quinta-feira, 3 de setembro de 2015

«O Estrangeiro», de Albert Camus

Data de Publicação: 23/07/2015
N.º de Páginas: 96

«Hoje, a mãe morreu.» Após saber do falecimento da sua mãe, Meursault viaja de Argel para estar presente no funeral. Sem demonstrar qualquer sinal de afectividade pela progenitora no enterro, chorar, por exemplo, ele é de logo olhado de lado pelos familiares que vieram prestar a última homenagem à idosa que vivia num asilo. No dia seguinte, Meursault reencontra uma antiga conhecida e com ela vai a banhos, numa praia e de noite assistem a um filme cómico. Com ela inicia, sem ter consciência, uma relacção amorosa. Por esses dias faz amizade com dois vizinhos esquisitos, entre os quais Raymond Sintès, um homem que tem quezílias com árabes. Será com o intuito de proteger Raymond que este homem pouco ambicioso e de «caráter taciturno e fechado», para quem tudo é-lhe indiferente, cometerá um assassinato assombroso.
No julgamento, o leitor vai testemunhando os contornos absurdos do desenrolar do processo de acusação, da construção do perfil psicológico de Meursault, para que os magistrados possam fundamentar a sentença final, que se vai adivinha dura. «No início da minha detenção (…) o mais duro foi virem-me à cabeça pensamentos de homem-livre.» Nessa sociedade o não demonstrar que se sente é tido como ofensivo, mais grave do que cometer um assassínio tenebroso. Será constatado que o crime maior do protagonista, um estrangeiro a si próprio, um «estrangeiro para a sociedade em que vive», palavras de Camus, não terá sido assassinar um homem, mas ter-se mostrado indiferente e insensível durante o funeral da mãe, dias antes de cometer o brutal crime.
O Estrangeiro, uma das obras-primas da literatura francesa do século xx, foi publicado originalmente em 1942. Conta nesta novíssima edição da Livros do Brasil com uma tradução de António Quadros e com um prefácio de António Mega Ferreira que revela spoilers em demasia; seria mais aconselhável o seu texto estar disposto no posfácio do livro. Desta novela relatada de modo breve, as acções sucedem-se de forma nonsense, sem o narrador-protagonista saber bem por quê. Será ele o justiçado ou o inocente, herói ou anti-heroi da história? Neste aspecto Meursault assemelha-se muito a Joseph K., personagem que Kafka escolheu para protagonizar O Processo (obra que recentemente foi alvo de reedição por parte da Livros do Brasil).
O Estrangeiro leva-nos a questionar situações incompreensíveis sobre julgamentos e punições judiciais de antes e de agora. Neste livro de Albert Camus (1913-1960), escritor consagrado com o Prémio Nobel da Literatura, podemos também reflectir sobre o papel que o absurdo e o cinismo juntos podem despoletar numa sociedade onde os valores morais contam mais do que deveria.

12 comentários:

Carla disse...

Olá,
Li este livro no mês de Agosto e gostei muito mesmo, nunca tinha lido nada de Camus e fiquei fã.
Boas Leituras.

Ana Freitas disse...

Tenho muita curiosidade sobre este livro!

Liliana Silva disse...

Nunca li nada de Camus, mas tenho muita curiosidade

Liliana Silva disse...

Nunca li nada de Camus, mas tenho muita curiosidade

macy disse...

Foi o primeiro que i do Camus, ainda era uma jovenzita .... voltei a ele diversas vezes, ainda hoje é um dos meus livros preferidos. Viciei-me no autor, este, Morte Feliz e A Peste, são 3 livros que gosto de reler.
Abraço
Teresa Carvalho

milureis disse...

Nunca li Camus, mas ando com alguma vontade de o fazer e isto porque os meus filhos estão a realizar uma peça baseada no livro "A Peste" e gostei muito, apesar de que é muito "séria" para os meus gostos!

Vânia Vieira disse...

Este será uma das minhas próximas compras!

Fábio disse...

Acabei de o comprar! Estou super curioso!

kassie disse...

O Estrangeiro, de Camus, é um dos livros da minha vida!

Ana Sobral disse...

Já li este livro quamdo era muito jovem. Gostaria de revisitá-lo.

Joana disse...

Livro que ainda não li, mas que gostava muito de vir a ler, julgo ser muito bom.

lady hélène disse...

Tenho uma edição bem antiga ainda por ler! :)