quarta-feira, 17 de abril de 2024

O romance de estreia de Annie Ernaux


Para assinalar o 50.º aniversário do romance Os Armários Vazios, a Livros do Brasil publica pela primeira vez em Portugal a estreia literária da Nobel de Literatura Annie Ernaux.

«Um monólogo interior vivo, denso, veemente. Um romance de formação, ou antes de deformação, vindo de uma desconhecida», escreveu em 1974 o Le Monde, considerando-o a «revelação da primavera».
Em Os Armários Vazios, com tradução de Tânia Ganho, nas livrarias desde o dia 4 deste mês, Annie Ernaux é já a etnóloga de si própria que viríamos a reconhecer nos seus livros posteriores, apesar de nesta obra iniciática ainda não se assumir declaradamente como protagonista. Annie responde aqui pelo nome de Denise, personagem cuja biografia em tudo se confunde com a da autora.

Excerto
«Odeio-os mais do que nunca. Os meus pais não sabem nada, são uns ignorantes, uns labregos, nem música, nem pintura, nada lhes interessa a não ser vender litros de vinho, comer frango sem falar, ao domingo. Nesse mundo moderno, evoluído ao qual aspiro, eles têm ainda menos lugar.» (p. 111)

Texto sinóptico

Esta é uma história de rutura social. Denise Lesur tem vinte anos e é a primeira da sua família a frequentar o ensino superior. Os pais, proletários e com escassa instrução, pouco têm que ver com os burgueses, educados e com acesso à cultura, a que ela está prestes a juntar-se. Sozinha no dormitório, enquanto recupera de um evento doloroso, Denise reflete sobre o seu crescimento, todos os sacrifícios feitos pelos pais, a estranheza cada vez maior em relação às suas origens e a raiva que transporta por se ver marcada pelo fracasso.
Os Armários Vazios foi o primeiro romance publicado por Annie Ernaux, em 1974, e nele surgem já as sementes daqueles que serão os grandes temas da sua obra – o choque de classes, a condição da mulher, o trauma –, num questionamento tenaz da identidade.
Alguns outros títulos da autora:
A Vergonha
; O Jovem; Perder-se; Uma Paixão Simples.

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