sexta-feira, 14 de julho de 2017

«A Falta de Sentido na Vida», de Viktor Frankl

Editora: Pergaminho
Data de publicação: 21/04/2017
N.º de páginas: 168
A bibliografia de Viktor Emil Frankl (1905-1997), médico psiquiatra austríaco, conta com mais de 30 títulos. Contudo, em Portugal a obra deste que foi o fundador da Logoterapia ficou completamente desconhecida até 2012, ano em que finalmente os leitores portugueses puderam encontrar nas livrarias, numa edição a cargo da Lua de Papel, o livro mais importante da sua carreira de escritor: O Homem em Busca de um Sentido (este ano foi dado à estampa a 5.ª edição). A obra foi escrita em 1946 e nela o psicoterapeuta relata de forma emocionante como foi que sobreviveu ao holocausto tendo como alicerce de pensamento uma forma de agir inovadora.
A Falta de Sentido na Vida, traduzido a partir do título Das Leiden am sinnlosen Leben (2013) por Álvaro Gonçalves, chegou recentemente aos escaparates livreiros. Neste livro estão coligidos vários ensaios que originaram diversas conferências administradas por Viktor Frankl entre 1957 e 1975. O conceito-chave presente em todos os textos é que, quando passamos por uma situação difícil, não é o que nos acontece (as circunstâncias) que despoleta esse sentimento/emoção, mas a nossa resposta a esse acontecimento angustiante. O neurologista judeu afirma que a emoção, que constitui sofrimento, deixa de ser sofrimento logo que formamos uma ideia clara e distinta a seu respeito.
Nas primeiras páginas da obra, ficamos a conhecer a relação que o autor atribui entre a agressividade e a falta de sentido na vida e a conexão entre a sexualidade e o vácuo existencial. Um dos seus discursos (pp. 45-62) é inteiramente dedicado a elencar as principais diferenças entre a Logoterapia e a Psicanálise. Frankl diz-nos que as causas por que os pacientes sofrem não podem estar todas centradas em traumas passados; não somente os recalcamentos sexuais (Freud) ou os complexos de inferioridade (Adler) podem ser a base de um sofrimento, mas também e principalmente: a falta de sentido na vida.
Em Logoterapia, o que é entendido por Intenção Paradoxal? Quais as diferenças entre a Hiperreflexão e Derreflexão? Estas são algumas questões sobre termos deste conceito existencialista que pode ser aplicável a qualquer pessoa, em qualquer circunstância da vida.
Há várias décadas este reconhecido psicoterapeuta dizia para plateias: «Vivemos numa era em que grassa um sentimento de falta de sentido.» Os tempos mudaram. Estamos num novo século. Há coisas que se mantêm.
A Falta de Sentido na Vida é um livro altamente recomendado não só para profissionais da saúde psicológica e mental e outros, mas também para todos os que se interessam por promover o autocrescimento através do autoconhecimento.


Excertos
«Cada época tem a sua neurose — e cada época necessita da sua própria psicoterapia.» (p. 9)

«Foi especialmente esta a lição que trouxe comigo de Auschwitz e de Dachau: que os que se mostravam mais capazes de sobreviver até em situações-limite eram, sublinho, justamente os que estavam orientados para o futuro, para uma tarefa que os esperava, para um sentido que queriam realizar.» (p. 32)

«Não existe nenhuma situação de vida que não tenha verdadeiramente sentido.» (p. 40)

«(…) o homem verdadeiramente quer é, em última análise, não querer ser feliz em si mesmo, mas sim ter um motivo para ser feliz. Assim que exista um motivo para se ser feliz, surge a felicidade, brota espontaneamente o prazer.» (pp. 95-96)

«Como é verdade que até no sofrimento se pode encontrar um sentido…» (p. 114)

«(…) pouco importa se a vida de um homem é dolorosa ou prazenteira, o importante é que ela seja carregada de sentido.» (p. 121)

2 comentários:

Bárbara Ferreira disse...

Também li este, este ano, porque li o "Man's Search for Meaning" e achei o autor essencial na minha vida. Já leste esse? Tem edição da LeYa em português.

http://barbarareviewsbooks.blogspot.pt/

Bárbara Ferreira disse...

(já vi que sim, que havia ali link... que tonta!)