quarta-feira, 15 de julho de 2026

Imprensa Nacional lança a muito aguardada Edição Crítica de «Os Lusíadas»


A editora Imprensa Nacional publica este mês a edição crítica d’Os Lusíadascom coordenação de José Carlos Seabra Pereira e Maria Helena da Rocha Pereira. Com esta obra, é resgatada uma dívida maior que as culturas em língua portuguesa e os Estudos Literários desde há muito contraíram para com a obra e o legado de Luís de Camões (c. 1524–1580), o maior poeta do Renascimento português. A obra, em capa dura, tem 616 páginas, e pode ser adquirida nas livrarias e aqui, no site da editora.

Texto de apresentação
A fixação do texto assenta na recensão e colação de todos os exemplares hoje conhecidos da edição princeps de 1572, bem como nos dados remanescentes da tradição manuscrita, demonstrando que as variantes Ee e E correspondem a diferentes estados de uma única edição, cada qual com valor ecdótico próprio.
Atenta às exigências do género épico e ao contexto linguístico quinhentista, esta edição respeita a historicidade da língua, valorizando tanto o programa humanista de relatinização como a persistência de usos tradicionais e orais, assim como variantes fonográficas e ritmos versificatórios. Evita ainda a modernização excessiva da pontuação, em consonância com a natureza poética do texto.
De carácter assumidamente i
nstrutivo, inclui um vasto conjunto de notas retórico-literárias, mitológicas, históricas e filológicas, indispensáveis a uma leitura rigorosa e plenamente informada.

Excerto
«O Rei de Badajoz era, alto Mouro,
Com quatro mil cavalos furiosos,
Inúmeros peões de armas e de ouro
Guarnecidos, guerreiros e lustrosos;
Mas qual no mês de Maio o bravo Touro,
Cos ciúmes da vaca, arreceosos,
Sentindo gente o bruto e cego amante
Salte a escuridão caminhante»

Outras obras
De Camões, além dest
a edição de Os Lusíadasencontram-se no catálogo da editora os títulos Lírica - Sonetos e Os Lusíadas (da Coleção Biblioteca Fundamental da Literatura Portuguesa).

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Livros de Dostoiévski, Tolstói e Mikhaíl Bulgákov são relançados

Este mês, serão publicadas várias obras de autores russos, traduzidas directamente do idioma original. 
De Dostoiévski, serão lançados dois títulos: A Submissa, uma narrativa publicada pela primeira vez em 1876, que nos apresenta as recordações de um prestamista cuja mulher se suicidou; e Noites Brancas, um romance sentimental, publicado em 1848, antes da sua prisão. 
A Sonata de Kreutzer, de Tolstói, é uma novela que constitui uma reflexão intensa sobre o amor, o casamento, a sexualidade e o ciúme.
Diabolíada é uma novela satírica publicada pela primeira vez em 1924. Acompanha Korotkov, um modesto funcionário público cuja vida mergulha no caos após uma série de acontecimentos absurdos e burocráticos. Da autoria de Mikhaíl Bulgákov.

O corpo da mulher está estendido sobre a mesa enquanto o monólogo decorre. O narrador tenta compreender o que se passou. Pouco a pouco, vão-se delineando as causas do que aconteceu. A submissa morreu porque o marido matou o seu amor. Ela era demasiado casta e pura para poder ser a esposa que o homem desejava. Na verdade, este tinha a psicologia de um ressentido contra a sociedade, o que levou a transformar o seu amor em tirania.

Numa luminosa noite de verão, quando São Petersburgo mergulha numa atmosfera quase onírica, um jovem solitário, sonhador incorrigível, vagueia pela cidade e vê a sua existência transformar-se ao conhecer Nástenka, que espera por um amor ausente junto ao rio Nevá.
Ao longo das noites seguintes, entre encontros, confidências e histórias de vida, os dois partilham uma ligação intensa e delicada, marcada pela esperança e pela ilusão. Mas como pode perdurar um coração habituado a viver de sonhos, quando confrontado com a realidade?


A Sonata de Kreutzer, escrita em 1889, é, com A Morte de Ivan Iliitch, uma das mais importantes novelas de Tolstói. Nina Guerra e Filipe Guerra assinam esta tradução, da Relógio D'Água Editores.

O sensível e pacato funcionário Korotkov é sumariamente despedido do seu emprego na Direcção dos Armazéns Centrais de Fósforos e Afins por um erro insignificante, e tenta encontrar o seu novo superior, Kalsoner, responsável pela sua demissão. A sua busca através do labirinto da burocracia soviética assume progressivamente as dimensões surreais de um pesadelo. Entre corredores intermináveis, portas que não conduzem a lugar nenhum e rostos que se multiplicam, este homem procura aquilo que o define, enquanto tudo à sua volta se torna opaco, instável, incompreensível.

Juntamente com o conto Ovos Fatídicos incluído neste volume, e que também explora o absurdo e o bizarro, este conto satírico oferece um vislumbre fascinante do desenvolvimento artístico do autor de o Mestre e Margarita.

domingo, 12 de julho de 2026

Chega às livrarias «Borderline: Dos casos clínicos às estratégias terapêuticas»

O livro Borderline: Dos casos clínicos às estratégias terapêuticas é a mais recente publicação da Pactor. Esta obra, da co-autoria e coordenação da psicóloga e psicoterapeuta Raíssa Santos, visa contribuir para uma compreensão mais alargada do fenómeno borderline em contexto clínico, disponibilizando ferramentas conceptuais e modelos de intervenção provenientes de diversas perspetivas teóricas. 
João Carlos Melo (autor do livro Reféns das Próprias Emoções: Um retrato íntimo das pessoas com personalidade borderline), Maria de Jesus Candeias, Patrícia Segurado Nunes e Sílvia Coutinho são os autores que também contribuíram para a feitura desta obra, dirigida a especialistas e estudantes da área da saúde mental.

Texto sinóptico
Neste livro debruçamo-nos sobre a temática borderline, com o propósito de oferecer uma análise integrada e aprofundada que articula a reflexão teórica com a prática clínica e fomenta o diálogo entre diferentes modelos psicoterapêuticos. Propõe-se uma abordagem abrangente, desde a compreensão da sua génese até às formulações contemporâneas, culminando em propostas terapêuticas sustentadas pela evidência clínica.
A obra explora o fenómeno borderline nas suas dimensões clínica, relacional e psicopatológica. Distanciando-se de perspetivas estritamente nosológicas ou reducionistas, apresenta uma visão multidimensional que conjuga rigor teórico e experiência clínica, reconhecendo a complexidade e a heterogeneidade das suas manifestações.
Reúne contributos de psicoterapeutas experientes que, a partir de diferentes enquadramentos - psicanálise relacional, psicanálise do casal e da família, terapia cognitivo-comportamental e terapia sistémica de casal -, partilham casos clínicos ilustrativos, analisados com profundidade e clareza.

Outros livros da autora
O Desenho na Avaliação Psicológica da Criança (2024)Narcisismo: Dos casos clínicos às estratégias terapêuticas (2025), publicados também pela Pactor.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

As mais recentes edições com o selo Parsifal

Competências de Comunicação na Relação Clínica, Matai-vos Uns aos Outros e Maximiliano, Imperador são as mais recentes publicações das Edições Parsifal.


Texto de apresentação

Como comunicar com o doente? 
Um livro fundamental para qualquer profissional de medicina. 
Prefácio de Júlio Machado Vaz.

Comunicar com crianças é diferente de o fazer com idosos. Transmitir más notícias a um doente não pode ser feito da mesma forma do que com um doente que nega evidência científica. Comunicar com um incapaz de falar não é igual a comunicar com um em fim de vida. E com um estrangeiro? E comunicar o erro médico? Como comunicar em Medicina? 

Excertos
«A prática de cuidados de saúde é um encontro entre vulnerabilidades. Reconhecer a humanidade do outro, respeitar o seu contexto, validar as suas emoções e garantir espaço e tempo para a sua narrativa são condições para uma intervenção eficaz. Profissionais que escutam, acolhem e comunicam com autenticidade aumentam a qualidade dos cuidados e reduzem o sofrimento evitável. (…) É através da comunicação que se constrói a relação, se compreendem as necessidades da pessoa e se tomam decisões que integram a evidência científica com a singularidade de cada um.»

«Na saúde, como em qualquer outra atividade com idêntico nível de complexidade, precisamos de mais profissionais e de menos missionários, de mais organização e de menos voluntarismos, de mais reflexão e de menos automatismos.»

Pedro Morgado é psiquiatra no Hospital de Braga, professor na Escola de Medicina da Universidade do Minho, investigador em Neurociências e Psiquiatria e foi um dos coordenadores da obra Casos Clínicos em Psiquiatria e Saúde Mental (Parsifal, 2020) e coordenador geral de Manual de Tratamento da Ansiedade (Lidel, 2022); Afonso Fernandes é médico interno de formação especializada em Psiquiatria e docente convidado na Escola de Medicina da Universidade do Minho.


Texto de apresentação
António Santiago, 36 anos, «agente da Polícia Judiciária por necessidade - e a conselho e pelas cunhas do padrinho, chefe da brigada de costumes», chega um dia a Vila Velha com uma missão muito definida: descobrir quem matou Manuel dos Santos, importante figura local, especulador de terras e comerciante de duvidosos escrúpulos.
A polícia é chamada por D. Carmo, agora viúva, que alega ter sido o marido envenenado. Principais suspeitos? O director do banco, o padre, o oficial da Guarda, o administrador do concelho, o médico pessoal, as sobrinhas, entre outros… Ou seja: todos os dez convivas que na noite anterior haviam jantado no Bulhão, residência do defunto e palacete por todos invejado.
Demorará o investigador uma semana a deslindar o caso. 

Obra proibida pelo regime fascista, Matai-vos Uns aos Outros envolve o leitor desde a primeira página e constitui um refinado fresco de um país onde hipocrisia, impunidade e repressão andam de mãos dadas. 

Livro reeditado no âmbito das comemorações dos 100 anos de nascimento de Jorge Reis, e em parceria com a Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo.

Aquilino Ribeiro, que prefaciou a obra, datada de 1962, escreve que «Jorge Reis tanto brinca como zomba com esta fatalidade». João Gaspar Simões elogia «uma obra que se recomenda pela escrita e até pela efabulação».

Jorge Reis (1926-2005), pseudónimo de Atilano dos Reis Ambrósio, nasceu em Vila Franca de Xira. O seu envolvimento na luta contra a ditadura de Salazar e o Estado Novo conduziu-o ao exílio em Paris, onde conviveu com destacadas figuras da cultura e da literatura europeias, desenvolvendo uma intensa atividade intelectual e cultural. Este romance foi distinguido em 1963 pela Sociedade Portuguesa dos Escritores com o Prémio Camilo Castelo Branco. Proibida pela censura e retirada de circulação em Portugal, a obra continuou a ser lida clandestinamente e foi traduzida em vários países, tornando-se um dos títulos mais marcantes da resistência literária ao Estado Novo. Da sua autoria, a Parsifal publicou também Romain Rolland – Uma Consciência Livre (2022).


Texto de apresentação
Maximiliano nasceu em Viena, em 1832, filho do imperador Francisco Carlos e de Sofia da Baviera. Com vinte anos, conheceu em Lisboa Maria Amélia de Bragança, filha de D. Pedro IV e de Amélia de Leuchtenberg. Iniciaram uma relação que só terminará com a morte, abrupta, de Maria Amélia. Maximiliano desposará depois Carlota, filha de Leopoldo da Bélgica, mas não deixará de pensar na Princesa Flor.
Em abril de 1864, seduzido por um grupo de monárquicos e por Napoleão III, parte para o México, onde tem à sua espera o título de imperador. Na sua nova pátria, para surpresa dos que o haviam apoiado, adotou uma postura progressista, enfrentou a Igreja, fez leis a beneficiar os mais desprotegidos, instituiu a educação gratuita.
A sua governação foi criticada pelos monárquicos que o haviam empurrado para a tragédia e pelos republicanos, que o viam como invasor e que o mandaram fuzilar em 1867. O seu final dramático suscitou múltiplos debates, originou mitos bizarros, serviu de inspiração a artistas, músicos, pintores e escritores.
Os restos mortais de Maximiliano de Habsburgo repousam na Cripta Imperial da Igreja dos Capuchinhos, em Viena, local onde a sua memória é evocada por visitantes todos os anos.  

Carlos Tello Díaz (n. 1962) é um escritor, catedrático e investigador mexicano. Licenciado e mestre em Filosofia e Letras pela Oxford University e doutor em História pela École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, é um dos mais reconhecidos historiadores mexicanos. Além deste Maximiliano, emperador de México (2017), entre os seus livros destacam-se Elexilio: un relato de familia (2013), En la selva, 2 de julioy Los señores de la Costa (2014) e Les romans de Houellebecq et Volpi à la lumière du posthumanisme (2024).

domingo, 5 de julho de 2026

Giveaway: «Quarto com Vista para o Mar», de André Aciman

 
Habilita-te a ganhar um exemplar de Quarto com Vista para o Mar, de André Aciman. 

Giveaway a decorrer aqui.

«O Esquisito e o Inquietante», um dos livros de Mark Fisher publicados pela VS Editor


Mark Fisher (1968-2017) foi um pensador, escritor, blogger e filósofo marxista britànico. Foi co-fundador da Zero Books e da Repeater Books. Fez parte do corpo docente do Departamento de Culturas Visuais da Goldsmiths, Universidade de Londres. O seu blogue, k-punk, definiu a escrita crítica de uma geração. Ficou conhecido por escrever sobre literatura, cinema, música, saúde mental, capitalismo, política e cultura popular. Tornou-se particularmente influente com o livro Capitalist Realism (2009), no qual defende que o capitalismo se tornou tão dominante que é frequentemente visto como a única alternativa possível. É considerado uma das vozes mais marcantes da crítica cultural britânica do início do século XXI.
Da sua autoria, encontram-se publicados pela VS Editor os livros Realismo Capitalista, Fantasmas da Minha Vida, Desejo Pós-Capitalista e O Esquisito e o Inquietante, cujo texto sinóptico e um excerto apresento de seguida.

A emoção mais antiga e intensa da humanidade, já dizia H. P. Lovecraft, é o medo. E de entre todos os medos, o mais antigo e intenso será o que temos do desconhecido. Na nossa cultura, o esquisito e o inquietante são fontes primordiais de terror, e aquilo que adquire uma dessas qualidades é, por definição, um mistério, um segredo não decifrado, o qual, por isso, nos provoca inquietação e pavor. Para Mark Fisher, ainda que possam parecer a mesma coisa, o esquisito e o inquietante são categorias distintas do sobrenatural, do estranho e do horrendo. O esquisito corresponde ao âmbito da subjectividade: é uma percepção de uma realidade deformada — é-nos familiar, mas assusta-nos por não se ajustar à nossa natureza —, enquanto o inquietante corresponde ao absolutamente desconhecido, que é a forma mais pura e intensa de terror. Mark Fisher sustenta que as ficções mais inquietantes e anómalas do século xx têm correspondência com estas categorias, e disso trata o seu livro: dos terrores primordiais canalizados pelo cinema e pela literatura.

Excerto
«
A sensação do inquietante é muito diferente da do esquisito. A forma mais simples de apreender esta diferença é pensar na oposição (com uma grande metafísica) entre a presença e a ausência — talvez esta seja a oposição mais fundamental de todas. Como temos visto, o esquisito é constituído por uma presença — a presença daquilo que não pertence aqui.» (p. 79)

Novo livro de Augusto Cury entre as novidades da editora Pergaminho

Como curar as feridas do abandono, da ausência e da perda? 
Nem sempre são os acontecimentos que mais nos marcaram. Muitas vezes, são as ausências: o que faltou, o que não aconteceu, o que nunca chegou a existir, palavras que não foram ditas.
Com base na sua experiência como psiquiatra especializada em trauma, a autora bestseller Anabel Gonzalez examina em O Que Nunca Foi diferentes cenários relacionados com tudo o que não aconteceu, mas que nos afeta ainda assim, e que pode ser a peça em falta do puzzle para que possamos realmente conhecer-nos a nós mesmos.  


Muitas vezes, acreditamos que, para mudar a nossa vida, temos de embarcar numa grande viagem, encontrar uma revelação ou descobrir algum segredo. Entretanto, a vida escapa-nos por entre os dedos. E o problema não é que, mais cedo ou mais tarde, vamos morrer, mas que podemos morrer sem sequer ter começado a viver. Esperar que a nossa vida mude por si só é deixá-la nas mãos de um mundo que não podemos controlar, ignorando tudo o que depende de nós.

Neste livro, Vais Morrer e ainda nem começaste a Viverdescobrirás 29 princípios que te ajudarão a viver melhor (e com mais sentido). Princípios que te levarão a tomar melhores decisões para que o teu destino não dependa apenas das tuas circunstâncias. Para que, em vez de te deixares levar, encontres o teu caminho e construas o que tens de mais valioso: a tua própria vida. Obra da autoria de Laura Falces e Uli Moreno Montana.


Alta Performance
, um guia prático composto por quatro programas acessíveis para controlar o stresse, treinar a memória e a inteligência, desenvolver uma mente livre e saudável e cultivar a disciplina necessária para alcançar objetivos. Para 
Augusto Cury, «só adquire maturidade quem usa as suas frustrações para a alcançar». 
Um livro contracorrente, impele o leitor a trabalhar as suas emoções num mundo que Cury diz ser uma «fábrica de pessoas tensas», repleta de paradoxos. Afinal, não existe produtividade sem bem-estar.


Mude de Cérebro, Mude de Vida
revela um método revolucionário para ultrapassar a depressão, a ansiedade e o comportamento compulsivo. 

Sente-se frequentemente deprimido e desanimado? Sente pânico quando tem de falar em público ou dificuldade em estabelecer novas relações? Ocorrem-lhe repetidamente pensamentos negativos? Distrai-se e tem dificuldade em levar projetos até ao fim? Perde facilmente a paciência na interação com amigos e familiares próximos? 
Se tem alguma destas dificuldades e não as consegue superar - se a depressão, a ansiedade ou o comportamento compulsivo estão a limitar o seu bem-estar emocional -, este livro, de Daniel G. Amen, é a solução para si.