sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Novos livros dos psiquiatras Pedro Morgado e António Sampaio


Vivemos numa sociedade cada vez mais acelerada, exigente e conectada. O trabalho, a família, as redes sociais, a necessidade de corresponder às expectativas e a permanente sensação de falta de tempo parecem multiplicar as fontes de ansiedade e transformar o quotidiano numa corrida sem fim. Em A Sociedade Ansiosa, Pedro Morgado procura compreender o modo como a sociedade contemporânea influencia a nossa relação com a ansiedade, propondo uma abordagem distante das promessas fáceis dos livros de autoajuda.

Sinopse
Uma em cada três pessoas enfrentará uma perturbação de ansiedade em algum momento da vida. Vivemos num mundo demasiado rápido e exigente, para o qual a biologia humana não está preparada. Como resultado, o nosso cérebro nem sempre consegue distinguir o perigo iminente de um falso alarme, espoletando ansiedade – que não é mais do que um sistema natural moldado pela evolução para nos proteger.
Em A Sociedade Ansiosa, o psiquiatra Pedro Morgado parte da ciência mais recente para, numa linguagem acessível e cativante, explicar porque pensamos, sentimos e reagimos desta forma. Compreender a ansiedade é o primeiro passo para impedir que esta controle o nosso dia a dia. Porque o segredo de uma vida feliz não é viver sem ansiedade, mas sim aprender a viver com ela.

Elogio
«(...) mais do que simplesmente documentar a realidade de uma humanidade ansiosa, o novo livro de Pedro Morgado, A Sociedade Ansiosa, mergulha no problema e investiga-o de dentro para fora. (...) A Sociedade Ansiosa é um livro para o nosso tempo, e devemos agradecer ao autor por o ter escrito para nós.» – Professor Doutor António Damásio, neurocientista e neurocientista

Pedro Morgado é médico psiquiatra, coordenador do livro Manual de Tratamento da Ansiedade (Lidel, 2022) e co-coordenador das obras Casos Clínicos em Psiquiatria e Saúde Mental (Parsifal, 2020) e Competências de Comunicação na Relação Clínica (Parsifal, 2026).


António Sampaio revela no seu novo livro, 
Os 7 Elementos da Felicidade, o que a medicina tem a dizer sobre a felicidade, numa abordagem realista, concreta e distante de ideias abstractas ou de fórmulas simplistas. Para o autor, a felicidade depende, em grande medida, das escolhas individuais de cada um e da forma como nos relacionamos com os outros. Entre os sete elementos essenciais para se alcançar uma vida feliz, segundo o especialista em saúde mental, consta conhecer-se a si mesmo, aprender a amar e aceitar-se a si próprio.

Sinopse
Em Os 7 Elementos da Felicidade, o psiquiatra António Sampaio propõe uma reflexão sobre a felicidade, apresentada não como estado permanente, mas como construção contínua ao longo da vida. Abordando o tema numa perspetiva biopsicossocial, o autor articula fatores biológicos, emocionais, sociais e existenciais num contexto em que a qualidade das relações humanas, os vínculos afetivos e a capacidade de atribuir sentido à existência são elementos fundamentais para o bem-estar e a realização pessoal. 
Ultrapassando modelos teóricos, ainda que faça referência a alguns, António Sampaio defende que a felicidade depende das escolhas, do crescimento individual e da forma como nos relacionamos com os outros. Sem compromisso consigo próprio e com a vida, a felicidade pode tornar-se uma miragem.

«Uma reflexão oportuna e corajosa sobre o sentido da vida e a construção da felicidade» – Professor Doutor Daniel Sampaio,
psiquiatra e terapeuta familiar

António Sampaio é médico psiquiatra, autor de Como Deuses Entre Nós (Padrões Culturais, 2008) e Ensaiar a Felicidade (Book Link Editora, 2023), entre outros, e co-autor do livro Para Além do Mal: Pré-História e História de um Psicopata (Padrões Culturais, 2007).

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Novos lançamentos das Edições Vieira da Silva

A 15 de Setembro, foi lançado na Fundação José Saramago, o livro O Maravilhoso Mundo de um Homem de Meia-Idade. A sessão de apresentação deste romance de Miguel de Azevedo foi conduzida por Pilar del Río.

Publicado no início deste ano, e já disponível na 3.ª edição, Entre chás e benzeduras, 
da autora Celeste Almeida, esteve no top de vendas da Feira do Livro do Porto, e continua a conquistar leitores. 

Desde o Alentejo feito de memórias de infância, Belchior Ignês atravessa a meia-idade carregando o peso das perdas, dos desencontros, dos amores e desamores, da inquietação interior que o afasta do ruído do mundo moderno. Entre a venda da velha casa de família, o regresso a Portugal e a tentativa de reconstruir a própria sanidade, procura nas deambulações pelos trilhos dos bosques de Sesimbra, sempre acompanhado pelo som da música dos Urze de Lume a condição imersiva da solidão numa forma de sobreviver às cicatrizes emocionais que o perseguem. 
Dividido entre o mar que avista na frente marítima de Sesimbra e as recordações da infância alentejana, Belchior vive em permanente reflexão sobre o homem contemporâneo, o vazio das cidades, a mecanização das relações humanas e a fragilidade da mente. Pelo caminho, surgem encontros improváveis, relações transgressoras e uma cadela abandonada que o adota, num ambiente marcado pela dor, pelos sonhos inquietantes e diálogos interiores que oscilam entre a lucidez filosófica e o abismo psicológico. 

Com uma escrita profundamente introspetiva, sensorial e melancólica, O Maravilhoso Mundo de um Homem de Meia-Idade é um romance sobre memória, identidade, desgaste emocional e resistência humana. Uma viagem literária onde a natureza, a solidão e o questionamento existencial se cruzam na tentativa de compreender aquilo que resta de um homem quando o mundo à sua volta deixa de fazer sentido. 
Será o mundo real, o mundo das pessoas de carne e osso, um lugar onde subsiste aquela centelha de esperança capaz de evitar a inevitável escuridão e apagamento de um homem de meia-idade?


Imagine-se a voltar atrás no tempo… a um tempo pesado, difícil, em que as consultas com o médico eram privilégio apenas de alguns… 
Imagine os acessos às povoações, nesse mesmo tempo, em que não havia estradas alcatroadas e os caminhos não passavam de carreiros de cabras e cavalos, ou de estreitas passagens para carros de bois, por vezes, sinuosos e irregulares, ladeados por alta vegetação… 
Imagine-se num meio isolado, sem recursos nem dinheiro e em que tratar das maleitas se baseava no uso de mezinhas, nomeadamente chás, rezas estranhas e benzeduras por pessoas com certos dons, mas encaradas por muitos com desconfiança e apelidadas de bruxas e feiticeiras, curandeiros que erguiam a “espinhela caída”, limpavam a pele da maleita do sarampo e com celebrações esquisitas, cortavam o mau olhado e aliviavam as dores de cabeça, rezando ao quebranto… 
Imagine que o seu ortopedista era o “endireita” da sua aldeia ou da povoação vizinha, a quem muitos chamavam de “quebra ossos”, um indivíduo sem quaisquer estudos, mas que conhecia todos os ossinhos do corpo e tateando aqui e ali, com um puxão mais ou menos forte, lhe conseguia tratar da entorse, colocando tudo no devido lugar… 
Imagine-se a sanar as feridas com pastas feitas à base de plantas e ervas comuns, tantas vezes existentes à beira dos caminhos e até nos nossos jardins, mas para nós totalmente desconhecidas… 
Imagine-se a aquietar o coração e o espírito com ladainhas, padres-nossos e benzeduras…

Foi sobre estes e outros temas que Celeste Almeida se debruçou durante alguns anos, pesquisando, perguntando e escutando pessoas da ruralidade (nomeadamente os mais velhos), para trazer até nós esta magnífica obra, de modo a preservar maneiras de ser e de fazer ancestrais, para que não se percam no tempo. Um legado importante para memória futura…


Cartas na Mesa
e Naquele Inverno são duas das próximas novidades que as Edições Vieira da Silva vão publicar durante este mês de Outubro.

«Ilusões», de Richard Bach

Editora: Alma dos Livros
Data de publicação: 25-03-2026
N.º de páginas: 164

Richard Bach é autor de mais de vinte livros, entre os quais Uma Ponte para a Eternidade e Fernão Capelo Gaivota, a sua obra mais conhecida. Publicado originalmente em 1977, Ilusões é uma das suas fábulas filosóficas de maior relevo, marcada por uma forte dimensão espiritual. Há livros que se lêem pela história que contam. Outros permanecem connosco sobretudo pelas perguntas que deixam. Ilusões pertence a esta segunda categoria. 
Escritor e piloto, Bach fez do voo uma metáfora da liberdade, da descoberta e da superação dos limites. Nesta obra, o próprio autor transforma-se em personagem e, ao percorrer os campos do Illinois num biplano, conhece Donald Shimoda, que se apresenta como um messias que abandonou a sua missão. 
Entre milagres, voos e conversas, Shimoda leva Bach a questionar o que considera real e possível. A viagem dos dois pelos Estados Unidos transforma-se numa reflexão sobre a liberdade, a felicidade e a responsabilidade pelas próprias escolhas. 
Com uma escrita simples e acessível, Bach convida o leitor a questionar os limites que impõe a si próprio e a procurar as suas próprias respostas, em vez de seguir uma doutrina. Bach, actualmente com 90 anos, sugere que muitas das barreiras que encontramos estão nas ideias que construímos sobre aquilo que é ou não possível. A dimensão espiritual e quase mística de Ilusões poderá não convencer todos os leitores, mas contribui para a sua singularidade e permanência. 
Em 2027, ano em que se assinalam os 50 anos da sua publicação original, será lançada uma edição comemorativa de Illusions, que já ultrapassou os dez milhões de exemplares vendidos e continua a encontrar novos leitores. 

Excerto 
«É fácil esquecer os nossos tempos de sabedoria, pensar que foram sonhos ou milagres antigos. Nada de bom é um milagre, nada de encantador é um sonho.» (p. 104)

Pioneiras da Psicologia do Sono em Portugal publicam livro sobre como dormir melhor


Dormir melhor é uma das próximas publicações da Contraponto Editores, com lançamento previsto para o dia 15 deste mês. 

Num tempo em que o sono parece cada vez mais difícil de encontrar, esta obra apresenta respostas para algumas das perguntas que, literalmente, nos tiram o sono: por que motivo não conseguimos dormir quando queremos? Dormir com ou sem luz faz diferença? Como cuidar do sono de toda a família? E como se tratam, afinal, os problemas de sono? 

Texto sinóptico
Neste livro escrito a quatro mãos, as psicólogas Teresa Rebelo Pinto e Helena Rebelo Pinto, duas das maiores especialistas do sono em Portugal, revelam o que a ciência nos ensina sobre o sono e o seu impacto na nossa saúde e bem-estar.
Sem fórmulas mágicas nem soluções universais, esta obra explora os mecanismos que regulam o sono, o que o põe em risco ou o protege e o que fazer quando se tem insónias ou não se dorme bem. Numa linguagem acessível, desconstroem-se ideias feitas e prova-se que dormir bem não depende apenas de técnicas ou rotinas rígidas, mas começa por conhecer e respeitar o próprio sono.
Respondendo, com base científica, às perguntas que fazemos quando não conseguimos dormir, as autoras mostram como conhecer e cuidar do sono é essencial para se viver melhor.

Teresa Rebelo Pinto é psicóloga, somnologista e oradora convidada na área da Educação e Psicologia do Sono em licenciaturas, mestrados e pós-graduações de várias instituições universitárias. Foi docente na primeira Pós-graduação em Psicologia do Sono em Portugal e é fundadora da Clínica Teresa Rebelo Pinto – Psicologia & Sono. É co-autora, com Helena Rebelo Pinto, da obra Contributos para uma Definição Integrativa da Psicologia do Sono (UCP Editora, Abril 2026).

Helena Rebelo Pinto é uma das maiores especialistas do país em Sono. Conta com uma vasta experiência na investigação e intervenção nas áreas do sono, envelhecimento e bem-estar. É uma das primeiras mulheres licenciadas em Psicologia em Portugal. Foi Professora Catedrática da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e é Professora Catedrática Convidada da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Em co-autoria com a neurologista Teresa Paiva, uma das maiores referências portuguesas em medicina do sono, publicou os livros Os Mistérios do Sono (Bertrand Editora, 2010) e Dormir É Bom, Dormir Faz Bem (Clube do Autor, 2014). Psicologia em Movimento é um livro em sua homenagem, publicado em 2021, pela editora da Universidade Católica Portuguesa.

Outras obras sobre o sono
ABZzz do Sono, de Carla Espiney Amaro e Susana Sousa;
Dormir é Facil, de André Ponte e Henrique Prata Ribeiro;
O Sono dos Portugueses, de Sofia Gomes;
A Ciência do Sono.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Editado pela DEVIR, «Os Gatos» reune ilustrações de alguns dos mais importantes mestres da gravura japonesa

No Japão, os gatos ocupam há séculos um lugar singular na cultura, na arte e no imaginário colectivo. Venerados, admirados e também associados ao mistério e ao sobrenatural, surgem na literatura, no folclore, e, sobretudo, nas célebres estampas japonesas, onde foram representados com uma extraordinária diversidade de expressões e significados. Brincalhões ou ameaçadores, domésticos ou quase fantásticos, os gatos tornaram-se uma presença recorrente na arte japonesa, revelando uma relação profunda e fascinante entre o povo japonês e estes animais. 

A editora DEVIR vai publicar a 15 de Outubro Os Gatos, um coffret feito para abrir, desdobrar, apreciar e guardar. De Hokusai a Hiroshige, passando por Yoshitoshi e Kuniyoshi, estas estampas realçam este felino misterioso e fascinante, de uma beleza envolvente. 

Jocelyn Bouquillard, que compilou estas ilustrações, é responsável pelas colecções de estampas da Biblioteca Sainte-Geneviève e em 2008, foi co-curador da exposição 'Estampas Japonesas. Imagens de um mundo efémero', apresentada na Biblioteca Nacional de França. É autor de numerosas obras sobre estampas japonesas.

Texto de apresentação
Um tema de importância primordial para os japoneses – o gato – é frequentemente representado no folclore, no teatro (kabuki), na poesia e nas estampas japonesas (ukiyo-e), aqui apresentado numa edição cuidada e muito bonita.
Caixa fechada com laço e revestida com seda, contém um livro com texto introdutório sobre as ilustrações japonesas apresentadas e um livro em harmónio com 76 ilustrações sobre gatos, impressas a cores.

A Casa do Desertor e Dan Da Dan 05 são outras novidades de Outubro da DEVIR.

Solidão: compreender o fenómeno e os seus riscos


«Há livros que se leem. E há livros que nos leem a nós. Este é um deles.» «Este livro não pretende oferecer respostas fáceis porque não existem respostas fáceis para a dor humana. Pretende, sim, abrir uma conversa. Uma conversa que pode ser desconfortável, que pode tocar em lugares que preferíamos manter fechados, mas que talvez possam salvar alguém do silêncio.» 

Estas são citações do prefácio, da autoria da médica e responsável partidária Paula Helena Ferreira da Silva, do livro Solidão e o Risco de Morrer em Silêncio, o mais recente lançamento a cargo da PACTOR.

Redes sociais, envelhecimento, depressão, suicídio e actividade física são alguns dos temas abordados nesta obra escrita pelas psicólogas e docentes Margarida Pocinho e Susana Ramos, pelo Professor de Educação Física e Desporto, Raul M. Martins, e por Jorge Figueiredo, professor, investigador e doutorado em Ciências da Comunicação.

Texto de apresentação
A solidão é uma das experiências humanas mais universais e, ao mesmo tempo, uma das mais difíceis de compreender.
Estar rodeado de pessoas não significa, necessariamente, sentir-se acompanhado. A solidão nasce muitas vezes no espaço entre os vínculos que desejamos e aqueles que diariamente experienciamos, assumindo diferentes formas, significados e consequências ao longo da vida.
Neste livro, o leitor é convidado a explorar este fenómeno complexo através de uma abordagem simultaneamente científica, clínica e profundamente humana. Com base em enquadramentos teóricos atualizados, evidência científica e casos clínicos, esta obra analisa a solidão enquanto experiência subjetiva de desconexão relacional e examina o seu impacto na saúde psicológica e no bem-estar.
Mais do que identificar sintomas ou medir a ausência de relações, este livro propõe um olhar atento sobre aquilo que sustenta o sentimento de pertença, proximidade e ligação aos outros. Apresenta estratégias de avaliação e intervenção orientadas para a reconstrução de vínculos significativos e para a criação de contextos capazes de combater a desconexão.
Uma obra essencial para profissionais das áreas da Psicologia Clínica e outros que procuram compreender, avaliar e intervir perante uma das experiências mais marcantes e urgentes da condição humana.

Excerto
«Apesar da forte associação entre solidão e depressão, é fundamental reconhecer que se tratam de fenómenos distintos. (...) Uma pessoa pode sentir-se profundamente só sem apresentar critérios clínicos para depressão. Da mesma forma, indivíduos com depressão podem manter relações sociais significativas e não experienciar sentimentos intensos de solidão. Embora exista frequentemente sobreposição entre os dois fenómenos, a sua natureza conceptual e clínica é diferente...» (pp. 29-30)

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

«Vento do Oriente, Vento do Ocidente», de Pearl S. Buck

Editora: Dom Quixote
Data de publicação: 09-09-2026
N.º de páginas: 208

East Wind, West Wind (1930), o romance de estreia de Pearl S. Buck (1892-1973), editado em Portugal pela Editorial Minerva em 1977, há décadas que estava fora de circulação nas livrarias. Esta nova tradução, assinada por Ana Marta Caio e com o selo da Dom Quixote, vem colmatar essa lacuna, até porque Vento do Oriente, Vento do Ocidente é uma obra belíssima, que deve estar ao alcance dos leitores portugueses. Menos de uma década depois da publicação deste romance, que antecede a sua obra mais célebre, Terra Abençoada (1931), a escritora norte-americana foi galardoada com o Prémio Nobel de Literatura, em 1938. 
O romance decorre na China do início do século XX, numa sociedade ainda profundamente marcada pelos costumes tradicionais — o casamento arranjado, o enfaixamento dos pés, a importância da descendência masculina e a existência de concubinas —, mas já confrontada com a influência crescente dos valores ocidentais. 
Kwei-lan, casada aos dezassete anos com o homem a quem fora prometida antes de nascer, foi educada para ser uma mulher submissa: «Foste educada para este fim». A mãe inculcou-lhe: «Em tudo te ensinei a submeteres-te, como a flor se submete igualmente ao sol e à chuva.» E ainda: «Uma mulher perante os homens deve manter um silêncio floral e retirar-se no primeiro momento possível sem confusão.» 
O marido, seis anos mais velho, médico e formado no Ocidente, representa uma nova maneira de olhar a vida e os costumes. Inicialmente, Kwei-lan sente-se incompreendida: «Não há nada que o meu marido deseje em mim.» Quando ele lhe pede que desenfaixe os pés, por saber que a prática é prejudicial, ela sente-se ofendida. Mas, pouco a pouco, começa a questionar aquilo que sempre lhe ensinaram: «Nunca sonhei poder desejar ser diferente.» E acaba por reconhecer: «Agradeço aos deuses ter casado com um homem moderno.» 
O pai de Kwei-lan tinha várias concubinas, numa família onde a esposa principal ocupava uma posição distinta das restantes mulheres. A importância dos filhos e da continuidade da linhagem, bem como crenças como «Onde o sangue é misturado e impuro o coração não pode ser estável.», revelam a força da tradição. 
Pearl S. Buck consegue, através de uma história familiar, retratar o choque entre Oriente e Ocidente e uma China em transformação. A nossa protagonista não abandona simplesmente a sua cultura: aprende, gradualmente, a olhar para ela de outra forma e a descobrir que também pode escolher. 
É um romance curto, com uma prosa fluida, precisa, leve e imagética, muito rico nas questões que levanta sobre família, cultura, casamento e liberdade. 
Vento do Oriente, Vento do Ocidente
é, portanto, um retrato muito bem elaborado das crenças e costumes da sociedade chinesa de há mais de cem anos, escrito numa linguagem delicada, capaz de produzir frases tão belas como «Nessa noite, quando as pontadas da minha deceção tinham já passado…» e «Vi de súbito o interior dos corredores do seu coração.» 

Excerto 
«Não é de supor que te sentisses atraída por mim, a quem vês pela primeira vez, como eu também te vejo a ti. Foste obrigada a este casamento tanto quanto eu. Não podíamos fazer nada a este respeito até agora. Mas agora, que estamos sozinhos, podemos criar a nossa vida segundo os nossos próprios desejos. Pela minha parte, desejo seguir os novos caminhos. Desejo considerar-te em tudo como minha igual. Nunca te obrigarei a nada. Não és minha propriedade; não és um bem meu.» (p. 32)

sábado, 26 de setembro de 2026

Os perigos de uma IA sobre-humana explicados por cientistas


E se a maior ameaça à sobrevivência da Humanidade não fosse uma guerra, uma pandemia ou uma catástrofe natural, mas uma inteligência criada por nós próprios?


A Dom Quixote publica a 29 deste mês Se Alguém a Criar, Morremos Todos, livro de Eliezer Yudkowsky e Nate Soares, duas referências no campo do alinhamento da inteligência artificial.
Os autores analisam os riscos associados à criação de uma superinteligência artificial e defendem que, se for desenvolvida sem garantias adequadas, poderá conduzir à extinção da espécie humana. Um livro que lança uma questão inquietante: estaremos a criar uma inteligência que, um dia, poderá ser impossível de controlar?

Título original: If Anyone Builds It, Everyone Dies

Excerto
«Admitimos que este livro não está cheio de boas notícias. Mas também não estamos aqui para vos dizer que estamos condenados. A superinteligência artificial ainda não existe. A Humanidade ainda pode decidir não a criar.Travar a presente escalada da tecnologia e limitar o hardware utilizado para criar modelos de IA cada vez mais poderosos – eis algo que não é fácil de fazer no mundo de hoje. Mas dará muito menos trabalho travar uma escalada maior das capacidades da IA do que deu, por exemplo, combater na Segunda Guerra Mundial.»


Quem leu, o que diz
«O livro mais importante da década.» – Max Tegmark, professor de Física no MIT, autor de Life 3.0. Ser-se Humano na Área da Inteligência Artificial (Dom Quixote, 2019)

«Um argumento convincente de que uma IA sobre-humana conduziria quase certamente à aniquilação global da humanidade. Os governos de todo o mundo têm de reconhecer os riscos e tomar medidas coletivas e eficazes.» – Jon Wolfsthal, antigo assistente especial do presidente dos EUA para Assuntos de Segurança Nacional

Chegaram às livrarias livros dos franceses Colette, Jean Giraudoux e Gaston Chérau

Depois de lançar A Gata, obra escrita com sensualidade que revela a profunda ligação da escritora francesa Colette (1873-1954) aos animais, a Sistema Solar acaba de publicar os romances Suzanne e o Pacífico e O Monstro, também de autores nascidos na França e seus contemporâneos.

«Esta Suzanne, náufraga numa ilha deserta, é um Robinson Crusoe feminino. Mas conhecida assim, através de uma prosa de Jean Giraudoux, é desde logo a certeza de que o leitor, mesmo o mais treinado pela diversidade dos estilos, será confrontado com invenções verbais que lhe vão parecer alucinadas, surpreendido por conscientes fugas à lógica e ao senso do homem comum.

Jean Giraudoux, um dos notáveis escritores franceses do princípio do século XX […] indiferente às vozes que o avaliavam cultivou com audácia as preciosidades da sua riqueza verbal, a sua abundância de metáforas, o seus períodos e parágrafos a perder de vista, os ritmos e as suas musicalidades, as suas incongruências, uma erudição às vezes tocada por duvidosa fantasia, uma irresistível vocação para o virtuosismo.» Aníbal Fernandes

«Da sua extensa obra literária podem hoje recordar-se alguns títulos que escaparam menos mal à trituração das modas, das trombetas redireccionantes, das estratégias editoriais; escolhamos cinco: La Maison de Patrice Perrier (1924); La Volupté du mal e Le Flambeau des Riffault (ambos de 1930); Celui du Bois Jacqueline (1932); e a antecedê-los este O Monstro (de 1913), a sua obra hoje mais lida, com particularidades que o desviam da central atitude da literatura perante o incesto. O seu "monstro", vítima inocente de um acasalamento que o fez filho do seu avô e irmão dos seus tios, repudiado com a sua mãe por uma provinciana França novecentista, sublima um incesto com outro duplamente incestuoso, dando a esta sobreposição de incestos o papel de uma purificação. Gaston Chérau sai-se com habilidade desta história que passa pelos perigos de uma promiscuidade incestuosa e por um tema que roça sem maiores desastres pelo melodrama.» Aníbal Fernandes

O livro oficial de quebra-cabeças inspirados nos policiais de Agatha Christie

Os Casos de Agatha Christie - 100 Enigmas e um Mistério por Resolver é um livro de passatempos e desafios lógicos inspirado no universo da autora britânica. Inclui jogos de lógica, palavras cruzadas, sopas de letras e labirintos. Este é o livro oficial licenciado pela Agatha Christie Ltd. A Editorial Presença adquiriu os direitos desta edição, que chegará às livrarias a 7 de Outubro.

Entre no universo de Agatha Christie e ponha à prova o seu raciocínio. 
Tem o talento, a organização e o método de Poirot ou a inteligência discreta e perspicaz de Miss Marple? Está na hora de descobrir…
Ao longo destas páginas, mergulhará no fascinante universo de Agatha Christie e desafiará o seu engenho com intrigas, mistérios e quebra-cabeças inspirados na obra da Rainha do Crime. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Patrícia Reis escreve sobre menopausa no seu novo livro


Patrícia Reis
 assina o livro-retrato Menopausa, Informação é poder, que acaba de ser publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. A autora de títulos como Da Meia-Noite às Seis (2021), A Desobediente - Biografia de Maria Teresa Horta (2024), O Lugar da Incerteza (2026) e A Última Lição de Álvaro Siza Vieira (2026), 
neste novo livro, faz um relato de como é vivida a menopausa pelas mulheres portuguesas. A menopausa é um tema que a jornalista, nascida em 1970, considera uma questão política, tendo em conta o impacto que exerce na vida das mulheres e que não pode ser simplesmente desvalorizado.

Texto de apresentação
De repente, (quase) tudo muda: a pele, o sono, a memória, o humor. A menopausa é uma transformação inevitável, mas imprevisível, que afeta, agora mesmo, mais de dois milhões de mulheres portuguesas. A maioria vive-a em desconforto, pois há gerações que se mantém um modelo de resistência estoica ao que o corpo grita e o tabu social silencia.
Este livro retrata a experiência da menopausa a partir de relatos na primeira pessoa e entrevistas a médicos especialistas. Mostra e questiona a desinformação, a falta de apoio laboral, a metamorfose do cérebro e o peso da transformação hormonal. Do impacto na sexualidade à urgência de políticas públicas, cabem nestas páginas os calores e a tristeza difusa, mas também a liberdade e a reinvenção, as realidades múltiplas de uma fase que alguns chamam já uma «segunda puberdade».

Excerto
«Percebi naquela noite que tinha duas hipóteses: ou falava sobre menopausa ou calava-me. Temos de entender esta triste realidade: a segunda hipótese é o que a maioria das mulheres prefere fazer. Em parte, por sermos educadas no sentido de não falar sobre as coisas do corpo. Não se fala sobre menstruação. Não se fala sobre os mamilos gretados e o terror de dar de mamar, "de 1 a 10, quanto dói? 20". Portanto, da menopausa falamos menos ainda, até por estarmos numa idade em que devemos adotar uma postura contida. É a entrada pouco glamorosa na meia-idade, garantem alguns.»

Outros títulos recentes da mesma colecção
O subúrbio: Amadora, a cidade-fronteira e Teatro eleitoral: O que não muda e o que está a mudar em direto nas campanhas em Portugal.

Inédito de Thomas Bernhard ganha pela primeira vez tradução portuguesa


Publicado originalmente em 1970 sob o título Das Kalkwerk, este é o terceiro romance de Thomas Bernhard, depois de Geada e Perturbação. É agora traduzido pela primeira vez para português, por Rui Miguel Mesquita, directamente a partir do alemão. Decorridos mais de cinquenta anos sobre a sua publicação original, no mesmo ano em que a sua peça Uma Festa para Boris estreava em Hamburgo, chega assim aos leitores de língua portuguesa mais uma obra do autor austríaco. 

Texto sinóptico
Em 1965, um abastado proprietário rural chamado Konrad instala-se numa fábrica de cal abandonada, decidido a escrever o estudo definitivo sobre o ouvido humano. Cinco anos depois, ainda não escreveu uma única linha — e a sua mulher está morta, vítima de um brutal femicídio que abre este romance como uma notícia de jornal. Mas nenhuma reconstituição consegue explicar o que realmente aconteceu na casa de cal. Um agente de seguros tenta juntar as peças, recolhendo testemunhos de caseiros, criados e conhecidos — vozes que se contradizem, se sobrepõem e se dissolvem umas nas outras, sem que nenhuma ofereça uma versão definitiva. 

«Publicado em 1970, terceiro romance de Thomas Bernhard, A Casa de Cal abandona os longos monólogos de Geada e Perturbação em favor de uma polifonia vertiginosa, quase musical, em que o mesmo tema — o fracasso, a obsessão, a incapacidade de ler o mundo à sua volta — regressa obsessivamente, como uma fuga, até envolver o leitor numa teia de rumores e suspeitas. Um romance-enigma sobre a atracção e a repulsa, o fascínio e a loucura, que se recusa a entregar respostas fáceis.» Rui Miguel Mesquita

Outros livros do autor publicados recentemente pela Documenta:
O Fazedor de Teatro; O Sobrinho de Wittgenstein - Uma Amizade.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Depois do Murdoku e do Murdle, a nova sensação do momento é o SudoCrime

Bom dia, detetive. 
Os casos por resolver acumulam-se em cima da sua secretária. Os seus colegas já fizeram a sua parte: identificaram todos os suspeitos. A boa notícia é que o culpado está entre eles. A má é que ninguém sabe quem é.

SudoCrime aplica a lógica do Sudoku a uma cena de crime. Em cada caso há uma planta com divisões e objetos, um grupo de suspeitos e as pistas que cada um deixou escapar. 
Duas regras bastam: só pode existir um suspeito por linha e por coluna, e o culpado é quem fica sozinho com a vítima. O resto? É dedução. 
São 100 casos portugueses, originais e ilustrados, dos que se resolvem enquanto bebe um café aos casos que pedem lápis, borracha e uma tarde inteira. Não é preciso saber nada de
Sudoku para começar: o primeiro caso ensina tudo o que há para saber. 
Faça justiça pela sua cabeça.

Uma criação do Observador. Uma edição Guerra & Paz. À venda a 25 de Setembro, nas livrarias e na loja do jornal.

Outros livros que podem interessar: 
À Volta do Mundo em 80 Crimes; Os Casos de Agatha Christie - 100 Enigmas e um Mistério por Resolver.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O fenómeno Murdoku está de volta com o 3.º volume


Murdoku — Volume 3: Volta ao Mundo chega às livrarias no final de Outubro e traz 80 crimes para resolver, um novo recurso e dicas avançadas para todos os inspetores que se atreverem a viajar!
Depois do primeiro título (publicado em Novembro de 2025) - que actualmente se encontra no top de vendas de livrarias como a Wook -  e de Murdoku volume 2 – 80 crimes para resolver: Regresso ao passado, desta vez, os puzzles vão levar o leitor numa viagem pelo mundo: Murdoku: Around the World de seu títilo original.

Estes puzzles apelativos e viciantes, criados pelo canadiano Manuel Garand, mergulham os jogadores em mistérios de assassinato envolventes, combinando a simplicidade elegante de jogos como o sudoku com a narrativa de problemas lógicos clássicos. Mas Murdoku introduz o seu próprio elemento único: representações visuais a cores dos ambientes das personagens, com cada elemento a influenciar a investigação: quartos, móveis, plantas, animais e, por vezes, regras adicionais que acrescentam uma reviravolta extra.

Outros livros do mesmo género: Murdle; À Volta do Mundo em 80 Crimes

Novo livro dos criadores de quebra-cabeças Gareth Moore e Laura Jayne Ayres

Depois dos livros Miaudle (Ed. Marcador, 2025), que reune 75 quebra-cabeças de crimes felinos para resolver recorrendo à lógica, ao faro e ao poder da erva-gateira, Quem Foi? 80 puzzles de crimes para resolver (Ed. Arte Plural, 2025) e Crimes Fofos - 25 Casos Fofos para Resolver (Ed. IN, 2026), a aclamada dupla britânica de criadores de puzzles, Gareth Moore e Laura Jayne Ayres, está de volta com mais um livro de enigmas.

Inspirado nas histórias clássicas de detetives, À Volta do Mundo em 80 Crimes evoca uma época de aventura, mistério e enigmas que desafia os mais destemidos. Perfeito para leitores que apreciam um desafio e adoram resolver crimes. Com edição com o selo Planeta de Livros, este livro com crimes clássicos para resolver já se encontra à venda desde o dia de ontem.

Outros livros do mesmo género: Murdoku; Murdle.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Novidades Bookout Editora: «O Novo Elogio do Imbecil» e «O Cérebro dos Adolescentes»

O Novo Elogio do Imbecil 
O mundo parece mais cheio de imbecis? Sim! Eis a prova factual numa nova edição.
Será possível estarmos a assistir ao ocaso da inteligência? Por que razão há tantos imbecis no mundo? E por que razão, nunca como neste momento, prosperam e reinam, conseguindo alcançar posições de sucesso na política, mas também nas empresas, na sociedade, na comunicação, nas redes sociais… 
Em diálogo com as ideias de Darwin e Nobel Konrad Lorenz, Aprile convida neste ensaio a refletir sobre um paradoxo inquietante: os inteligentes construíram o mundo, mas são os imbecis que triunfam e desfrutam dele. Para tal, revela em cinco axiomas como os sistemas hierárquicos e burocráticos recompensam a mediocridade e castigam o talento. 
(Continua a ler o texto sinóptico aqui).

Pino Aprile (n. 1950) é um proeminente jornalista e escritor cuja carreira deixou uma marca profunda no panorama cultural e político de Itália. A sua obra literária, iniciada em 1997 com a primeira versão de O Novo Elogio do Imbecil, tem atingido uma dimensão extraordinária de popularidade com a publicação de outros livros. 

O Cérebro dos Adolescentes

Um guia para pais e educadores compreenderem os adolescentes 
David Bueno, biólogo e neuroeducador de prestígio mundial, convida-nos a descobrir o que se passa no cérebro dos adolescentes, com o objetivo de os conhecer e compreender. Diferentes, mais fortes e, ao mesmo tempo, mais vulneráveis, os adolescentes comportam-se como adolescentes porque é isso que são e o que têm de fazer. 
Este livro, escrito de uma forma muito objetiva e direta, explica e contextualiza o que se passa na cabeça dos adolescentes e estimula, capacita e instrui os adultos que os acompanham a mantê-los próximos, apoiados e compreendidos dando-lhes as ferramentas de que precisam para a fase seguinte, a idade adulta.

David Bueno (n. 1965) é doutorado em Biologia, professor catedrático em Neuroeducação e investigador na Secção de Genética Biomédica, Evolutiva e do Desenvolvimento da Universidade de Barcelona. É autor de mais de vinte livros de ensaio e divulgação, entre os quais Educa o teu cérebro, publicado em 2025 pela Editora Ideias de Ler.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

«Adeus, Senhor Chips», de James Hilton, numa nova edição portuguesa


James Hilton (1900–1954) foi um escritor e argumentista britânico, distinguido com o Prémio Hawthornden. Ganhou projecção internacional em 1933 com Horizonte Perdido (livro que ganhou uma nova edição portuguesa em Outubro passado) e, no ano seguinte, consolidou o seu reconhecimento com Adeus, Senhor Chips, uma das suas obras mais célebres e acarinhadas. 
A sua escrita, marcada pela elegância e pelo humanismo, conquistou leitores em vários países, e várias das suas obras chegaram posteriormente ao cinema.

Publicado originalmente em 1934, Goodbye, Mr. Chips (título original) foi recebido com entusiasmo, tornando-se rapidamente um sucesso de vendas, tanto na América como no Reino Unido. A crítica da época dedicou-lhe diversos elogios: «uma história encantadora, terna e humorística», nas palavras de Margaret Ayer Barnes; e uma «obra-prima sentimental», segundo Lewis Gannett. A obra foi posteriormente adaptada ao cinema em 1939 (Robert Donat ganhou o Óscar de Melhor Actor por este drama romântico) e 1969, numa adaptação em estilo musical protagonizada por Peter O’Toole e Petula Clark. 

Em Portugal, Adeus, Senhor Chips teve uma edição das Publicações Europa-América datada de 1986. Quarenta anos depois, a obra regressa aos leitores portugueses numa nova edição com o selo da Corvo-Marinho, que inclui ainda Um Capítulo de Autobiografia. Dia 22 de Setembro nas livrarias!

Sinopse
Em Brookfield, uma tradicional escola inglesa, o senhor Chips ensinou latim a gerações de rapazes durante mais de sessenta anos. Tímido e algo severo no início da carreira, transforma-se por completo ao conhecer Katherine, uma jovem de espírito livre que traz calor, humor e ternura à sua existência. Mesmo depois de uma perda que marcará para sempre a sua vida, Chips permanece fiel à escola e aos seus alunos, assistindo à passagem de gerações, aos grandes acontecimentos que transformam a Europa e às convulsões políticas do período entre guerras sem nunca perder a serenidade e a bondade que dele fizeram uma lenda. 
Um retrato terno e nostálgico de uma vida inteira dedicada ao ensino. 

Outra publicação recente das Edições Corvo-Marinho: O Mistério da Casa Vermelha.

Cinco pediatras assinam a autoria de «Neurodesenvolvimento Trocado por Miúdos»


Neurodesenvolvimento Trocado por Miúdos é um guia dirigido a pediatras e médicos de medicina geral e familiar que procura tornar mais acessível a compreensão do neurodesenvolvimento infantil. A obra aborda os principais marcos do desenvolvimento, os sinais de alerta, a avaliação precoce e a intervenção, conciliando conhecimento científico e experiência clínica. Com uma abordagem clara e prática, pretende apoiar os profissionais na vigilância, no reconhecimento atempado de alterações do desenvolvimento e na referenciação adequada.

Este livro, editado pela LIDEL, tem coordenação e autoria de Catarina Prior e Inês Vaz Matos e reúne contributos das também autoras Ana de Carvalho Vaz, Diana Gonzaga e Sara Soares, pediatras da Unidade de Neurodesenvolvimento do Centro Materno-Infantil do Norte Albino Aroso.

Texto de apresentação
As perturbações do neurodesenvolvimento, enraizadas nas primeiras fases da vida e muitas vezes com impacto ao longo de todo o ciclo vital, afetam áreas fundamentais do funcionamento humano: a linguagem, a cognição, a motricidade, a atenção, a interação social e a regulação emocional. Estas implicações não se ficam apenas pelo próprio indivíduo, mas atingem também a família e a sociedade. Atualmente, representam um dos maiores desafios aos sistemas de saúde, educação e proteção social em todo o mundo.
Este livro nasce da experiência acumulada de profissionais que trabalham todos os dias com estas crianças e adolescentes e com os adultos que delas cuidam. Foi escrito com um duplo propósito: por um lado, o de oferecer uma visão técnica, atualizada e cientificamente validada sobre o neurodesenvolvimento típico e sobre cada uma das perturbações do neurodesenvolvimento; e, por outro lado, o de servir como "ponte" entre o conhecimento científico e as dúvidas muito concretas de pais e educadores. Destina-se, pois, tanto a profissionais da saúde e da educação, como a pais que pretendam perceber o neurodesenvolvimento típico e as suas perturbações.
Se este livro ajudar um profissional de saúde a fazer um diagnóstico e a dar uma orientação mais precoce, um professor a compreender e a ensinar melhor um aluno ou um pai a perceber e a ajudar mais e melhor o seu filho, terá cumprido a sua missão.

Excerto do prefácio
«(...) este manual pretende ser não apenas uma fonte de atualização, mas sobretudo um instrumento de reflexão clínica. Ao integrar teoria, prática e experiência, procura reforçar a vigilância do desenvolvimento como ato central da medicina preventiva e promotora de saúde infantil.
Que este livro incentive o olhar atento, o pensamento crítico e o compromisso de todos os que, dia após dia, acompanham o crescimento e o florescer das crianças – o verdadeiro testemunho do potencial humano em constante construção.» Alberto Caldas Afonso

Excerto da nota introdutória
«A Organização Mundial da Saúde não tem dúvidas: as perturbações do neurodesenvolvimento são a principal causa dos anos vividos com incapacidade no grupo etário até aos 20 anos. Os custos diretos desta realidade (cuidados de saúde, apoios educativos) e indiretos (perda de produtividade laboral dos cuidadores, subemprego de adultos com perturbações do neurodesenvolvimento) são consideráveis.» 
Catarina Prior e Inês Vaz Matos

Outras novidades do grupo editorial LIDEL
Ser Jovem Hoje; Borderline - Dos Casos Clínicos às Estratégias Terapêuticas; Estar Presente - Guia Prático para Familiares e Amigos de Pessoas em Sofrimento Emocional.

domingo, 20 de setembro de 2026

Murdle #5: o fenómeno dos mistérios está de volta


Já está disponível o quinto volume de Murdle, (O Caso dos Sete Crânios), o fenómeno mundial de enigmas e quebra-cabeças. 
Contém 64 novos mistérios para resolver, usando a lógica e treinando a sua destreza mental. Com vários graus de dificuldade, este livro contém pistas e dicas incontornáveis, além, claro, das soluções para todos os casos - mas um verdadeiro detetive só as vai consultar para confirmar que, «elementar!», a sua teoria está absolutamente certa. 

Junta-te aos milhares de pessoas que estão viciadas nos mistérios de Murdle! Salientar que o primeiro volume tornou-se um bestseller instantâneo internacional, liderando listas de vendas como as do The Sunday Times e The New York Times.

G. T. Karber é programador informático, matemático e criador de jogos norte-americano, mundialmente conhecido por ser o autor da série de livros de mistério e puzzles Murdle. A série de livros - que também existe em versão Júnior - tornou-se um dos maiores fenómenos de vendas do género, publicada em mais de 20 países. 


Outros livros do mesmo género: 
Murdoku; À Volta do Mundo em 80 Crimes

sábado, 19 de setembro de 2026

É lançada em Portugal a mais recente biografia de John F. Kennedy


«Um livro bombástico» é o que diz a People Magazine sobre JFK: Público, Privado, Secreto, a mais recente biografia de 
John F. Kennedy, o político americano que foi Presidente dos Estados Unidos de 1961 a 1963. Esta obra, com 608 páginas, revela um olhar revelador sobre a vida de uma figura histórica incontornável. A obra tem o selo das Edições Desassossego e tradução assinada por Carlos Pereira Martin, a partir de JFK: Public, Private, Secret (Julho 2025). Chega às livrarias no primeiro dia de Outubro.

Sinopse
Desde a sua trágica morte, a 22 de novembro de 1963, o homem que ficou conhecido simplesmente como JFK cativou a imaginação das gerações seguintes, fossem elas admiradores, historiadores ou teóricos da conspiração.
Com esta biografia reveladora, J. Randy Taraborrelli apresenta um retrato minucioso de uma vida pública profundamente influenciada — e por vezes ofuscada — pelas relações privadas, não só pela lendária família Kennedy, como também pelo casamento com Jackie.
Com entrevistas exclusivas e uma pesquisa meticulosa, Taraborrelli revela como o congressista, senador e, finalmente, presidente JFK foi um íman para as mulheres; a resiliência de Jackie para lidar com os muitos casos extraconjugais do marido; como o luto de Jack pela perda do filho recém‑nascido o levou a tomar decisões precipitadas que arrastaram os EUA para o Vietname; a verdade sobre o envolvimento da máfia na sua eleição; o alarmante abuso de drogas que lhe toldou as decisões durante o desastroso episódio da Baía dos Porcos; e como Jackie conseguiu ajudá-lo a livrar-se dessas drogas a tempo da quase catastrófica Crise dos Mísseis de Cuba.

Excerto
«(...) ao escrever este livro, senti por vezes que era injusto reduzir uma pessoa tão complexa e multifacetada a uma história que muitas vezes não o mostrava no seu melhor, enquanto lutava para encontrar o seu caminho. (...) à medida que a sua história se desenrolava para mim, descobri um homem que, no final da sua vida, tinha tomado a decisão de encarar e confrontar os seus demónios. Começara a colocar‑se questões difíceis, cujas respostas certamente o teriam mudado, tanto como presidente no seu segundo mandato, como, mais importante ainda, homem nos últimos anos da sua vida.»

J. Randy Taraborrelli é o aclamado autor de vários livros sobre os Kennedy que alcançaram o top de vendas do The New York Times. O autor está actualmente a adaptar Jackie: Public, Private, Secret e JFK: Público, Privado, Secreto para televisão.

Outra biografia lançada recentemente
O Canto do Cisne - Diana, a minha irmã

Outra novidade da Saída de Emergência

O Segredo de Agatha Christie, de Marie Benedict.

Idioteque lança «O Naipe em Falta», o novo livro de Vítor Leal Barros


O segundo romance de Vítor Leal Barros, será publicado a 22 de Setembro pela Idioteque e encontra-se já em pré-venda nas livrarias online. O lançamento de 
O Naipe em Falta realiza-se a 26 de Setembro, às 18h00, na FNAC NorteShopping, no Porto, seguindo-se apresentações em outras seis cidades, entre 26 de Setembro e 7 de Novembro.

O romance completa o percurso iniciado em Hotel la Solitude, publicado em 2025. Embora autónomos, os dois livros estão intimamente ligados e formam, em conjunto, um díptico. 

Em O Naipe em Falta, o autor, nascido em 1980 no Porto e arquitecto de profissão, regressa ao seu primeiro romance para o rever e reconfigurar a partir de dentro. A estrutura dos quatro naipes completa-se quando o autor-narrador deixa de ser apenas observador e se afirma como o quarto elemento, tornando permeável a fronteira entre autor e personagens.

Nesta sequela, é aprofundado um universo literário onde a criação sobrevive ao livro e continua a interrogar quem escreve sobre aquilo que é.

Texto sinóptico
Este é o segundo romance do autor. 
No primeiro, intitulado Hotel La Solitude, a obra organizava-se em três naipes. Ouros, Paus e Espadas. Irene, Luís e Vasco. O medo, a razão, o ímpeto. Nenhum inteiro, todos necessários. 
Faltava um naipe. Copas. O que observa, contém e julga controlar. 
O Naipe em Falta é esse quarto elemento. O autor entra em cena, deixa de fingir distância e aceita tornar-se matéria daquilo que escreve. 
Três dias num hotel do interior, o mesmo quarto, uma câmara fotográfica, as personagens que insistem, o pensamento que não pára. O que emerge é confronto com o vivido e com a escrita. Fragmentário, contraditório, por vezes irónico ou absurdo. 
O Naipe em Falta pode ler-se sem o anterior romance, Hotel La Solitude. Mas quem conhece os três narradores do primeiro livro vai encontrá-los aqui de outra forma. Não como ficção, mas partes de quem os criou.

Excerto

«As mãos. As mãos servem para criar, agarrar, moldar, dar forma ao que transborda de dentro
. Já não contenho o impulso que me lança para o futuro e as possibilidades de sonho que nele fervem. Se é necessidade ou desejo, não sei. Se me expande ou me contrai, também não. Se é vaidade ou afirmação do ego, igualmente me escapa. Vem de um lugar puro, de inocência, que me arrepia a pele só de o entrever. Inocência...»

Lê outras citações do livro aqui e aqui.
Para mais informações sobre o autor, visita o seu site, aqui.