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Editora: Corvo-Marinho
Data de publicação: 02-06-2026N.º de páginas: 232 |
Publicado originalmente em 1922, O Mistério da Casa Vermelha ocupa um lugar singular na obra de A. A. Milne, autor que conquistou fama universal com a criação de Winnie-the-Pooh, uma das personagens mais acarinhadas da literatura infantil. Dramaturgo, cronista e romancista, Milne aventurou-se também pela ficção policial, assinando aquele que viria a ser o seu único romance do género. O resultado é uma narrativa engenhosamente construída e profundamente enraizada na tradição policial britânica.
A acção decorre numa propriedade rural inglesa pertencente a Mark Ablett, um homem abastado, filantropo e anfitrião generoso e afável. Durante um dos convívios, Mark recebe a notícia de que o irmão, Robert, de que não vê há 15 anos, vem visitá-lo. Quando chega à mansão, é encaminhado para o escritório de Mark. Pouco depois, ouvem-se vozes alteradas, seguidas de um disparo. Quando a porta, que se encontra trancada, é finalmente aberta, é encontrado um cadáver estendido no chão, baleado. Robert está morto, com um tiro, e Mark desapareceu sem deixar rasto.
É neste cenário que surge Antony Gillingham, um homem observador, perspicaz e particularmente interessado no comportamento humano. De férias a Surrey, acaba por se envolver nos acontecimentos através de Bill Beverley, um dos hóspedes da Casa Vermelha. Perante as circunstâncias, Antony decide assumir o papel de detective amador, contando com a colaboração do amigo. Os dois lançam-se numa investigação que os levará a procurar respostas para o sucedido.
Uma das maiores qualidades do romance reside precisamente nesta dupla de investigadores. Antony e Bill estabelecem uma dinâmica extremamente agradável, assente na complementaridade das suas personalidades. Enquanto Antony se distingue pela capacidade de observação e dedução, Bill acompanha-o com entusiasmo e espontaneidade. As conversas, as provocações e os comentários bem-humorados entre ambos conferem à narrativa uma leveza muito própria.
A investigação conduz-nos também a Matthew Cayley, primo e secretário pessoal de Mark. A relação entre ambos parece ultrapassar os laços familiares e profissionais, revelando uma dependência mútua particularmente curiosa. A descoberta de uma passagem secreta e a presença de uma mulher que desperta a paixão de dois homens acrescentam novas camadas à narrativa, que brinca com as convenções do romance policial clássico, conjugando suspense, humor e uma intriga que reserva algumas surpresas.
No final, O Mistério da Casa Vermelha revelou-se uma leitura bastante agradável, com o encanto particular dos romances policiais de outros tempos. Uma excelente sugestão para os apreciadores de Agatha Christie e Sherlock Holmes.
Excertos
«O Mark nunca parecia verdadeiramente satisfeito a menos que tivesse o Cayley ocupado com alguma coisa. Ficava completamente perdido e desamparado sem ele. E, curiosamente, o Cayley também parecia perdido sem o Mark.»
«A única solução evidente é tão fácil e, no entanto, tão errada. Tenho uma centena de pensamentos na cabeça e não consigo encaixá-los.»
«O inspetor fez averiguações sobre o falecido, que partira para a Austrália cerca de quinze anos antes, devido a certos problemas financeiros em casa. Não era bem visto na aldeia de onde ele e o irmão provinham. O falecido e o irmão nunca se tinham relacionado bem, e o facto de Mark Ablett ter herdado muito dinheiro foi motivo de grande amargura entre ambos.»

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