Novos lançamentos das Edições Vieira da Silva
A 15 de Setembro, foi lançado na Fundação José Saramago, o livro O Maravilhoso Mundo de um Homem de Meia-Idade. A sessão de apresentação deste romance de Miguel de Azevedo foi conduzida por Pilar del Río.
Publicado no início deste ano, e já disponível na 3.ª edição, Entre chás e benzeduras, da autora Celeste Almeida, esteve no top de vendas da Feira do Livro do Porto, e continua a conquistar leitores.
Desde o Alentejo feito de memórias de infância, Belchior Ignês atravessa a meia-idade carregando o peso das perdas, dos desencontros, dos amores e desamores, da inquietação interior que o afasta do ruído do mundo moderno. Entre a venda da velha casa de família, o regresso a Portugal e a tentativa de reconstruir a própria sanidade, procura nas deambulações pelos trilhos dos bosques de Sesimbra, sempre acompanhado pelo som da música dos Urze de Lume a condição imersiva da solidão numa forma de sobreviver às cicatrizes emocionais que o perseguem.
Dividido entre o mar que avista na frente marítima de Sesimbra e as recordações da infância alentejana, Belchior vive em permanente reflexão sobre o homem contemporâneo, o vazio das cidades, a mecanização das relações humanas e a fragilidade da mente. Pelo caminho, surgem encontros improváveis, relações transgressoras e uma cadela abandonada que o adota, num ambiente marcado pela dor, pelos sonhos inquietantes e diálogos interiores que oscilam entre a lucidez filosófica e o abismo psicológico.
Com uma escrita profundamente introspetiva, sensorial e melancólica, O Maravilhoso Mundo de um Homem de Meia-Idade é um romance sobre memória, identidade, desgaste emocional e resistência humana. Uma viagem literária onde a natureza, a solidão e o questionamento existencial se cruzam na tentativa de compreender aquilo que resta de um homem quando o mundo à sua volta deixa de fazer sentido.
Será o mundo real, o mundo das pessoas de carne e osso, um lugar onde subsiste aquela centelha de esperança capaz de evitar a inevitável escuridão e apagamento de um homem de meia-idade?
Imagine-se a voltar atrás no tempo… a um tempo pesado, difícil, em que as consultas com o médico eram privilégio apenas de alguns…
Imagine os acessos às povoações, nesse mesmo tempo, em que não havia estradas alcatroadas e os caminhos não passavam de carreiros de cabras e cavalos, ou de estreitas passagens para carros de bois, por vezes, sinuosos e irregulares, ladeados por alta vegetação…
Imagine-se num meio isolado, sem recursos nem dinheiro e em que tratar das maleitas se baseava no uso de mezinhas, nomeadamente chás, rezas estranhas e benzeduras por pessoas com certos dons, mas encaradas por muitos com desconfiança e apelidadas de bruxas e feiticeiras, curandeiros que erguiam a “espinhela caída”, limpavam a pele da maleita do sarampo e com celebrações esquisitas, cortavam o mau olhado e aliviavam as dores de cabeça, rezando ao quebranto…
Imagine que o seu ortopedista era o “endireita” da sua aldeia ou da povoação vizinha, a quem muitos chamavam de “quebra ossos”, um indivíduo sem quaisquer estudos, mas que conhecia todos os ossinhos do corpo e tateando aqui e ali, com um puxão mais ou menos forte, lhe conseguia tratar da entorse, colocando tudo no devido lugar…
Imagine-se a sanar as feridas com pastas feitas à base de plantas e ervas comuns, tantas vezes existentes à beira dos caminhos e até nos nossos jardins, mas para nós totalmente desconhecidas…
Imagine-se a aquietar o coração e o espírito com ladainhas, padres-nossos e benzeduras…
Foi sobre estes e outros temas que Celeste Almeida se debruçou durante alguns anos, pesquisando, perguntando e escutando pessoas da ruralidade (nomeadamente os mais velhos), para trazer até nós esta magnífica obra, de modo a preservar maneiras de ser e de fazer ancestrais, para que não se percam no tempo. Um legado importante para memória futura…
Cartas na Mesa e Naquele Inverno são duas das próximas novidades que as Edições Vieira da Silva vão publicar durante este mês de Outubro.
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