quinta-feira, 30 de abril de 2026

«O Fazedor de Teatro», a peça de teatro mais aclamada de Thomas Bernhard

Entre as novidades da Documenta, destaque para uma nova edição da peça do escritor Thomas Bernhard (1931-1989) que, até hoje, alcançou maior êxito e foi a mais representada. Publicada quando tinha 53 anos, já na sua fase madura, e estreada em 1985 no prestigiado Festival de Salzburgo, a obra, considerada uma "meta-comédia", centra-se na personagem Bruscon, um actor tirânico e obsessivo. Entre os seus temas-chave encontram-se o absurdo da existência e do próprio teatro.
Esta tradução, assinada por José A. Palma Caetano, foi publicada pela Assírio & Alvim em 2004, estando o livro esgotado há muitos anos.

Nas palavras do tradutor: «Bernhard deixou-nos uma obra que, para além de bastante vasta, sobretudo se considerarmos que morreu ainda muito novo, apenas com 58 anos de idade, é sobretudo revolucionária, inovadora, polémica, provocante, mas ao mesmo tempo profundamente humana, de alto nível estético e de uma grande sensibilidade, mesmo nos momentos em que se revela mais violenta e mais irreverente.» 
Lembrar que no início deste ano a editora lançou 
O Sobrinho de Wittgenstein - Uma Amizade.

Texto de apresentação
O Fazedor de Teatro é uma das peças de Thomas Bernhard que até hoje mais êxito alcançaram e mais representadas têm sido. Pertence já à fase de «maturidade dramática» do autor, pois foi escrita na primeira metade dos anos oitenta, publicada em 1984 e estreada no ano seguinte. 
Uma das reflexões fundamentais, se não a reflexão fundamental a que esta peça e especialmente a figura de Bruscon — a personagem principal — nos conduzem é o absurdo que em tantos actos humanos se contém e que, no fundo, caracteriza toda a existência humana. Poderíamos falar mesmo de uma denúncia do absurdo, que, aliás, se encontra não apenas nesta peça, mas em toda a obra de Thomas Bernhard. O absurdo não só da realidade «fingida» que é o teatro, mas também da existência real a que, no fundo, o teatro serve de espelho, ainda que frequentemente distorcido. E as seguintes palavras proferidas por Bruscon podem, sem dúvida, ser tomadas não apenas como teatro ou literatura, mas como expressão da realidade: Efectivamente servimos toda a vida/o absurdo/de ter nascido/Fatal construção do mundo. [José A. Palma Caetano]

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