terça-feira, 30 de abril de 2024

Novo livro de Salman Rushdie, entre as novidades da Dom Quixote

Eis 10 novas publicações que as Edições Dom Quixote vão publicar até ao final de Maio.

Manual para a Obediência

Com perspicácia e lirismo, Sarah Bernstein aborda as questões de cumplicidade e poder, desenraizamento e legado. É um romance minucioso e perturbador, uma obra-prima que confirma Bernstein como uma das mais estimulantes novas vozes da literatura em língua inglesa.

Anna Kim – de ascendência coreana a viver na Áustria – escreve um romance em torno da noção de raça, tema que ainda hoje marca as sociedades e se impõe no espaço privado, dividindo famílias ou impedindo a progressão de carreiras. De um modo inteligente e tocante, História de Uma Criança, baseado num caso verídico, fala de como olhamos para o outro e do que acreditamos ver nele.

Baseado numa história real, a partir de relatos de família e artigos de jornais, Voltar do Bosque – que evoca a prosa de Pavese – é a história de um trauma, de uma amizade improvável e da comunhão do ser humano com a natureza. Nomeado para o Prémio Strega em Itália, em 2023, é o romance de estreia de Maddalena Vaglio Tanet.


Escrito com uma simplicidade apenas aparente, A Filha Única (finalista do Prémio Booker Internacional 2023) é um romance profundo e cheio de sabedoria que nos fala de maternidade, da sua negação ou aceitação, das dúvidas, incertezas e até dos sentimentos de culpa que a rodeiam, das alegrias e angústias que a acompanham. É também um romance sobre três mulheres – Laura, Alina, Doris – e os laços – de amizade e amor – que estabelecem entre elas.
Guadalupe Nettel nasceu na Cidade do México, em 1973, e é uma das vozes mais importantes da nova geração de escritores latino-americanos.

Depois do sucesso de Pátria, este novo romance de Fernando Aramburu arrasta-nos, de uma forma muito ágil e surpreendente, para uma aventura inesperada com um desenlace magistral. Contado com um humor permanente, cáustico e veloz, e escrito com frases cuja brevidade são um autêntico virtuosismo, Filhos da Fábula é mais uma prova de que Fernando Aramburu pertence à estirpe dos grandes escritores, aqueles que nos contam histórias como mais ninguém é capaz de o fazer.


Detalhes é um romance construído à volta de quatro retratos, revelando os pequenos detalhes que, juntos, compõem uma vida. Quem é o sujeito real do retrato, a pessoa que está a ser pintada ou a pessoa que segura no pincel? Será que nos tornamos plenamente nós próprios através das nossas conexões com os outros? Pode um ente querido desaparecer de facto?
Numa prosa estimulante e provocadora, Ia Genberg levanta estas e outras questões profundas sobre a natureza das relações e a maneira como contamos as nossas histórias. O resultado é um estudo íntimo e esclarecedor sobre o que significa ser humano.

Maldade
, o novo tríler do norueguês Jørn Lier Horst.

O best-seller que inspirou a segunda temporada da série Wisting, transmitida no AMC.
Um caso arquivado ganha nova vida quando o corpo de uma jovem mulher é encontrado na floresta. Ela foi morta e desmembrada de uma forma que lembra estranhamente a assinatura do assassino em série Tom Kerr. Mas Kerr está a cumprir o seu quarto ano de prisão e não poderia ter cometido este homicídio. Em seu lugar, tudo aponta para o homem a quem a imprensa chamou o Outro – o parceiro de Kerr, que não chegou a ser encontrado.
Adrian Stiller prepara uma reconstituição na qual Kerr conduzirá a polícia aos restos mortais de uma antiga vítima. O local situa-se numa península com cerca de quinhentos hectares de florestas e terras agrícolas, e Wisting fica com a segurança a seu cargo. A sua filha Line foi destacada para documentar todo o processo. Kerr está acorrentado e algemado. A polícia tem cães e armas. Mas a reconstituição corre desastrosamente mal e, quando Kerr foge, desaparecendo na floresta, Wisting percebe que será transformado em bode expiatório.
Agora, dois cruéis assassinos estão de novo a monte e, com o relógio em contagem decrescente até ao próximo homicídio, Wisting tem de arriscar tudo para deter um mal terrível antes que este ataque de novo.

A 12 de agosto de 2022, trinta e três anos depois da fatwa contra ele decretada pelo aiatola Khomeini, assim que subiu ao palco do anfiteatro de Chautauqua, Nova Iorque, para falar sobre a importância de manter os escritores fora de perigo, Salman Rushdie foi atacado, e quase morto, por um jovem com uma faca.
Falando pela primeira vez, e com memorável pormenor, dos traumáticos acontecimentos desse dia, Salman Rushdie responde à violência com a arte e relembra-nos o poder que as palavras possuem de racionalizar o que é impensável. Ao fazê-lo, oferece-nos não só o relato pungente e profundamente pessoal da experiência – e superação – desse atentado, mas também uma revigorante meditação sobre a vida, a perda, o amor e a arte – e sobre a descoberta da força que permite a alguém voltar a erguer-se.
Faca - Meditações na Sequência de Uma Tentativa de Homicídio tem tradução de J. Teixeira de Aguilar.

Romance sensível e profundo sobre os persistentes traumas da guerra, os indestrutíveis laços familiares e a inelutabilidade do passado, O Arco-Íris é uma obra lancinante e melancólica de um dos maiores escritores japoneses.
Um romance poderoso e pungente sobre três meias-irmãs no Japão do pós-guerra. Da autoria de Yasunari Kawabata (1899-1972),
que em 1968 recebeu o Prémio Nobel de Literatura.

Coração-Castelo é um extraordinário romance, finalista do Prémio LeYa em 2023.
Japão, 1637. Com a proibição de professar o cristianismo e a imposição de avultados tributos à população, cerca de 35 000 camponeses liderados por um general-menino com reputação de fazer milagres invadiram várias fortalezas governamentais e acabaram por se refugiar na ruína do castelo de Hara. Reconstroem-no em conjunto para resistir, ao longo de vários meses, à resposta do xogum - um cerco implacável levado a cabo pelas suas tropas.
Entre os que lutam contra a tirania, encontram-se Jana e o seu filho pequeno, bem como o ronin Haru - samurai renegado e agora ao serviço do seu povo. Apesar do ódio mútuo inicialmente sentido, Haru não consegue ficar indiferente a essa mulher que carrega um mistério e sabe pegar em armas, nem ao ciúme provocado pela relação dela com o missionário Clarimundo, um dos poucos portugueses que ainda não deixaram o Japão.
Mas são forçados a lutar em conjunto e, no caos que só a guerra poderia causar, os sentimentos entre estas três personagens vão exacerbar-se. Tal como no final do cerco, não existirá redenção, só a grande busca da liberdade. e a certeza de que há vida enquanto houver amor.
De Raquel Ochoa, autora de O Vento dos Outros, A Noiva do Sultão, entre outros.

Outros livros de ficção lançados recentemente pela Dom Quixote:
Vemo-Nos em Agosto, de Gabriel García Márquez;
Hans - Son o Peso das Rodas, de Hermann Hesse.

«Nascido de Ninguém», um romance na sombra dos horrores da Segunda Guerra Mundial

Livro baseado em evidências históricas, promete agarrar o leitor do início ao fim. Nascido de Ninguém é o romance de estreia de Frederico d’Orey, actualmente docente na Universidade Portucalense, na cidade do Porto. Esta história é sobre como mesmo nas circunstâncias mais difíceis, o coração humano consegue sempre encontrar a luz. Uma edição Guerra e Paz.

Sinopse
Na sombra dos horrores da Segunda Guerra Mundial, Hans, um menino austríaco, é adoptado por uma influente família portuguesa. Já adulto, a perturbante notícia de um massacre leva-o a iniciar uma jornada em busca das suas verdadeiras origens.
Será que o que irá encontrar poderá abalar a sua identidade para sempre? Conseguirá Hans reconciliar-se com as suas memórias e aceitar a sua herança?
Tocando numa das grandes feridas da Humanidade, Nascido de Ninguém narra a emocionante jornada de autodescoberta de um homem que, para se encontrar a si mesmo, terá de enfrentar um passado turbulento.

domingo, 28 de abril de 2024

Livros de Stephen King e Guillaume Musso entre as novidades de suspense de Maio

Mais Sombrio, de Stephen King
Com centenas de milhões de livros vendidos ao longo de 50 anos de carreira, a vénia da crítica e um papel de indiscutível destaque na vida de inúmeros leitores, King oferece-nos agora uma coleção de doze histórias - sobre o destino, a mortalidade, a sorte e as pregas imprecisas da realidade - que mergulham fundo na parte mais sombria da vida.


Central Park, de Guillaume Musso
Alice, uma implacável e respeitada agente de polícia parisiense, acorda algemada a um estranho, num banco do Central Park, sem qualquer memória dos acontecimentos da noite anterior. Atordoada e com manchas de sangue na camisa, Alice tenta desesperadamente reconstituir os factos.
A lembrança dela suspende-se no serão passado nos Campos Elísios com as amigas. Já Gabriel confessa ter passado a noite a tocar jazz num bar em Dublin. Um jazzista e uma polícia, dois desconhecidos que formam um par improvável. Estariam sob o efeito de drogas? Teriam sido alvo de um sequestro? Por que razão falta uma bala na arma que Alice transporta no bolso do casaco? E de quem é o sangue que tinge a sua roupa?
Durante as vinte e quatro horas que se sucedem, Alice e Gabriel percorrem Nova Iorque, e não só, em busca de respostas, tropeçando num conjunto surpreendente de pistas que apontam para um antigo inimigo... Alice vê-se forçada a despertar memórias de uma perturbante perseguição a um serial killer que julgava há muito estar morto…

Do mesmo autor de A Desconhecida do Sena (2022) e A Rapariga e a Noite (2023).


O Quarto de Hóspedes, de Andrea Bartz
Depois do sucesso de Nunca Mais Falamos Disto, livro que será adaptado pela Netflix, Andrea Bartz está de volta comum tríler erótico que explora uma relação a três, tão sensual como perigosa, em plena pandemia.
A nova vida de Kelly em Filadélfia tornou-se num pesadelo: não tem amigos, não tem emprego, a pandemia confinou-a com um homem por quem deixou tudo e que acaba de cancelar o casamento deles. A única coisa que a anima é o reencontro com a sua amiga de infância Sabrina, uma glamorosa e bem-sucedida escritora casada com um poderoso e charmoso homem.
Quando Sabrina e Nathan oferecem a Kelly uma saída, disponibilizando o quarto de hóspedes da sua mansão na Virgínia, ela não deixa escapar a oportunidade. Ali, Kelly apaixona-se secretamente pelos seus encantadores anfitriões até que, numa louca e inesperada noite de sexo a três, o casal a acolhe na sua relação.
Inicialmente, Kelly adora estar neste novo e excitante mundo, mas, ao descobrir que a última mulher com que fizeram um trio desaparecera, começa a questionar-se se os novos companheiros serão perigosos… e se ela poderá ser a próxima vítima.
Poderá esta relação a três ser tão sensual quanto perigosa?



A Rapariga do Olhar Vazio, de Charlie Donlea
Se vivermos numa mentira, como podemos confiar no que quer que seja?
Um thriller explosivo, que nos vai deixar sem fôlego.
Nome, aparência, passado: Alex Armstrong mudou tudo em si. Aquela miúda adolescente, aterrorizada, que apareceu na televisão algemada, depois de a sua família ter sido morta, já não existe. Naquela altura, foi acusada do massacre e os média e o público passaram a conhecê-la como Olhar Vazio. Alex lutou muito, até ao limite das suas forças, para provar a sua inocência. Dez anos passaram e a verdade continua por apurar.
Agora, Alex é investigadora e trabalha, todos os dias, para que outras pessoas possam ter justiça. Uma delas é Matthew Claymore, suspeito do desaparecimento da namorada, Laura McAllister, estudante de Jornalismo que estava prestes a divulgar uma história de violação e encobrimento que acontecera na sua faculdade.
Alex acha que Matthew é inocente e obtém informações sobre professores, alunos e pais poderosos dispostos a tudo para proteger os filhos. Porém, à medida que a investigação avança, Alex encontra pontos de ligação entre este caso e… o assassínio da sua própria família. Surpreendentes e assustadores, que podem estes indícios realmente querer dizer?

sexta-feira, 26 de abril de 2024

«A Verdade sobre o Facebook», livro da autoria de ex-funcionária da rede social de Mark Zuckerg

A Casa das Letras editou no início desta semana A Verdade sobre o Facebook, da norte-americna Frances Haugen, ex-funcionária da rede social de Mark Zuckerg que, em 2021, divulgou dezenas de milhares de documentos à imprensa, depôs perante o congresso norte-americano e falou à comunicação social.
Foi saudada por Joe Biden no discurso do Estado da Nação por ter revelado que o Facebook alterava o seu algoritmo para recompensar o extremismo e recusava corrigir a falha. Mesmo sabendo que os seus utilizadores estavam a usar a plataforma para fomentar a violência, espalhar falsidades e dimunuir a autoestima das mulheres.

Durante o seu tempo no FB, ficou espantada e assustada com as escolhas que a empresa norte-americana fazia, dando prioridade aos seus próprios lucros em detrimento da segurança pública e pondo em causa a vida de muitas pessoas. Como último recurso e correndo um grande risco pessoal, tomou a coragem de denunciar o FB a um jornalista do The Wall Street Journal, e, posteriormente, à Comissão de Valores Mobiliários norte-americana, no que ficou conhecido como o caso "The Facebook Files", por serem literalmente milhares de páginas de documentos incriminitários que entregou ao jornal.
Actualmente Frances Haugen é uma activista pela responsabilização e transparência nas redes sociais.

Bertrand Editora lança livro de médico especializado na relação entre a mente e o sistema imunitário


O Cérebro e o Sistema Imunitário, livro da autoria do médico e investigador britânico Monty Lyman (n. 1992), é uma das novidades da Bertrand Editora. Com uma linguagem acessível e informativa, esta obra (traduzida para o nosso idioma por Rute Mota) explica o que são os sistemas nervoso e imunológico, como estão intricadamente ligados e o que acontece quando o «sistema de defesa» falha. Numa abordagem inovadora, o especialista esclarece como é possível «reprogramar» as defesas e cultivar um modo de vida «anti-inflamatório», oferecendo conselhos práticos para melhorar a saúde mental e física.

Sinopse
Mergulhando na nova descoberta do sistema imunológico do cérebro, o Dr. Monty Lyman revela as suas implicações extraordinárias para a nossa saúde física e mental.
Até há bem pouco tempo, um dos aspetos fundamentais da saúde humana era entendido de forma errada. Embora o cérebro e o corpo sempre tenham sido vistos como entidades diferentes, tratadas em «hospitais» separados, a Ciência veio mostrar recentemente que eles estão intimamente ligados. Surpreendentemente, agora sabemos que o nosso sistema imunológico está em constante comunicação com o nosso cérebro e que pode alterar diretamente a nossa saúde mental.
Esse conhecimento veio abrir novos horizontes no contexto da Medicina. A inflamação pode causar depressão e os medicamentos para a artrite poderão curá-la? Os micróbios intestinais podem moldar o nosso comportamento através do nervo vago? Algo tão simples como escovar os dentes corretamente pode reduzir o risco de demência? As infeções infantis podem estar por detrás de distúrbios neurológicos e psiquiátricos, como os tiques ou o transtorno obsessivo-compulsivo?
Em O Cérebro e o Sistema Imunitário, o Dr. Monty Lyman explora a fascinante ligação entre a mente, o sistema imunológico e o microbioma, oferecendo conselhos práticos sobre como nos mantermos saudáveis. Especialista na área da investigação de ponta da imunopsiquiatria, Lyman defende que é preciso mudar a forma como tratamos a doença e a forma como nos vemos. Pela primeira vez, temos uma nova abordagem da Medicina que trata todo o ser humano.

Excerto
«Além do comportamento de doença, que a maior parte de nós já esperienciou nalgum momento, há muito que os médicos observam outras formas pelas quais o sistema imunitário pode alterar a mente, desde as alucinações e a confusão intensa do delírio comum em pessoas debilitadas...»


Elogios
«Uma exploração emocionante de como o nosso sistema imunitário regula a saúde mental, entretecida com os conselhos práticos do Dr. Lyman sobre como salvaguardarmos o nosso bem-estar. Na minha família existem casos de depressão e de demência, pelo que encontrei reflexões e apontamentos inestimáveis em todas as páginas. Este livro absorvente e belissimamente escrito muda a forma como vemos a saúde.» Joseph Jebelli, autor de A Evolução da Mente e Em Busca da Memória

«O Dr. Lyman pega na complicada ciência da neuroimunologia e transforma-a num emocionante jogo de guerra, com batalhões defensivos, forças especiais, navios de reconhecimento e fogo amigo. (…) Na verdade, mais do que um livro sobre ciência biológica ou ciência cognitiva, O Cérebro e o Sistema Imunitário mostra-nos, sobretudo, como ambas são inseparáveis e, em última análise, fala-nos sobre o que é sermos humanos.» Anthony David, autor de Into the Abyss: a neuropsychiatrist’s notes on troubled minds

quinta-feira, 25 de abril de 2024

A edição lusa do best-seller internacional «The Maid's Diary»

Loreth Anne White
é uma autora americana de livros de mistério e suspense, como The Swimmer, The Unquiet Bones e The Pacient's Secret. Com mais de três milhões de livros vendidos em todo o mundo, esta
ex-jornalista já recebeu vários galardões na área editorial. Reside actualmente no Canadá.
O Diário da Criada é o seu primeiro livro a ser traduzido para Português. Este tríler psicológico chega às livrarias no dia 2 de Maio, com edição da Saída de Emergência.

Texto sinóptico
Eles aparentam ter a vida perfeita – até a sua criada olhar com mais atenção.
Kit Darling é uma criada com um problema. Ela é a “rapariga invisível” que não consegue evitar bisbilhotar as vidas dos seus clientes ricos. É um passatempo inofensivo… até que descobre um segredo tão obscuro que pode destruir o privilegiado casal para quem começou a trabalhar. Kit torna-se perigosa para o casal, e o casal – que pode matar para manter o seu segredo – perigoso para Kit.
Quando Mallory Van Last, uma polícia de homicídios, é chamada à luxuosa Casa de Vidro, ela é confrontada com indícios de um ataque tão cruel que é improvável que a vítima esteja viva. Mas os donos da casa desapareceram e a criada também. A única testemunha é uma vizinha, que acordou com os gritos que soaram na noite.
Enquanto Mal começa a desvendar o segredo que colocou todos os envolvidos numa rota de colisão, apercebe-se de que nada é o que parece. E que ninguém pode escapar ao seu passado.

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Presença relança um dos romances mais icónicos de Virginia Woolf

Em Maio, a Editoral Presença reedita Os Anos, o romance que fez de Virginia Woolf, em 1937, uma das autoras mais vendidas dos dois lados do Atlântico. Esta obra, o último livro da autora publicado em vida, é um grande voo sobre as décadas que marcaram o fim da era vitoriana.
Fernanda Pinto Rodrigues assina a tradução deste romance sobre o tempo e as formas poliédricas que toma nas nossas vidas.
No catálogo da editora consta outro título de Woolf: A Viagem.

Texto sinóptico
Dos arredores de Londres, o coronel Pargiter regressa a casa depois de visitar a amante. Estamos em 1880, a Primavera está incerta, e esperam-no a vasta prole e a mulher, muito doente. São os sete filhos do casal que ganham carne, espírito e vida em pequenos retratos individuais: Eleanor, vinte anos, tem o seu centro moral na ajuda aos pobres; Milly, Delia e Rose são o trio de irmãs mais novas; e o conjunto fica completo com Morris, Martin e Edward, este último em Oxford e que tem na prima Kiy o objecto da sua paixão.
Esmagada pela pressão da guerra, pelas restrições sociais do patriarcado, do capitalismo e do Império, a família sente também a ameaça crescente do fascismo. E, enquanto o pavio de cada ano arde, a teia de relações entre irmãos, família e outros espécimes humanos de uma Inglaterra em transformação dar-nos-á um quadro em que o individual dá lugar ao geracional e, depois, a uma bela, melancólica e, hélas!, esperançosa visão da década de 1930.

terça-feira, 23 de abril de 2024

Leya publica romance de estreia de Alice Winn e o 2.º livro de Hermann Hesse


In Memoriam
é uma história de amor arrebatadora entre dois soldados na Primeira Guerra Mundial. Esta obra de Alice Winn, autora licenciada em Literatura Inglesa pela Universidade de Oxford, venceu o Prémio Waterstones de Primeiro Romance 2023. Edição Casa das Letras.


Texto sinóptico

Estamos em 1914 e falar de guerra parece algo distante para Henry Gaunt, Sidney Ellwood e os restantes colegas de turma, instalados em segurança no seu idílico colégio interno no campo inglês. Aos dezassete anos, são demasiado jovens para se alistarem e, de qualquer modo, Gaunt trava a sua própria batalha privada - uma paixão que o consome pelo seu melhor amigo, o sonhador e poético Ellwood - sem fazer ideia de que Ellwood está apaixonado por ele, e sempre esteve. Quando a mãe alemã de Gaunt lhe pede para se alistar como oficial no exército britânico para proteger a família dos ataques anti-alemães, Gaunt alista-se imediatamente, aliviado por poder escapar aos seus sentimentos avassaladores por Ellwood.
A frente é terrível e, embora Gaunt tente dissuadir Ellwood de se juntar a ele no campo de batalha, este depressa se apressa a juntar-se a ele, estimulado pelo seu amor pelos heróis gregos e pela poesia romântica. Em pouco tempo, os seus colegas de turma seguem-lhe o exemplo. Uma vez nas trincheiras, Ellwood e Gaunt encontram momentos fugazes de consolo um no outro, mas os seus amigos estão todos a morrer, mesmo à sua frente, e a qualquer momento podem ser os próximos.


Dom Quixote publica, agora numa nova edição revista, o segundo romance de Hermann Hesse.
Tendo despertado acesa polémica aquando da sua publicação, Hans - Sob o Peso das Rodas foi em 1906 recebida por Arthur Koestler - escritor e activista político judeu húngaro - como «um manual de instruções para pais, tutores e professores, que ensina, de um modo pragmático, a arruinar a vida de uma jovem criatura dotada».
Num tom mais optimista, após a leitura deste livro, Peter Handke - Nobel de Literatura 2019 - anotou no seu diário: «Através da escrita, conferir à juventude a dignidade que lhe foi negada em vida.»

Texto sinóptico
Narrativa em boa parte autobiográfica, segue a vida do jovem Hans, um rapaz inteligente e promissor que tenta corresponder às exigências e ambições que pai e professores nele projetam constantemente.
Levado a pôr de parte tudo o que lhe dava prazer nos tempos de infância — passada numa pequena cidade, algures entre o rural e o urbano, que em tudo se assemelha à Calw natal de Hesse —, Hans ingressa no seminário, para cumprir o que lhe é estabelecido. Aí torna-se amigo de um jovem rebelde que aspira a ser poeta, começa a imaginar outras possibilidades, mas acabará por ser conduzido ao esgotamento. Regressa a casa, envereda por outro caminho, o da vida prática, ainda conhece alguns dos seus prazeres, mas virá a sucumbir, esmagado sob o peso das rodas.
Crítica a um sistema de ensino repressivo, que uniformiza mentalidades e as liberta de quaisquer traços de individualidade, Hans é um ajuste de contas que Hesse faz com o seu próprio passado: muito do que aqui se lê foi experimentado pelo próprio autor no seu período de formação.

Do mesmo autor, encontram-se publicados títulos como Narciso e Goldmund, Ele e o Outro, DemianPeter Camenzind.

segunda-feira, 22 de abril de 2024

«Textos de Rejeição para com as Mulheres» é uma das novidades de Abril das Edições Vieira da Silva

Após terem editado A Homossexualidade de Fernando Pessoa, em Maio de 2022, as Edições Vieira da Silva publicam Textos de Rejeição para com as Mulheres, o novo livro organizado por Victor Correia.

Texto sinóptico
Além de ter escrito vários poemas de conteúdo homoerótico, Fernando Pessoa escreveu também vários poemas dirigidos a mulheres ou sobre as mulheres. No entanto, há que ver bem o que Fernando Pessoa diz nesses textos, pois o facto de serem poemas dirigidos a mulheres ou sobre as mulheres, não significa que nesses poemas Fernando Pessoa exprima afeto para com elas, mas sim rejeição. Essa rejeição, conforme veremos ao longo desta antologia, é feita através de ironias, sarcasmos, dúvidas, ceticismo para com as mulheres.
Além de poemas, na obra de Fernando Pessoa existem muitos outros textos, de crítica, de desinteresse, de hesitação, de indiferença, de desdém, de desprezo, de desencanto pelas mulheres, e em alguns casos de aversão, por um lado sob o ponto de vista afetivo, e por outro lado sob o ponto de vista social e político, usado para exprimir a sua rejeição afetiva, levando-o ao sexismo e ao antifeminismo. Esta é portanto uma investigação que faltava, para completar a investigação sobre os poemas homoeróticos e os textos que se referem à homossexualidade na sua obra. Há mais textos de rejeição para com as mulheres, na obra de Fernando Pessoa, mas esta antologia é bastante significativa, e contribui para clarificar e compreender melhor a homossexualidade de Fernando Pessoa.

Excerto
«Em alguns textos de Fernando Pessoa não há apenas rejeição, mas também aversão. A sua classificação como aversão não é de minha autoria, mas sim do próprio Fernando Pessoa, pois foi empregue por ele nos seus Textos de comunicações mediúnicas, através de um "espírito" que com ele fala, ou seja, de Fernando Pessoa falando consigo mesmo, e sobre si mesmo, através de uma outra personagem (...).»


O autor
Victor Correia frequentou a Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, em Roma – formação em Filosofia. Licenciado e pós-graduado em Filosofia, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Mestre em Estética e Filosofia da Arte, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa – formações obtidas antes do Processo de Bolonha. Doutorado em Filosofia Política e Jurídica, pela Universidade da Sorbonne, em Paris. Pós-doutorado em Ética e Filosofia Política, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Tem exercido funções de docência na sua área de formação, além de organizar e apresentar comunicações em várias conferências.
É membro de algumas associações científicas e culturais. Publicou artigos em jornais e revistas, nacionais e internacionais. É autor de mais de vinte livroS, entre os quais Quem Tem Medo dos Filósofos? (2017), Fernando Pessoa - Textos Ateístas, Antirreligiosos e Anticatólicos (2019), Poemas Eróticos dos Cancioneiros Medievais Galego-Portugueses (2020), Deus e o Coronavírus (2021) e O Mundo Problemático das Redes Sociais (2022).

domingo, 21 de abril de 2024

Sete novos lançamentos do Grupo Narrativa

Além de novas edições de Casa Velha, de Machado de Assis, do livro de poesia Aeternum Tempus, de Miguel Rego, e de As Aventuras de Jáqui (n.º 1) - Missão Salvamento, obra juvenil da autoria de Renato Valentim, eis as novidades deste mês do Grupo Narrativa (das chancelas Narrativa, Sell Out e Epopeia).

O Meu Tio-Avô - Do Cosmos ao Quantum, de Manuel Fialho
«(…) toda a tua exposição até agora se baseia no que chamaste a Física Clássica, o que me sugere que haverá uma outra Física. Depreendo que é disso que me irás falar.
Não pude evitar um largo sorriso quando o meu perspicaz tio-avô ironizou sobre os «escuros» e os «negros» da moderna Cosmologia, onde importantes propriedades, como a natureza de 95% da energia e matéria do Cosmos, são ainda hoje desconhecidas…»


Aqui Faço de Gárgula, de João Maria Mendes
«Este Aqui Faço de Gárgula articula dois escritos. Em 2021 e 2022, tempos de pandemia e, depois, de intolerável guerra na Ucrânia, actualizei o Jigajogas – caderno de notas onde reescrevi opiniões originalmente publicadas em jornais, revistas e edições não-comerciais, a que juntei reflexões inéditas sobre a vida política – chamemos-lhe assim. (…) Mas a agressão russa à Ucrânia obrigou-me, dada a sua barbárie e a grande sombra que, desde as primeiras horas, lançou sobre a Europa e o Mundo, a um segundo escrito a que chamei Lances de guerra. Esse acompanha os primeiros meses do conflito (…) e esboroa-se, em aberto, nos meses seguintes à frágil vitória de Emmanuel Macron, presidente reeleito, nas legislativas francesas enquanto, no Donbass e no sul ucraniano, os invasores ora avançavam ora recuavam, bombardeando cidades e dizimando populações civis.»

Manifesto de Sonho e de Tristeza, de José Francisco Colaço Guerreiro
«O Dr. José Francisco Colaço Guerreiro é um homem comprometido com a terra. Desse compromisso que, ao longo dos anos, tão bem soube traduzir em textos, ensaios, crónicas e contos, fica-nos a ideia de que partilhamos com a sua leitura, uma sublime jornada. Na sua escrita escorreita e de suave ondular poético – como as searas da terra mátria – podemos mergulhar nas vidas de sacrifício das personagens por ele criadas e nestas páginas vertidas.
(…) Este livro é o reflexo de 50 crónicas escolhidas e publicadas no Diário do Alentejo antes do 25 de abril quando o autor contava menos de 20 anos e, como digo no início, em boa hora recuperadas.
Todos sabemos que as publicações dos jornais têm menos validade que o peixe fresco e facilmente esquecidas no cheiro da tinta de cada nova edição. Se compostas e repaginadas, não só ganham nova vida, como até alcançam a eternidade que os livros, o seu autor e os leitores merecem.»


O Degelo Viral, de Alice Oliveira
Com o aquecimento global, um vírus congelado há milénios liberta-se dos glaciares do Pólo Norte, expondo a humanidade a uma pandemia mais contagiosa e letal do que o flagelo que abalou o mundo nos últimos anos. É Vasco, um cientista português que trabalha no Ártico, que faz a terrível descoberta. Na luta para salvar a humanidade, é perseguido por uma sociedade secreta que o tenta impedir a qualquer preço. Mas as verdadeiras e cruéis consequências de mais uma pandemia são vividas e relatadas por quatro mulheres cujos dramas pessoais se cruzam na luta pela sobrevivência daqueles que mais amam.
O Degelo Viral mostra o quão preciosa é a vida humana, mas também o quão resistente e engenhosa pode ser quando ameaçada. Descreve um passado recente, um presente incerto e um futuro perigoso ao qual todos devemos estar atentos sem nos deixarmos manipular.



As Aventuras de Jáqui (n.º 3) - A Dança dos Mares, de Renato Valentim
Pouco tempo depois de ajudarem a polícia a prender o Gangue do Circo (ler volume 2 da coleção), o Jáqui e o Arame – ou Bingo, como lhe chama a Isa – foram de férias para a Costa do Sol. Há imenso tempo que sonhavam em poder conhecer o mar, nadar na praia, correr na areia e apanhar banhos de sol com a dona. Seriam umas férias de paz, sossego e descanso merecido para a dupla mais corajosa da cidade. Como se costuma dizer: o que poderia correr mal?
Só poderás saber a resposta depois de ler este livro, mas podemos revelar que vão ter uma visita inesperada, fazer um novo amigo e salvar toda a vida marinha daquela região… ah, e fazer um arqui-inimigo. Digamos que é uma estreia absoluta na vida de aventuras do Jáqui. Há sempre uma primeira vez na vida para se encontrar um grande inimigo… mas será que é a última?



Medo de Estar Aqui, de João Pinto Ribau
Em Medo de estar aqui somos convidados a mergulhar numa mente asfixiada pela imensidão do vazio, perdida e muitas vezes revoltada.
O autor leva-nos a sentir com ele a solidão da perda, a desilusão e o abismo tentador que é a morte. Inquieto, teimoso e por vezes tomado pela raiva, mantém o orgulho juvenil de quem se recusa adaptar. Paradoxalmente, tem pavor da solidão e a rejeição, procurando dentro de si as respostas para todos os males do mundo.
Este livro desenrola-se em vários ritmos e cadências, mas sempre num tom intenso, apaixonado e apaixonante.


Polifonias, de José A. Damas
Sexto título da colecção de Poesia da chancela Epopeia, do autor de Soubesse Amélia o Voo dos Pássaros, Manha de Outono e Quando os Olhos se Fecham.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

Edições Sílabo lançam autobiografia de Ulysses S. Grant, ex-presidente dos Estados Unidos

Memórias Pessoais de Ulysses S. Grant é a nova grande aposta das Edições Sílabo, cuja tradução é assinada por Jorge C. Pereira.
Este livro autobiográfico do 18.º presidente dos Estados Unidos, Ulysses S. Grant (1822-1885), alcançou um grande êxito de vendas aquando da sua publicação, em 1885 e 1886 (foi editado em dois volumes). Eleito presidente em 1868, este militar e político norte-americano, assumiu o cargo num momento crítico da história do país.

«A autobiografia do General Grant é a história mais admiravelmente simples, directa e desprentenciosa alguma vez posta no papel por um homem verdadeiramente grande.» Mark Twain

Texto sinóptico
Com uma prosa envolvente e uma honestidade desarmante, Ulysses S. Grant, nestas suas memórias pessoais, narra ao leitor com uma notável simplicidade o percurso que o levou desde as suas humildes origens até à liderança militar e às suas retumbantes vitórias, mas também fracassos, nos campos de batalha da Guerra Civil Americana. Este relato do futuro presidente dos Estados Unidos é um dos mais significativos trabalhos literários de todos aqueles que se sentaram na cadeira presidencial do jovem país e um dos melhores relatos de chefes militares alguma vez escritos, eventualmente só comparável à A Guerra das Gálias de Júlio César.
Partilhando com o leitor de modo aberto os desafios que enfrentou e as circunstâncias que moldaram o seu carácter, o leitor terá acesso a uma história de coragem de um homem brilhante e de um militar que venceu permanecendo no panteão dos poucos cuja acção teve impacto no desenrolar da História. Quer o leitor seja um historiador, um entusiasta de História, um líder à procura de pontos de referência, um militar desejoso de expandir os seus conhecimentos ou apenas um apreciador de histórias de acção, As Memórias Pessoais de Ulysses S. Grant é o livro que deverá ler e guardar na sua biblioteca.

Já está à venda «Guia Para Matar o Chefe», de Rupert Holmes

Chegou hoje às livrarias Guia Para Matar o Chefe, um mistério original e irreverente sobre uma escola secreta para assassinos bem-intencionados. O livro foi um grande êxito mundial, integrando a lista dos mais vendidos do New York Times e considerado Livro do Ano pela Amazon e Barnes & Noble, entre outros meios. Este tríler é da autoria de Rupert Holmes.

«Repleto de reviravoltas. O extraordinário Holmes toca nas cordas certas.» -
The Times

«Deliciosamente engenhoso.»
- Library Journal

«Uma escrita espirituosa e elegante.»
- Publishers Weekly

«Um dos livros mais irreverentes do ano.»
- CrimeReads

As lições diabólicas que nunca lhe ensinaram na escola e uma leitura que não vai querer perder.» - Barnes & Noble

O romance de estreia de Annie Ernaux


Para assinalar o 50.º aniversário do romance Os Armários Vazios, a Livros do Brasil publica pela primeira vez em Portugal a estreia literária da Nobel de Literatura Annie Ernaux.

«Um monólogo interior vivo, denso, veemente. Um romance de formação, ou antes de deformação, vindo de uma desconhecida», escreveu em 1974 o Le Monde, considerando-o a «revelação da primavera».
Em Os Armários Vazios, com tradução de Tânia Ganho, nas livrarias desde o dia 4 deste mês, Annie Ernaux é já a etnóloga de si própria que viríamos a reconhecer nos seus livros posteriores, apesar de nesta obra iniciática ainda não se assumir declaradamente como protagonista. Annie responde aqui pelo nome de Denise, personagem cuja biografia em tudo se confunde com a da autora.

Excerto
«Odeio-os mais do que nunca. Os meus pais não sabem nada, são uns ignorantes, uns labregos, nem música, nem pintura, nada lhes interessa a não ser vender litros de vinho, comer frango sem falar, ao domingo. Nesse mundo moderno, evoluído ao qual aspiro, eles têm ainda menos lugar.» (p. 111)

Texto sinóptico

Esta é uma história de rutura social. Denise Lesur tem vinte anos e é a primeira da sua família a frequentar o ensino superior. Os pais, proletários e com escassa instrução, pouco têm que ver com os burgueses, educados e com acesso à cultura, a que ela está prestes a juntar-se. Sozinha no dormitório, enquanto recupera de um evento doloroso, Denise reflete sobre o seu crescimento, todos os sacrifícios feitos pelos pais, a estranheza cada vez maior em relação às suas origens e a raiva que transporta por se ver marcada pelo fracasso.
Os Armários Vazios foi o primeiro romance publicado por Annie Ernaux, em 1974, e nele surgem já as sementes daqueles que serão os grandes temas da sua obra – o choque de classes, a condição da mulher, o trauma –, num questionamento tenaz da identidade.
Alguns outros títulos da autora:
A Vergonha
; O Jovem; Perder-se; Uma Paixão Simples.

terça-feira, 16 de abril de 2024

«Mesmo Antes do Fim» é o novo livro da Europa-América


Mesmo Antes do Fim é o título do novo livro da Europa-América. Segundo a editora, é «uma poderosa novela sobre a memoria familiar e a construção das recordações em torno da figura maternal.» O autor é o escritor latino-americano Emiliano Monge, nascido em 1978. A sua obra já foi traduzida para vários idiomas. Atualmente é colunista do diário El País.

Sinopse

Esta é uma história de uma mulher que confronta a sua época e o seu mundo, mas também uma história sobre essa época e esse mundo: a segunda metade do século XX e as primeiras décadas do século em que nos encontramos.
Em Mesmo Antes do Fim, o filho da protagonista retrata a vida da sua mãe, uma vida marcada pela invisibilidade, pela doença, pela loucura e pelas violências, mas também pela resiliência, pela força de vontade, pelo afeto e pelo cuidado de si e dos outros, entra em tensão com alguns dos grandes acontecimentos da vida pública: a chegada das pílulas anticoncecionais, a invenção da câmara instantânea, o desenvolvimento de tratamentos para doenças mentais, a corrida espacial e a corrida pela prótese auditiva perfeita, a descoberta da antimatéria, o diagnóstico do espectro de Asperger, as investigações sobre como prolongar a vida, o Protocolo de Quioto.
Emiliano Monge conseguiu fazer algo que parecia impossível: escrever um livro que é ao mesmo tempo retrato e mural. O retrato de uma mãe e um mural do mundo em que vivemos.

Elogios da imprensa internacional
«A mãe do autor Emiliano Monge contém o mundo. Ver o mundo através dos seus olhos é aproximar-se do Aleph, compreender o bem e o mal, os enigmas da humanidade, as suas dores, preocupações, violências e selvagerias – mas também a sua alegria. A mãe é a protagonista absoluta de um dos melhores livros publicados este ano.»
La Vanguardia

Romance publicado anteriormente pela editora: Eu Matei um Cão na Roménia.

sexta-feira, 12 de abril de 2024

«Deus na Escuridão», de Valter Hugo Mãe

Editora: Porto Editora
Data de publicação: 18-01-2024
N.º de páginas: 288

A acção do mais recente romance de Valter Hugo Mãe, um dos autores portugueses mais destacados da actualidade, é ambientada aqui, na ilha da Madeira, mais concretamente em Campanário. A agricultura é a actividade principal desta freguesia pertencente ao concelho da Ribeira Brava. Por encostas e lombadas íngremes deste lugar rural, nos inícios da década 1980, encontramos a casa onde vive uma família, os Pardieiros, cuja alcunha já nos remete para a indigência.
É neste cenário que o autor nos apresenta Pouquinho, um recém-nascido, o segundo filho do casal. É o filho mais velho que nos narra que o irmão nascera «aleijado» e «abreviado», augúrio de desgosto e vergonha para a família, por causa da maledicência que haverá de ser perpetuada pela vizinhança, que num sítio recôndito, tudo sabe, nada perdoa. Contudo, para Felicíssimo, esse ser infortunado é um «pedacinho de Deus», a quem promete proteger afincadamente: «Amamos mais quem vemos em perigo. Somos feitos para aumentar de coração perante a família que sofre.»
Na segunda parte do livro, volvidos estão vinte anos, o narrador intradiegético vê-se envolvido numa elipse existencial; os seus amigos de infância foram alistados no serviço militar (enquanto ele foi dado como néscio), rumaram para novos destinos, formaram família; Felicíssimo, constata que não consegue alcançar nenhum horizonte, embora vislumbre o Oceano todos os dias. É um solitário, um desamparado, sem rumo, sem direcção. Os anos passaram por ele, enquanto trabalhava na terra e cuidava e amava o irmão.
Deus na Escuridão é uma história, que habilmente e subtilmente, elogia o amor fraterno e materno. Revela um escritor que fez um trabalho de pesquisa exaustivo (sabemos que in loco), pois são verosímeis todos os topónimos referidos na narrativa. Ser e viver enquanto ilhéu, com todos os prós e contras, está bem retratado nesta obra tecida com engenho e conhecimento no domínio da língua portuguesa e as suas variações.
Eis apenas alguns regionalismos madeirenses (palavras que passaram de geração em geração, impossíveis de traduzir à letra) que Valter Hugo Mãe incluiu na história: «azougar», «buzico», «estepilha», «forrado», «semilha». Para o leitor madeirense, a leitura faz-se contínua e sem quiproquós, sem interrupções para pesquisar vocábulos autóctones. Para o leitor não madeirense, principalmente para o que lerá este livro traduzido (alguns livros do autor encontram-se publicados em vários países), um glossário serviria de auxílio para uma boa interpretação.
Salientar que neste livro de Valter Hugo Mãe, que celebra 20 anos na escrita de romances (em 2004 foi publicado O nosso reino), a espiritualidade está em constante omnipresença. Deus na Escuridão contém passagens belíssimas como as seguintes:

«Quando nasce uma cria, há um planeta com seu nome onde só sua mãe habita.» (p. 30)

«Deus é exatamente como as mães. Liberta Seus filhos e haverá de buscá-los eternamente. Passará todo o tempo de coração pequeno à espera, espiando todos os sinais que Lhe anunciem a presença, o regresso dos filhos.» (p. 147)

«Deus está na escuridão, e tacteia por toda a parte na vontade intensa de um toque, do aconchego do corpo dos filhos, um gentil toque ou um abraço.» (p. 147)

«Os filhos partem sem saberem que o sentido da vida é chegar à origem.» (p. 148)

«Quando a tristeza é sem fim, certamente só a lonjura pode almejar a ilusão de uma trégua.» (p. 250)

É lançado este mês «Antigos Mestres - Comédia», de Thomas Bernhard

Após lançar em 2014 Autobiografia, a Sistema Solar, através da chancela Documenta, volta a apresentar aos leitores uma nova obra de Thomas Bernhard (1931-1989), considerado um dos mais importantes escritores germanófonos da segunda metade do século XX. José A. Palma Caetano, tal como acontecera com o outro título, assina a tradução de Antigos Mestres - Comédia.
Moscardino, de Enrico Pea, é outra novidade da Sistema Solar para este mês.

Texto sinóptico
Como classificar esta narrativa? Em subtítulo, Thomas Bernhard chama-lhe Comédia. Será afinal a comédia da vida? Ou não será esta antes uma tragédia? Já no fim da obra, Bernhard fornece-nos talvez uma pista para reflexão: «Tanto que nós pensamos e que falamos e julgamos que somos competentes e na verdade não somos, essa é a comédia, e quando perguntamos, como é que vai ser agora? é a tragédia, meu caro Atzbacher.»

«Bernhard é considerado hoje uma das figuras mais relevantes da literatura de língua alemã na segunda metade do século XX. Ainda há relativamente pouco tempo o famoso crítico alemão Marcel Reich-Ranicki dizia, num livro constituído por entrevistas sobre vários autores, o seguinte: "Se me perguntassem quais foram os três maiores talentos da literatura alemã, no domínio da prosa, depois de 1945 […] eu indicaria decerto três nomes: Wolfgang Koeppen, Günter Grass, Thomas Bernhard. São as três mais fortes energias épicas na nova prosa alemã. Considero, portanto, Thomas Bernhard um dos verdadeiramente grandes."» José A. Palma Caetano

Excerto
«[…] Julgamos que podemos passar sem as pessoas, julgamos até poder passar sem uma única pessoa e imaginamos também que só temos uma possibilidade de continuar a viver se estivermos a sós connosco, mas isso é uma ilusão. Sem outras pessoas não temos a mínima possibilidade de sobrevivência, disse Reger, podemos ter tomado por companheiros tantos grandes espíritos e tantos Antigos Mestres quanto possível, eles não substituem pessoa nenhuma, assim disse Reger, no fim são sobretudo esses chamados grandes espíritos e esses chamados Antigos Mestres que nos deixam sós e vemos que esses grandes espíritos e Antigos Mestres ainda por cima troçam de nós da maneira mais infame e verificamos que tivemos sempre com todos esses grandes espíritos e com todos esses Antigos Mestres apenas uma relação de troça e só com ela existimos.»