domingo, 30 de abril de 2017

Literatura e Humor, os géneros de alguns dos livros a publicar em Maio pela Sistema Solar | Documenta

Nova Safo, de Visconde de Vila-Moura

Homossexualidades feminina e masculina
necrofilia, nanofilia
o aristocrático escândalo de 1912.
Decadentista convicto, [o Visconde de Vila-Moura] surpreendia-se quando lhe chamavam romântico: Eu fui, algures, apodado de romântico, eu que ousei um dos mais estranhos e difíceis capítulos da vida humana; a loucura sensual na Nova Safo. […]
Maria Peregrina, a Nova Safo do romance, tenta argumentar e defender a sua razão sensual de existir, a sexualidade «extravagante» que é conflito dolorosíssimo entre o instinto próprio e a mesquinhez alheia, esse conflito que não resulta da acuidade da inteligência, mas de um mistério emocional; fá-lo sobretudo na longa «Elegia da Morte» que conclui o livro. Maria Peregrina permite-se conceder a si própria o direito a toda a perversão, se perversão é amar a parte bela da matéria. E não se trata de uma atitude onde não caiba Deus: Creio no Deus de todos os cultos, embora aborreça a liturgia que o oculta.
A minha bondade aceita em pé de igualdade, lê-se na «Elegia», o amor idealista de Santa Teresa de Jesus — a mística, os impulsos bestiais de Calígula e as ordens alucinadas de Nero, determinando-se em sensualidade ou incendiando Roma para mergulhar a alma sublimemente perversa nas labaredas de uma civilização a arder. Uma experiência de vida moldada por todas as liberdades sensuais foi o que lhe acurou os vícios; sugeriu-lhe a defesa íntegra dos seus actos e criou, paralelamente a um niilismo de sentido, uma Filosofia que prende a uma Liberdade amoral que vai além da outra — a que peja os Códigos, as Bíblias. Maria Peregrina não cabe dentro do mundo, e decide: vou ser o Éter que me sobe à nova Vida.
Flaubert afirmou que era a Madame Bovary; o visconde de Vila-Moura poderia ter afirmado: eu sou Maria Peregrina. [Aníbal Fernandes]
A editora disponibiliza, aqui, para leitura imediata as primeiras páginas do livro.

A Costa de Falesá, de Robert Louis Stevenson

Uma história que me trespassou
como uma bala,
num momento de pânico
quando me senti sozinho nesta selva mágica.
Logo aos primeiros contactos com a realidade dos Mares do Sul, Robert Louis Stevenson pressentiu que ia escrever uma obra que os teria por cenário e se destacaria de todas as vozes até então surgidas na literatura com a mesma inspiração. Uma sua carta do final de 1889 refere-se a este projecto: Tenho agora na mente o desenho do meu livro. Se eu conseguir chegar até ao seu fim, poucas obras haverá no mundo com tão grande ambição. [Aníbal Fernandes]
A editora disponibiliza, aqui, para leitura imediata as primeiras páginas do livro.

QUINO - 60 anos de humor
Livro publicado por ocasião da exposição «Quino 60 anos de humor», do artista vencedor da 18.ª edição da Cartoon Xira e apresentada entre 22 de Abril e 28 de Maio de 2017 no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira.

O humor de Quino é antiutópico. Este mundo não lhe permite alentar qualquer esperança. Ele não pode oferecer vidros coloridos. Que o façam os outros. Ele expõe a impossibilidade do homem no mundo mercantilizado, mecanizado, caótico, doente, egoísta, competitivo e frio do capitalismo. As suas notas também atingem a massificação e o autoritarismo dos regimes coletivistas. […]

Se o mundo é assim como Quino diz que é, é preciso fazer algo. E aqui reside a glória de um grande artista: mostrar-nos o horror do dia a dia, o intolerável do que é aceite, o pesadelo que habita o sonho, a impossibilidade – neste mundo já decidido – de tudo o que podemos amar. Quino não desenha utopias. Não acredita – suponho – que o futuro trará certamente algo de melhor. No entanto, o impiedoso presente que desenha só nos pode levar a querer mudá-lo. Toda a mudança implica imaginar um futuro diferente. Quino impele-nos a isso: ao futuro, à coragem, às nossas mais verdadeiras potencialidades. Assim, e não paradoxalmente, a sua negrura, o seu impiedoso ceticismo transforma-se em prática. [José Pablo Feinmann]
A editora disponibiliza, aqui, para leitura imediata as primeiras páginas do livro.

Cartoons do ano 2016
Livro publicado por ocasião da exposição «Cartoons do ano 2016», apresentada entre 22 de Abril e 28 de Maio de 2017 no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira.

Os cartoonistas desta 18.ª edição da Cartoon Xira são António Antunes [Vila Franca de Xira, 1953], José Bandeira [Lisboa, 1962], Carlos Brito [Lisboa, 1943], André Carrilho [Amadora, 1974], Augusto Cid [Horta, Açores, 1941], Cristina Sampaio [Lisboa], Vasco Gargalo [Vila Franca de Xira, 1977], António Jorge Gonçalves [Lisboa, 1964], António Maia [Rio Maior, 1951], Rodrigo de Matos [Angola, 1975] e Cristiano Salgado [1977].

2016 mostrou-nos um mundo a precisar de sarar as feridas. Algumas antigas, do Vietnam ao Japão, de Cuba ao Irão. Barack Obama deu passos em direções prometedoras. Mas há demasiadas feridas abertas, da Síria ao terrorismo sem fronteiras. Velhos e novos ditadores num mundo que começou a erguer barreiras à globalização. [...] O cartoon é uma janela rasgada sobre o nosso mundo. Não precisa de muitos artifícios para nos fazer rir (tantas vezes de nós próprios), para nos fazer pensar, para arranhar a indiferença e a prepotência. É um exercício de liberdade tão incómodo como imprescindível para aferirmos a nossa liberdade. [António José Teixeira]
A editora disponibiliza, aqui, para leitura imediata as primeiras páginas do livro.
Outras novidades de Maio da Sistema Solar | Documenta:
Manuel António Pina - Uma Pedagogia do Literário, de Rita Basílio
Imagens em Fuga - Os fantasmas de François Truffaut, de José Bértolo
O Bigode Escondido na Barba, de Francisco Tropa
Terra Incógnita, de Inez Teixeira
Almanach Zuturista, de Manuel Vieira, Pedro Portugal e Pedro Proença

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