domingo, 10 de maio de 2026

«De Quanta Terra Precisa o Homem?», de Lev Tolstói

Data de publicação: 11-03-2026
N.º de páginas: 104

«Uma das melhores histórias que a literatura universal conhece.» A frase é de James Joyce, acerca de De Quanta Terra Precisa o Homem?, um dos contos mais bem conseguidos de Lev Tolstói. 
A narrativa acompanha Pakhóm, um camponês humilde mas incapaz de se sentir satisfeito com aquilo que possui. Convencido de que a felicidade depende da quantidade de terra que conseguir acumular, vive permanentemente dominado pela ambição de alcançar mais — mais propriedades, mais riqueza, mais prosperidade. Logo no início da história, afirma não temer o diabo se tivesse todas as terras de que necessita («Tivesse eu terra em abundância e não temeria nada nem ninguém»). 
A partir daí, sucedem-se oportunidades que parecem aproximá-lo do sonho que tanto deseja. Pakhóm prospera rapidamente, mas cada conquista apenas aumenta o seu vazio interior. A terra que conquista nunca lhe parece suficiente. É então que surge o desafio derradeiro: poderá ficar com toda a terra que conseguir percorrer a pé entre o nascer e o pôr do sol, desde que consiga regressar ao ponto de partida antes da noite cair. O conto transforma-se, assim, numa corrida angustiante contra o tempo, contra os próprios limites e contra a ambição humana. 
Com uma escrita sóbria e profundamente simbólica, o autor de Ressurreição constrói uma reflexão intemporal sobre a ganância e sobre a incapacidade do homem em reconhecer quando já possui o bastante. Apesar de ter sido escrito em 1886, o conto mantém-se surpreendentemente actual, encaixando sem esforço nas dinâmicas do mundo contemporâneo, onde a felicidade parece estar sempre dependente de “ter mais alguma coisa”. 
De Quanta Terra Precisa o Homem? é um conto brilhante pela simplicidade da forma e pela força daquilo que revela sobre a natureza humana. 
A presente edição, com tradução do inglês por Paulo Emílio Pires, inclui ainda os contos Três Perguntas e O Que Faz Viver os Homens.

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