quinta-feira, 30 de junho de 2022

Os Clássicos de Julho que chegam pela Guerra & Paz Editores

Persuasão, de Jane Austen
De Profundis, de Oscar Wilde

 
Bartleby, o Escrivão, de Herman Melville

Sonata de Estio, de Ramon Valle-Inclán

Entre as novidades da Clássica Editora constam romances de Stendhal e de Balzac

Armance, de Stendhal
Stendhal, autor de Vermelho e Negro e de A Cartuxa de Parma, não obteve qualquer sucesso quando publicou Armance em 1827. Mas, sendo o seu primeiro romance, Armance marca desde logo a superioridade literária do escritor na medida em que, ao invés de optar por soluções fáceis de escrita, Stendhal inclina-se para o leitor dado a certos esforços de reflexão.
Percursor do Romantismo, com os seus personagens Octávio de Malivert e Armance de Zohiloff a prosseguirem para um destino trágico e fatal — tendo, no entanto, todas as condições para alcançarem a felicidade —, Stendhal evidencia a distância que o homem tem vindo a interpor entre a alma e a felicidade.


O Pai Goriot, de Honoré de Balzac
«Tive uma ideia maravilhosa. Serei um génio», exclamou Balzac quando escrevia O Pai Goriot. Acabara de imaginar a Comédia Humana, o ciclo no qual os mesmos personagens passam de um romance para o outro. Acabara de criar um universo, o balzaquiano.
Honoré de Balzac (1799-1850), o aclamado escritor francês, conhecido pela quantidade imensa dos seus escritos, é um dos nomes incontornáveis da literatura mundial de todos os tempos.
Equivalente, na prosa, da grandiosidade de Victor Hugo (autor da sua oração fúnebre, proferida no Père-Lachaise), Balzac define por si só um século inteiro: o XIX, dos primeiros ecos dos feitos militares de Napoleão até à Revolução de 1848 e à iminência do II Império, todo ele presente nas suas páginas inconfundíveis.
Obra de 1835, já em plena maturidade literária do autor, Pai Goriot descreve na perfeição a imensa máquina das paixões e dos sentimentos humanos, do amor à velhice, do desejo à solidão, da glória à decadência. Goriot, Vautrin, Eugène de Rastignac, Madame Vauquer e a baronesa de Nucingene são as inesquecíveis personagens desta fascinante trama, cada qual definindo, de forma magnífica e exemplar, um tipo psicológico e um estrato social, verdadeiros retratos da humanidade.

O Monte dos Vendavais, de Emily Brontë
A acção deste clássico da literatura inglesa decorre num ambiente rude e agreste, tendo como paisagem os montes de Yorkshire, onde Emily Bront
ë viveu durante muitos anos.
Por isso, o drama de O Monte dos Vendavais atinge o cume de uma autobiografia em que a infância e a adolescência de Emily, carregadas por uma imaginação fantástica, desempenham lugar de relevo no desenrolar desta história.
A paixão de Catherine e o amor de Heathcliff assinalam de forma flagrante o fio romanesco desta obra.

A Virgem e o Cigano, de D. H. Lawrence
Yvette, a temperamental filha de um vigário, anseia libertar-se dos limites sufocantes de uma respeitável família de classe média.
Na sua ansiosa busca por amor e liberdade, Yvette trava conhecimento com um cigano que despertará nela uma força elementar. Só não sabe que essa força irá ameaçar o tecido da sua existência.
Obra precursora de O Amante de Lady Chatterley, com o seu tema de amor e desejo entre diferentes classes sociais, A Virgem e o Cigano é uma poderosa evocação do conflito entre intuição e convenções sociais, escrita de forma brilhante, por um autor que soube inventar a sua própria linguagem.

Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano
Páginas imortais que gerações sucessivas têm admirado e cuja grandeza não desmerece do que há de melhor na literatura universal.

«...um protesto lavrado com o sangue das veias!»
Lopes de Mendonça

«...um livro português de irradiação talvez só comparável à que Os Lusíadas conheceram, guardadas as devidas proporções do género, grandeza e lugar, na essência da nação como vade-mécum dos seus filhos.»
Vitorino Nemésio

Algumas das novidades da Dom Quixote para o mês de Julho

Lincoln Highway

de Amor Towles
Emmett Watson cometeu um crime e pagou o preço. Tem 18 anos e acaba de ser libertado de um campo de trabalhos. Está a regressar à quinta onde cresceu, no Nebraska, onde vai buscar o irmão mais novo. Juntos vão fazer-se à estrada rumo à Califórnia, para fugir do passado e encontrar a mãe que os abandonou. Aquilo que prometia ser um romance on the road torna-se outra coisa e essa é apenas a primeira surpresa que nos reserva o norte-americano Amor Towles, autor de Um Gentleman em Moscovo e As Regras da Casa.
 
O Veneno Perfeito

de Sergei Lebedev
“Desligue a televisão e comece a ler. Sergei Lebedev não escreve sobre o passado, isto aqui é o nosso presente”, escreveu a Prémio Nobel Svetlana Alexievich, sobre este romance de um dos mais corajosos jovens escritores russos onde, embora Putin nunca seja mencionado, a sua presença sente-se do princípio ao fim. Partindo da I Guerra Mundial, e percorrendo várias décadas, Lebedev analisa o como e o porquê de a Rússia e a União Soviética terem desenvolvido neurotoxinas terríveis.


A Nova Ordem Mundial

de H.G. Wells
Publicado originalmente em 1940, o clássico de ciência política de Wells (1866-1946), livro de referência há décadas ganha agora nova leitura e lança a discussão sobre quais as condições para alcançar uma nova ordem mundial, o que cada um de nós pode e deve fazer para que ela se concretize e o que realmente significa paz no mundo.


Contra a Guerra

de Papa Francisco
Manifesto muito assertivo do Sumo Pontífice contra a guerra, nomeadamente a da Ucrânia, que descreve como uma “barbárie”, um “fracasso da política e da humanidade, uma derrota perante as forças do mal, um sacrilégio que temos de deixar de alimentar”.

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Da Alemanha e da Inglaterra chegam aos leitores portugueses «Frida e as cores da vida» e «As Bruxas de Pendle»

Frida e as cores da vida e As Bruxas de Pendle são romances que a 7 de Julho serão publicados pela Porto Editora e Saída de Emergência, respectivamente.

Uma declaração de amor à arte, à feminilidade, à liberdade e à coragem de lutar por ela.
México, 1925: Frida quer ser médica, mas um terrível acidente põe fim ao seu sonho. Anos mais tarde, apaixona-se pelo sedutor e grande pintor Diego Rivera e, ao lado dele, mergulha de vez no ambicionado mundo das artes. Sempre assombrada por problemas de saúde e percebendo que a sua felicidade pode ter os dias contados, Frida entrega-se à vida com paixão e descobre como trilhar o seu próprio caminho. Com roupas de cores vibrantes e postura de divindade asteca, a artista cria uma aura muito particular e torna-se uma das pintoras mais veneradas dos nossos tempos.
Frida e as cores da vida é um romance contundente sobre feminilidade, história, arte e liberdade a partir da trajetória de Frida Kahlo. Um retrato íntimo e pessoal da mulher que se tornou uma lenda.

Caroline Bernard é pseudónimo de Tania Schlie, uma escritora com numerosas obras publicadas na Alemanha. Atualmente, dedica-se a uma série de biografias ficcionadas com protagonistas como a compositora Alma Mahler ou Lili Marlène. Vive em Hamburgo.


Fleetwood está grávida pela quarta vez. Nenhuma das gestações anteriores teve sucesso, e o seu marido Richard está ansioso por um herdeiro. Quando a jovem encontra uma carta escondida do seu médico, descobre que desta vez ela própria poderá não sobreviver.
Quando conhece Alice Gray, esta promete ajudar Fleetwood a dar à luz um bebé saudável. Contudo, Alice é acusada de bruxaria, e Fleetwood terá de arriscar tudo para provar a inocência da amiga. O julgamento aproxima-se, tal como o momento de a jovem dar à luz, e todas as vidas estão em risco.
Rico em detalhes, extraordinariamente bem construído e baseado nos julgamentos de Pendle Hill,
As Bruxas de Pendle explora os direitos das mulheres no século xvii e levanta a questão: terá sido uma caça às bruxas ou uma caça às mulheres?

Stacey Halls sempre foi fascinada pelas bruxas de Pendle. Estudou Jornalismo e colaborou com várias publicações, entre elas The Bookseller, The Independent, The Guardian, The Sun e Fabulous. Vive em Londres.

terça-feira, 28 de junho de 2022

Bertrand lança esta semana livros de Julia Navarro e Stephen King

Julia Navarro cativou milhões de leitores com os oito romances que publicou até hoje: A Irmandade do Santo Sudário, A Bíblia de Barro, O Sangue dos Inocentes, Diz-me Quem Sou, Dispara, Eu já Estou Morto, História de um Canalha, Não Matarás e De Lado Nenhum. Os seus livros são publicados em mais de trinta países e todos eles fazem parte do catálogo da Bertrand Editora.

De Lado Nenhum é um romance que funde as suas raízes na natureza humana e nos seus claros-escuros.

«Julia Navarro explora, no seu novo romance, o poder das origens de cada um de nós. De Lado Nenhum questiona se o lugar de onde vimos define irreversivelmente o nosso futuro.» La Nación


Depois
é o novo romance de Stephen King, que se junta a The Stand – A Dança da Morte, Samitério de Animais ou Se Tem Sangue, entre outros.


Por vezes, crescer não é mais do que enfrentar os próprios demónios.
Com ecos do seu grande clássico It - A Coisa, este romance é poderoso e aterrorizante quanto baste, uma inesquecível exploração daquilo que é preciso para fincar o pé e fazer frente à maldade. Seja qual for o rosto de que ela se serve.

«Em parte história de detetive, em parte thriller, é emotivo tanto quanto genuíno.» The New York Times

segunda-feira, 27 de junho de 2022

«As Musas», de Alex Michaelides

Editora: Presença
Data de publicação: 20/04/2022
N.º de páginas: 360

Após o sucesso que foi o seu romance de estreia, A Paciente Silenciosa, cujos direitos foram comprados para 50 países, vendeu 4 milhões de exemplares em todo o mundo e está a ser adaptado ao cinema numa grande produção norte-americana, Alex Michaelides (nascido em 1977 no Chipre e actualmente a viver em Londres) apresenta o seu novo tríler psicológico, que passa-se no elitista mundo académico inglês.
As Musas, do título desta nova história, são um grupo de estudo privado de estudantes do sexo feminino da Universidade de Cambridge. Elas são inteligentes e extremamente privilegiadas e se agrupam servilmente em torno de Edward Fosca, um carismático e dominador professor de Literatura Clássica. Quando uma aluna deste grupo é encontrada morta numa floresta nos arredores da Universidade, Zoe, a colega de quarto e melhor amiga da vítima, fica destroçada.
Para confortar a jovem de 21 anos, vem de Londres a sua tia, Mariana, uma psicoterapeuta de 36 anos, ela própria também ainda a recuperar da morte (ocorrida há um ano) do seu marido - «Desde que Sebastian morrera, Mariana deixara de ver o mundo a cores.».
Ao se inteirar dos contornos do homicídio in loco e após saber que a polícia prendeu um suspeito que ela - dada a sua experiência a lidar com a psique humana - considera muito implausível de ter cometido o brutal homicídio, a tia de Zoe, com o auxílio de um jovem audacioso que conheceu no comboio, inicia a sua própria investigação.
Um porteiro, um professor, um jovem estudante que diz prever o futuro, o namorado da vítima; estes são apenas alguns dos suspeitos do (primeiro) crime, que faz alusão a um culto da Mitologia Grega: «rituais que nos levam numa viagem da vida para a morte e de regresso novamente.»
Salientar que, para criar mais suspense, o autor acrescentou alguns capítulos narrados por algum personagem que o leitor desconhece: «O meu pai, o homem que viria a deformar a minha vida e a transformar-me neste monstro.»
Com uma trama tensa e um ritmo frenético, As Musas é um romance escrito de forma inteligente, que mistura mistério psicológico e suspense gótico, apesar da sua atmosfera contemporânea. Tal como no seu romance de estreia, que mudou a sua vida (afirma o autor), esta nova história de Michaelides tem capítulos curtos, envolve Psicologia e contém um epílogo imprevisível. É um romance que nos instiga a pesquisar sobre Mitologia Grega, acerca da ilha de Naxos e sobre o poeta inglês Alfred Tennyson, entre outros temas que são abordados.
The Maidens, seu título original, foi originalmente publicado em Inglaterra pela Orion Publishing, em Junho de 2021.

Excerto
«… as crianças fazem qualquer coisa para serem amadas. Quando são muito novas, é uma questão de sobrevivência física, depois, de sobrevivência psicológica.» (pp. 208-281)

A história da bomba atómica em BD

A Bomba - No princípio era o nada (Vol. I)
A Bomba - A sombra (Vol. II)

de Alcante, L. Bollée e D. Rodier

No dia 6 de agosto de 1945, Hiroxima desaparece pulverizada por uma bomba atómica. Um acontecimento histórico e trágico que põe fim à guerra e leva a humanidade a entrar numa nova era. Em que contexto foi criada a bomba? Como foi tomada a decisão de a lançar? E porquê sobre Hiroxima?
Quais foram os principais actores – ilustres ou desconhecidos – desta tragédia. Quais foram as consequências da explosão? O que sofreram as vítimas? Com a leitura desta obra, o leitor assiste a tudo! Das minas de urânio do Katanga até ao Japão, passando pela Alemanha, a Inglaterra, a Noruega, a URSS e os Estados Unidos; dos laboratórios de Los Alamos aos bombardeiros do Pacífico, eis… A TERRÍVEL VERDADEIRA HISTÓRIA DA BOMBA ATÓMICA! Hoje ainda mais arrepiante. Que alguns parece quererem continuar a escrever…

«Animais e Pessoas» é o título de uma nova publicação com o selo da PACTOR

 

Editora PACTOR publica Animais e Pessoas, um livro destinado a todos os que trabalham na defesa e promoção dos direitos dos animais e no desenvolvimento dos benefícios das interações positivas entre animais e pessoas.
A obra, coordenada por Mauro Paulino, Sandra Horta e Pedro Emanuel Paiva, conta com a participação de uma equipa multidisciplinar de mais de 20 autores e é prefaciada pela jornalista Clara de Sousa e posfaciada pelo
Juiz Desembargador Edgar Taborda Lopes. Salientar que os Direitos de Autor deste livro revertem a favor da Associação Vida Autónoma.

Texto de apresentação
Desde outubro de 2014 que os crimes contra animais de companhia passaram a estar previstos no Código Penal. Apesar da recente criminalização destas condutas no nosso ordenamento jurídico, vários estudos realizados noutros países têm vindo a demonstrar a relação direta que existe entre a violência contra animais e outros tipos de violência, nomeadamente a violência doméstica, a violência contra crianças, mulheres, idosos ou quaisquer outras formas de violência interpessoal.
Ainda que de forma incipiente, comparativamente com a realidade internacional, surge também o reconhecimento da mais-valia das Intervenções Assistidas por Animais, em particular por cães, nos mais diversos contextos, como nas perturbações do neurodesenvolvimento ou na justiça.
De forma sistemática e através de uma abordagem jurídica, psicológica e sociológica, este livro vem facultar uma melhor compreensão sobre estas temáticas, ao longo de três eixos principais: laços entre pessoas e animais, violência e crueldade animal e Intervenções e Atividades Assistidas por Animais.

domingo, 26 de junho de 2022

Guerra & Paz publica «Crónicas de Sebastopol», de Tolstói

Com tradução de Maria José Diniz, Crónicas de Sebastopol chega às livrarias a partir do próximo dia 28 de Junho. Nesta obra, Tolstói, autor de A Morte de Ivan Ilitch, Ressurreição, Senhor e Servo, O Que é a Arte?, Confissão, entre outras obras, relata os horrores da Guerra da Crimeia, na qual participou, como jovem oficial ao serviço do exército russo.
Em 1854-1855, Lev Tolstói, um então jovem oficial ao serviço do exército russo, participou na defesa de Sebastopol, cuja queda ditou o fim da Guerra da Crimeia. Num conjunto de três relatos únicos sobre este evento crucial na história da Rússia – «Sebastopol em Dezembro de 1854», «Sebastopol em Maio de 1855» e «Sebastopol em Agosto de 1855» –, Tolstói, que participou no conflito como combatente, expõe os horrores da guerra e explora os sentimentos e angústias dos soldados, num retrato doloroso, em carne viva, uma espécie de esqueleto daquela que se tornaria, anos depois, a sua obra-prima, o romance Guerra e Paz.
Juntando artifícios da ficção à reportagem de guerra, num estilo próprio e inconfundível, as Crónicas de Sebastopol mostram uma visão única de um escritor que se tornaria um dos maiores de sempre da literatura universal, ao mesmo tempo que nos transporta para um cenário de guerra histórico, mas perturbadoramente actual. Uma leitura dura, mas urgente.

sábado, 25 de junho de 2022

Novo livro a lançar no final do mês, dá a conhecer a História da Ucrânia


«Uma história acelerada, cheia de indicações e pepitas de informação… Uma forte refutação das arrogantes presunções da corte de Putin de que a Ucrânia, embora intrinsecamente pertencente à mais vasta nação russa, é culturalmente inferior, mais fraca e comprometida. »
Times

Editado pela primeira vez em 2015, A Porta da Europa – Uma História da Ucrânia chega agora a Portugal numa edição revista e actualizada até 2021.

No dia 30 de Junho, a Ideias de Ler (uma chancela do grupo Porto Editora) faz chegar às livrarias este livro, que permite compreender o conflito entre a Ucrânia e a Rússia e o papel da nação ucraniana no contexto global. A autoria é de Serhii Plokhy, “o mais ilustre historiador da Ucrânia” segundo o The Economist, professor na Universidade de Harvard e autor de uma extensa obra sobre a URSS e a utilização de energia nuclear.

A tradução para português desta obra, com 520 páginas, teve a colaboração de 4 tradutores (Carla Ribeiro, Carla Santos Vieira, Isabel Sá Reis e Ana Rita Meireles).

sexta-feira, 24 de junho de 2022

«Uma Luz na Noite Escura», de João Carlos Melo

Editora: Bertrand
Data de publicação: 10/03/2022
N.º de páginas: 192


Comummente, a necessidade de estar só, não é compreendida como algo imprescindível. Para a grande maioria das pessoas, dispensar tempo para estar sozinha e mergulhar na fundura dos seus pensamentos e sentimentos é como entrar numa viela sombria – não querem fazê-lo sozinhas.
No seu mais recente livro, ao longo de 14 capítulos, o psiquiatra e psicoterapeuta João Carlos Melo debruça-se sobre o tema da solidão: uma emoção, um estado de espírito. Nesta obra, a visão que o autor apresenta sobre a solidão «não é derrotista, nem dramática, nem vitimizada», mas também não constrói uma ideia idílica da mesma.
O que é a solidão? Para o autor, é «um estado mental dominado pelo sentimento doloroso de não pertencermos ao mundo que nos rodeia… É sermos indiferentes para os outros, sermos ignorados por eles, como se fôssemos invisíveis…» Salienta que estar sozinho não é o mesmo que sentir solidão, porque existem pessoas que, mesmo passando muito tempo sozinhas, não padecem de solidão: «…não são invadidas pela solidão (...) porque se ligam a alguém ou a alguma coisa».
Neste trabalho que, nota-se, teve muita pesquisa, o autor dos livros Nascemos Frágeis e Recebemos Ordens para Sermos Fortes (2019) e Reféns das Próprias Emoções (2021), mostra-nos como a pandemia de Covid-19 potenciou o problema da solidão e dá-nos a conhecer, nos primeiros capítulos, as histórias de três homens que, para atingirem um feito, “desafiaram” passar muito tempo consigo próprios, sendo eles as suas únicas companhias. São eles: o primeiro português que conseguiu dar a volta ao mundo num barco; o menos conhecido dos três astronautas que em 1969 chegaram à Lua; e o primeiro português a chegar ao lugar mais alto do mundo.
Recorrendo a testemunhos de pacientes seus e a entrevistas antigas e recentes, João Carlos Melo conta histórias de pessoas que fogem da solidão e pessoas que a enfrentam, mostra-nos as relações entre solidão e suicídio, entre solidão, sofrimento e rejeição, entre silêncio e solidão, entre outras ligações.
Os autores Susain Cain e Erlinge Kagge e os seus livros Silêncio - O Poder dos Introvertidos num Mundo Que Não Pára de Falar e O Silêncio na Era do Ruído, respectivamente, são analisados pelo autor, para explicar ao leitor que a solidão, uma «dor social», sendo uma matéria de grande complexidade, pode ser examinada a partir de várias perspectivas.
Precisamos dos outros, logo desde a nascença. A ligação às pessoas é fundamental para a nossa saúde física e mental. Estas duas afirmações, de uma forma geral, constituem o leitmotiv de Uma Luz na Noite Escura, um livro perspicaz e estimulante, que nos instiga e estimula à reflexão.

Excertos

«Há pessoas que não conseguem estar sós… não conseguem estar consigo próprias. Fogem de si mesmas e precisam sempre de alguém que as distraia para não se confrontarem com o que se costuma ser designado por demónios.» (p. 12)

«Precisamos dos outros para existirmos e sermos como somos. Todos precisamos uns dos outros. Isso é intrínseco à nossa natureza humana.» (p. 86)

«Quando procuramos – ou acolhemos – o silêncio, estamos a ir ao encontro de nós próprios, isto é, ao encontro da parte mais profunda do nosso ser, onde habitam medos e angústias, e onde se esconde o desconhecido.» (p. 112)

Novo romance do autor mais vendido em França

Em 2004, com o livro E Depois... (publicado dois anos depois em Portugal pela Bertrand Editora), Guillaume Musso obteve a consagração dos leitores. É desde há onze anos o autor mais lido em França, obtendo imenso sucesso em todo o mundo, com os seus livros traduzidos em mais de quarenta idiomas e várias vezes adaptados ao cinema. A Desconhecida do Sena, o livro que mais vendeu em França em 2021, chega aos leitores portugueses, através da Gradiva, já no próximo dia 28.

Sinopse
Quando o teatro e a ficção se misturam e se confundem com a realidade… Um grande romance. Uma escrita admirável. Um enredo dramático de um engenho e imaginação singulares. Uma tragédia humana, numa intriga policial no universo perverso, sádico, das seitas ocultistas pagãs, cada vez mais activas no mundo de hoje.
Numa noite brumosa de Dezembro, uma mulher jovem é retirada do Sena. Nua, amnésica, mas viva. Muito agitada é conduzida para a enfermaria da Polícia de onde foge algumas horas depois. As análises de ADN e as fotos revelam a sua identidade: Milena Bergman, uma pianista famosa. Impossível! Milena Bergman morrera num desastre de avião um ano antes!
Raphael, escritor apreciado, o namorado da pianista, e Roxane, uma oficial da polícia brilhante mas indomável, entregam-se obsessivamente à investigação do mistério. Como pode Milena estar ao mesmo tempo viva e morta?

Outro romance publicado recentemente pela Gradiva: O Engenheiro da Morte, de Marcio Pitliuk.

quinta-feira, 23 de junho de 2022

«Talvez Devesses Falar com Alguém», de Lori Gottlieb

Editora: Self
Data de publicação: 08/02/2022
N.º de páginas: 464

É um dos livros mais elogiados nos últimos tempos na área de Psicologia e autoajuda. Tem a fantástica pontuação de 4,38 (de 1 a 5), média atribuída por cerca de 225 mil leitores que leram o livro e que estão registados no Goodreads. Talvez Devesses Falar com Alguém já vendeu mais de 1 milhão de exemplares só nos E.U.A. e será adaptado para uma série televisiva.
Lori Gottlieb vive em Los Angeles, é uma psicoterapeuta de 40 anos que tem um filho e uma profissão que adora. A sua vida estava a correr optimamente até que o seu namorado, inesperadamente, rompe o relacionamento que tinham há dois anos. Este grande choque - «Perder alguém que se ama é uma experiência profundamente solitária, algo que só conseguimos suportar à nossa maneira» - faz com que ela decida consultar um terapeuta, para a ajudar a ultrapassar esse acontecimento, um lugar onde possa se descontrolar e desabafar completamente, sem ser alvo de julgamentos.
Ao longo do livro, a autora vai revelando ao leitor alguns detalhes da sua vida pessoal e, principalmente, profissional: o seu trabalho como assistente de produção em Hollywood, a profissão de jornalista que exerceu para várias revistas, a sua incursão na Medicina e, finalmente, a sua decisão em se formar em Psicologia.
Lori intercala a narração das suas memórias pessoais com as histórias inspiradoras de pacientes seus: John (um produtor de seriados de meia-idade narcisista e arrogante), Julie (uma professora recém-casada com diagnóstico de cancro terminal), Rita (uma mulher idosa a caminho dos 70 anos, completamente sozinha, sem objectivos e cheia de arrependimentos por ter sido uma mãe negligente) e Charlotte (uma jovem ansiosa, com adições e sem relações amorosas significativas). Luto, suicídio, solidão e divórcio são alguns temas que a autora aborda neste livro, baseando as suas afirmações sobre esses assuntos em estudos científicos, citando vários psicólogos e psiquiatras - como Carl Rogers, Viktor E. Frankl e Irvin D. Yalom - e tendo em conta a sua experiência como terapeuta.
Talvez Devesses Falar com Alguém é um livro de não-ficção que por vezes lê-se como um romance, de tão cativante e absorvente que é a escrita da autora. É um livro bem-humorado, contundente e instigante e sincero, que nos instiga a reflectir sobre diversas matérias relacionadas com a condição humana.
Estudos demonstram que o factor mais importante no êxito de uma terapia é a relação entre terapeuta-paciente; Lori Gottlieb, ao tornar pública a experiência terapêutica, a dos seus pacientes e a sua, prova que o resultado desses estudos são verdadeiros.
Talvez Devesses Falar com Alguém
é um livro transformador. Altamente recomendado.

Excertos
«Como terapeuta, sei muito sobre a dor, sobre como ela está ligada à perda. Mas também sei algo que, em geral, não é tão compreendido: que a mudança e a perda andam de braços dados entre si.» (p. 21)

«Por muito abertos que sejamos como sociedade acerca de assuntos que costumavam ser privados, o estigma em volta das nossas dificuldades emocionais mantém-se enorme (…). Se mencionarmos ansiedade, depressão ou um sofrimento insuportável, a expressão no rosto que nos olha dirá, provavelmente: “tirem-me já desta conversa”.» (p. 22)

«A terapia provoca reações estranhas porque, de certa forma, é como a pornografia. Ambas envolvem alguma nudez.» (p. 34)

«O que torna a terapia desafiante é o facto de exigir às pessoas que se vejam de formas como, normalmente, optam por não se ver. Um terapeuta segura no espelho da forma mais compassiva possível, mas cabe ao paciente olhar bem para o reflexo…» (p. 147)

«Às vezes, as pessoas abandonam a terapia porque esta as faz sentir-se responsável pelos seus atos.» (p. 365)

«… nenhum de nós pode amar e ser amado sem a possibilidade de perda….» (p. 408)

«Para muitas pessoas, mergulhar nas profundezas dos seus pensamentos e sentimentos é como entrar numa viela escura – não querem fazê-lo sozinhas. As pessoas vêm à terapia para terem alguém que entre lá com elas…» (p. 442)

«Na vida, as relações não terminam realmente, mesmo que nunca mais vejamos a pessoa. Todas as pessoas que nos foram próximas continuam a viver algures dentro de nós.» (p. 449)

terça-feira, 21 de junho de 2022

«A Noite é um Jogo, de Camilla» Läckberg

Editora: Suma de Letras
Data de publicação: 13/06/2022
N.º de páginas: 130

Todos sabemos que não existem famílias perfeitas, sem segredos e sem mentiras. Por mais que as aparências as mostrem harmoniosas e felizes, dentro de portas fechadas o cenário, muitas vezes, é bem diferente.
Camilla Läckberg, uma mestre a dissecar as várias nuances da psique humana, assenta o seu mais recente romance em torno de personagens funcionais e completos superficialmente, mas miseráveis e estragados no seu âmago.
Max, Martina, Liv e Anton conhecem-se desde a infância. São jovens que frequentam o último ano do liceu, em Estocolmo. Para celebrar o réveillon, decidem fazer uma festa de arromba, na casa de um deles. Apenas os quatro: «sempre foram só eles (...) desde o jardim-de-infância (…). Uniram-se gradualmente ao longo da vida (...) é como se tivessem construído um muro à volta deles, que os protege do mundo exterior.» Poucas horas antes da meia-noite, começam a beber, a flertar e um deles tem a ideia de apimentarem o serão com um jogo de verdade ou consequência. Todos escondem segredos terríveis, que os atormentam psicologicamente, mas nenhum se recusa a jogar e, quiçá, revelar aos outros as suas vulnerabilidades.

Uma outra festa se passa na casa ao lado, onde os pais do grupo - também eles amigos íntimos há muitos anos - se divertem, dançando e brindando. A poucos momentos da mudança de ano, já o grupo está com muito álcool a circular no sangue. Os jovens confessam - «De vez em quando aquele que está a falar chora, às vezes choram os que estão a ouvir» - que os pais vivem num mundo regido pelas aparências: «Estão sempre a fingir que está tudo bem…» Segredos e mentiras revelam-se e são expostas à luz.

«Em silêncio, olham a escuridão, na direção da outra festa.»

Traduzido do sueco por Elin Baginha, A Noite é um Jogo revela uma história intrincada, concisa, centrada num grupo de personagens que a nível psicológico, estão genialmente bem arquitectadas.
Läckberg esmerou-se neste seu último tríler psicológico, género literário que esta autora best-seller, a Rainha do Crime da Suécia, se estreou em 2019.
A Noite é um Jogo tem tão poucas páginas, mas isso não desanima. Devido à astúcia e brilhantismo com que Camilla Läckberg descreve os segredos e traumas dos personagens, o leitor termina de folhear a última página com grande estupefação e satisfação - o epílogo revela uma originalidade muito fora de série. Da autora, encontram-se também publicados no catálogo da Suma de Letras: Uma Gaiola de Ouro (2019), Asas de Prata (2020) e Mulheres que não perdoam (2021).

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Novidades infantis da Kalandraka

Identidade, autoestima, diversidade, amizade, socialização, e viagem - de mão em mão - de um misterioso bilhete. Estas são as temáticas de dois novos álbuns ilustrados publicados pela Kalandraka.

Uma cor apenas sua
Texto e Ilustrações de Leo Lionni

Os papagaios são verdes.
Os peixes-dourados são vermelhos.
Os elefantes são cinzentos.
Os porcos são cor-de-rosa.
Todos os animais têm a sua cor própria.
Exceto os camaleões.

A aventura de um camaleão em busca da sua identidade e a descoberta final de que o importante não é deixar de mudar de cor, mas compartilhá-la com alguém, constituem o leitmotiv desta narrativa. De facto, a mestria de Leo Lionni não necessita de artifícios para transmitir ao leitor que as emoções do camaleão são também as dele e que as suas incertezas são igualmente compartilhadas. Uma cor apenas sua desvela, assim, o sentido de unicidade e, ao mesmo tempo, de pertença e ciclicidade que caracterizam a existência dos seres vivos.


O bilhete

Texto de Pilar Serrano Burgos
Ilustrações de Daniel Montero Galán


A Eva saía sempre de casa como um foguete para chegar
pontualmente à escola. Uma manhã, ao tirar os cadernos
da mochila, caiu-lhe um papel ao chão.
A Eva leu-o e pô-lo em cima do estojo do José…

Um bilhete, cujo conteúdo ignoramos, vai passando de mão em mão, numa troca constante, ao longo da qual vamos conhecendo o bairro onde decorre esta emocionante e divertida história – os edifícios, as ruas, a escola, o centro de saúde, o parque e até o subsolo ; bem como os seus habitantes – crianças, mães, idosos… – ou as suas profissões; já para não falar das diferentes formas como a intrigante mensagem do bilhete vai sendo partilhada e divulgada. Neste livro em formato de acordeão, a leitura não se esgota numa única passagem; mas, volta após volta, sucedem-se novas e não menos surpreendentes descobertas e até o leitor é convidado a continuar, com novos argumentos narrativos, as alegres aventuras de O bilhete.

Outra publicação recente da Kalandraka: Viver - Um novo olhar sobre os animais.