Depois de ter escrito em 2023 a biografia juvenil Vicente Jorge Silva, e de ser co-autor do livro A Nossa Europa, Rúben Castro apresenta a obra poética Quando é que posso voltar a casa? Esta é uma publicação da Oxalá, editora sediada na Alemanha, que está sobretudo vocacionada para a divulgação da literatura de autores da diáspora.Na ilha
todos os caminhos acabam rapidamente
Falésias, miradouros, fajãs
Mas há sempre mar
Na finisterra
abro uma finestra
Texto sinóptico
Este livro interpela-nos com uma pergunta que não tem resposta. Ao longo destas páginas, Rúben Castro obriga-nos a questionar o que é, afinal, o verdadeiro sentido de casa. A partir desse não-lugar, da sensação persistente de ser estrangeiro, constrói uma poética feita de memória, deslocação e procura. A casa deixa de ser um ponto fixo e transforma-se num gesto contínuo de habitar o mundo.
Excerto do posfácio
«Este livro interpela-nos com uma pergunta que não tem resposta. (...) Atrevo-me a dizer que a obra de Rúben Castro nos obriga a questionar qual é, afinal, o verdadeiro sentido de casa. (...) Depreendo desta leituta atenta que o escritor sempre se sentiu estrangeiro e que esse absurdo atravessa todas as suas vivências.» - Claúdia Caires Sousa
Rúben Castro nasceu em 1990, no Funchal, cresceu entre as ruas de São Pedro e o Bairro da Nazaré. Fica incrédulo sempre que lhe perguntam se viver numa ilha não é claustrofóbico. Continua a achar que poucos compreendem a liberdade de ser ilhéu, às vezes, nem os próprios ilhéus, incluindo ele. É formado em Estudos de Cultura, na Universidade da Madeira, e em Jornalismo, na Universidade Nova de Lisboa. Vive atualmente na Bélgica.
Mais informações sobre o livro e autor, neste vídeo.
Da mesma editora: O Cheiro da Anoneira (2017) e Já Para Casa (2022), de Luz Marina Kratt.
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quarta-feira, 11 de março de 2026
Oxalá Editora lança livro de poesia do autor madeirense Rúben Castro
publicado por Miguel Pestana
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quarta-feira, 26 de março de 2025
Recentes obras poéticas editadas pela Opera Omnia
Pára-me de repente o pensamento, Por dentro de mim dou a volta ao mundo e Antologia Breve são os títulos mais recentes de Poesia da Editora Opera Omnia.
Ângelo de Lima nasceu em 1872 no Porto (onde frequentou a Academia de Belas Artes), e morreu em 1921. Após o regresso de África, onde participou numa expedição militar, começou a revelar sintomas de loucura, o que levaria ao seu internamento no Hospital Conde de Ferreira entre 1894 e 1898. Viveu no Algarve e em 1901 mudou-se para Lisboa. Em Dezembro desse ano, foi preso no Teatro D. Amélia, “por proferir obscenidades”, e foi internado no Hospital de Rilhafoles, onde permaneceu até à data da sua morte, em 1921. Em 1915 foram publicados alguns dos seus poemas no n.º 2 da revista Orpheu. Fernando Pessoa referir-se-ia a Ângelo de Lima como um poeta que “não sendo nosso, todavia se tornou nosso”. A Poesia de Ângelo de Lima foi recuperada por poetas como Fernando Guimarães e Herberto Helder. Esta antologia reúne o principal da produção poética de Ângelo de Lima.
Este livro reúne um conjunto de algumas dezenas de poemas de uma das vozes mais originais da Poesia portuguesa: A. M. Couto Viana. Seleccionado a partir de uma das mais prolíficas obras da Literatura Portuguesa, este conjunto introduz-nos no universo de um Poeta que logrou receber a atenção e a admiração até dos Poetas mais jovens.
Como já alguém afirmou, “António Manuel Couto Viana aparece-nos como um precursor e como agente de reunião de entusiasmos, sendo um mestre de estilo e de amor pela Poesia. Deste modo, a sua poesia teve particular importância na formação de todo um conjunto de poetas, para os quais sem estética não pode haver vida, pois ambas se implicam mutuamente”.
Selecção e Prefácio de Artur Anselmo.
António Feijó foi um poeta e diplomata, conciliando duas vocações, presentes em outras personalidades da Literatura Portuguesa moderna e contemporânea — a da escrita da poesia com os trabalhos da diplomacia. António Feijó conheceu uma vida cosmopolita, que não o impediu de cultivar relações privilegiadas com o meio literário português. Um dos traços fundamentais da poética de Feijó reside na pluralidade de registos adoptados, para além da exímia versatilidade e mestria formal da sua escrita — da poesia lírica e amorosa, até à poesia satírica, passando pelo recurso ao humor, ao burlesco e mesmo à paródia. No domínio de uma temática plural, sobressai a expressão saudosa e nostálgica da terra natal e da sua luminosa pátria distante. Deste modo, se tivéssemos que escolher algumas dominantes desta poesia, diríamos que ela oscila pendularmente entre dois grandes pólos — um lirismo mais ou menos intimista e amoroso, nostálgico e dorido, por um lado; e, por outro, uma poesia alegre e humorada, repleta de graça e de sátira, de caricatura e de burlesco.
Selecção e Prefácio de Cândido de Oliveira Martins.
publicado por Miguel Pestana
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domingo, 19 de novembro de 2023
Novas obras poéticas publicadas pelo Grupo Narrativa
Editora Narrativa publica obra de Marcos D. Mateus, intitulada Por Ares e Mares, com ilustrações de Sofia Paulino.
Contam-se vinte epopeias sentimentais, originalmente lavradas num código arcano que se esconde na cadência das palavras. Terá sido estipulado que este idioma antigo nunca fosse expresso por meio de sons, apenas por símbolos que se desenham na alma, pois só aí podem ser decifrados.
Das imagens se criam estrofes, que mais não são do que lamentos e desejos, suspiros e clamores, segredos e desabafos, de quem tem a coragem de amar. Nos seus versos, repousa a centelha sempiterna do amor, a causa primária de onde tudo nasce e de onde tudo se cria.
Estes poemas são preces. Invocam aquilo que não encontra substância nas ideias, ou forma nas letras, elevando o pensamento para que viaje por ares e mares, e quebre as barreiras do tempo, atravessando dimensões e chegando a novos mundos, fundindo aquilo que é com aquilo que o faz ser.
publicado por Miguel Pestana
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sexta-feira, 8 de outubro de 2021
Obra reúne toda a poesia de Albano Martins
Por Ti Eu Daria é a mais recente novidade da Glaciar editora. Esta obra, que contou com o apoio do Fundo Cultural da Sociedade Portuguesa de Autores, colige toda a poesia de um dos mais importantes poetas portugueses do século XX. São 520 páginas de poemas. Dia 12 de Outubro nas livrarias.Por ti
eu daria
de bom grado
o meu reino
- o meu reinado.
Albano Martins nasceu em 1930 na aldeia do Telhado (Fundão). Licenciado em Filologia Clássica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa foi professor na Universidade Fernando Pessoa, no Porto. Dedicou-se também, à tradução de poetas (gregos do período clássico, italianos, espanhóis e sul-americanos). Vários dos seus livros foram publicados pelas Edições Afrontamento e Campo das Letras. Faleceu em 2018 em Vila Nova de Gaia.
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terça-feira, 19 de setembro de 2017
Toda a poesia de Eugénio de Andrade num só livro
A Assírio & Alvim publica a 21 de Setembro Poesia, um livro que em 672 páginas compila toda a poesia de Eugénio de Andrade, a partir da última edição revista em vida pelo autor e com prefácio de José Tolentino Mendonça.
«Já passou uma década do seu desaparecimento, e o tempo encarregar-se-á de revelá-lo, sempre mais decididamente, como um clássico da literatura portuguesa e europeia. Há que dizê-lo com as letras todas: Eugénio de Andrade revolucionou a nossa poesia. Até ele a poesia era uma espécie de ponto de passagem para outra coisa, representação de uma realidade anterior ou para lá do próprio poema. Com ele a poesia deixa de ser veículo e torna-se substância de si. Termina o primado da ideia sobre a palavra. Por isso, como sublinhou Prado Coelho, "em Eugénio de Andrade, o poema é, na sua admirável transparência, duma opacidade total: ele não permite que se veja através dele, porque continuamente nos reafirma que tudo está nele". E Eduardo Lourenço dirá, em registo lapidar, que "a sua poesia é a primeira poesia da poesia da nossa Literatura".»
José Tolentino Mendonça
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domingo, 28 de maio de 2017
Novo livro de poesia de José Tolentino Mendonça
José Tolentino Mendonça tem um novo livro de poesia. Teoria da Fronteira (80 pp.) é publicado a 1 de Junho pela Assírio & Alvim.
A primeira parte deste novo livro abre com a seguinte epígrafe de Gloria Anzaldúa: «Penso na fronteira como o único ponto da terra que contém todos os outros lugares dentro de si», mote para uma poderosa reflexão sobre o amplo significado da palavra fronteira, nas suas múltiplas dimensões e como metáfora emblemática da humanidade, ontem como hoje. Ponto de partida para viagens por terras e cidades, por tempos passados e presentes, peregrinando pelos lugares da amizade, pela solidão, pelo silêncio, pelo corpo.
Na cabana da guarda quando a horase faz precipitadamente escurao peregrino varreos seus pensamentos e esperanunca foi tão transparenteo vidro da janela por onde vigia
MÃOS VAZIAS
Mãos vazias são salva-vidas para tempos difíceisuma afeição a salvo dos especuladoreso seu vazio é uma pedrae se observares bem ela flutua
as mãos vazias são selvagens na sua belezaduras mesmo se vulneráveissão o esconderijo ideal para guardares relâmpagose verdades ferozmente concisas
as mãos vazias esperam não o fim mas a frestaalagadas na ferrugeme preferem enlouquecer a acreditarque a realidade é só aquilo que se vê
publicado por Miguel Pestana
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domingo, 7 de maio de 2017
«Poema à Mãe», de Eugénio de Andrade
publicado por Miguel Pestana
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segunda-feira, 6 de março de 2017
Editora Idioteque inaugura colecção de poesia com «Cativeiro», de Nuno F. Silva
No início deste mês chegou às principais livrarias portuguesas o livro de poesia intitulado Cativeiro, do autor Nuno F. Silva. Esta publicação (contém 64 pp.) a cargo da Editora Idioteque é o primeiro título de uma nova colecção de poesia em formato de bolso, que contará nas suas capas com desenhos da artista plástica Emília Nadal.
Rotina
Coei-lhe o café
dos olhos
e diluí a insónia
num copo de água.
Reguei os poemas
e alimentei as rosas.
Abri a janela
e deixei o peito
a curar da sombra noturna,
dos silêncios medonhos,
da lua fria.
Da angústia dilacerante
junto aos pulsos.
Nuno F. Silva tem já editados alguns livros de poesia, entre os quais Lunescer (Lua de Marfim, 2016).
publicado por Miguel Pestana
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domingo, 27 de setembro de 2015
A obra poética «Caminhos», de Luís Viveiros, é apresentada no Funchal a 2 de Outubro
Depois de ter sido apresentado ao público em Julho, em Oeiras, o livro de poesia Caminhos, da autoria de Luís Viveiros, terá uma apresentação no Funchal. O evento será apresentado pelo ensaísta Dr. José Fernando Tavares e decorrerá no dia 2 de Outubro, pelas 21h30, na Porta 33 (Rua do Quebra-Costas, n.º 33) e contará com uma sessão de leitura de poemas por Francisco Lobo Faria.
N.º de páginas: 68
Editora: Instituto Piaget
Colecção: Poética e Razão Imaginante
Dois poemas, RECUSA e UMA TAREFA, retirados da obra:
«Não gostavas de dizer adeus
Resistias ao uso da palavra
íntima quanto trágica como
se fosses um feliz foragido»
«Às vezes é quase um capricho
um desejo difuso que te conduz
ao desconforto de lances desiguais
Tocado pelo pulsar de uma larva
buscas um trilho um ténue respirar
Como inapto artesão manobras
uma matéria disforme tentas algo
que seja próximo de um enigma
Com alguma sorte poderás pensar
que espelha um pouco a brusca
cadência dos teus passos cercados
Tarefa quase votada ao fracasso
mas sempre grata porque com
manha disfarças a tua condição»
O autorLuís Viveiros nasceu em Machico, ilha da Madeira, em 1953 e reside em Oeiras. Começou a publicar na revista Margem (CMF). Participou na III Exposição de Poesia Ilustrada (CMF,1989), na Poet’Arte 90 (AEM,1990), Vers’Arte 91 (AEM,1991), Olhares Atlânticos (AEM, na Biblioteca Nacional, Lisboa, 1991) e na antologia O Natal na Voz dos Poetas Madeirenses, e está representado nas coletâneas Ilha 3 (1991), Ilha 4 (1994), Ilha 5 (2008) e na coletânea Poeti Contemporanei dell’Isola di Madera (Universidade Trieste/DRAC, 2001). Publicou as seguintes obras: Primeiras Angústias (CMF, 1982), Poeira dos Dias (Edições Piaget, 1998) e Fagulhas (Edições Piaget, 2005).
publicado por Miguel Pestana
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sábado, 25 de abril de 2015
Um poema de Gonçalo Leal
Em branco
Os sons evaporam-se na brisa da manhã
e as palavras ocas,
constroem frases desprovidas de sentido…
Tudo o que tento dizer não passa de um vazio,
de uma tela branca
que só a imaginação de quem sabe ler os meus lábios
pode colorir…
Para os restantes deve ser apenas loucura…
Gonçalo Leal
in Silêncio (Edições Vieira da Silva, 2014)
publicado por Miguel Pestana
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sábado, 21 de março de 2015
No Dia Mundial da Poesia, um poema de Rosa Lobato de Faria
publicado por Miguel Pestana
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domingo, 2 de novembro de 2014
«A Noite Abre Meus Olhos», de José Tolentino Mendonça
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Editora: Assírio & Alvim
Data de Publicação: 10/10/2014N.º de Páginas: 464 |
São cerca de 400 os poemas que compõem a 3.ª edição, aumentada com dois livros, da obra que desde 2006 colige toda a poesia de José Tolentino Mendonça (JTM). Assim, em A Noite Abre Meus Olhos (título de um dos poemas de Estrada Branca, (2005)) estão reunidos os dez livros (de poesia) que o autor madeirense publicou no interregno 1990-2013.O italiano Antonio Spadaro, padre e também escritor, sobre a escrita de JTM afirma: «As suas palavras são palavras privadas ditas em público». Quem já leu livros de ensaio, teatro ou poesia do autor, confirma a veridicidade da afirmação. Não só de palavras se faz a poesia de JTM; também de pausas e de silêncios: «O silêncio é a partilha / do furtivo / lume», lê-se no poema «Final», de Os Dias Contados, (1990), livro que marcou a estreia literária do escritor. Desse primeiro livro o primeiro poema faz menção à infância de Herberto Helder, poeta seu congénere, ilhéu também, que tem-se revelado uma inspiração ao longo da sua produção literária. Ainda neste mesmíssimo poema JTM deixou assente que todo o poema «é um tumulto / que pode abalar / a ordem do universo».A Madeira, seu berço e lugar a que costuma vir constantemente, não só física mas em pensamento — como disse há poucos meses, aquando da sua vinda ao Funchal, num evento literário onde o escritor foi cabeça de cartaz — é invocada ao longo desta poesia reunida, quer através de descrições de coisas e lugares característicos da ilha (Ribeiro Frio, Levada do Castelejo [Porto da Cruz], Pico do Areeiro, Pico Ruivo, Reis Magos [Caniço], etc.), quer lembrando cheiros, momentos e pessoas da sua infância; «porque tudo tem uma voz mesmo as coisas mudas».Na poesia deste poeta noctívago, que a noite faz despertar seus sentidos, as casas habitadas e abandonadas a que amiúde regressa, os lugares e memórias da infância, as mãos, os corpos fugazes, o fogo, as estações do ano e as emoções que fazem despoletar, são temas assíduos. A poesia de JTM é também uma forma de desapego, de quem a lê se desligar da realidade tantas vezes atroz: «O que deixaste abandonado regressa», «Talvez o que mais intensamente buscamos / o larguemos em seguida».Para terminar este texto sobre este sublime compêndio poético que é A Noite Abre Meus Olhos (um «breviário de interrogações que multiplica a nossa inquietude», segundo Jerónimo Pizarro, o posfacionador do livro) voltamos aos silêncios, porque eles ao longo dos últimos 23 anos têm uma voz activa nos versos do poeta nascido em Machico, em 1965, especialmente em A Papoila e o Monge (2013): «Silêncio: / contemplar a neve / até confundir-se com ela».
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
A obra poética «A Beleza Salva o Mundo» marca a estreia literária do autor José Sebastião
de José Sabastião
Editora: ChiadoColecção: Prazeres PoéticosPáginas: 58Data de publicação: Julho de 2014Género: Poesia
SinopseA Beleza salva o mundo, pois é a sua essência. Tudo o que existe emana uma beleza sagrada que flui da fonte criadora até à nossa consciência. Este livro de vinte e dois poemas é um hino silencioso que honra toda a Criação e os instantes perfeitos de que a Vida é composta. Deixe-se envolver, como se a leitura fosse uma meditação, uma viagem interior da Alma rumo ao desconhecido ou simplesmente uma pausa na correria dos tempos modernos. Ao ler estes poemas seja como a criança que se deixa surpreender e apaixonar pelo perfume de uma flor primaveril. Que este livro possa tocar o seu coração e despertar a beleza que nele existe!
Flor
Frágil como a luz de uma lanterna
Dentro de um poço escuro sem eco.
Assim se cantam hinos silenciosos
Assim se honram os instantes perfeitos
E se compreendem os dias da Criação.
O autorJosé Sebastião é formado em Letras, formador certificado pelo IEFP, com Certificação Internacional de Coaching com Inteligência Emocional aplicada, pela Certified Coaches Federation – CCF Canadá e pela Escola de Coaching Portugal – ECIT e com formação nas áreas da Nova Psicologia, Física Quântica aplicada ao Desenvolvimento Pessoal, Programação Neuro-Linguística, Cura do Ponto Zero, Um Curso em Milagres, Reiki, Magnified Healing, Jin Shin Jyutsu, Meditação e Astrologia Clássica. Trabalhou entre 1999 e 2013 como Palhaço Profissional – membro da Companhia Internacional de Circo do Coliseu do Porto nos anos de 2008 e 2009 - formado com Alex Navarro (palhaço do Cirque du Soleil) e Caroline Dream (formadora de performers do Cirque du Soleil). Tem-se dedicado, desde 2005, à prática terapêutica individual e de grupos, bem como à dinamização de cursos e workshops para vários públicos na área do desenvolvimento pessoal: trabalhando com empresas, câmaras municipais, prisões, escolas, hospitais, clínicas terapêuticas e público em geral, na Europa e no Brasil. Tem como uma das suas várias paixões a escrita, e tem-se-lhe dedicado com mais profundidade desde o ano de 2012.
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publicado por Miguel Pestana
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quarta-feira, 2 de julho de 2014
Palavras de Sophia de Melo Breyner sobre (a) poesia
«Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso. E se a minha poesia, tendo partido do ar, do mar e da luz, evoluiu, evoluiu sempre dentro dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo. Aquele que vê o fenómeno quer ver todo o fenómeno. É apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor. (...) E é por isso que a poesia é uma moral. E é por isso que o poeta é levado a buscar a justiça pela própria natureza da sua poesia. E a busca da justiça é desde sempre uma coordenada fundamental de toda a obra poética.»Sophia de Melo Breyner Andresen, in Livro Sexto (1962).
Um poema de Sophia
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terça-feira, 29 de abril de 2014
Poema de Vasco Graça Moura
princípio do prazerà sua volta os pombos cor de lava
nos arabescos pretos do basalto
e gente, muita gente que passava
e se detinha a olhá-la em sobressalto
no seu olhar havia uma promessa
nos seus quadris dançava um desafio
num relance de barco mas sem pressa
que fosse ao sol-poente pelo rio
trazia nos cabelos um perfume
a derramar-se em praias de alabastro
e um brilho mais sombrio quase lume
de fogo-fátuo a coroar um mastro
seu porte altivo punha à vista o puro
princípio do prazer que caminhava
carnal e nobre e lúcido e seguro
com qualquer coisa de uma orquídea brava
e nas ruas da baixa pombalina
sua blusa encarnada era a bandeira
e o grito da revolta na retina
de quem fosse atrás dela a vida inteira.
Vasco Graça Moura, in Antologia dos Sessenta Anos
publicado por Miguel Pestana
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domingo, 27 de abril de 2014
Poema de Vasco Graça Moura
Soneto do Amor e da Morte
quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.
quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não
tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.
Vasco Graça Moura, in Antologia dos Sessenta Anos
publicado por Miguel Pestana
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quarta-feira, 16 de abril de 2014
Um poema de Daniel Jonas
Do ventre da baleia ergui meu grito:
Senhor! (dizer teu nome só é bom),
Em fé, em fé o digo, mesmo com
Um coração pesado e contrito
Que és de tudo verdade e não mito,
O coração do amor, de todo o dom,
Conquanto seja raro o bem e o bom
E toda a luz aqui me falhe, és grito
Que chama toda a chama de esperança
E acorda a luz que resta à réstia eterna,
Conquanto viva o mártir na espelunca
Da vida (quem espera amiúde alcança)…:
Possa o nazireu preso na cisterna
Sofrer de ser só tarde mas não nunca.
Daniel Jonas, in Nó, Assírio & Alvim, 2014.
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Poesia contemporânea coligida em obra publicada no Brasil
Alguns dos co-autores de Antologia Poesia 2013, colectânea publicada no Brasil, organizada pelo escritor e poeta brasileiro Marciano Vasques: Miguel Almeida, Juliana Guidi, Amanda Xavier e Maria José Amaral (quatro dos 30 poetas cujos poemas encontram-se na obra).
No meu tempo
No meu tempo era a rua,
A melhor escola das crianças,
Porque era na rua que se viam
Mestres e artífices,
Entregues aos seus ofícios,
Homens valentes,
Donos
E senhores de si,
Mas também loucos,
Bêbados e vagabundos.
No meu tempo era a rua,
E na minha rua,
Uma criança via de tudo,
E com tudo aprendia e crescia,
Rasgos de inteligência ou sorte,
Histórias de valentia ou cobardia,
Actos heróicos, de drama
Comédia ou tragédia,
De fazer inveja
Às mais belas
E empolgantes,
Peças de teatro antigas;
No meu tempo era a rua,
E era certo que uma criança
Que tudo visse
E com tudo aprendesse,
Na minha rua,
Haveria de crescer,
Para ser alguém na vida,
Ou então, esmorecia e entristecia
Por não poder ficar para sempre criança,
A ver tudo, o que havia para viver na vida
A aprender e a desaprender com quase tudo,
O que havia para lembrar ou esquecer na vida.Miguel Almeida, pp. 56-57
publicado por Miguel Pestana
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segunda-feira, 7 de abril de 2014
Um poema de Juan Manuel Roca
Casa da Música
Aqui, o país da memória.
Nesse país reconstruo as noites emboscadas,
Escrevo na água o nome de amigos diluídos,
E um tambor, um enfeitiçado tambor
Dá voz ao meu silêncio, à minha cegueira.
Alguém vem entre as sombras
Ou envolto no amplo manto da noite
Dá voltas à roda da voz dos ausentes.
Alguém entra na música,
Ampla casa cujas portas se abrem
Para esquecidos paraísos.
Juan Manuel Roca
[Tradução de Nuno Júdice, Os Cinco Enterros de Pessoa, Glaciar, 2014.]
publicado por Miguel Pestana
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sexta-feira, 4 de abril de 2014
«... a cerejeira quando está carregada de frutos...»
Conheço esse sentimento
que é como a cerejeira
quando está carregada de frutos:
excessivo peso para os ramos da alma.
Rosa Lobato Faria
que é como a cerejeira
quando está carregada de frutos:
excessivo peso para os ramos da alma.
Rosa Lobato Faria
publicado por Miguel Pestana
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