domingo, 19 de julho de 2026

«Norte e Sul», de Elizabeth Gaskell

Data de republicação: 01-04-2026
N.º de páginas: 464

Publicado em 1855, Norte e Sul acompanha a mudança da família Hale da tranquila Helstone, no sul rural de Inglaterra, para Milton, uma cidade industrial do Norte. Através do olhar de Margaret Hale, uma jovem inteligente e determinada, Elizabeth Gaskell (1810-1865) retrata o choque entre dois mundos profundamente marcados pela Revolução Industrial: o Sul, mais tradicional e conservador, e o Norte, onde o progresso industrial convive com a pobreza, as greves e as difíceis condições de vida dos operários. 
No centro da narrativa encontra-se a relação entre Margaret e John Thornton, proprietário de uma fábrica têxtil e antigo aluno do pai da protagonista. As diferenças de personalidade e de visão do mundo geram frequentes conflitos entre ambos, mas também uma crescente admiração mútua. A evolução desta relação constitui um dos pontos mais cativantes do romance. 
Para além da história de amor, Gaskell aborda temas como a desigualdade social, o conflito entre patrões e trabalhadores, os papéis de género e as profundas transformações da sociedade inglesa do século XIX. Com personagens memoráveis, uma notável profundidade psicológica e uma escrita elegante, a autora constrói um retrato vivo da Inglaterra vitoriana. 
Frequentemente comparado a Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, Norte e Sul (publicado pela primeira vez em 2016 pela Relógio D’Água) é geralmente considerado a obra-prima de Elizabeth Gaskell. Entre os seus livros mais conhecidos encontram-se ainda Cranford (Ed. Book Cover, 2023) e a biografia The Life of Charlotte Brontë, dedicada à sua amiga e também escritora Charlotte Brontë.
A adaptação televisiva produzida pela BBC em 2004 contribuiu decisivamente para renovar o interesse dos leitores por este clássico da literatura inglesa. Curiosamente, Elizabeth Gaskell pretendia dar ao romance o título Margaret Hale, mas Charles Dickens sugeriu o nome pelo qual a obra ficaria definitivamente conhecida.

sábado, 18 de julho de 2026

Maggie O’Farrell regressa com um magnífico romance histórico

Entre as novidades editoriais da Relógio D'Água, destaca-se Terra, o mais recente romance de Maggie O’Farrell, com tradução de Tânia Ganho, que chega às livrarias no próximo dia 27. Depois do estrondoso sucesso de Hamnet, a autora regressa com uma envolvente narrativa histórica ambientada na Irlanda antes e após a Grande Fome.
Entretanto, voltou também às livrarias
Middlemarch, de George Eliot, numa tradução de José Miguel Silva e Miguel Serras Pereira. Considerado recentemente pelo jornal The Guardian como o melhor romance de todos os tempos, trata-se de um dos grandes clássicos da literatura inglesa.

Numa península varrida pelos ventos do Atlântico, Tomás e o seu relutante filho, Liam, trabalham num grande projeto, destinado a cartografar a Irlanda.
Os soldados britânicos responsáveis pelo projeto deverão chegar a qualquer momento, esperando encontrar o trabalho concluído. Mas um estranho encontro num pequeno bosque altera inesperadamente o rumo dos acontecimentos.
Terra é um romance sobre separação e reencontro, tragédia e recuperação, colonização e resistência. É uma história de tesouros escondidos, vidas que se cruzam ao longo do tempo e sobre a forma como, quando falamos da terra e da história, nada desaparece verdadeiramente. 
Maggie O’Farrell é autora, entre outros, de O Retrato de Casamento.


Middlemarch
(1871-72) é o mais importante romance saído do período vitoriano. Nele, George Eliot aborda todos os temas fulcrais da vida moderna: arte, religião, ciência, política, comportamentos, sociedade e relações humanas.

Entre as suas personagens estão algumas das mais notáveis da literatura inglesa: Dorothea Brooke (a heroína), Rosamond Vincy (bela e egoísta), Edward Casaubon (o estudioso), Tertius Lydgate (um médico brilhante de duvidosa moralidade), Will Ladislaw (o artista) e Fred Vincy e Mary Garth (namorados de infância). 


Quarenta anos após a ligação que os uniu na juventude, Lotte Kestner, a heroína real que inspirou a célebre obra de Goethe, A Paixão do Jovem Werther, parte em peregrinação para Weimar com o objetivo de rever Goethe. À chegada, para sua surpresa, é recebida como uma celebridade e integrada no círculo social do escritor.

Fascinado pelo conceito de génio e pela riqueza da cultura alemã, Thomas Mann encontrou em Goethe a personificação do grande herói cultural da Alemanha. Lotte em Weimar é um notável retrato duplo: um estudo complexo de Goethe e de Lotte, a mulher ainda cheia de vitalidade que, na juventude, lhe serviu de modelo.
Enquanto aguarda o reencontro com Goethe, quarenta anos depois da última convivência de ambos, Lotte revisita o passado e conversa com aqueles que conheceram de perto o grande escritor. Através dessas reflexões e testemunhos, Thomas Mann oferece uma perspetiva multifacetada sobre a personalidade e o génio de Goethe.


Este livro reúne, pela primeira vez num único volume, a escrita em prosa de Sylvia Plath, uma das vozes mais intensas e intransigentes da literatura do século XX. São textos que revelam uma observadora implacável do quotidiano, permitindo ao leitor entrar na mente da autora e nas fissuras que a atravessam.

Nestas páginas (de Prosa Reunida) reconhecem-se os temas que fariam de Plath uma autora incontornável, desde Sa identidade ao corpo, passando pelo desejo de controlo e a fragilidade da consciência. Lê-las é entrar na vida de uma autora que escreve como quem testa os limites da linguagem e, por vezes, da própria vida. 


Em O Homem que Confundiu a Mulher com um Chapéu, Oliver Sacks, "um dos grandes escritores clínicos do século XX" (The New York Times), relata os casos de pacientes perdidos no mundo bizarro das perturbações neurológicas.
Trata-se de histórias de pessoas afectadas por alterações percetivas e intelectuais, que perderam a memória e, com ela, parte do passado, deixando de conseguir reconhecer pessoas e objetos comuns. Que sofrem de tiques violentos, fazem gestos involuntários ou gritam obscenidades sem controlo. De pessoas cujos membros se tornaram estranhos ao próprio corpo. E de outras que, consideradas incapazes, revelam talentos artísticos ou matemáticos quase sobrenaturais.
Por mais inconcebivelmente estranhas que sejam, são histórias que sobrevivem graças à escrita magnífica e profundamente compassiva de Oliver Sacks. São retratos de vidas que lutam contra adversidades inimagináveis e que nos fazem entrar no universo dos neurologicamente afetados, permitindo-nos imaginar como seria viver e sentir como eles

 
Existirá algum modo de conferir sentido aos tempos que vivemos, repletos de guerra e destruição? Na sua análise, Hannah Arendt refere que a glorificação da violência não se restringe a uma pequena minoria de militantes e extremistas. A sensação de repulsa pública pela violência que se sentia após a Segunda Guerra Mundial dissipou-se, assim como as filosofias de não-violência dos primeiros movimentos de direitos civis. Como sucedeu esta mudança? Aonde nos irá levar?

Para responder a estas perguntas, Hannah Arendt põe diversas teorias sobre violência numa perspetiva histórica, reexaminando a relação entre guerra, política, violência e poder. Questiona a natureza do comportamento violento, aponta as causas da sua manifestação e argumenta contra a máxima de Mao Tsé-Tung — «O poder está no cano de uma arma», considerando que «o poder e a violência são contrários; quando um deles governa absolutamente, o outro está ausente». 
Sobre a Violência teve tradução de Miguel Serras Pereira.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

«O Mistério da Casa Vermelha» é o título mais recente das Edições Corvo-Marinho

A Corvo-Marinho é uma editora independente de carácter generalista, que se destaca pela aposta em livros de qualidade e valor duradouro. Com uma seleção criteriosa de obras, procura chegar a leitores de todas as idades, conciliando a reedição de autores já consagrados e publicação de novos talentos.

The Red House Mistery
e The Daughter of Time são os títulos originais de duas publicações recentes das Edições Corvo-Marinho, ambos traduzidos para o nosso idioma por Ricardo Monteiro.


Texto sinóptico
Durante uma festa de verão na Casa Vermelha, propriedade do excêntrico Mark Ablett, no interior de Inglaterra, um tiro ressoa atrás de uma porta fechada. Quando a porta é arrombada, encontra-se um homem morto e Mark desapareceu sem deixar rasto. Antony Gillingham, de visita a um dos hóspedes, decide não aguardar pela polícia e lança-se à investigação por conta própria, acompanhado pelo seu jovem amigo Bill Beverley. Com o espírito arguto de um detetive amador e a elegância de um cavalheiro, Antony desvenda uma a uma as camadas de mentira que encobrem o crime: identidades falsas, segredos de família e um passado que se recusa a permanecer enterrado.

Excerto
«
Não era aquilo a que a maior parte das pessoas chama «snobe». Um snobe tem sido definido, descuidadamente, como um homem que tem demasiado respeito pelos seus superiores; e, com mais cuidado, como um amante mesquinho de coisas mesquinhas. Seria um pouco cruel para a aristocracia, se a primeira definição fosse verdadeira. Mark tinha, sem dúvida, as suas vaidades, mas preferia relacionar-se com um ator ou encenador do que com um conde; falaria da sua amizade com Dante (se tal fosse possível) com muito mais orgulho do que da sua amizade com um duque.» (p. 19)

Publicado em 1922, O Mistério da Casa Vermelha é o único romance policial de A. A. Milne e é frequentemente citado como um dos exemplares mais refinados da tradição do whodunit britânico, colocando a inteligência e o humor acima do sensacionalismo. 
Alan Alexander Milne (1882–1956) nasceu em Londres e estudou em Cambridge antes de se tornar um dos escritores mais versáteis da sua geração. Destacou-se como dramaturgo, cronista e ficcionista, tendo alcançado fama universal graças à criação de Winnie-the-Pooh, um dos personagens infantis mais amados de todos os tempos. 


Texto sinóptico
Imobilizado num hospital após um acidente, o inspetor Alan Grant encontra uma forma inesperada de ocupar o tempo: investigar o passado. Atraído por um retrato do rei Ricardo III, mergulha numa investigação improvável, mas fascinante — terá o monarca realmente assassinado os sobrinhos, os famosos Príncipes da Torre?
Com a ajuda de livros de história e de um jovem investigador, Grant desmonta preconceitos, desafia narrativas oficiais e revela como a verdade pode ser manipulada ao longo dos séculos. 

Excerto
«
Era o retrato de um homem vestido com o barrete de veludo e o gibão recortado que se usavam no final do século xv. Um homem com cerca de trinta e cinco ou trinta e seis anos, magro e de barba cortada. Usava um precioso colarinho adornado de joias e estava a colocar um anel no dedo mindinho da mão direita. Mas não estava a olhar para o anel. Olhava em direção ao vazio.» (p. 29)

Um romance policial único, em que o mistério não se revela de forma convencional, mas através dos arquivos da História. Considerado pela Crime Writer's Association como o melhor romance policial de todos os tempos, A Filha do Tempo (publicado em 1951) é um clássico imperdível. Uma meditação brilhante sobre verdade, justiça e o poder da narrativa.
Josephine Tey (1896–1952), pseudónimo de Elizabeth MacKintosh, foi uma das mais originais autoras britânicas de romances policiais do século XX. A Shilling for Candles (1936), The Franchise Affair (1948) e To Love and Be Wise (1950) são títulos de outros romances que publicou.

Nova edição do primeiro grande romance histórico da literatura portuguesa


Se gostas de romances arrebatadores, a história de Eurico e Hermengarda, é para ti. Eurico, o Presbítero, publicado pela primeira vez em 1844, é o mais recente título da 'Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa', coordenada por Carlos Reis, uma colecção da editora Imprensa Nacional. 

Alexandre Herculano (1810-1877) foi poeta, romancista, historiador e ensaísta português. A sua obra, em toda a extensão e diversidade, ostenta uma profunda coerência, obedecendo a um programa romântico-liberal que norteou não apenas o seu trabalho mas também a sua vida.

Texto sinóptico
Eurico, o Presbítero é o mais conhecido romance histórico do romantismo português e uma obra que, no seu tempo e mesmo depois dele, conheceu ampla receção por parte do público. 
A história do presbítero Eurico passa-se no século VIII, quando se inicia a invasão da Península Ibérica pelos Árabes, num tempo de crise política e moral. Antes de se bater contra o invasor, Eurico vive um amor impossível com Hermengarda e configura, pela sua atitude de revolta, de heroísmo e de isolamento voluntário, o protótipo do herói romântico.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Imprensa Nacional lança a muito aguardada Edição Crítica de «Os Lusíadas»


A editora Imprensa Nacional publica este mês a edição crítica d’Os Lusíadascom coordenação de José Carlos Seabra Pereira e Maria Helena da Rocha Pereira. Com esta obra, é resgatada uma dívida maior que as culturas em língua portuguesa e os Estudos Literários desde há muito contraíram para com a obra e o legado de Luís de Camões (c. 1524–1580), o maior poeta do Renascimento português. A obra, em capa dura, tem 616 páginas, e pode ser adquirida nas livrarias e aqui, no site da editora.

Texto de apresentação
A fixação do texto assenta na recensão e colação de todos os exemplares hoje conhecidos da edição princeps de 1572, bem como nos dados remanescentes da tradição manuscrita, demonstrando que as variantes Ee e E correspondem a diferentes estados de uma única edição, cada qual com valor ecdótico próprio.
Atenta às exigências do género épico e ao contexto linguístico quinhentista, esta edição respeita a historicidade da língua, valorizando tanto o programa humanista de relatinização como a persistência de usos tradicionais e orais, assim como variantes fonográficas e ritmos versificatórios. Evita ainda a modernização excessiva da pontuação, em consonância com a natureza poética do texto.
De carácter assumidamente i
nstrutivo, inclui um vasto conjunto de notas retórico-literárias, mitológicas, históricas e filológicas, indispensáveis a uma leitura rigorosa e plenamente informada.




Outras obras
De Camões, além desta edição de Os Lusíadasencontram-se no catálogo da editora os títulos Lírica - Sonetos e Os Lusíadas (da Coleção Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa).

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Livros de Dostoiévski, Tolstói e Mikhaíl Bulgákov são relançados

Este mês, serão publicadas várias obras de autores russos, traduzidas directamente do idioma original. 
De Dostoiévski, serão lançados dois títulos: A Submissa, uma narrativa publicada pela primeira vez em 1876, que nos apresenta as recordações de um prestamista cuja mulher se suicidou; e Noites Brancas, um romance sentimental, publicado em 1848, antes da sua prisão. 
A Sonata de Kreutzer, de Tolstói, é uma novela que constitui uma reflexão intensa sobre o amor, o casamento, a sexualidade e o ciúme.
Diabolíada é uma novela satírica publicada pela primeira vez em 1924. Acompanha Korotkov, um modesto funcionário público cuja vida mergulha no caos após uma série de acontecimentos absurdos e burocráticos. Da autoria de Mikhaíl Bulgákov.

O corpo da mulher está estendido sobre a mesa enquanto o monólogo decorre. O narrador tenta compreender o que se passou. Pouco a pouco, vão-se delineando as causas do que aconteceu. A submissa morreu porque o marido matou o seu amor. Ela era demasiado casta e pura para poder ser a esposa que o homem desejava. Na verdade, este tinha a psicologia de um ressentido contra a sociedade, o que levou a transformar o seu amor em tirania.

Numa luminosa noite de verão, quando São Petersburgo mergulha numa atmosfera quase onírica, um jovem solitário, sonhador incorrigível, vagueia pela cidade e vê a sua existência transformar-se ao conhecer Nástenka, que espera por um amor ausente junto ao rio Nevá.
Ao longo das noites seguintes, entre encontros, confidências e histórias de vida, os dois partilham uma ligação intensa e delicada, marcada pela esperança e pela ilusão. Mas como pode perdurar um coração habituado a viver de sonhos, quando confrontado com a realidade?


A Sonata de Kreutzer, escrita em 1889, é, com A Morte de Ivan Iliitch, uma das mais importantes novelas de Tolstói. Nina Guerra e Filipe Guerra assinam esta tradução, da Relógio D'Água Editores.

O sensível e pacato funcionário Korotkov é sumariamente despedido do seu emprego na Direcção dos Armazéns Centrais de Fósforos e Afins por um erro insignificante, e tenta encontrar o seu novo superior, Kalsoner, responsável pela sua demissão. A sua busca através do labirinto da burocracia soviética assume progressivamente as dimensões surreais de um pesadelo. Entre corredores intermináveis, portas que não conduzem a lugar nenhum e rostos que se multiplicam, este homem procura aquilo que o define, enquanto tudo à sua volta se torna opaco, instável, incompreensível.

Juntamente com o conto Ovos Fatídicos incluído neste volume, e que também explora o absurdo e o bizarro, este conto satírico oferece um vislumbre fascinante do desenvolvimento artístico do autor de o Mestre e Margarita.