quinta-feira, 18 de junho de 2026

Os novos livros de André Aciman e de Ruth Ware


André Aciman (n. 1951) é professor de Literatura Comparada no Graduate Center of the City University of New York. Considerado uma das vozes mais estimulantes da ficção contemporânea, André Aciman, que vive actualmente em Manhattan, distingue-se pela sua capacidade de descrever e captar todas as matizes das emoções humanas. É autor, entre outros, dos livros Oito Noites Brancas, Chama-me Pelo Teu Nome e Encontra-me.

Quarto com Vista para o Mar, o seu novo livro, a publicar no próximo dia 23, é composto por três novelas hipnóticas sobre amor obsessivo, desencontros e arrependimentos duradouros.

Sinopse
Sob o calor abrasador de Nova Iorque, cem pessoas aguardam a seleção para um júri. Paul lê um jornal. Catherine lê um romance. Assim começa um flirt relâmpago; entre capuchino e visitas a galerias de arte, Paul e Catherine entregam-se à ilusão de uma escapadinha italiana. Os seus sentimentos rapidamente evoluem para algo mais profundo que, enquanto adultos maduros com as suas próprias vidas, têm de manter em segredo. 
À medida que a semana quente de verão chega ao fim, o desfecho do encontro torna-se evidente, e Paul e Catherine são obrigados a decidir se agem de acordo com os seus sentimentos ou se deixam a fantasia do que poderia ter sido para os registos do passado.
Este livro inclui mais duas histórias. «O cavalheiro do Peru» narra o encontro transformador de um grupo de amigos com um hóspede solitário e enigmático num hotel da Costa Amalfitana. Profundamente atmosférico e sensual, «O cavalheiro do Peru» tece uma reflexão pungente numa história de arrependimento, destino e amor épico. Alternando entre o incisivo e o mordaz, «Mariana» é, ao mesmo tempo, um retrato psicológico preciso e uma história envolvente sobre a descida de uma amante desprezada ao desespero e à fúria. 

Excerto
«
A filha tinha sido assaltada em plena luz do dia, na Columbus Avenue, enquanto passeava com o filho de quatro anos. Telefonara de imediato para o 911 e, quando a polícia chegou, pediu-lhe que descrevesse o agressor. Ficara tão nervosa e assustada com o que podia acontecer ao filho que não se concentrara no assaltante e foi incapaz de o descrever à polícia. Os agentes pediram-lhe que fosse à esquadra apresentar queixa. "Mas por essa altura o assaltante já terá desaparecido", protestara ela. "Minha senhora", disse um dos dois agentes com um sorriso atrevido e sabichão, obviamente satisfeito com aquilo que se preparava para lhe dizer, "o seu assaltante desapareceu há muito, muito tempo." Aquele o seu assaltante ficou-lhe atravessado na garganta. À semelhança da mãe dele, recusou-se a apresentar queixa. Estava mais furiosa com os polícias do que com o ladrão.»


Ruth Ware
 (n. 1977) nasceu em Inglaterra. A sua obra de estreia, Numa floresta muito escura, conquistou os leitores e a crítica internacional e a autora converteu-se num nome de referência do romance policial moderno. 
Os seus livros estão traduzidos em mais de 40 idiomas, com mais de 6 milhões de exemplares vendidos. Pelo Clube do Autor estão editados também A Suspeita, Um por um, A Mulher do Camarote 10 e Um casal perfeito.
A Mulher da Suíte 11, o seu novo tríler psicológico, é a sequela de A Mulher do Camarote 10. Nesta emocionante continuação da história, Lo Blacklock regressa para a inauguração de um hotel de luxo, apenas para se ver envolvida numa corrida frenética pela Europa. Chega às livrarias a 7 de Julho.

Sinopse
Quando a estadia num hotel de luxo se transforma num jogo mortal. Lo Blacklock está desesperada por relançar a sua carreira de jornalista. A oportunidade perfeita surge quando é convidada para cobrir a inauguração de um luxuoso hotel na Suíça. 
O refúgio exclusivo nas margens do lago Genebra tem uma vista deslumbrante, e o seu proprietário, Marcus Leidmann, é tão evasivo quanto poderoso. Lo planeia entrevistá-lo, mas rapidamente percebe que não será fácil. Até que, a meio da noite, recebe um telefonema a convidá-la para o seu quarto. 
Apesar das dúvidas, Lo decide ir ao encontro de Marcus. Mas é recebida por uma mulher aterrorizada, que lhe pede ajuda para fugir do hotel e das garras do amante, o bilionário Marcus.
Quando Lo aceita, tudo se precipita. a tensão é constante: escuta passos atrás de si, vê rostos familiares onde não deviam estar e apercebe-se de coincidências demasiado perfeitas. Estarão realmente a ser perseguidas ou ela está a ser manipulada? Como ajudar alguém em quem não se confia… e sobreviver à dúvida?

Excerto
«
Sustive a respiração ao entrar no quarto. Parecia que tinha rebentado uma bomba. Gavetas viradas ao contrário, o edredão e as almofadas espalhados no chão, uma mesinha de cabeceira de pernas para o ar em cima da cama e cadeiras dispersas como se alguém tivesse andado a jogar bowling com elas, derrubando-as como pinos. Havia roupas por todo o lado — na alcatifa, em cima da mesa de cabeceira, penduradas na persiana. A confusão era tal, que eu nem descortinava o tapete. No meio daquilo tudo, estava a Delilah, a minha velha gata malhada, a fazer tranquilamente a sua higiene em cima de uma pilha desordenada do que, horas antes, tinha sido roupa lavada e dobrada.»

terça-feira, 16 de junho de 2026

«O Artista», de Lucy Steeds

Editora: Alma dos Livros
Data de publicação: 25-02-2026
N.º de páginas: 280

Uma obra elegante e envolvente, que explora temas como a criação artística, a ambição, o poder e a invisibilização das mulheres na história da arte. Assim é O Artista, romance de estreia da inglesa Lucy Steeds — distinguido com o prémio Livro do Ano Waterstones e amplamente aclamado pela crítica e pelos leitores — é ambientado numa casa de campo isolada, na Provença de 1920 e acompanha a vida de Ettie, cuja existência tem sido inteiramente dedicada ao conforto e ao génio do tio, Édouard Tartuffe, «o pintor mais reputado da sua época, o menino de ouro do panorama artístico de Paris». 
Embora a chegada de um jovem jornalista inglês desencadeie a ação, é Ettie quem emerge como a personagem mais interessante e complexa da narrativa. Através dela, a autora aborda o tema da mulher artista cujo talento permanece oculto, não por falta de capacidade, mas devido às circunstâncias e às relações de poder que a rodeiam. 
Combinando mistério, romance e uma subtil tensão psicológica, Steeds constrói um retrato intenso de egos desmedidos, autodescoberta e do poder da criação. Um dos aspetos mais conseguidos do romance é a forma como questiona a figura do artista genial. Tartuffe surge como um homem egoísta e controlador, enquanto a arte é apresentada não apenas como fonte de inspiração, mas também como instrumento de domínio. 
Paralelamente, a autora recria com grande sensibilidade o ambiente da Provença, através de descrições vívidas da paisagem, da luz e dos processos criativos. A escrita, rica e quase cinematográfica, confere à narrativa uma forte dimensão sensorial, envolvendo o leitor nos aromas, nas cores e na luminosidade do sul de França. 
O ritmo é lento e assente na observação, o que poderá não agradar a todos os leitores. Ainda assim, essa opção narrativa contribui para a tensão subtil que percorre toda a obra e para a profundidade psicológica das personagens. Mais do que um romance sobre pintura, O Artista é uma reflexão sobre o desejo de liberdade, o reconhecimento e aqueles que permanecem nas margens da história enquanto outros ocupam o centro da tela.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Livros de Isabela Figueiredo e de Fernando Aramburu ganham nova vida em novela gráfica

Novela gráfica Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo e ilustrações de Júlia Barata (arquitecta e autora de banda desenhada), volta a trazer para o centro do debate temas como colonialismo, o racismo e a memória histórica. Chegou às livrarias a 9 de Junho. 

Sinopse
Dez anos após a sua publicação pela Editorial Caminho, em 2015, Caderno de Memórias Coloniais regressa ao centro do debate, com uma nova versão ilustrada, fiel à sua vocação de expor cruamente o colonialismo português em Moçambique. Nesta novela gráfica, ilustrada por Júlia Barata, Isabela Figueiredo revisita o seu texto, aprofundando a reflexão sobre a sua infância e relação com o pai, enquanto reabre uma ferida da nossa história ainda em processo de cicatrização.
Num tempo em que factos e vivências individuais são frequentemente questionados ou silenciados ao serviço de determinadas narrativas, esta obra interpela de forma direta a maneira como abordamos temas tão essenciais quanto o colonialismo, o racismo e a memória histórica.


Há poucos dias foi também editado outro magnífico romance gráfico, de Toni Fejzula, baseado na obra original homónima de Fernando Aramburu, publicado em 2018 pela Dom Quixote. Trata-se de uma impressionante adaptação, com um estilo narrativo visual e artístico sem comparação, de um dos mais importantes romances do panorama literário actual. Pátria tem o selo das Edições ASA.

Sinopse
No dia em que a ETA anuncia o abandono das armas, Bittori dirige-se ao cemitério para contar junto do túmulo do seu marido, o Txato, assassinado pelos terroristas, que decidiu voltar para a casa onde viveram.
Poderá conviver com aqueles que a perseguiram antes e depois do atentado que transformou toda a sua vida e a da sua família? Poderá saber quem foi o encapuzado que num dia chuvoso matou o seu marido, quando voltava da sua empresa de transportes? Por mais que chegue às escondidas, a presença de Bittori irá alterar a falsa tranquilidade da terra, sobretudo da sua vizinha Miren, amiga íntima noutros tempos, e mãe de Joxe Mari, um terrorista preso e suspeito dos piores receios de Bittori.
O que aconteceu entre essas duas mulheres? O que é que envenenou a vida dos seus filhos e dos seus maridos tão unidos no passado? Com as suas angústias disfarçadas e as suas convicções inquebrantáveis, com as suas feridas e as suas valentias, a história incandescente das suas vidas antes e depois do estouro que foi a morte do Txato, fala-nos da impossibilidade de esquecer e da necessidade de perdão numa comunidade desfeita pelo fanatismo político.

Outra novela gráfica editada recentemente: 
Dostoiévski: O Sol Negro

Os primeiros volumes da colecção 'Novela Gráfica IX', do Público e da Levoir

O jornal Público e a Levoir apresentam a nova colecção Novela Gráfica série IX, que olha o mundo através de memórias pessoais, histórias reais e vidas tantas vezes invisíveis. Da guerra ao exílio, da infância à política, da solidão à identidade, cada obra é uma forma única de contar a condição humana. Uma colecção onde cada história é um mundo. E cada desenho, uma memória.

Os primeiros dois títulos já se encontram nas bancas e na loja online do Público: A Aranha de Mashhad e Dostoiévski: O Sol Negro
No próximo dia 23 de Outubro, será editado o 12.º e último volume desta coleção.

Depois de ter assinado na oitava série Uma Metamorfose Iraniana (2024), um relato autobiográfico sobre o tempo que passou numa prisão do Irão, por um cartoon seu ter sido mal interpretado pelas autoridades iranianas, Mana Neyestani abre esta nona série com mais uma história inspirada em factos reais. A história de Saeed Hanaei, a quem a imprensa chamou a “aranha de Mashhad”, um homem que assassinou 16 mulheres (maioritariamente prostitutas ou toxicodependentes) na cidade sagrada de Mashhad, alegando agir por motivos religiosos e morais.
Tradução de José Luís Covita.


Depois de na colecção anterior termos lido uma adaptação de Crime e Castigo, o seu maior romance, chega-nos agora uma biografia do escritor Fiódor Dostoeiévski. A argumentista Chantal Van den Heuvel e o desenhador Henrik Rehr traçam-nos uma bem documentada biografia do grande autor russo, Dostoiévski, que explora a ligação entre a experiência pessoal do escritor e as suas criações literárias, revelando um homem tão atormentado como as personagens que criou. Uma porta de entrada perfeita para o universo do escritor russo. 

A coleção completa, já pode ser adquirida, em pré-lançamento, aqui.

  1. A Aranha de Mashhad (Mana Neyestani)
  2. Dostoiévski: O Sol Negro (Chantal Van Den Heuvel e Henrik Rehr)
  3. Dez Mil Elefantes (Pere Ortín e Nzé Esono Ebalé)
  4. Partir, Ficando (Christophe Chabouté)
  5. Formosa (Li-Chin Lin)
  6. Albert Londres Tem de Desaparecer (Frédéric Kinder)
  7. Saint-Exupéry: A Origem do Principezinho (Pierre-Roland Saint-Dizier)
  8. Estamos Todas Bem (Ana Penyas)
  9. O Anjo Pasolini (Arnaud Delalande, Denis Gombert e Eric Liberge)
  10. Armação (Daniel Silvestre)
  11. No Sleep Till Shengal (Zerocalcare)
  12. O Piano Oriental (Zeina Abirached)

domingo, 14 de junho de 2026

Livros de psicólogos entre as novidades de Junho da editora Albatroz

Além de Icónico, de Kiko is Hot, e de Códigos de Manifestação, obra escrita por Rute Caldeira e Cíntia Borges, entre as novidades de Junho da editora Albatroz, constam livros de dois psicólogos. 

 

O meu nome não é ansiedade 

Não há uma única pessoa no mundo que nunca tenha sentido ansiedade. Pelo contrário, são cada vez mais as pessoas que sentem que a ansiedade tem impacto no trabalho, nas relações, no seu dia a dia.
Em algumas pessoas surge através de preocupações excessivas ou pensamentos difíceis de controlar. Noutras, através de sintomas físicos intensos ou ataques de pânico. Há também quem a sinta perante determinadas situações ou objetos, quem viva em alerta constante ou nem saiba bem o que está a sentir.
Com anos de experiência clínica e centenas de pessoas acompanhadas, escrevi este livro para te ajudar a compreender a ansiedade de forma clara, simples e próxima. Aqui vais encontrar ciência, histórias reais e empatia, mas também uma seleção de exercícios e estratégias eficazes para lidar com a ansiedade de vez, tendo por base uma das abordagens mais eficazes na intervenção psicológica na ansiedade: o modelo cognitivo comportamental. Não são fórmulas mágicas ou imediatas, mas vão transformar profundamente a forma como sentes e geres a tua ansiedade.
E lembra-te: o teu nome não é ansiedade.

Pedro Coutinho é psicólogo clínico e da saúde, com especialização na intervenção de perturbações de ansiedade e depressivas. É fundador da página de Instagram @pedrocoutinho_psicologo, onde criou uma das maiores comunidades digitais em Portugal dedicadas à ansiedade, depressão e saúde mental. É CEO e fundador da Pedro Coutinho Clínica®, uma clínica de saúde mental especializada na intervenção na ansiedade. 



Cuida da tua criança interior 

Em adultos, repetimos muitas vezes padrões que parecem desalinhados com quem somos – fechamo-nos emocionalmente, reagimos com agressividade, procuramos agradar a todos ou sabotamos o nosso próprio sucesso. Na origem dessas respostas está a criança interior: a parte de nós que, na infância, aprendeu a adaptar-se para sobreviver.
Embora não possamos mudar o passado, podemos transformar a forma como essas experiências influenciam o presente. Com uma abordagem clara e compassiva, apoiada em exercícios práticos, ferramentas somáticas e reflexões guiadas, Nicole LePera apresenta um caminho para integrar todas as partes do Eu e criar a segurança, o amor e os limites de que sempre precisámos.
Através de um modelo holístico de desenvolvimento individual, Cuida da tua criança interior ensina a cultivar maturidade emocional e autorregulação, ajudando-nos a responder com consciência, a libertarmo-nos de narrativas limitadoras e a abraçar o nosso verdadeiro potencial.
Esclarecedor, capacitador e profundamente humano, este é um guia essencial de cura emocional.

Nicole LePera é psicóloga, formada pela Universidade de Cornell e pela The New School of Social Research. Dedica-se à Psicologia Holística, recorrendo à sua conta de Instagram @the.holistic.psychologist, através da qual disponibiliza conteúdos e ferramentas exclusivos para a transformação. A autora norte-americana, que escreveu Cura-te e Tu és o amor que procuras, acredita que cuidar da saúde mental deveria ser acessível a todos e tem como propósito ensinar o maior número possível de pessoas a criarem a sua própria jornada de cura.

Algumas publicações novas da Alma dos Livros

Além de Noites Brancas, de Dostoiévski, e de A Metamorfose, de Kafka, eis novas publicações com o selo Alma dos Livros.

De Laurent Gounelle, autor de O Homem que queria ser feliz (2009) e de O Dia Em Que Aprendi a Viver (Jan. 2026), é publicado agora Deus Viaja Sempre Incógnito, um livro há muito esgotado no nosso país.

Um livro inspirador que vai mudar a sua vida para sempre. A coragem não vem da ausência de medo, mas de agirmos apesar dele. Toda a gente fala de Deus, mas alguém o conhece realmente?
Um encontro inesperado é suficiente para abrir caminho à vida que sempre desejámos ter. A vida envia-nos sinais, pessoas, experiências e provas, mas quase nunca da forma mais óbvia. 

Henrik Fexeus é uma referência internacional no estudo das relações humanas, da linguagem corporal, da comunicação não-verbal e da influência psicológica. Destacou-se também na ficção como co-autor de tríleres de grande sucesso, em parceria com Camilla Läckberg. Em A Arte de Ler Mentes, o autor sueco conduz-nos numa viagem fascinante pelo universo da comunicação não-verbal, revelando como gestos, expressões faciais, posturas e pequenos sinais quase impercetíveis podem dizer muito mais do que qualquer discurso. 

E se fosse possível perceber o que os outros estão a pensar sem que digam uma única palavra? 
Um guia poderoso para melhorar a comunicação, fortalecer relações pessoais e profissionais e influenciar de forma ética e consciente. Ao longo do livro, Fexeus apresenta também exercícios práticos que ajudam a desenvolver estas competências, tornando-nos mais atentos, intuitivos e eficazes nas interações do dia a dia. 

É também uma novidade da editora, Terra dos Homens, uma obra arrebatadora e intemporal, onde o perigo e a beleza coexistem, e onde cada página nos aproxima do coração do mundo… e de nós próprios. Do aclamado autor de O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry.

Com uma escrita intensa e poética, o autor conduz-nos por histórias de coragem extrema, amizade inquebrável e sobrevivência contra todas as probabilidades. Mas é no silêncio dos céus e na vastidão da terra que emerge a pergunta essencial: o que nos torna verdadeiramente humanos? A solidão dos céus ensina aquilo que a terra muitas vezes esquece.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Os livros publicados pela Idioteque no primeiro semestre de 2026

Em 2026, a editora Idioteque prossegue a sua aposta em obras que desafiam perspectivas e convidam à reflexão. Entre diferentes géneros e temáticas, os quatro livros publicados até ao momento revelam um catálogo marcado pela diversidade de vozes, pela inquietação intelectual e pela exploração das múltiplas dimensões da experiência humana. 
Apresento, de seguida, os títulos que assinalam o percurso editorial da editora neste primeiro semestre.


Borbolet(r)as e suas
Metá(foras)morfoses

O livro procura explorar a metamorfose do existencialismo pelas asas da imaginação. Nele figuram várias personagens ou “eus” poéticos, surgindo em diálogos, monólogos e interpelações dirigidas a um colectivo imaginado.

Em diferentes camadas temáticas convivem elementos naturais – carvalhos (Quercus), insectos, animais, rios, etc. – que compõem o cenário simbólico onde a principal vocalização se dirige à Borbolet(r)a.
Trata-se de uma voz poética situada no limiar: entre a dor e o esplendor, entre a queda e o voar, entre a pergunta e a epifania, resultando em 71 textos poéticos profundamente espirituais, meditativos ou simbólicos, com imagens que remetem para a natureza, o inconsciente ou o sagrado.

Lê um excerto do livro aqui.


Rui Lopes é médico psiquiatra e poeta. Licenciado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (2007), concluiu o Ano Comum no Hospital de São Marcos, em Braga (2008), e especializou-se em Psiquiatria e Saúde Mental no Centro Hospitalar Universitário São João, Porto (2014). É autor de Cintilar (2024), O Cântico do Cisne na Alvorada (2020) e Flor (2019).


Mãos que oferecem rosas
Este livro resulta de conversas profundas e momentos de prática intensa que o autor teve com o seu mestre indiano, que lhe lançou um desafio: escrever um livro de histórias e de narrativas espirituais que ele próprio tinha recolhido ao longo da vida.
O objetivo é o de tocar o coração de outras pessoas, procurando transformar o modo como encaram a vida, através de histórias de diferentes tradições e épocas, oriundas de diversos cantos do mundo.
Algumas nasceram no seio do budismo, outras têm raízes cristãs, hindus ou sufis. Há também contos do Oriente antigo, narrativas passadas de geração em geração e parábolas que sobreviveram ao teste do tempo, pois a sua sabedoria continua tão válida hoje como no momento em que foram contadas pela primeira vez.

André Amorim é médico, professor de Yoga e orientador de programas e retiros de desenvolvimento espiritual. Após concluir a formação em Medicina, reencontrou o mestre espiritual que conhecera aos 12 anos, iniciando um percurso de transformação interior que o levou a receber o nome espiritual Kamalakanta e o seu mantra pessoal. Desde então, tem integrado os ensinamentos espirituais na sua visão da saúde, conciliando o conhecimento médico com uma abordagem centrada no desenvolvimento humano e na busca de sentido. Escreveu O Poder Transformador do Jejum (2020) e Comer para evoluir (2024).


A Travessia do Medo
Este livro retrata a travessia de um cancro na mama, narrada na 1ª pessoa. 
Para além da descrição dos vários momentos ocorridos durante a doença – desde a descoberta da mesma até aos sentimentos e tratamentos associados, passando ainda pela descrição da espiritualidade envolvida na cura e da interação da paciente com as suas pessoas mais significativas –, este livro discrimina também várias estratégias, conteúdos e apoios que foram o suporte para esta travessia (os teóricos e também os ligados às instituições de auxílio ao doente), que poderão servir como referência para os seus múltiplos leitores. 
Mais do que um suporte científico ou teórico, esta obra pretende ser um relato pessoal, espiritual e profundo do que foi passar por um cancro, aprendendo a conviver com a doença e com uma nova forma de encarar a vida.

Eduarda Maia é licenciada em Engenharia e Gestão Industrial, instrutora de Zumba, coach certificada pela I Have The Power e facilitadora de processos de transformação pessoal em grupo, com foco na expressão corporal e na vivência de experiências de autodescoberta. Conta com quase duas décadas de experiência na área da logística da MC Sonae, onde aprendeu a conciliar a disciplina do quotidiano com a busca de equilíbrio emocional e mental. Há mais de uma década integra o GASPORTO e, mais recentemente, o Movimento Transformers



Menina-Mulher

Esta é a história singela da infância e adolescência de uma menina. 
Narrada na 1ª pessoa, retrata o crescimento e as transformações do corpo, a relação com a escola, as brincadeiras, a afetividade com os pais, irmãos e amigos, os namoros e até a criação de um diário. Narra também alguns abusos e desaires sofridos nessa fase precoce da vida, esses que a autora acabou por superar, ultrapassando circunstâncias negativas e vencendo os seus medos, sem nunca perder a vontade de singrar na vida. 
É, por isso, uma narrativa muito inspiradora no que toca à capacidade de resiliência e de superação.

Lê um excerto do livro aqui.

Celeste Araújo é formadora no ramo imobiliário, foi diretora desportiva de um Clube Nacional e Treinadora de Ténis de Mesa. No ténis de mesa tornou-se, aliás, numa referência nacional e internacional, contando com vários feitos – entre os quais ser árbitra de Ténis de Mesa nos Jogos Olímpicos de Paris em 2024 (A 1ª e única mulher a conseguir esse feito em Portugal). Atingiu o auge na sua carreira – ainda não terminada – ao arbitrar a Final Masculina da Fase Final do Campeonato do Mundo de Ténis de Mesa, no Qatar, em 2025.

Outros livros publicados pela editora em 2025: 
Hotel La Solitude, de Vítor Leal Barros; Medicina fora da caixa, de João Pedro Amorim; O Líder infinito, de Cláudio Martins; Esgar de frio aberto para o amanhã, de Salvador Coutinho.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Planeta lança «Viúvas, Mas Pouco», um romance policial de humor negro

Entre as novidades da Planeta de Livros constaum romance policial de humor negro, da escritora canadiana Sue Hincenbergscentrada em três amigas que veem nos seguros de vida dos maridos uma oportunidade para alcançar a vida que desejamo novo livro do espanhol Juan del Val, autor de Delparaíso (2022); uma nova edição de um dos tríleres mais vendidos dos últimos anos (livro-sensação em 2018), da autoria da escritora inglesa C. J. Tudor.

Viúvas, Mas Pouco
Conheça três amigas de meia-idade que sonham com uma nova vida, à custa dos seguros de vida dos maridos. Para isso, estão dispostas a tudo, até a cometer um crime. Mas há um problema: os três maridos que estão no seu caminho…
Após trinta anos de amizade, Pam sonha com uma reforma perfeita ao lado de Nancy, Shalisa, Marlene e dos respetivos maridos – até que estes perdem todo o dinheiro num investimento desastroso. Com o sonho de uma reforma despreocupada destruído, os anos idílicos começam a parecer tão sombrios como os seus casamentos.  
Até que um dos maridos morre num acidente insólito. As outras três mulheres ficam chocadas ao ver a amiga reerguer-se com o seguro de vida chorudo e uma nova vida à sua espera na Florida. É então que elas descobrem que os seus maridos têm apólices de seguro de vida idênticas, na casa dos sete dígitos. Um novo sonho começa a ganhar vida e, desta vez, envolve um assassino a soldo.  
Mas os maridos também têm o seu plano secreto para a reforma. Só que, quando as coisas começam a correr mal, eles temem que o seu esquema possa ter sido um tiro no pé… com consequências mortais. Os maridos estão a fazer tudo o que podem para se manterem vivos, mas serão suficientemente rápidos para superar as suas mulheres?  
O que se segue é um jogo de gato e rato que é simultaneamente hilariante e impossivelmente tenso, e um olhar comovente sobre a amizade, o casamento e a meia-idade. 

 

Vera - Uma história de amor
Vera sempre seguiu as regras: viveu durante mais de vinte anos com a elegância, a discrição e a dignidade exigidas à esposa de um marquês. Mas, agora, aos quarenta e cinco, recentemente divorciada e sem ninguém a ditar as suas ações, começa a fazer-se perguntas que nunca antes se permitira.  
No meio desta demanda, surge Antonio. Mais jovem, de origens humildes e alheio ao seu mundo. Não é apenas a atração que os une, mas algo mais profundo: a possibilidade de fugir ao guião. Esta ligação, tão improvável quanto provocadora, será a pólvora para acontecimentos que ninguém antecipa.  
O ex-marido de Vera não aceita que ela se tenha rebelado, e o que começa como rancor atinge contornos muito mais sombrios. Há coisas que o marquês não suporta perder. E algumas perdas, quando se acumulam, podem levar-nos ao limite.

O homem de giz
Toda a gente tem segredos. Toda a gente é culpada de alguma coisa. E as crianças nem sempre são inocentes.
Em 1986, Eddie e os seus amigos estão à beira da adolescência e passam os dias a andar de bicicleta à procura de aventuras. Os «homens de giz» são o seu código secreto: figuras desenhadas com giz que usam para deixar mensagens escondidas uns aos outros. Mas, numa manhã, os amigos encontram uma figura que os conduz até à floresta, para descobrirem o corpo de uma rapariga adolescente.
Em 2016, Eddie luta contra um problema com o álcool e tenta esquecer o passado, até ao dia em que recebe uma carta com um homem de giz. Em breve, descobre que todos os seus antigos migos receberam a mesma mensagem. Quando um deles é assassinado, Eddie percebe que, para se salvar, terá de descobrir o que realmente aconteceu tantos anos antes. Mas remexer no passado revela-se mais perigoso do que alguma vez imaginou. Porque naquela cidade, todos têm segredos, ninguém é inocente e há quem esteja disposto a tudo para enterrar a verdade. 

Bem-vindos ao Retiro é o título do último livro da autora, publicado em 2023, também pela Planeta.

Obra de André A. F. Ferro, escritor LGBT+, entre os lançamentos da Showtime


Editado pela Showtime Books, Por Ti – o poder de quem ama sozinho é o livro de estreia de André A. F. Ferro, escritor e actor, nascido com deficiência e membro da comunidade LGBT. 

A sua escrita nasce da necessidade de dar voz a quem, tantas vezes, permanece à margem ou é silenciado. Desde 2002, dedica-se à criação de textos dramáticos e poéticos, explorando temáticas sociais, identitárias e as vivências das minorias. Embora tenha formação em Direito, foi na arte que encontrou o seu verdadeiro caminho. 


Esta peça teatral recebeu elogios de Ricardo Belo de Morais, escritor, investigador e crítico literário e especialista na obra pessoana: «André A. F. Ferro tem a força que falta a muitos, o talento que falta ainda a mais e uma fome de viver que contagia. É um escritor e dramaturgo a quem a deficiência não limita (...). É um trabalho incómodo sobre amar sem garantias, sobre corpos que resistem, sobre afectos que não cabem em moldes, sobre a dignidade de existir inteiro na homossexualidade (...)»

Sinopse
Miguel e Pedro são um casal apaixonado, prestes a casar depois de vinte anos de amizade e seis de amor. Vivem rodeados de amigos que são família e celebram, finalmente, uma felicidade plena. Mas tudo muda quando Pedro desaparece, vítima dos jogos de poder da sua ex-mulher, Camila. 
Uma história de amor transforma-se numa luta pela sobrevivência, pelo afeto e pela liberdade.
Por Ti – o poder de quem ama sozinho é uma peça intensa, escrita por quem vive na pele a interseção entre ser LGBT e pessoa com deficiência. Um texto cru, terno e corajoso, que celebra a amizade, o desejo, a dor e a superação. Um espelho para quem nunca se viu representado em palco. Um grito de verdade. Um abraço para quem ama – apesar de tudo.

Outras publicações da editora

Carmen Miranda - O Musical, de Filipe la Féria
La Féria construiu um texto que revela a vida de aventura, ambição e talento da “Pequena Notável” que nasceu em Portugal, internacionalizou a música brasileira e conquistou Hollywood onde foi estrela absoluta da Meca do Cinema.
A luz e a sombra da portuguesa mais brasileira do mundo, a lendária Rainha do Samba.

Outros livros do autor: FÁTIMA – Ópera-Rock (2025), Severa (2019), Uma Noite em Casa de Amália (2013).


Caminho rumo ao eclipse, de Tiago Bettencourt
Dentro deste livro há portas para fora dele, e nessas portas há filmes com canções, também elas portas para onde o leitor, ou espectador e ouvinte, esteja disposto a ir. 

Outro livro do autor: Livro de Letras (2024).

domingo, 7 de junho de 2026

«Onde a Alma Respira o Vento», o tão esperado novo livro de Filipe Bacelo


Porque amar
é desafiar o impossível:
é ser finito e, ainda assim, ficar,
como a sombra leve de um pássaro
sobre a terra,
que passa e marca.

No próximo dia 11 de Junho, a Letras Lavadas Edições publica Onde a Alma Respira o Vento, o novo livro de Filipe Bacelo. Nesta obra, o autor nascido em 1979, convida o leitor a percorrer os caminhos da memória, da perda e da esperança, numa escrita marcada pela sensibilidade e pela reflexão sobre a condição humana. Entre silêncios, ausências e reencontros, o livro propõe uma viagem interior que procura dar sentido às fragilidades e aos desafios da vida.


Natural de Ermesinde, Filipe Bacelo tem vindo a afirmar-se no panorama literário português através de uma voz autêntica e emocional, centrada em temas como o amor, as relações humanas, a espiritualidade e o autoconhecimento. Foi distinguido em 2023 com o Prémio Autor Revelação e de Melhor Romance no concurso literário Entre Palavras, consolidando o seu reconhecimento junto do público. 

Bacelo faz um convite à contemplação e ao reencontro do leitor consigo próprio. Através de uma linguagem poética e profundamente humana, este livro nasceu, segundo as suas palavras, «da necessidade de dar espaço às nossas pausas, de olhar para as nossas raízes e de encontrar a esperança mesmo quando a terra parece fria».

Nos últimos dias, Onde a Alma Respira o Vento tem liderado o top “Os Mais Vendidos — Pré-Vendas Livros” da Fnac, uma conquista que demonstra o entusiasmo dos leitores e o impacto que a obra já está a gerar antes mesmo do seu lançamento.

Sinopse
Há momentos em que a vida se resume ao frio de um banco de jardim e ao silêncio que a alma aceita como sombra. Onde a Alma Respira o Vento é um rasto de palavras deixado por quem aprendeu a caminhar entre o que foi e o que já não é, como uma folha que se dissolve devagar na terra que tudo guarda e tudo esquece.
Neste livro, Filipe Bacelo percorre os labirintos do esquecimento, da invisibilidade social e da busca por uma luz que teima em não apagar. Através de um silêncio bíblico, o autor convida o leitor a despir as máscaras e a enfrentar os próprios invernos, transformando a dor em fôlego e o cansaço em bravura.
Uma obra sobre a fragilidade humana e a persistência de quem, mesmo perdendo o rasto de si mesmo, encontra na poesia a forma definitiva de não desaparecer.


«A poesia de Filipe Bacelo é um verdadeiro refúgio para quem carrega inquietações silenciosas dentro de si. Nesta obra, a sua escrita transforma-se num templo de acolhimento, onde os medos deixam de ser escondidos para serem compreendidos com delicadeza e verdade. Ao longo da leitura, somos encorajados a enfrentar as nossas feridas (...). Um livro profundamente humano e envolvente.» José Azantos, autor de O Médico que Fala da Alma e de Curar Sem Manual de Instruções

«Este livro nasceu do silêncio, da perda, do amor, da memória e de tudo aquilo que, muitas vezes, não conseguimos dizer em voz alta.» Filipe Bacelo

Outros livros do autor

O Amor Vence Sempre (Chiado Books, 2019), A Morte Não Tem Dor (Ed. Trebaruna, 2022), Pensamentos de um Lobo (Ed. Toth, 2023), O Meu Erro Foi Não Saber Amar-te (Manuscrito, 2024), Lembra-te de Mim Sob as Estrelas (Guerra & Paz, 2025), Dragão Furninhas e o Cozido das Furnas (Letras Lavadas, 2026).

«Fantasmas – Um livro de memórias», de Siri Hustvedt

Editora: Dom Quixote
Data de publicação: 05-05-2026
N.º de páginas: 320

«Estou viva. O meu marido, Paul Auster, está morto.» É com esta afirmação abrupta que Siri Hustvedt inicia Fantasmas, o mais íntimo e autobiográfico dos seus livros, que centra-se na vida partilhada com Paul Auster, desde o encontro de ambos em Nova Iorque, em 1981, até à morte do escritor, em 2024, vítima de cancro. 
Mais do que um simples relato memorialístico, a obra apresenta-se como um arquivo vivo do luto, onde se cruzam entradas de diário, cartas, e-mails, reflexões ensaísticas e o último livro, inacabado, do autor de A Trilogia de Nova Iorque
A casa em Brooklyn, onde viveram mais de três décadas, surge como uma «arquitectura da memória», habitada por vestígios de uma presença ausente. Ao longo da doença prolongada do marido, Hustvedt assume o papel de cuidadora, acompanhando de perto o desgaste físico e emocional de quem sabe que a perda se aproxima. 
No tempo presente da escrita, Siri interroga o próprio sentido do luto, recusando separá-lo da vida: «O luto e a depressão convergem muitas vezes.» O amor de mais de quatro décadas é descrito não apenas como memória, mas como incorporação: «o toque do Paul, a maneira de falar dele, as suas ideias, os seus livros e o seu sentido de humor fazem parte de mim agora (...)» 
Marcado também por outras tragédias familiares, o livro expõe de forma transparente o quotidiano da doença e da perda, convocando simultaneamente a filosofia e a reflexão psicológica para refletir sobre a forma como a ausência continua a fazer-se sentir, nomeadamente através da metáfora do «membro-fantasma». 
Em suma, Fantasmas (com tradução assinada por Tânia Ganho) é uma obra íntima e reflexiva que, entre o testemunho autobiográfico e o ensaio, transforma o luto numa meditação sobre o amor, a memória e a perda, explorando a reconstrução da identidade após a ausência e aquilo que permanece depois da morte de alguém importante. Ainda assim, a parte final poderia ter sido reduzida, por a autora se afastar em demasia das memórias que constituem o cerne da obra.

Excertos 
«Embora eu tivesse pensado muitas vezes em como seria viver sem o Paul, comecei a imaginá-lo com mais frequência. Imaginava-me a andar pela casa sozinha. Imaginava-me a fazer o luto.» 

«Todos morremos, mas apenas alguns de nós vivem com a consciência de que a vida pode terminar a qualquer instante. Embora tivesse, muitas vezes, imaginado como seria viver sem o Paul, passei a fazê-lo com uma frequência quase insistente. Via-me a percorrer a casa sozinha. Via-me mergulhada no luto.» 

«Tenho dormido no meu lado da cama. Até ver, não dei por mim a ocupar mais espaço do que antes. Quando acordo, não espero que ele esteja ao meu lado. Não espero que ele entre no quarto, sequer. Já não o consigo conjurar, por muito que gostasse de o fazer. Temi a sua morte iminente durante demasiado tempo.»

«O meu corpo revolta-se, atormentado por maleita atrás de maleita: dores e descargas elétricas e aftas e pés desesperadamente gelados e dormentes, e cada sintoma me assusta. A minha própria fragilidade e morte, e também a vida sozinha.»

«Quando um escritor morre, os livros que deixa para trás contam como “restos mortais”». 

sábado, 6 de junho de 2026

«Mimos», de Herodas, entre as novidades da Letras Lavadas Edições

Além de Onde a Alma Respira o VentoO Eco do Búzio, A Emergência do Poder Americano e o Almirante Alfred Thayer Mahan, entre outros títulos, são novidades da Letras Lavadas Edições os seguintes livros.

Mimos, de Herodas 
São oito os Mimos de Herodas que nos chegaram, praticamente na íntegra, a que se juntam pouquíssimos fragmentos, os quais integrariam mais cerca de quatro mimos. À exceção do Mimo VIII, todos os outros tratam de situações do quotidiano. Do mesmo modo que Teofrasto recorre a exemplos comuns para fornecer um cardápio de tipos humanos nos seus Mimo VIII, ou da mesma forma que Álcifron evoca episódios caricatos nas suas Cartas, ou ainda de maneira semelhante aos enredos da Comédia Nova, que se viram para o oikos e dão a conhecer um conjunto variado de ocorrências domésticas, também os Mimos de Herodas desenvolvem, ainda que de forma breve, circunstâncias e incidentes do dia-a-dia social, familiar e profissional do período grego helenístico. 
A presente tradução em língua portuguesa da obra de Herodas, diretamente do original grego, a que se juntam uma introdução e notas, de Rui Tavares de Faria, é a primeira que se publica em Portugal. 


Lin-Tchi-Fá / Flor de Lótus
, de Maria Anna Acciaioli Tamagnini 
A recuperação e reedição de Lin-Tchi-Fá / Flor de Lótus justifica-se pelo valor literário intrínseco da obra, pela singularidade da sua imaginação orientalista no contexto português e pelo contributo que oferece para a compreensão das formas através das quais uma mulher escritora soube inscrever a sua voz num horizonte cultural marcado por fortes assimetrias de género. Esta edição permite não só restituir visibilidade a uma autora injustamente marginalizada pela historiografia literária, mas, também, reinscrever a sua poesia no diálogo contemporâneo sobre os cruzamentos entre culturas, sensibilidades e tradições poéticas. - O editor, Henrique Levy


Terras do Espírito Santo
, de Teresa Tomé 
Era uma vez uma comunidade chamada “Dove”, habitada por muitas pessoas, cada uma trazendo consigo a sua própria história – quase sempre marcada por perdas e travessias difíceis. No peito guardavam feridas antigas, mas também uma esperança que teimava em não morrer: uma viúva que nunca chegara a casar, uma militante política obrigada a abandonar a filha para fugir às perseguições do regime de Salazar, um funcionário consular, um professor universitário emigrante, dois enfermeiros, um diretor de hotel, um advogado tímido, um jardineiro, um bancário com vocação para a botânica, uma menina com trissomia vinte e um, em busca de redenção. 
Viviam inspirados pelos Impérios do Espírito Santo dos Açores: trabalhavam juntos, meditavam juntos e partilhavam o que tinham. Pouco a pouco, algo dentro deles foi-se transformando – como se as almas se tornassem mais leves, mais claras e mais abertas ao transcendente. 
Começaram a perceber que a humanidade inteira se encontrava às portas de uma grande transformação. Um novo tempo aproximava-se, silencioso mas inevitável – uma nova idade da História! 
Compreenderam então que aquela pequena comunidade era apenas um sinal desse horizonte maior: o anúncio de uma era que nascia lentamente no coração do mundo – a Era do Espírito Santo!


O Último Século Humano
, de César Alves 
Tudo mudou devagar.
Não houve colapso.
Não houve guerra.
Houve apenas escolhas… cada vez mais rápidas, mais fáceis, mais certas.
Ao longo de várias gerações, o mundo tornou-se eficiente, previsível… e estranho.
As decisões deixaram de pesar.
A memória deixou de doer.
O tempo deixou de ser necessário.
E, sem dar por isso, algo essencial começou a desaparecer.
Acompanhando uma família ao longo de décadas, este romance atravessa a transição silenciosa para um mundo onde tudo funciona, mas já não sabemos bem para quê.
O Último Século Humano é uma pergunta disfarçada de história:
O que resta do humano quando já não é preciso ser humano?


Os Mundos Recônditos de Vallda
, de Carla Valadão 
«Carla Valadão pinta com poesia cada palavra, cada verso e leva-nos a viajar aos surpreendentes Mundos Recônditos de Vallda
Quem dá a sua poesia a degustar permite aos demais um banquete farto e surpreendente, possibilita viagens e imersões no profundo do ser de quem escreve e ousa confessar ao papel sonhos, desejos, vivências, ânsias, crenças, dores, inspirações e um infinito de sentimentos com intensidade e até erotismo. 
Os Mundos Recônditos de Vallda também trazem pinceladas de ambição e renovação, visíveis nos poemas que se apresentam cheios de criatividade e intenção, nos versos que se doam e abrem janelas, permitindo a realização dos sonhos. 
Carla é a mulher, a filha, a mãe, é a criativa, a mente fervilhante e inovadora. Viajar aos Mundos Recônditos de Vallda é uma experiência enriquecedora». - Sandra Fernandes