«O Fazedor de Teatro», a peça de teatro mais aclamada de Thomas Bernhard
Entre as novidades da Documenta,
destaque para uma nova edição da peça do escritor Thomas Bernhard
(1931-1989) que, até hoje, alcançou maior êxito e foi a mais
representada. Publicada quando tinha 53 anos, já na sua fase madura, e estreada em 1985 no prestigiado Festival de Salzburgo, a obra, considerada uma "meta-comédia", centra-se na personagem Bruscon, um actor tirânico e obsessivo.
Entre os seus temas-chave encontram-se o absurdo da existência e do
próprio teatro.
Esta tradução, assinada por José A. Palma Caetano, foi publicada pela
Assírio & Alvim em 2004, estando o livro esgotado há muitos anos.
Nas palavras do tradutor: «Bernhard deixou-nos
uma obra que, para além de bastante vasta, sobretudo se considerarmos
que morreu ainda muito novo, apenas com 58 anos de idade, é sobretudo
revolucionária, inovadora, polémica, provocante, mas ao mesmo tempo
profundamente humana, de alto nível estético e de uma grande
sensibilidade, mesmo nos momentos em que se revela mais violenta e mais
irreverente.»
Lembrar que no início deste ano a editora lançou O Sobrinho de Wittgenstein - Uma Amizade.

Texto de apresentação
O Fazedor de Teatro é uma das peças de Thomas Bernhard
que até hoje mais êxito alcançaram e mais representadas têm sido.
Pertence já à fase de «maturidade dramática» do autor, pois foi escrita
na primeira metade dos anos oitenta, publicada em 1984 e estreada no ano
seguinte.
Uma
das reflexões fundamentais, se não a reflexão fundamental a que esta
peça e especialmente a figura de Bruscon — a personagem principal — nos
conduzem é o absurdo que em tantos actos humanos se contém e que, no
fundo, caracteriza toda a existência humana. Poderíamos falar mesmo de
uma denúncia do absurdo, que, aliás, se encontra não apenas nesta peça,
mas em toda a obra de Thomas Bernhard. O absurdo não só da realidade
«fingida» que é o teatro, mas também da existência real a que, no fundo,
o teatro serve de espelho, ainda que frequentemente distorcido. E as
seguintes palavras proferidas por Bruscon podem, sem dúvida, ser tomadas
não apenas como teatro ou literatura, mas como expressão da realidade:
Efectivamente servimos toda a vida/o absurdo/de ter nascido/Fatal
construção do mundo. [José A. Palma Caetano]
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