Após a publicação de Amore e Disordine del Mondo – sonetti e altre poesie (edição bilingue português-italiano), a Shantarin Editora apresenta agora a versão monolíngue Amor e Desconcerto do Mundo – sonetos e outros poemas. Nesta obra de Luís de Camões, desafia-se a leitura tradicional da lírica camoniana: mais do que um simples tema literário, o amor afirma-se como a força que simultaneamente estrutura e desestabiliza o mundo e o próprio sujeito.Resultado de uma abordagem que encara o amor como elemento estruturante da existência e das relações humanas, esta antologia distancia-se de uma visão homogénea ou cristalizada de Camões, destacando antes a riqueza e complexidade do seu pensamento poético. Amor e Desconcerto do Mundo – sonetos e outros poemas propõe uma interpretação da experiência amorosa nas suas diversas manifestações, atravessando dimensões afetivas, éticas e sociais, e revelando-a como um espaço privilegiado de tensão, conflito e conhecimento.
Organizada e traduzida pela reconhecida camonista Valeria Tocco (Università di Pisa), esta edição percorre um arco que vai da exaltação do amor neoplatónico ao pessimismo melancólico do Maneirismo. O volume inclui ainda um ensaio de Vítor Manuel de Aguiar e Silva (Universidade do Minho) e ilustrações de Marta Nunes, que acrescentam uma nova dimensão estética aos versos do autor de Os Lusíadas.
Erros meus, má fortuna, amor ardente,
em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava amor somente.
«Camões está para o imaginário coletivo português como Dante para o italiano ou Shakespeare para o inglês: é o grande poeta, o fundador da identidade cultural nacional» Valeria Tocco
quinta-feira, 2 de abril de 2026
«Amor e Desconcerto do Mundo», uma abordagem abrangente da lírica camoniana
O clássico ensaio de José Medeiros Ferreira sobre a Revolução do 25 de Abril
No mês em que se assinalam os 52 anos da Revolução dos Cravos, importa destacar a obra A Revolução do 25 de Abril. Ensaio Histórico, de José Medeiros Ferreira, publicada pela Shantarin Editora e actualmente na sua 3.ª edição.
A presente edição é enriquecida por um texto de introdução (lê um excerto aqui) da autoria de Pedro Aires Oliveira e Maria Inácia Rezola, que contribui para um enquadramento historiográfico mais aprofundado da obra. De referir que este livro integra as recomendações do programa LER+, do Plano Nacional de Leitura.Texto sinóptico
A 25 de abril de 1974, um grupo de militares portugueses derrubou uma das últimas ditaduras da Europa ocidental do séc. XX e apresentou-se ao País com um programa político assente em três pilares: Democratizar, Descolonizar e Desenvolver. Aquela que ficou conhecida como a Revolução dos Cravos inaugurava a «terceira vaga da democratização» (Samuel P. Huntington), que depois atingiu a Espanha, a Grécia e dezenas de outros países na América Latina, na Ásia e Pacífico, em África e na Europa de Leste.Um ano antes, em Abril de 1973, fora apresentada ao 3.º Congresso da Oposição Democrática em Aveiro uma tese que José Medeiros Ferreira enviara do exílio na Suíça. Na referida tese, recebida com desconfiança por vários setores da Oposição, mas que viria a revelar-se premonitória, o autor sublinhava a necessidade de envolvimento das Forças Armadas, primeiro, para pôr termo à ditadura e à guerra nas colónias africanas, e depois para apoiar a execução de um plano de ação nacional que, precisamente, conduzisse à descolonização, à democratização e ao desenvolvimento. Da pena de Medeiros Ferreira — que, regressado do exílio pouco depois da Revolução, desempenhou um papel de relevo na abertura da jovem democracia portuguesa à Europa e ao mundo, afirmando-se mais tarde como um dos mais brilhantes académicos de história contemporânea da sua geração — sairia à estampa, em 1983, o Ensaio Histórico sobre a Revolução do 25 de Abril, que agora se reedita.
Nesta primeira tentativa, pioneira e ousada, de registar uma história da Revolução portuguesa, reconhecendo os riscos da proximidade temporal entre o texto e o objeto de estudo, e bem assim da proximidade entre o narrador e a ação histórica em que fora interveniente, o autor impôs-se um redobrado esforço de rigor metodológico, nomeadamente na seleção, análise e interpretação das fontes disponíveis, legando uma obra que se mantém fundamental, atual e intelectualmente desafiante.
O autor
José Medeiros Ferreira (1942-2014), nascido em S. Miguel, Açores, doutorou-se em História Institucional e Política e foi docente universitário. Enquanto político, fez parte do primeiro Governo Constitucional de Portugal, em 1976. É autor, entre outros, dos livros Os Açores na Política Internacional (2011) e da obra póstuma Memórias Anotadas (2017).Edição em espanhol: La Revolución de los Claveles en Portugal. Ensayo histórico
«A Península das Casas Vazias», o maior fenómeno editorial em Espanha
J. Teixeira de Aguilar trabalhou na tradução portuguesa de A Península das Casas Vazias, obra narrada em tom de realismo mágico, fruto de quinze anos de trabalho e de uma exaustiva viagem de documentação e memória pela geografia espanhola. Para a sua criação, recebeu as bolsas Leonardo e Montserrat Roig.
Ainda hoje, dois anos depois de ter sido publicado, não há em Espanha quem não fale deste romance, já considerado um dos mais importantes sobre a Guerra Civil espanhola, com mais de 300 mil exemplares vendidos, prémios atrás de prémios, assim se tornando num dos maiores acontecimentos literários dos últimos tempos.
David Úcles (n. 1990), a nova estrela das letras espanholas é licenciado e mestre em Tradução e Interpretação, escritor, músico e desenhador. Publicou os romances La ciudad de las luces muertas (2026), La Península de las Casas Vacías (2024), Emilio y Octubre (2020) e El llanto del león (2019).A Península das Casas Vazias (obra com 688 páginas; ebook disponível aqui), que chegou às livrarias a 24 de Março, recebeu os seguintes prémios:
Prémio Cálamo Melhor Livro do Ano 2024
Prémio Dulce Chacón 2025
Prémio Andaluzia da Crítica 2025
Prémio Kelvin 505 para o melhor romance original em castelhano 2025
Prémio Espartaco para o melhor romance histórico 2025
Prémio Literário Arcebispo Juan de San Clemente 2025
Prémio Festival 42 para melhor romance em castelhano 2025
Prémio Un Año de Libros 2025 El Corte Inglés Melhor Livro de FicçãoSinopse
Estamos em presença da história da decomposição total de uma família, da desumanização de um povo, da desintegração de um território e de uma península de casas vazias.
A história de um soldado que retalha a pele para deixar sair a cinza acumulada, de um poeta que cose a sombra de uma menina a seguir a um bombardeamento e de um professor que ensina os seus alunos e fazerem-se de mortos; de um general que dorme junto da mão cortada de uma santa, de um menino cego que recupera a vista durante um apagão e de uma camponesa que pinta de preto todas as árvores do seu quintal; de um fotógrafo estrangeiro que pisa uma mina perto de Brunete e não levanta o pé durante quarenta anos, de um habitante de Guernica que conduz até ao centro de Paris uma furgoneta com os restos fumegantes de um ataque aéreo e de um cão ferido cujo sangue tingirá a última faixa de uma bandeira abandonada em Badajoz.
Estamos, pois, em presença da história total da Guerra Civil espanhola e de uma Ibéria agonizante onde o fantástico escora a crueza do real; onde os anónimos membros de um extenso clã de olivicultores de Jándula cruzam os seus destinos com os de Alberti, Lorca e Unamuno; Rodoreda, Zambrano e Kent; Hemingway, Orwell e Bernanos; Picasso e Mallo; Azaña e Foxá; onde o épico e o costumbrista se entrelaçam para tecer uma portentosa tapeçaria, poética e grotesca, bela e delirante.
Elogios
«Uma família do Sul afunda-se na Guerra Civil espanhola como na maldição de um naufrágio. David Uclés relata a história desta estirpe – espelho de um país inteiro – com perfeito pulso narrativo e exuberância, com insólito engenho, com humor e dor, com o dom da fantasia alada e a imagem nítida.» Irene Vallejo
«É um livro único e extraordinário. Comoveu-me e fez-me entender e sofrer pela Guerra Civil de Espanha. Personagens inesquecíveis e uma prosa mágica que desafia os limites da realidade.» Gioconda Belli
«Que a imaginação é porventura a ferramenta mais reveladora, sólida e bela de investigação da realidade é algo que David Uclés demonstra em cada página deste livro, capaz de encontrar beleza nas paisagens desoladas de um dos episódios mais importantes da história recente da Europa, que talvez tenha sido contada antes, mas nunca assim.» Fernando León de Aranda
«Nenhum romance contemporâneo me comoveu tanto como A Península das Casas Vazias. Estou assombrado e agradecido.» Pablo Martín Sánchez
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Chegam a Portugal livros de Tara Menon e Siri Hustvedt com tradução de Tânia Ganho
Tânia Ganho assina a tradução de dois livros que vão ser lançados nas próximas semanas, pelas editoras Livros do Brasil e Dom Quixote.
Debaixo de Água é uma história sobre amizade e luto, sobre a beleza e a devastação do mundo natural. Este romance de estreia da escritora indiana Tara Menon, actualmente a viver nos Estados Unidos da América, teve direitos vendidos para mais de trinta línguas ainda antes do lançamento. Nas livrarias a 2 de Abril.Fantasmas - Um livro de memórias, a publicar a 5 de Maio, é um relato biográfico da autoria da romancista, ensaísta e poeta americana Siri Hustvedt. O livro inclui o esboço da última obra de Paul Auster - seu ex-marido falecido em Abril de 2024. Verão Sem Homens, Aquilo que Eu Amava, Elegia Para Um Americano, O Mundo Ardente (tradução de Tânia Ganho) são títulos de alguns dos seus livros publicados no nosso país. A sua obra está traduzida para mais de trinta línguas.
Texto sinóptico
Quando Marissa perde a mãe, aos seis anos, é levada pelo pai para viver numa pequena ilha tailandesa, no mar de Andamão. É aí que conhece Arielle e juntas tornam-se companheiras de exploração das maravilhas da natureza envolvente, feita de florestas, recifes e praias. Sustendo a respiração, mergulham cada vez mais fundo e nadam lado a lado com as jamantas, que aprenderam a reconhecer individualmente. Até que, a 26 de dezembro de 2004, um tsunâmi se ergue do oceano Índico e as duas amigas são separadas pelas águas que tanto as haviam unido. Oito anos mais tarde, Marissa vive em Nova Iorque e à medida que uma tempestade de grande intensidade se aproxima vê-se levada de volta ao passado e a uma reflexão sobre a fragilidade da existência.Texto sinóptico
Fantasmas é a obra mais pessoal de Siri Hustvedt até à data, uma reflexão sobre os mais de quarenta anos que passou com o marido - o escritor, poeta e cineasta Paul Auster -, desde o encontro de ambos na Nova Iorque dos anos 1980 até à morte dele, em 2024. Siri Hustvedt partilha entradas de diário, notas e cartas de amor trocadas ao longo das décadas, bem como o último livro de Paul Auster - o inacabado Cartas a Miles - dedicado ao neto, nascido a 1 de janeiro de 2024. Parte livro de memórias, parte investigação filosófica, Fantasmas explora a intimidade de uma vida partilhada, os rituais do luto, o poder da linguagem e a própria natureza humana. É uma reflexão profunda sobre o que deixamos para trás e os fantasmas que habitam em nós - mesmo quando seguimos em frente.
Outro livro de memórias a publicar pela LeYa: Indignidade - Uma vida reimaginada, de Lea Ypi
terça-feira, 31 de março de 2026
«Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado», de Camilo Castelo Branco
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Editora: Imprensa Nacional
Data de publicação: Julho 2024N.º de páginas: 186 |
Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado é uma obra satírica que conta a história de Basílio, um homem pobre e sem grande valor social que, através de um “enxerto” (uma metáfora para mudança de identidade e ascensão artificial), consegue integrar-se na alta sociedade. Ao longo das suas aventuras, Camilo Castelo Branco critica com humor e ironia a futilidade, o oportunismo e a hipocrisia das classes sociais, mostrando como a aparência e o estatuto podem ser construídos de forma enganadora.
Publicado em 1863, esta é uma sátira à ambição social e à falsidade, mostrando o ridículo de quem vive de aparências. Camilo usa humor e ironia para mostrar como este tipo de comportamento é vazio e criticável.
É de destacar em Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado, o humor inteligente e pela criatividade na construção da personagem principal. A linguagem simples e irónica torna a leitura leve e envolvente, enquanto as situações caricatas revelam uma crítica social subtil. É uma narrativa dinâmica e divertida, capaz de entreter e fazer refletir ao mesmo tempo. Altamente rexomendado.
Memórias do Cárcere e A Sereia são outros títulos que fazem parte da Colecção 'Edição Crítica de Camilo Castelo Branco', da Imprensa Nacional.
Excerto
«Brígida apaixonou-se pelo seu poeta, e ele cegamente por Brígida, que, no tocante a cara, valia mais que Etelvina, se me é fiel a memória; de costumes, porém, devo crer que estivesse algum tanto estragada, apesar da pureza atmosférica do convento.
Devia ser ela quem animou Basílio ao destempero de saltar à cerca do mosteiro pelo lanço mais acessível da muralha. Foi ali pelo Postigo-do-Sol, entre a primeira e segunda ameia, que o temerário escalou o pomar, com ajuda de uma escada de pau, segurada por um caixeiro, já useiro e vezeiro de quejandos assaltos à ternura de outros tachos, abominavelmente viciosos.» (pp. 44-45)
domingo, 29 de março de 2026
«A Mente Criminosa» é o título de uma das novidades das Edições Sílabo
Entre as novidades das Edições Sílabo, constam as obras A Mente Criminosa – As origens da violência, do engano e do crime e inteligência do LUGAR – do colapso global à vida local.O primeiro livro, cuja sessão de apresentação decorreu no passado dia 23, contou com a participação de Susana Pinto de Almeida (Psiquiatra Forense), de João Cabaço (Especialista de Polícia Científica) e de José Carlos Antas (Perito Forense – Polícia Judiciária).
O autor, Paulo Finuras, é sociólogo e doutor em Ciência Política. É autor de vários livros, entre os quais: Da Natureza das Causas – Psicologia Evolucionista e Biopolítica (2020), As Outras Razões – Como a Evolução dá sentido àquilo que fazemos (2023) e Os Demónios da Nossa Natureza – Porque é que o autoritarismo é natural e a democracia não? (2025).
Rui Tavares Guedes (Diretor da revista Visão) e de José Roquette (Presidente do Conselho de Administração da Herdade do Esporão) foram os anfitriões da apresentação do livro de Carlos Alberto Cupeto, que ocorreu na passada quinta-feira.
O autor é formado em Geologia e professor na Universidade de Évora desde 1987. No Ministério do Ambiente exerceu cargos dirigentes durante uma década. Foi fundador da TTerra – Engenharia e Ambiente e da APEMETA, diretor da revista 'Indústria & Ambiente', espaço de referência nas tecnologias ambientais.
Texto de apresentação
A violência, o engano e o crime não são desvios ocasionais da vida social. Atravessam culturas, épocas e sistemas políticos, assumindo formas diferentes, que revelam padrões recorrentes.
Para compreender o crime, é necessário compreender a mente humana. Neste livro, o autor explora as raízes profundas do comportamento violento e transgressor, articulando contributos da psicologia evolucionista, da neurociência, da psicologia social e da criminologia. Longe de explicações simplistas ou moralistas, analisa como mecanismos cognitivos adaptativos – moldados para a sobrevivência e a cooperação – podem, em determinados contextos, dar origem à agressão, à fraude e à transgressão recorrente das normas sociais.
O que leva seres humanos comuns a mentir, manipular, agredir ou matar?
Uma leitura clara e rigorosa, para leitores com ou sem formação especializada, sobre um dos fenómenos mais persistentes e inquietantes da vida social.
Sobre o livro
«Com A Mente Criminosa, o professor Paulo Finuras dá un contributo inestimável para o conhecimento do fenómeno criminal. A sua compreensão exige uma perspetiva que não pode dispensar o enquadramento evolutivo, aqui rigorosamente fundamentado na sociobiologia e na psicologia evolutiva, áreas em que Paulo Finuras é referência e figura de destaque.» – João Carlos Melo (Psiquiatra, Psicoterapeuta e autor de livros como Renascer das Cinzas e Uma Luz na Noite Escura)
Texto de apresentação
Vivemos numa época em que a palavra sustentabilidade é repetida até à exaustão, enquanto o modo de vida dominante continua a empurrar a Humanidade para um colapso anunciado. Conferências globais, metas climáticas e soluções tecnológicas sucedem-se, mas os resultados são escassos. Este livro parte de uma constatação simples e incómoda: o problema não é técnico, é civilizacional.
A crise ecológica não é um problema distante ou abstrato, nem um drama da Terra enquanto sistema geológico. É, sobretudo, uma crise humana — de escala, de cultura, de pertença e de sentido. O crescimento infinito num planeta finito, o consumismo insaciável e a confiança ingénua na tecnologia revelaram-se incapazes de garantir bem-estar duradouro ou justiça ecológica.
Contra a ilusão de uma sustentabilidade global sem rosto, o autor propõe um reenquadramento radical: a vida local como caminho regenerativo. É no lugar — onde há solo, água, ar, memória e relações — que a vida acontece e onde a transição ecológica pode ganhar verdade. Inspirando-se na geografia humanista, na ecologia profunda e em exemplos concretos do território português, este livro defende que a sustentabilidade só é possível quando é vivida e partilhada pelas comunidades.
Excerto
«Temos em mão um enormíssimo desafio, o modo de vida na Terra como a conhecemos, que nos exige uma radical mudança em alguns paradigmas que têm sustentado as crenças da nossa existência. Como o vamos fazer? Esta é a grande pergunta; será que tem resposta e estamos disponíveis para a aceitar? Temos escolha? Qual é a alternativa?»
sexta-feira, 27 de março de 2026
Títulos da Colecção Edição Crítica de Camilo Castelo Branco, da Imprensa Nacional
O Romance dum Homem Rico e Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado são dois títulos que fazem parte da Colecção 'Edição Crítica de Camilo Castelo Branco', da Imprensa Nacional.
Texto de apresentação
O Romance dum Homem Rico foi escrito, imediatamente antes de Amor de Perdição, na cadeia da Relação do Porto, em 1861, no momento em que Camilo ali aguardava julgamento do seu caso de adultério com Ana Plácido.
Era o livro favorito do autor: «É o livro a que eu mais quero, e a meu juízo o mais tolerável de quantos fiz».
«Este foi o mais querido dos meus romances», dele disse o próprio Camilo. E mais: que havia de prevalecer a todos os que viessem.
Texto de apresentação
«Basílio Fernandes é um sujeito de trinta e sete anos, com senso-comum, engraçado a contar histórias de sua vida, ativo negociante de vinhos no Porto, amigo do seu amigo, e bastante dinheiroso - o que é melhor que tudo já dito e por dizer. Seu pai chamou-se José Fernandes, por alcunha o Enxertado. Pegou-lhe a alcunha, porque, sendo ele natural de uma aldeia daquele nome em Trás-os-Montes, quando já era caixeiro, muitas vezes dizia aos seus companheiros de passeata, aos domingos: O Porto é boa terra; mas lá como o Enxertado ainda não pus os olhos noutra! A caixeirada, menos sensível à saudade das suas aldeias, ria do moço, e, por mofa, lhe chamava o Enxertado, alcunha que ele ajuntou ao seu nome com honras de apelido.»
Da extensa colecção constam também: Memórias do Cárcere e A Sereia.
«Isola», o aclamado romance da autora americana Allegra Goodman
Da prestigiada autora Allegra Goodman, que vive na cidade de Cambridge, em Massachusetts, Estados Unidos, Isola é o novo título da ESCOLHA DA EDITORA, a nova colecção das Edições ASA.
Eleito um dos Melhores Livros do Ano por várias publicações, este é um romance épico baseado na vida real de uma heroína do século XVI. Isola (que significa “ilha” em italiano) foi traduzido para o nosso idioma por Elsa T. S. Vieira. A obra é uma magnífica celebração do poder do mundo natural e a história intemporal de uma mulher que descobre a sua verdadeira força.
O livro que narra a odisseia de Marguerite de La Rocque conquistou o Reese’s Book Club (clube de leitura de Reese Witherspoon) e chegou no passado dia 17 de Março aos leitores portugueses.
Sobre a colecção
ESCOLHA DA EDITORA surge quando a editora celebra 75 anos. Pretende unir passado e presente, apresentando novidades literárias de referência e livros emblemáticos e intemporais do catálogo da editora. Compromisso de Long Island de Taffy Brodesser-Akner, e Maurice, obra póstuma de E. M. Forster agora reeditada, estrearam, em Fevereiro, a colecção, à qual se juntarão, em breve Assunto de Família, de Claire Lynch, bem como as novas edições de A Vida em Surdina, de David Lodge e Servidão Humana, de Somerset Maugham.
terça-feira, 24 de março de 2026
Tristan Gooley e Natalia Seijo são autores de dois novos livros da Pergaminho
A arte de interpretar os sinais da Mãe-Natureza, que mudarão para sempre a forma como olhamos para o mundo natural e, em particular, para as árvores; entender a importância de curar os traumas para tratar as maleitas físicas.
Estas são as premissas de duas novidades de Março da Editora Pergaminho.
Cada árvore que encontramos está repleta de sinais que revelam segredos sobre a vida dessa árvore e a paisagem em que nos encontramos. As pistas são fáceis de detetar quando se sabe o que procurar, mas permanecem invisíveis para a maioria das pessoas.
Como Ler Uma Árvore revela os princípios simples que explicam as formas e os padrões que podemos encontrar nas árvores e o seu significado, permitindo-lhe adquirir um conjunto de competências raras hoje em dia, mas de origem centenária: a arte da navegação na natureza - quer esteja no meio de uma cidade ou de uma floresta!
Explorador com mais de 20 anos de experiência, Tristan Gooley participa em expedições por todo o mundo e dedica a sua vida a ensinar como decifrar os sinais da natureza. As lições contidas neste livro são únicas, práticas e fascinantes, e uma coisa é certa: depois de aprender a ver as pistas que a natureza lhe dá, nunca mais vai olhar para uma árvore da mesma maneira. E a sua vida mudará para sempre.
Excerto
«Cada pequena diferença no tamanho, no formato, na cor e no padrão de uma árvore revela algo. Sempre que passamos por uma árvore, podemos reparar numa característica singular e encará-la como uma pista sobre o que essa árvore viveu e sobre o que revela do lugar onde estamos. Uma árvore traça-nos um retrato da paisagem local.»
Tristan Gooley é um explorador e navegador natural, especializado em ensinar as pessoas a compreender a natureza através da observação dos seus sinais mais subtis, e autor de vários bestsellers sobre o tema, publicado em mais de 20 idiomas. A sua escrita combina Ciência, História e Ecologia com um profundo sentido de curiosidade.
Outro livro da editora com a mesma temática: A Vida Secreta das Árvores
Como é que o stresse, a ansiedade ou o trauma afetam o nosso corpo? O que têm a inflamação, a dor, a enxaqueca ou a dermatite a ver com o nosso historial psicológico?
Costumamos considerar o nosso corpo um mero espectador da nossa vida, impassível perante aquilo que vivemos e sentimos. Contudo, o corpo está sempre presente e consciente: experimenta, recorda e exprime-se continuamente com sinais que nem sempre sabemos decifrar.
Natalia Seijo, psicóloga e especialista em psicossomática, apresenta O Teu Corpo Tem Memória, o guia mais completo e atualizado para compreender a estreita relação que existe entre a nossa saúde mental e física. Através de diversos casos de pacientes a quem a psicoterapia conseguiu devolver a esperança perante todo o tipo de maleitas, oferece-nos as chaves para validar o que sentimos, identificar a origem do nosso mal-estar e viver melhor as experiências que estão por vir.
Natalia Seijo é uma das psicólogas com maior reconhecimento no panorama científico espanhol. É diretora da clínica NS Centro de Psicoterapia e Trauma, na Galiza, codiretora do mestrado em Transtornos Alimentares da Universidade Complutense de Madrid e professora associada no mestrado em Psicoterapia EMDR para Transtornos Psicossomáticos da UNED. É formadora, conferencista, autora de diversos artigos científicos e especialista em trauma complexo, apego, dissociação, transtornos alimentares e psicossomática médica.Outras publicações lançadas recentemente pela Pergaminho:
O Código da Inteligência, de Augusto Cury | Atreve-te a Falhar, de Anne-Laure Le Cunff
Amigos Melhores, de Alicia González | Cure o Seu Sistema Nervoso, de Linnea Passaler
segunda-feira, 23 de março de 2026
Novos títulos de poesia da Glaciar Editora
Primeiro livro de poesia de Francisco Guimarães.
Poemas onde o quotidiano se mistura com impressões reflexivas, citando muitos dos seus contemporâneos, de Tolentino Mendonça a João Luís Barreto Guimarães, passando por Adília Lopes. Uma estreia imperdível.
O que se Vê
O novo livro de poemas de Yvette K. Centeno, reflectindo e celebrando o crepúsculo da existência, com uma serenidade e felicidade avassaladoras.
Na Glaciar publicou Entre Silêncios, Devagar, Ondas, De Marcel Robelin a Leonor Beltrán, Clarice e Guenia e Arger.
Agora em livros, as vozes que falaram sobre Camões e Camilo a Jorge Reis-Sá
A Casa dos Ceifeiros publica este mês Mil Vezes Camões e Mil Vezes Camilo, livros resultantes das séries documentais emitidas pela RTP3, apresentadas por Jorge Reis-Sá, escritor vencedor do Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2025 com a obra Prado do Repouso.
Estas entrevistas dedicadas à vida e obra de Camões e de Camilo, foram conversas informativas de especialistas e escritores, como Gonçalo M. Tavares, Mário Cláudio, Manuel Sobrinho Simões, José Viale Moutinho, Júlio Machado Vaz, Rita Blanco e Pedro Mexia.
sexta-feira, 20 de março de 2026
Baseado em factos verídicos, o novo romance de Alberto S. Santos traz à luz uma história chocante
As Rosas de Barbacena mergulha na história do Hospital Colónia de Barbacena, instituição psiquiátrica fundada no início do século XX que se tornou símbolo de uma das maiores tragédias humanitárias do Brasil. Nesta instituição de saúde mental, milhares de pessoas foram internadas e silenciadas ao longo de décadas. Embora criado para tratar pessoas com transtornos mentais, o local passou a receber milhares de indivíduos sem qualquer diagnóstico — incluindo mulheres consideradas “indesejadas”, homossexuais e opositores políticos.
O Colónia foi o maior hospital psiquiátrico do Brasil e é palco de um dos episódios mais sombrios da história do país, conhecido como o "Holocausto Brasileiro". Estima-se que 60 mil pessoas tenham morrido na instituição. Por isso, esta obra da autoria de Alberto S. Santos é uma homenagem às vítimas e lembra que, perante a injustiça, a memória pode ser um ato de justiça.
Reconhecido pela capacidade de transformar episódios históricos quase desconhecidos em narrativas poderosas, o autor de Para lá de Bagdad reafirma-se neste romance ao devolver voz e dignidade aos milhares de vidas que permaneceram na sombra durante demasiado tempo. Este é um romance sobre silêncio, memória e responsabilidade – e sobre o que acontece quando lembrar se torna um ato de justiça.
Publicado pela Porto Editora, As Rosas de Barbacena, um romance que confronta, comove e permanece muito depois da última página, chega às livrarias a 26 de Março.
O autor concedeu uma entrevista a este blogue aquando da publicação do livro O Segredo de Compostela.
Texto sinóptico
No Hospital Colónia de Barbacena, onde o esquecimento foi política de Estado, Teresinha é internada grávida e sem defesa.
Bernardo, um homem comum, recusa aceitar que o silêncio seja destino dos vivos. Separados por grades, papéis e escolhas irreversíveis, constroem uma ligação feita de cuidado, responsabilidade e promessa.
Quando Bernardo parte em busca da filha de Teresinha – levada ainda criança para longe da mãe –, o romance atravessa cidades, países e tempos, revelando como a violência institucional não termina nos muros que a escondem: prolonga-se nos corpos e transforma a memória num registo que não se apaga.

















