quarta-feira, 10 de julho de 2024

«O Meu Pai Voava», de Tânia Ganho

Editora: Dom Quixote
Data de Publicação: 09-07-2024
N.º de Páginas:192

Depois de escrever cinco romances, a escritora Tânia Ganho lança a sua primeira obra não-ficcional. Em O Meu Pai Voava, a autora do aclamado Apneia (que conquistou os leitores portugueses desde 2019, estando a obra na sua 5.ª edição) faz um tributo ao seu pai, falecido no final do transacto mês de Fevereiro. Neste livro de memórias, são registados apontamentos sobre as suas lembranças de infância e adolescência, as confraternizações familiares, a doença neurodegenerativa que assolou o seu pai e o seu processo de luto.
Sobre o pai, nascido no Funchal em 1937, um apaixonado pela Astronomia, pela Música e pelo Karaté, que veio a tornar-se médico especializado em Urologia, a autora partilhou nas suas redes sociais, que este era «um espírito livre, uma alma pura, uma pessoa com um sentido de justiça e de verdade realmente fora do comum, um homem excepcional.»
Que bela e comovente leitura. Um livro-homenagem emocionante, catártico, de uma filha para um pai, que embora tenha partido, não "morrerá".
Tal como Apneia, este é um livro duro... escrito com sensibilidade, aprumo e coragem de Tânia Ganho,
que dedica-se à tradução literária há mais de vinte anos, tendo traduzido para o nosso idioma obras de escritores de renome como Annie Ernaux, Toni Morrison, Yukio Mishima, Alan Hollinghurst, Elizabeth Strout, Maya Angelou, Anaïs Nin, Louisa May Alcott, entre muitos outros.
A Vida sem Ti (2005), Cuba Libre (2007), A Lucidez do Amor (2010) e A Mulher-Casa (2012) são outros romances que já escreveu e que merecem ser lidos.

Excertos
«As palavras foram-lhe morrendo, uma a uma, até restar o silêncio (...). Deixou de sorrir com os olhos.»

«Havia todo um mundo que se encerrava naquele dia e eu precisava do meu pai para enfrentar o resto da vida.»

«Desde que o meu pai morreu, não paro de escrever dentro de mim.»

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