quinta-feira, 14 de julho de 2016

«A Viúva», de Fiona Barton

Editora: Planeta
Data de publicação (1.ª edição): 1/06/2016
N.º de páginas: 360

Durante 30 anos dedicou-se exclusivamente ao jornalismo. Foi uma das jornalistas britânicas que deslocou-se a Portugal para fazer a cobertura do caso do desaparecimento de Maddie McCann. Aliais, na nota introdutória do seu livro de estreia, Fiona Barton refere que ao longo do seu percurso profissional, entrevistou várias vítimas e agressores de casos judiciais. Após terminar a leitura dos 54 estimulantes capítulos de A Viúva (The Widow, título original que tem sido traduzido para dezenas de idiomas; a tradução para a nossa língua esteve a cargo de Victor Antunes), podemos dizer que a autora fez um brilhante trabalho na sua primeira tentativa de escrever ficção.
A história tem a cidade de Londres como pano de fundo e avança entre 2006 e 2010, e relata, ora no passado, ora no presente, o desaparecimento de Bella Elliot. A trama é contada pelas vozes e pontos de vistas (não confiáveis) de cinco personagens, que são também os narradores: Dawn Elliot, a mãe solteira que em desespero espera sinais de vida da filha; Glen Taylor, um viciado em pornografia infantil, e principal suspeito do sumiço da menina de dois anos; Jean Taylor, a mulher (e posteriormente viúva) do pedófilo; Kate Waters, uma das jornalistas que cobrem este caso mediático; e o detective destacado para investigar o suposto desaparecimento, sequestro ou homicídio.
Cada um conta uma versão da história, mas para o leitor, a da viúva, a priori, ganha maior relevância, porque a autora escolheu o tempo presente para as suas falas, e o verbo conjugado no pretérito para os outros personagens. No início do romance, Jean, uma mulher de 36 anos, estéril, apresenta uma atitude perante os acontecimentos bastante passiva, mas à medida que o romance avança, há uma transformação na sua dinâmica: ela torna-se menos ignorante e mais pró-ativa. Assim, há uma evolução no agir desta personagem ao mesmo tempo que a história se desenrola. Será que tudo o que esta narradora nos conta é verdadeiro? Por que razão esta mulher fica do lado do marido quando todas as evidencias apontam para ele como o autor desse crime imperdoável? Uma das revelações que ela faz numa passagem da obra: «Tinha de guardar os segredos dele, bem como os meus.»
A Viúva é um thriller psicológico que apresenta ao leitor cenários plausíveis e intrincados, que descritos através de uma escrita perspicaz e enganadora, nos convida a percorrer compulsivamente página após página. Referir apenas que a parte que antecede à conclusão poderia ter sido mais tricotada pela autora.
Tal como os thrillers psicológicos sensação de 2014 e 2015 (refiro-me ao de Gillian Flynn e ao de Paula Hawkins, respectivamente), que fizeram e continuam a fazer furor entre os leitores que gostam de adrenalina enquanto lêem, uma das peças-chave do sucesso de A Viúva é ter personagens femininas fortes e um enredo interessante, que junta psicologia e temas que são abafados nos casamentos, sociedade e justiça. Esta obra é a prova de que um thriller não tem de ter na sua base só descrições violentas e sangrentas para ser intrigante e "sumarento".
Este livro, que já atingiu por cá a 3.ª edição (em pouco mais de um mês da sua publicação) é já um sucesso de vendas em Inglaterra, nos EUA e Canadá, e tem os seus direitos vendidos para 40 países e para adaptação ao cinema. Fiona Barton revelou numa entrevista recente que já está a trabalhar num novo livro do mesmo género literário e que este terá como uma das personagens Kate Waters, a jornalista de A Viúva.

4 comentários:

elisa Esteves disse...

Gostava de ler este livro, parece-me ser daqueles que só se larga depois de o ler todo.

Joana Almeida disse...

Parece um livro muito interessante, cheio de suspense e muitas surpresas.. será?

Obrigada pela partilha :)

Luísa R disse...

Um livro fantástico ! Assim que li, comprei para três familiares.
Um enredo fascinante.

Ana Rodrigues disse...

A minha mãe anda a ler e está a adorar. A seguir passa para mim.