunicação da Shantarin Editora. «Ao traduzir e editar estas obras, a Shantarin celebra o talento e a ousadia de escritoras que se afirmaram perante os cânones tradicionais, conferindo-lhes uma nova e merecida projeção global.»A par com a colecção POESIA Noun Feminine, e além da edição em ucraniano incluída na mesma (втрачені рими, розкидані бурею), é também publicada este mês, no dia 27, a edição portuguesa da mesma antologia de Florbela Espanca, intitulada Alma e Sangue e Vida em Mim.
Florbela Espanca (1894–1930) é, seguramente, um dos nomes incontornáveis da literatura portuguesa, e a antologia Alma e Sangue e Vida em Mim permite entender as razões pelas quais a sua obra merece continuar a ser celebrada. Após a sua morte prematura, em 1930, Florbela tornou-se rapidamente objeto de lenda, graças à combinação irresistível entre um percurso de vida tumultuoso e uma série de sonetos inconfundíveis, nos quais se espraiam ora sentimentos de malogro, ora ardentes proclamações da sua ânsia de viver.
Alma e Sangue e Vida em Mim oferece aos leitores a força lírica e emocional desta vulto da literatura, pioneira da grande escrita feminina portuguesa do século XX. Organizada por Cláudia Pazos-Alonso (Universidade de Oxford), com ilustrações de Margarida Fleming, a obra reúne poemas sobre temas universais como a paixão, a liberdade sexual, a perda, a saudade e a morte, na voz intensa e singular da poeta de Vila Viçosa.
Novo livro do Bispo do Funchal entre as novidades da editora Lucerna
Maria, Peregrina de Esperança, de D. Nuno Brás
Olhar para a Virgem Maria como discípula que sempre peregrinou na esperança, na certeza de que o seu caminho nos ilumina na peregrinação da vida cristã, ajudando ao crescimento da fé, da esperança e da caridade – eis o objetivo deste pequeno livro. Que ele possa servir de ajuda para todos os que o lerem, animando-os a progredir na fé, na companhia de Nossa Senhora, «peregrina de esperança».
Outro livro do autor: Cenas de Deus
De Roberto a Leão, de Armando Jesús Lovera Vásquez
Crónica íntima de uma amizade que atravessa décadas e fronteiras, do Peru dos anos 90 – no meio de pobreza, violência e esperança – até à loggia da Basílica de São Pedro, onde o cardeal Robert Prevost se apresentou ao mundo como Leão XIV.
O símbolo do leão de Marcos percorre estas páginas como o bater de um coração: firmeza mansa, Evangelho em ação. Não se trata de uma biografia ou de uma crónica fria, mas de um testemunho vivo de que a amizade se transforma em método pastoral, de que a memória se torna gratidão que salva nomes, e de que a missão convoca a acreditar que o amor é capaz de reconstituir a Igreja e o mundo.
Esta edição atualizada conta ainda com um epílogo do Autor que reflete já sobre o primeiro ano do pontificado de Leão XIV.
terça-feira, 12 de maio de 2026
Romances de Jacqueline Harpman e de Percival Everett chegam às livrarias esta semana
Orlanda e Rasura, com traduções de Maria de Fátima Carmo e de Bruno Vieira Amaral, respectivamente, chegam às livrarias a 14 de Maio, com a chancela Livros do Brasil, do Grupo Porto Editora.
Distinguido com o Prémio Médicis em 1996 e agora redescoberto, Orlanda é um engenhoso e provocador romance que explora o modo como um e outro sexo ocupam o mundo, num sonho andrógino que, depois de Eu Que não Conheci os Homens, confirmou a genialidade da escritora belga Jacqueline Harpman.
Esta obra continua a revelar-se actual, nomeadamente no que diz respeito aos debates sobre identidade e representações de género.Texto sinóptico
Na gare du Nord, em Paris, Aline Berger aguarda o comboio que a levará de volta a casa, em Bruxelas. Nas mãos, tem um exemplar de Orlando, de Virginia Woolf, e o seu espírito, incapaz de se concentrar na leitura, divaga. Como seria se pudesse habitar o corpo de um homem? E se o corpo desse homem fosse o daquele jovem a umas mesas de distância? Depois de trinta e cinco anos aprisionado, Orlanda, o seu alter ego, liberta-se e instala-se no que antes fora Lucien, alegremente provocando o caos na sua anterior existência e alterando de forma dramática aquelas duas vidas.Considerado um dos romances mais originais e poderosos que emergiram da América (Times Literary Supplement), Rasura foi publicado em 2001 e consagrou o escritor Percival Everett como um nome maior da literatura contemporânea americana. Em 2023, deu origem ao filme 'American Fiction', distinguido com um Óscar.
O aclamado autor constrói aqui uma narrativa mordaz e inteligente e questiona noções de identidade, autenticidade, representação e legitimidade artística.
Everett tem mais de trinta obras publicadas, incluindo Telephone (finalista do Prémio Pulitzer em 2021), As Árvores (finalista do Prémio Booker 2022) e James (finalista do Prémio Booker 2024 e vencedor do Prémio Pulitzer de Ficção 2025).Texto sinóptico
Thelonius «Monk» Ellison nunca permitiu que a raça definisse a sua identidade. Mas quando uma jovem autora publica o romance A Gente Vivemos no Gueto, aclamado como uma representação autêntica da experiência afro-americana, sente-se irritado precisamente enquanto escritor afro-americano. Com a família a enfrentar graves dificuldades, a carreira estagnada e o seu agente a acusá-lo de não ser «suficientemente negro», Monk escreve de um fôlego uma paródia acutilante à chamada literatura do gueto, que assina sob pseudónimo — e que num ápice atinge um êxito inimaginável. E agora? O que fazer quando a provocação lhe toma conta da vida?
segunda-feira, 11 de maio de 2026
O romance mais autobiográfico de David Lodge regressa às livrarias
Chega amanhã às livrarias uma nova edição de A Vida em Surdina, considerado o romance mais autobiográfico do escritor britânico David Lodge. Este é o título mais recente da coleção ESCOLHA DA EDITORA, da ASA.Segundo Carmen Serrano, editora da LeYa, “Só um mestre consegue fazer-nos rir (com um certo sentimento de culpa, sim) e pôr-nos a pensar (com melancolia e até algum pânico) no quão trágica e cómica é a vida humana.”
Com tradução de Tânia Ganho — que afirmou, nesta entrevista a este blogue, considerar este livro um dos seus trabalhos de tradução favoritos —, A Vida em Surdina é um brilhante retrato das atribulações de um homem confrontado com o envelhecimento e a morte.
Inspirado na experiência pessoal do autor, o romance explora, com inteligência e ironia, os lados cómico e trágico da perda de audição e, em última análise, da própria condição humana.
Elogios da imprensa
«Um romance magnífico que combina soberbos momentos de comédia com o clássico estoicismo inglês.» Mail On Sunday
«Sofisticado e maravilhoso. A Vida em Surdina apela tanto ao intelecto como aos sentidos.» The Herald
Texto sinóptico
Numa festa barulhenta, um homem tenta ouvir o que a sua interlocutora está a dizer. Demasiado orgulhoso para admitir que é surdo, dá por si numa situação embaraçosa que rapidamente escapa ao seu controlo.
Quando pediu a reforma antecipada, o professor universitário Desmond Bates nunca pensou vir a sentir saudades da azáfama das aulas. Mas a verdade é que a monotonia do dia-a-dia não o satisfaz. Para tal contribui também o facto de a carreira da sua mulher ir de vento em popa, reduzindo-o ao papel de mero acompanhante e dono de casa. Acima de tudo, o que o aborrece é a crescente perda de audição, fonte constante de atrito doméstico e constrangimento social. Desmond apercebe-se de que, na imaginação das pessoas, a surdez é cómica, mas para o surdo é tudo menos uma brincadeira. Para ele, arrisca até ser devastadora, pois, ao recusar assumi-la, Desmond envolve-se inadvertidamente com uma jovem mulher cujo comportamento ameaça desestabilizar por completo a sua vida.
Alguns outros livros que constam da coleção: Maurice, de E. M. Forster, e Isola, de Allegra Goodman.
Conhece, aqui, aqui e aqui, outras novidades que a LeYa vai lançar em Maio


















