Mark Fisher (1968-2017) foi um pensador, escritor, blogger e filósofo marxista britànico. Foi co-fundador da Zero Books e da Repeater Books. Fez parte do corpo docente do Departamento de Culturas Visuais da Goldsmiths, Universidade de Londres. O seu blogue, k-punk, definiu a escrita crítica de uma geração. Ficou conhecido por escrever sobre literatura, cinema, música, saúde mental, capitalismo, política e cultura popular. Tornou-se particularmente influente com o livro Capitalist Realism (2009), no qual defende que o capitalismo se tornou tão dominante que é frequentemente visto como a única alternativa possível. É considerado uma das vozes mais marcantes da crítica cultural britânica do início do século XXI.
Da sua autoria, encontram-se publicados pela VS Editor os livros Realismo Capitalista, Fantasmas da Minha Vida, Desejo Pós-Capitalista e O Esquisito e o Inquietante, cujo texto sinóptico e um excerto apresento de seguida.
A emoção mais antiga e intensa da humanidade, já dizia H. P. Lovecraft, é o medo. E de entre todos os medos, o mais antigo e intenso será o que temos do desconhecido. Na nossa cultura, o esquisito e o inquietante são fontes primordiais de terror, e aquilo que adquire uma dessas qualidades é, por definição, um mistério, um segredo não decifrado, o qual, por isso, nos provoca inquietação e pavor. Para Mark Fisher, ainda que possam parecer a mesma coisa, o esquisito e o inquietante são categorias distintas do sobrenatural, do estranho e do horrendo. O esquisito corresponde ao âmbito da subjectividade: é uma percepção de uma realidade deformada — é-nos familiar, mas assusta-nos por não se ajustar à nossa natureza —, enquanto o inquietante corresponde ao absolutamente desconhecido, que é a forma mais pura e intensa de terror. Mark Fisher sustenta que as ficções mais inquietantes e anómalas do século xx têm correspondência com estas categorias, e disso trata o seu livro: dos terrores primordiais canalizados pelo cinema e pela literatura.Excerto
«A sensação do inquietante é muito diferente da do esquisito. A forma mais simples de apreender esta diferença é pensar na oposição (com uma grande metafísica) entre a presença e a ausência — talvez esta seja a oposição mais fundamental de todas. Como temos visto, o esquisito é constituído por uma presença — a presença daquilo que não pertence aqui.» (p. 79)

Sem comentários:
Enviar um comentário