quarta-feira, 10 de julho de 2013

Walt Witman (Biografia)


Fernando Pessoa, na pessoa de Álvaro de Campos, deixou escrito no poema "Saudação a Walt Whitman", as seguintes palavras: «(…) E cada erva, cada pedra, cada homem era para ti o Universo / (…) Nos teus poemas, a certa altura, não sei se leio ou se vivo (…)»
Walt Whitman (n. 1819) foi um poeta, ensaísta, prosador e jornalista norte-americano. Descendente de ingleses e neerlandeses, Whitman nasceu em West Hills, no estado de Nova Iorque. Tinha quatro anos a sua família mudou-se para Brooklyn, onde ele obteve a instrução primária. Aos onze anos começou a trabalhar como aprendiz numa tipografia (de 1830 a 1835). Antes de formar-se em jornalismo o poeta deu aulas durante quatro anos. De colaborador passou a ser gerente em jornais, cargo que desempenhou em variadas publicações com sedes em Brooklyn e Nova Orleans. Todavia, devido ao seu temperamento político pouco comum para a época, foi despedido —, isto em 1848. Por esta altura Whitman começa a dedicar-se à poesia. Depois de um desentendimento com a sua profissão de jornalista o jornalista dirige o “Daily Times”, e começa a ser um frequentador da boémia nova-iorquina. Foi no ano de 1855, que uma das obras maiores da Poesia universal foi “fabricada” por Whitman: Leaves of grass (em Portugal a obra é conhecida por «Folhas de Erva»), livro que na primeira edição, não mencionava o nome do autor, e continha apenas meia-dúzia de poemas e um prefácio, sendo aumentada pelo próprio, até à sua morte, com mais de trezentos textos que representam, segundo o próprio «a natureza física, emocional, moral, intelectual e espiritual de um homem.» O livro foi recebido com entusiasmo por alguns críticos, mas a extrema maioria dos leitores não se identificaram com os seus ideais, como a de a Natureza ser grande não só nos seus campos de liberdade e ar ilimitado, nas montanhas, vales, florestas, mares, mas também ela existir nas ruas, casas, navios, etc. A publicação de poemas de carácter sexual também não captou, na altura, a atenção esperada. Com 42 anos e algumas decepções editoriais coligidas, Whitman dá início a uma jornada de índole espiritual, e passa cada vez mais tempo junto dos bosques, qual eremita.
Essa temporada de reflexão foi interrompida, pois entre 1863-1864, o poeta da Natureza trabalhou para o Exército em Washington e voluntariou-se em hospitais militares. Regressou a Brooklyn doente e com marcas de envelhecimento prematuro causadas pela experiência da guerra civil. Em 1972, depois de publicar “Democratic Vistas" (Em Portugal “Visões Democráticas”, Opera Omnia, 2012), Whitman viajou para New Hampshire. Um ano depois foi afectado com um AVC que o deixou paralisado. Para convalescer viaja pelos Estados Unidos e compra casa em Nova Jérsia, onde começa a receber centenas de admiradores de todo o mundo, inexplicavelmente. O reconhecimento da sua egrégia Poesia, começa a ser comunicada de pessoa a pessoa, e antes do seu falecimento, em 1892, Whitman sentiu-se, finalmente, acarinhado e compreendido. Whitman foi sepultado em Camden, New Jersey.


«A verdadeira pergunta a ser feita, em relação a um livro, é: Ajudou ele alguma alma humana? É este o aviso, a asserção, não só do grande literato e do seu livro, mas de todo o grande artista.» (p. 124, “Visões Democráticas”, Opera Omnia, 2012)

«Os livros deverão ser solicitados e fornecidos, partindo do princípio de que o processo da leitura não é algo só semiconsciente, mas consciente no seu sentido mais elevado, um exercício, um grande esforço de atleta; algo que o leitor deverá fazer por si próprio (…) Não é que o livro necessite sequer algo completo, mas que o leitor do livro o complete.» (p. 130, “Visões Democráticas”, Opera Omnia, 2012)

(Texto publicado na secção 'Biografia', na edição de Julho de 2013, da Revista Progredir)

1 comentário:

Vera Neves disse...

olá Olá

tenho um selo lá no meu blog para vocês!!

http://sinfoniadoslivros.blogspot.pt/2013/07/selo-viajando-na-leitura.html

Espero que gostem

Beijinhos