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Editor: ASA
Data de publicação: 17-03-2026N.º de páginas: 432 |
Na França do século XVI, mergulhamos na vida de Marguerite de La Rocque, uma jovem aristocrata cujo destino é abruptamente alterado pela morte precoce dos pais: «Não conheci a minha mãe. Ela morreu na noite em que nasci, e foi assim que nos cruzámos na escuridão (…) Também não conheci o meu pai. Quando eu tinha três anos ele morreu a combater. (…) Fiquei então rica.» A ambição implacável do seu guardião, que a conhece quando ela tem 9 anos, mergulhou a sua existência numa sombra de sofrimento.
O romance acompanha a transformação de uma menina privilegiada, rodeada de luxo e segurança, numa mulher resiliente, capaz de sobreviver às condições mais extremas numa ilha desolada da Nova França. Allegra Goodman inspira-se na história real de Marguerite, reconstruindo com sensibilidade e rigor histórico a sua odisseia de solidão, sobrevivência e autodescoberta.
A autora destaca-se na construção de um enredo envolvente, com capítulos ritmados e cliffhangers que mantêm o leitor em constante tensão. A narrativa explora o confronto entre privilégio e vulnerabilidade, revelando, através da protagonista e da sua ama Damienne, temas universais como a força interior, a fé, a identidade e a resistência humana. A prosa lírica da autora americana imprime elegância e intensidade emocional à história.
Isola é, simultaneamente, uma epopeia histórica e uma reflexão sobre a autonomia feminina. A autora (que publicou os livros Sam, The Other Side Of The Island, Paradise Park, entre outros) consegue equilibrar factos históricos sem idealizar ou suavizar as dificuldades enfrentadas.
A história de Marguerite, privada de tudo e obrigada a enfrentar a Natureza, é uma poderosa celebração do espírito humano e da capacidade de adaptação e coragem. Para quem aprecia romances históricos que combinam pesquisa meticulosa, lirismo e personagens femininas fortes, Isola é uma leitura memorável e inspiradora.
Excerto
«A nossa ilha era, ao mesmo tempo, bela e estranha. Sob a luz matinal, as ondas eram prata líquida. A neblina colava-se a nós e era como se caminhássemos no meio de uma nuvem branca. Ao largo, as aves marinhas esvoaçavam em círculos e mergulhavam no mar para apanhar peixes.» (p. 229)

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