domingo, 2 de julho de 2017

«Escrito na Água», de Paula Hawkins

Editora: Topseller
Data de publicação: 02/05/2017
N.º de páginas: 384
Depois do sucesso internacional que o seu livro de estreia obteve, Paula Hawkins regressa com uma nova história envolta em mistério e intriga. Mais um enredo fascinante e perturbador em igual intensidade.
Uma parte da narrativa de Escrito na Água decorre em 2015, em Beckford, numa pequena aldeia onde um rio a ladeia. O Verão desse ano fica marcado por duas mortes: a de Katie, uma jovem adolescente, e de Nel Abbott, uma fotógrafa de 41 anos que estava a escrever um livro sobre todas as mulheres que desde o século XVII foram encontradas mortas numa área específica do rio, denominada como o Poço das Afogadas.
O que têm em comum as mortes de Katie e Nel? Ambos os seus corpos foram encontrados a emergir no leito do rio. Estes suicídios ou homicídios são o epicentro da história que conta com duas mãos cheias de narradores: o nome de cada um abre os capítulos, uns falam na primeira pessoa, outros na terceira, outros capítulos são excertos do livro que Nel estava a escrever, e que, alguém ou algumas pessoas da aldeia, não queria/queriam que fosse publicado.
A quem é que Nel Abbott, uma mulher críptica, promíscua, detentora de uma maneira de ser que podia irritar as pessoas, andava a incomodar? Vários suspeitos são apontados estrategicamente por Paula Hawkins ao longo do tríler, fazendo com que o leitor desconfie de quase todos os personagens. A maioria tinha motivos, uns de longa data, outros recentes, para fazer calar esta mulher inconveniente, que andava obcecada com o rio e os seus segredos, que afirmava que «Beckford não é um local de suicídios. Beckford é um sítio onde se livram de mulheres problemáticas.»
Lena (a filha) não derramara uma lágrima quando soube da morte da mãe. Por que razão?
Jules (a irmã) não atendia os teus telefonemas nem respondia às suas mensagens, há vários anos. Que acontecimento grave fez dilacerar os laços que as uniam?
A família Wards, que vive de aparências e segredos há muito ocultos, é capaz de tudo para continuar inabalável perante a sociedade?
Será que os agentes destacados para investigar as mortes são idóneos ou escondem também uma ligação às vítimas?
Escrito na Água, igualmente sombrio e sofisticado, mas com um ritmo diferente de A Rapariga no Comboio, é uma história que se lê de forma célere, pois Paula Hawkins é mestra em elevar a fasquia da tensão, enquanto vai enganando o leitor paulatinamente, enquanto as páginas se vão virando. A escritora britânica que recentemente esteve em Lisboa, mais uma vez revela que gosta de mergulhar em histórias de pessoas como todos nós: que cometem erros, que traem, que mentem e que ocultam segredos. A sua noção fidedigna dos instintos humanos e do que os despoleta, está bem patente neste seu segundo tríler psicológico (Into The Water, tradução portuguesa a cargo de Miguel Martins), que actualmente é o livro que mais vende em Portugal.

Excertos
«Nunca me consigo lembrar do que preciso, mas as coisas que tanto queria esquecer estão sempre a ocorrer-me.» (p. 17)

«O rio pode revisitar o passado e trazê-lo à superfície e cuspi-lo nas margens para que toda a gente o veja, mas as pessoas não podem. As mulheres não podem.» (p. 99)

6 comentários:

Alexandra Guimarães disse...

Um livro que está na minha wishlist mas que ainda não tive a oportunidade de ler. Parece-me uma história muito interessante.

Ana Vieira disse...

Um livro que tenho por ler (são tantos!) e que tenho a certeza vou gostar! Adorei "A rapariga do comboio"!
Boas leituras!

Raquel Lima disse...

Este já se encontra na minha lista de presentes de aniversário :)

Anne Silva disse...

De certeza meu próximo livro. A vossa crítica aqui convenceu-me.

Carolina Marques disse...

Tenho muita curiosidade por este livro... está na lista para ler :)

Fabíola Valente disse...

Já li gostei mas o primeiro da autora é melhor!