quarta-feira, 8 de agosto de 2018

«O Homem nas Sombras», de Phoebe Locke

Editora: Planeta
Data de publicação: 03-07-2018
N.º de páginas: 328
Nicci Clocke é uma escritora inglesa autora de dois romances (Someday Find Me (2012), Lay Me Down (2015)) e de três livros para jovens-adultos (Follow Me Back (2016), Close Your Eyes (2017), Toxic (2018)). O seu primeiro tríler, The Tall Man, foi publicado em Junho e está assinado com o pseudónimo Phoebe Locke. Em Portugal, O Homem nas Sombras está disponível nas livrarias desde a primeira semana de Julho.
Foi durante uma viagem de comboio que a autora, ao ler um artigo sobre a lenda do 'Slender Man', decidiu que teria que escrever um tríler psicológico baseado no personagem fictício e sobrenatural de um homem com uma figura temível, alto e esguio, que aparecia à noite a determinadas crianças. Esta lenda urbana invadiu o mundo virtual em 2009, tendo estado na origem de um assassinato que abalou o mundo em 2014, perpetuado por uma criança de 12 anos, que no início deste ano foi condenada a permanecer num hospital psiquiátrico durante os próximos 40 anos.
Vamos à ficção: 1990, 2000, 2016 e 2018. Esta é a sucessão temporal de eventos decisivos cuja história deambula.
No arranque da década de 1990, várias pré-adolescentes se juntam num bosque de Inglaterra, à noite. Sadie, é uma delas. Os macabros acontecimentos que nessa noite se desenvolvem, ficarão para sempre registados e mantidos em segredo por essas amigas.
Dez anos depois, Miles e Sadie são estudantes universitários que esperam um filho. Embora as sombras tenham tido sempre o hábito infeliz de voltarem para ela, Sadie não prevê que algo ruim pode surgir quando uma nova vida está por surgir. Nos primeiros dias após o nascimento do bebé, e mãe desaparece do lar e deixa Amber aos cuidados do pai. A sensação arrepiante de déjà-vu faz com que Sadie fuja para proteger a filha, que para ela «está amaldiçoada como eu».
Amber tem dezasseis anos quando a mãe decide regressar a casa, mas para ela, Sadie nunca passará de uma estranha. Pouco a pouco, e com muito esforço, esta mãe foragida tenta adaptar-se ao quotidiano da filha e do marido. É nesta altura que uma outra mulher ganha a confiança de Sadie e aproxima-se dela e da sua família, com um fim bem assente.
Estamos agora em 2018. Federica, «uma realizadora premiada, uma mulher famosa por encontrar a história onde outros não o conseguem», e Greta, a sua assistente, acompanham Amber por uma série de entrevistas à comunicação social. Com dezoito anos, Amber acaba de assinar um contrato milionário para os seus segredos e verdades obscuros serem documentados em filme e em livro. Amber foi considerada inocente de uma acusação de homicídio, e agora está a fazer render a notoriedade que lhe trouxe o contrato. Poderá esta jovem ser considerada culpada e vítima, simultaneamente?
A trama de O Homem nas Sombras é inspirada numa história verídica assoladora, que capta a atenção de qualquer leitor que gosta de adrenalina e suspense. A base deste romance é muito forte e podia, per si, ser uma alavanca para este livro se tornar um marco na categoria de tríler psicológico. Tal não acontece. Embora nos deparemos, ao longo das 328 páginas, com momentos de leitura arrepiantes, perturbantes e de suster a respiração, o facto de Phoebe Locke desvendar pouquíssimo acerca dos acontecimentos centrais da história, que serviriam para o leitor entender um pouco o epílogo que ela apresenta, não joga a seu benefício.
Nota-se que a autora é iniciante neste género literário, porque se não tivesse “agarrado” a uma história tão empolgante e arrepiante, este livro podia ser (ainda) menos interessante.
Apontar, por último, um lapso que foi difundido aos média pela Editorial Planeta, ao afirmar que o filme Slender Man, que estreará em Portugal a 23 de Agosto, é inspirado neste livro de Phoebe Locke. O roteiro do filme foi escrito por David Birke e é baseado, sim, na lenda sobrenatural do 'Slender Man', personagem fictício inventado por Victor Surge num fórum de discussão na internet.


Excertos
«Sadie levara o Tall Man para longe da sua filha, protegeu-a. E ainda assim não conseguia livrar-se da sensação de que havia algo de errado.»

«Havia um homem (o homem alto, o Tall Man) do lado de fora da casa. Sadie sabia que não estava a imaginá-lo. Olhou e verificou e considerou e soube-o com uma determinação fria: ele estava lá. De pé a observar a casa, o rosto na sombra.»

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