sábado, 20 de fevereiro de 2016

«A Modista», de Rosalie Ham

Data de Publicação: 05/11/2015
N.º de Páginas: 272

Austrália. 1930. Na remota vila de Dungatar, Myrtle Dunnage, mais conhecida por Tilly, é forçada a abandonar a sua terra natal, por motivos que directa ou indirectamente levaram à morte de uma criança e que deixaram os habitantes locais incrédulos pelo grave acontecimento. Vinte anos passaram. Após viajar pelo mundo, Tilly, que se profissionalizara em costura em Paris e Espanha, regressa à cidade onde cresceu para visitar por uns dias a mãe, que sofre de doença mental.
Desde logo, esta mulher agora madura, não tanto na idade mas em experiência de vida, com o seu provocante modo de vestir, ao trazer uma lufada de ar fresco para Dungatar, é apontada pelas maioria das mulheres como dissoluta, tendo elas receio de ela com a sua feminilidade acentuada, possa pôr em perigo os seus casamentos.
A modista traz novidades do mundo, não só a nível de alta-costura, mas também no modo de pensar e agir para com os outros; um modo cordial e civilizado, que as pessoas da vila, onde toda a gente sabe tudo sobre toda a gente, não estão habituadas. São poucos os conterrâneos que tentam fazer amizade com ela: Teddy, um jovem também de regresso a Dungatar, e Farrat, um sargento muito sui generis.
O regresso de Tilly faz o trágico incidente do passado vir ao de cima, e com ele os insultos da população, que não o esqueceram. «Assassina», «bruxa», «bastarda» e «amaldiçoada» são alguns dos nomes pelos quais a modista é chamada. Tilly ouve os insultos cara-a-cara, quando sai à rua, mas para ela a vingança é algo que se presenteia silenciosamente…
«Tilly sabia que tinha de ficar em Dungatar para uma espécie de penitência… Estava arruinada em todos os sentidos, e tudo o que lhe restava era a sua frágil mãe doente.»
The Dressmaker (título traduzido para português por Fátima Andrade) é um romance originalmente publicado em 2000, que tornou-se bestseller e que marcou a estreia da autora australiana Rosalie Ham na Literatura. Caso a adaptação para o cinema desta obra não tivesse acontecido (com desempenhos dos actores Kate Winslet (Tilly), Judy Davis (Molly) e Liam Hemsworth (Teddy)), o que não seria de estranhar, por a história não ser assim tão linear e fácil de transpor para a grande tela, este romance, provavelmente, não seria alvo de traduções para diversos idiomas.
A premissa de A Modista, uma mulher que sai da sua cidade por motivos trágicos e que à mesma retorna para enfrentar os seus demónios do passado e para se vingar de quem a ultrajou, é interessante. Todavia, Rosalie Ham, autora também dos livros Summer at Mount Hope (2005) e There Should be More Dancing (2011), tece com pouca perícia a narrativa e ao incorporar a cada capítulo novos personagens secundários, totalizando mais de 30, a história lê-se desde o seu romper, com pouco enlevo e interesse. Em A Modista, uma espécie de romance agridoce e tedioso, contudo, são claros os temas que acompanham a trama: o preconceito, a hipocrisia, a malícia, o rancor, o amor e ódio e do poder de ambos. Pontuação: duas de cinco estrelas.

1 comentário:

Carolina Marques disse...

Tenho curiosidade em ler este livro por ter achado o filme engraçado. Não sei até que ponto valerá a pena.