domingo, 12 de janeiro de 2014

«Um Marido Ideal», de Oscar Wilde

Editora: Europa-América
Ano de Publicação: 1999
N.º de Páginas: 232


A peça Um Marido Ideal foi levada à cena pela primeira vez em 1895, no Haymarket Theatre, em Westminster, Londres. Várias vezes encenada nos mais diversos palcos do mundo, esta peça do genial escritor Oscar Wilde, teve várias adaptações para o cinema, sendo a mais recente em 1999, pela direcção de Oliver Parker (que transpôs posteriormente outras duas obras de Wilde para filme, em 2002 e 2009, respectivamente: The Importance of Being Earnest e Dorian Gray) e contou com um elenco do qual constam nomes como o de Julianne Moore, que representa a vilã da peça. Figurando ao lado das peças Uma Mulher Sem Importância e A Importância de se Chamar Ernesto, Um Marido Ideal forma a trilogia que marca o ex-libris literário da carreira de dramaturgo de Wilde. Em An Ideal Husband (de seu título original) podemos nos esbarrar com os melhores e acutilantes paradoxos tão característicos da linguagem wildiana, dados a conhecer ao longo de uma acção distribuída por quatro actos, com a duração de vinte e quatro, e cujo desenrolar da história tem lugar em Londres, na última década do séc. XIX.
Um político íntegro e em ascenção no Parlamento, Sir Robert Chiltern, aos olhos da mulher e da sociedade londrina, jamais cometeu um deslize de qualquer ordem. Ele é o protótipo perfeito de um homem ideal. Essa máscara, no entanto, fica a ponto de desabar quando entra em cena Laura Cheveley, uma mulher ambiciosa e oportunista, que tem em seu poder a prova de um erro crasso cometido há dezoito anos pelo marido de Gertrude Chiltern. Nessa altura Robert era um jovem que auspiciava um lugar de topo na política, e deixou-se cair nos meandros da «mais baixa desonestidade», e assim, como o próprio revela: «comprei o sucesso por um preço muito alto.» A origem da fortuna de Robert é um segredo que só Laura tem conhecimento e é por isso que ela o chantageia, pedindo em troca do seu silêncio algo que põe, novamente, em jogo os escrúpulos de Robert. Mantido num pedestal, como objeto de adoração, pela mulher, Robert Chiltern não quer ver a sua reputação, enquanto político e esposo, cair por terra ao ser revelado um episódio obscuro do seu passado, e desabafa ao seu melhor amigo, Lord Arthur Goring, o seu segredo. Goring é um amigo fiel, mas também um mordaz crítico dos (bons) costumes, sendo as suas elações quase sempre politicamente incorrectas. É por isso que este levanta a moral do seu amigo e ajuda-o a sair dessa situação, até porque Laura Cheveley fora sua amante em tempos idos, e o bon vivant bem sabe com que tipo de índole contar. Sobre como se desenlaça esta peça, duas questões são pertinentes lançar: Será que teremos que ser totalmente julgados pelo nosso passado? Todos teremos de pagar por aquilo que fizemos?
Em Um Marido Ideal há um ataque à falsa moralidade e à hipocrisia social e política do final da era vitoriana. A riqueza desta obra resulta essencialmente do teor sem escrúpulos da personagem vilã que lança intriga e chantagem a vários personagens, criando uma trama invulgarmente inesperada. Um efeito cómico frequentemente empregado por Oscar Wilde é afirmar o contrário do que se espera, e muitos são os belos exemplos encontrados ao longo desta obra de edição bilíngue, traduzida para português por Carmo Vasconcelos Romão. No seu estilo subversivo, ora profundo, ora subtil, ora superficial, o autor de Salomé mostra-nos o seu invencível desejo de se revelar contra todos os sistemas de ideais, e dá exemplos de como a ambição, corrupção e perdão podem estar bem interligados. A vida é imperfeita, e talvez por este facto «nunca é justa (…) E talvez seja bom para alguns de nós que nunca o seja.»


Citações de alguns personagens:

Mrs. Marchmont: «Gosto de olhar para os génios e de ouvir pessoas belas.» (p. 28)

Lorde Goring: «As mulheres têm um instinto maravilhoso. Descobrem tudo, menos o óbvio.» (p. 49); «rouge a mais e roupa a menos. Numa mulher é sempre sinal de desespero.» (p. 58)

Mrs. Cheveley: «quando um homem ama uma mulher, fará tudo por ela, menos continuar a amá-la.» (p. 99)

Sir Robert Chiltern: «Os casamentos sem amor são horríveis. Mas há ainda uma coisa pior do que um casamento completamente sem amor. Um casamento onde há amor apenas de uma das partes.» (p. 128)


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Novidades da Gradiva, a 23 de Janeiro nas livrarias

Eis as novidades que a Gradiva publicará durante o mês de Janeiro:


Linguagem e Silêncio
de George Steiner
 
Colecção: Obras de George Steiner
Páginas: 616
Sinopse
Como avaliar o poder e a utilidade da linguagem quando esta já foi levada a articular falsidades em certos regimes totalitários ou foi adulterada pela vulgaridade e a imprecisão e demagogianuma democracia de consumo de massas?
Como irá a linguagem reagir à exigência, cada vez mais premente, de um discurso preciso como a matemática e a notação simbólica?
Estaremos a sair de uma era histórica de primazia verbal – a sair do período clássico da expressão escrita – e a entrar numa fase de linguagem decadente, de formas «pós-linguísticas» e talvez de silêncio parcial?
Estas são algumas das questões fulcrais, em cada dia mais gritantes, que Steiner aborda neste livro, na sua prosa elegante e com a sensibilidade e a inteligência que todos lhe reconhecem.

«Uma análise extraordinariamente inteligente, brilhante e que convida à reflexão, sobre as condições estranhas que a escrita moderna criou a si própria [...]. Poucos, muito poucos, escritores actuais têm tanto que valha a pena dizer sobre a produção escrita actual como este autor.»
Joseph G. Harrison

 


Onde Cresce o Perigo Surge Também a Salvação
de Hubert Reeves
 
Colecção: Ciência Aberta
Páginas: 148

Sinopse
Incríveis coincidências atómicas e cósmicas permitiram ao Universo organizar-se, enriquecer-se e dar-nos à luz. Do núcleo de carbono às profundezas do planeta, da radiação fóssil aos misteriosos neutrinos, vários fenómenos estranhos têm contribuído para a complexidade do nosso mundo. Mas a riqueza e beleza do mundo encontram-se hoje ameaçados na Terra pelo ser humano, que se tornou a principal ameaça ao meio ambiente, à biodiversidade e a ele próprio. Como conciliar a bela história do Universo com a história menos bela da Humanidade?
Oferecendo-nos uma e outra em paralelo, Reeves coloca o seu talento de contador de histórias ao serviço da nossa tomada de consciência. Sem esconder a gravidade da actual crise ecológica, ele sublinha os sinais de uma reacção humana que nos permite esperar um futuro melhor.
Este livro coloca em paralelo a história do Universo e a dos seres humanos.
Reeves começa por nos deslumbrar ao contar-nos as improváveis mas fecundas propriedades da ​​matéria, tanto atómica como galáctica,que permitiram que esta se tornasse mais complexa até surgir vida e inteligência na Terra e, talvez, noutros lugares do vasto cosmo. É uma bela história.
Ele adverte-nos a seguir para os perigos que o nosso planeta enfrenta – perigos que são da nossa responsabilidade. Por exemplo, o destino trágico de tantas espécies, algumas extintas, como os mastodontes e os grandes pinguins, outras ameaçadas, como os chimpanzés e as abelhas. Esta é a história menos bela.
Como conciliar, então, o que a ciência nos diz sobre o maravilhoso crescimento da organização à escala cósmica com o sério risco de deterioração que a crise ecológica contemporânea representa para o futuro da vida na Terra? A consciência dessa situação de conflito e a vontade de reagir a que estamos a assistir dar-nos-ão esperança de um futuro mais verde?

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

40.000 likes

A página deste blogue no Facebook ultrapassou hoje os 40 mil seguidores. Se quiserem conhecer a página o link é: https://www.facebook.com/silenciosquefalam

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

«Judeus Ilustres de Portugal», o novo livro de Miriam Assor


Judeus Ilustres de Portugal
14 homens e mulheres que marcaram a história do nosso país
de Miriam Assor
 
Data Publicação: 17/01/2014
Páginas: 224
Editora: A Esfera dos Livros
Sinopse
Numa extraordinária viagem do século XV ao século XX, as vidas destes 14 homens e mulheres ilustres da nossa História renascem pela mão da jornalista Miriam Assor, que nos conta como de formas variadas, cada um deles contribuiu, enriqueceu, dignificou e honrou o país, marcando terminantemente o universo histórico-nacional e além-fronteiras. Da Medicina à Filosofia, da Ciência ao sector pioneiro empresarial, da Poesia litúrgica a autoridades rabínicas, da Música à Matemática, da Literatura à liderança comunitária. Foram humanistas, homens e mulheres corajosos que optaram por actuar ao serviço do próximo, colocando, muitas vezes, as suas próprias vidas em risco ou num último plano. O célebre médico Amato Lusitano, a empresária destemida Dona Grácia Naci, o famoso naturalista Garcia de Orta, o cientista Pedro Nunes, o pensador Isaac Cardoso, o rabino Isaac Aboab da Fonseca, que, fugido da perseguição que alastrava em Portugal incendiada pelos fogos da Inquisição, encontrou na Holanda a paz para fundar a sinagoga portuguesa em Amesterdão. A extinção formal da Inquisição em 1821 trouxe de volta ao país estes homens e mulheres perseguidos, que dominando várias línguas e em contacto permanente com a Europa e o mundo - quer por razões comerciais quer por razões pessoais - trazem uma lufada de ar fresco ao nosso país. Alfredo Bensaúde, fundador e o primeiro director do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. A sua filha, Matilde, pioneira da investigação biológica, única mulher entre os criadores da Sociedade Portuguesa de Biologia. Alain Oulman, o compositor que revolucionou o fado e que teve como principal divulgadora desse seu infindo talento a voz de Amália. O catedrático Moses Amzalak, líder da Comunidade Israelita de Lisboa, que aproveitou a sua proximidade com o ditador Salazar para realizar as operações de socorro aos refugiados do Holocausto. Também os irmãos Samuel Sequerra e Joel Sequerra, a viver em Barcelona, salvaram cerca de mil compatriotas das mãos nazis. Já Abraham Assor chega a Portugal pouco tempo antes de acabar a Segunda Guerra Mundial e seria, por meio século, o rabino da Comunidade Israelita de Lisboa.
Sobre a autora
Miriam Assor nasceu em Lisboa a 13 de Junho de 1966, no seio de uma família judaica ortodoxa. Uma visita aos campos de concentração nazis, em 1985, fá-la trocar o curso de Psicologia Aplicada e a cidade pela vida comunitária dos kibbutz e pelo voluntariado, em Israel.
Regressa após dois anos e meio e licencia-se. Simultaneamente cursa Comunicação no Instituto de Aperfeiçoamento Acelerado. Prefere não exercer nenhum dos diplomas e ingressa na companhia aérea El Al, onde trabalha durante uma década. Enquanto a rotina assentava no verbo viajar, publica, em 1997, Libi, um livro de poemas. Doze meses volvidos, a escrita voa muito mais alto que os aviões. Torna-se cronista da grande escola de humanismo que foi o semanário O Independente. Desde esse passo, a escrita teima e insiste, e em 1999 edita Sentidos. Coordena, em 2001, Luz, em homenagem póstuma ao seu pai, Abraham Assor, rabino da comunidade israelita de Lisboa durante cinquenta anos, figura decisiva no despertar da sua consciência em relação ao terror do Holocausto.
É autora de Aristides de Sousa Mendes - Um Justo Contra a Corrente (Editora Guerra & Paz, 2009) e Jorge Jesus - O Treinador que Mantém a Chama Imensa (Livros d'Hoje, 2013).

«A Arte de Fazer Amor», um dos mais recentes livros da Sinais de Fogo


A Arte de Fazer Amor
de Armando Vieira  

Editora: Sinais de Fogo
Nº de páginas: 140

Sinopse
Aquando do seu doutoramento em Física Teórica, o autor questionou-se como era possível conhecer melhor as estrelas, a milhões de anos-luz de distância da Terra, do que qualquer ser do sexo oposto, mesmo ali ao seu lado. Esta dúvida levou-o a embarcar numa jornada em busca de pistas para resolver uma equação quase impossível: como é que duas substâncias tão antagónicas se podem diluir uma na outra?
  • Afinal, serão as mulheres assim tão diferentes dos homens ou isso é apenas um mito?
  • Como é que podemos estimular o desejo de uma mulher?
  • Serão os homens todos infiéis, insensíveis e desarrumados?
  • Como manter viva a chama da paixão?
  • Porque acabam as relações e quais os primeiros sinais dessa falência?
  • O que apreciam as mulheres num homem?
  • Como usar a Internet e o SMS para encontrar a alma gémea?
  • O que é um orgasmo do ponto G?
  • Como prolongar o sexo?
  • Como evoluiu o papel da mulher depois da revolução sexual e o que ainda está por fazer?
São estas e inúmeras outras questões que poderá ver abordadas neste livro, que nos desperta para a complexidade e riqueza dos valores femininos que todos os homens deveriam saber apreciar.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

«O Haiku das Palavras Perdidas», de Andrés Pascual

Editora: Gradiva
Ano de Publicação: 2011
N.º de Páginas: 436

1945. Nagasáqui. Dois jovens adolescentes vivem intensamente a descoberta de uma primeira paixão: Kazuo, um rapaz ocidental adoptado por um casal japonês, e Junko, filha de uma mestre em arte floral iquebana. A jovem é uma leitora apaixonada pela poesia haiku, a forma poética que «num fugaz cintilar nos mostra a essência das coisas.» Para selar a breve paixão que os une, de modo a que esta se estenda para o eterno, Junko propõe ao namorado que durante os quatro dias seguintes, quando se encontrarem na colina da cidade, lerem haikus escritos por vários poetas, um por cada dia. Após o último dia do supersticioso jogo, nada poderá desunir o amor deles, ambos profetizam. O que o jovem desconhece é que o último poema («Gotas de chuva / dissolvidas na terra / abraçamo-nos.») será criado pela sua própria amada e revelará a essência do seu amor. Contudo, pouco antes do quarto encontro, nesse trágico 9 de Agosto, a poucos dias do fim da Segunda Guerra Mundial, a bomba atómica cai sobre Nagasáqui, causando a morte de milhares de pessoas. Kazuo e Junko sobrevivem à tragédia, mas seguem caminhos diferentes.
2011. Tóquio. Emilian é arquitecto e acérrimo defensor da energia nuclear. Mei, é galerista e descendente de uma sobrevivente da bomba de Nagasáqui, os chamados de hibakusha. Mei quer encontrar o grande amor da avó (que está morrendo), e para isso, e contando com o arquitecto, inicia várias investigações para conseguir ver o desejo da sua parente realizado («O pior foi as palavras perdidas, o vazio que ficou», «Não podes imaginar o que é viver tanto tempo com a incerteza de não saber o que se teria passado se não tivesse havido bomba», disse a avó um dia a Mei).
Através duma trama dupla e paralela, que se entrecruza, Andrés Pascual tece uma história sobre o enamoramento, o sofrimento, a perda e a esperança. Estes são alguns dos temas subjacentes em O Haiku das Palavras Perdidas, que o escritor espanhol aborda de forma magistral ao longo das páginas deste seu terceiro romance. Estarão os homens condenados a sofrer na proporção e na quantidade de amor que sentem? Esta é uma das perguntas que em O Haiku das Palavras Perdidas fica povoando a mente do leitor, ao longo do romance. Um livro extraordinariamente bem estruturado; uma história que fica na memória dos leitores pela forma densa, ao mesmo tempo subtil, como a trama é arquitectada. Uma obra que lê-se com esmero e que merece uma pontuação máxima.

Excertos:
«A tragédia da vida não reside na sua brevidade, mas sim no facto de que costumamos desperdiçá-la sem chegar a desfrutar de uma única das maravilhas que nos oferece.» (p. 310)

«Uma palavra não dita tem mais força que mil frases pronunciadas, porque a palavra pensada permanece para sempre, ao contrário das que atravessam a soleira da garganta e acabam por se desvanecer no mesmo ar com que são fabricadas.» (p. 355)

domingo, 5 de janeiro de 2014

Publicações sobre Eusébio



https://www.facebook.com/silenciosquefalam

  • Eusébio, A Biografia Autorizada, de João Malheiro (Quidnovi, 2012)
  • O Rei da Bola, A história de Eusébio contada aos mais novos, de José Jorge Letria (Texto Editores, 2012)
  • (E)Ternamente Eusébio, de João Malheiro (Quidnovi, 2011)
  • Eusébio Enciclopédia, A Vida e a Carreira do Pantera Negra, de Afonso de Melo (Zebra Publicações, 2011)
  • Chamo-me Eusébio, de Manuel Margarido (Didáctica Editora, 2010)

sábado, 4 de janeiro de 2014

«Entre o Agora e o Nunca», uma das primeiras novidades da Presença para 2014

Entre o Agora e o Nunca
de J. A. Redmerski

Ano de Publicação: 2014
Páginas: 464
Editora: Editorial Presença
 
Sinopse
Camryn Bennett decide, com a impetuosidade dos seus 20 anos, abandonar um quotidiano previsível e aventurar-se numa viagem sem destino em busca de si própria. Entra num autocarro de longo curso e deixa-se ir ao sabor do momento. É então que conhece a pessoa que irá mudar para sempre a sua vida - Andrew Parish, um jovem que vive a vida intensamente. O espírito livre e aventuroso de Andrew exerce sobre Camryn um poderoso fascínio e, pouco a pouco, vai quebrando as suas defesas, libertando-a das convenções que a impedem de viver plenamente o presente e expondo os seus desejos mais secretos. Sensual e inspirador, este romance fala-nos do amor, da paixão, do erotismo... e da coragem de vivermos até ao limite sem nos trairmos a nós próprios.

 
O Lobo de Wall Street
de Jordan Belfort
 
Ano de Publicação: 2014
Páginas: 520
Editora: Editorial Presença


Sinopse
Esta é a autobiografia de Jordan Belfort, o jovem corretor de Wall Street que nos anos 90 se sobrepôs à lógica da economia, manipulou o mercado bolsista e ganhou uma fortuna incalculável. Uma história verídica e fulgurante, escrita num registo confessional mas com muito humor, onde Belfort relata ao pormenor a sua ascensão prodigiosa e a inevitável queda. Ganhou largas dezenas de milhões de dólares, mas o seu estilo de vida absurdamente megalómano levava-o a gastar à noite os milhares que ganhava de dia. Chamavam-lhe «O Lobo de Wall Street», e a própria máfia colocou operacionais na sua empresa para aprenderem com os seus métodos. Uma leitura atual e aliciante, que nos dá a conhecer os meandros do universo da bolsa nova-iorquina, agora adaptada ao cinema pelo realizador Martin Scorsese, com Leonardo Di Capprio como protagonista.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

«Salomé», de Oscar Wilde

Ano de Publicação: 2000
N.º de Páginas: 112

Salomé, a peça mais trágica que o irlandês Oscar Wilde escreveu, — em francês, e de ‘assentada’, numa só noite (segundo testemunhos da época) —, foi publicada em 1893, e teve a sua estreia nos palcos do Théâtre de L’Oeuvre, em Paris, três anos depois, período em que Wilde esteve preso e que escreveu De Profundis.
A peça, de um acto, faz reminiscência ao Antigo Testamento (Evangelho segundo S. Marcos), e tem como personagem-título uma jovem princesa de beleza imensurável, uma verdadeira femme fatale, e intensa e pervertidamente apaixonada por Jokanaan, um profeta que tece profecias sombrias a Herodias, sua mãe, e a Herodes, seu padastro e tetrarca da Judeia.
O autor caracteriza Salomé com uma princesa caprichosa, na veste de um ego sobrelevado e não dotada de escrúpulos: as suas pulsões e fobias agem por si. A sua paixão é desmesurada e oculta uma vingança sangrenta, devido a um não-correspondido desejo de união. Como resultado uma cabeça será servida numa bandeja de prata, num terraço sob a negra luz que uma lua ofusca em sua direcção. Esta decapitação é uma recompensa por a princesa ter assentido dançar uma sensual dança para o seu padrasto. Nesta versão, composta de forma inédita alguns personagens desse episódio bíblico, o autor de O Fantasma de Canterville cria personagens que são desejadas umas pelas outras, que falam ao mesmo tempo, requerendo atenção dos seus objectos de amor, exercendo assim, Oscar Wilde, um forte fascínio sobre o leitor.
Num registo que vai e entrecruza goticismo, tragédia, loucura, promiscuidade e sensualidade, várias máscaras (eus dos personagens) vão sendo conhecidos ao mesmo tempo que Wilde aumenta a tensão dramática e a apoteose é descortinada, seca, cru e densa. Uma história plena de possíveis chaves interpretativas, tal o seu carácter simbólico. Salomé é uma obra magistral, digna do génio de Wilde, falecido em 1900.

Excertos de «Emigrei - chove música nas minhas mãos»


«Como posso ficar e partir, ficar e partir quando as rochas choram sob o verde que as já não cobre; onde te encontro se o chão está coberto de chuva e as mãos forradas de Inverno se calam dentro de tanto vento fatigado.» (p. 16)
http://silenciosquefalam.blogspot.pt/2013/11/coisas-de-ler-editora-publica-novo.html
«Do alpendre contemplo este pedaço de terra regada a mar e o horizonte que trouxe nos bolsos, colhido dentro de portas benévolas que se abriram numa cidade longínqua, para poder, hoje, ter um lugar, o meu, aqui. Inventei, forjei lugar para ter lugar; o lugar de pertencer, que não me foi cedido sem apelo, sem esforço. Só que já não sei onde pertenço… Emigrei, e a dor que choveu dentro de mim derramou-se em raízes líquidas.» (p. 46)
in  Emigrei - chove música nas minhas mãos, de Maria João Saraiva


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Agenda e Guia Astrológico 2014 (Arte Plural Edições)

Agendas 2014 Relógio D'Água


Agenda 2014
Editora: Relógio D` Água

Sinopse
A agenda Relógio D'Água de 2014 é dedicada a poetas traduzidos.
Fá-lo através de poemas e biografias de Walt Whitman, W. B. Yeats, Pablo Neruda, Baudelaire, R. M. Rilke, Wislawa Szymborska, Emily Dickinson, Wallace Stevens, Sylvia Plath, Arthur Rimbaud, T. S. Eliot, Konstandinos Kavafis e Federico García Lorca.
 

Últimos lançamentos da Relógio D' Água


Guerra e Paz (vol.I), de Lev Tolstoi

«Guerra e Paz» narra a invasão da Rússia por Napoleão e os efeitos que o acontecimento teve na vida da aristocracia, dos militares e da população envolvida no conflito.

A maior parte dos oficiais era originária das famílias nobres e as separações e perigos da guerra tornavam mais intensas todas as relações pessoais e, em particular, as amorosas.
Os hábitos sociais, as relações sentimentais e o declínio de algumas das mais importantes famílias de Petersburgo e Moscovo são apresentados com distanciamento ou irónica ternura.

Neste romance surgiram algumas das mais perduráveis personagens da literatura, o íntegro príncipe Andrei, o insólito Pierre Bezúkhov e a fascinante Natacha Rostova, que se tornaria indispensável para qualquer um deles.

Com esta obra e a sua apresentação em mosaico de grandes painéis da vida russa onde se movimentam centenas de personagens num período de convulsões militares, Tolstoi realizou o seu desígnio de se confrontar com o Homero da "Ilíada" e da "Odisseia".

«O maior de todos os romancistas — que outra coisa poderíamos dizer do autor de "Guerra e Paz"!» [Virginia Woolf]


Guerra e Paz (vol.II), de Lev Tolstoi

«O que é "Guerra e Paz"?
Não é um romance, nem um poema e ainda menos uma crónica histórica. "Guerra e Paz" é o que autor quis e conseguiu exprimir, na forma em que está expresso. Uma tal manifestação de negligência por parte de um autor com as formas convencionais de uma obra em prosa poderia parecer presunção se fosse intencional e sem precedentes. Mas a história da literatura russa, desde os tempos de Púchkin, oferece múltiplos exemplos que se afastam dessa forma a que poderíamos chamar europeia, não se limitando a oferecer-nos apenas um exemplo contrário. Desde "Almas Mortas" de Gogol até "A Casa dos Mortos" de Dostoievski, no novo período da literatura russa, não há uma única obra de arte em prosa, acima da mediocridade, que se ajuste à forma de romance, poema épico ou conto.
O carácter da época
Alguns leitores, após o surgimento da primeira parte, disseram-me que o carácter da época não estava suficientemente definido na minha obra. A esta crítica respondo o seguinte: sei bem em que consiste o “carácter da época” que alguns leitores não encontram na minha obra. São os horrores da servidão e da plebe, as mulheres encerradas entre quatro paredes, as chicotadas nos filhos adultos, etc. Não creio que este “carácter da época” que vive na nossa imaginação se ajuste à verdade e não quis representá-lo. Nos meus estudos de cartas, diários e tradições não encontrei nem atrocidades, nem violências maiores do que as que se podem encontrar hoje ou em qualquer outra época (…).» [Lev Tolstoi, em «Umas palavras acerca de Guerra e Paz», publicado em 1868, na revista «Antiguidade Russa».]


Ulisses, de James Joyce

«Ulisses» é um romance de referências homéricas, que recria um dia de Dublin, a quinta-feira de 16 de Junho de 1904, o mesmo em que Joyce conheceu Nora Barnacle, a jovem que viria a ser sua mulher. 

Nesse único dia e na madrugada que se lhe seguiu, cruzam-se as vidas de pessoas que deambulam, conversam, tecem intrigas amorosas, viajam, sonham, bebem e filosofam, sendo a maior parte das situações construídas em torno de três personagens. A principal é Leopold Bloom, um modesto angariador de publicidade, homem traído pela mulher, Molly, e, de modo geral, o contrário do heróico Ulisses de Homero.

Joyce começou a escrever esta obra em 1914, recorrendo às três armas que dizia restarem-lhe, «o silêncio, o desterro e a subtileza».

Depois de várias dificuldades editoriais, «Ulisses» seria publicado pela Shakespeare & Company, em Paris, em 1922, no dia de aniversário de Joyce.

«Mais do que a obra de um só homem, "Ulisses" parece de muitas gerações (…). A delicada música da sua prosa é incomparável.» [J. L. Borges, «James Joyce», 1937]

«As grandes obras em prosa do século XX são, por esta ordem, o "Ulisses" de Joyce; "A Metamorfose" de Kafka; "Petersburgo" de Béli, e a primeira metade do conto de fadas "Em Busca do Tempo Perdido" de Proust.» [Vladimir Nabokov]



As Longas Tardes de Chuva em Nova Orleães, de Ana Teresa Pereira

Excerto
«Blanche era sempre interpretada por actrizes mais velhas. Mas a personagem tinha uns trinta anos. Pegou nas páginas impressas e respirou fundo. Em Nova Orleães havia dois eléctricos, um chamado Desire e o outro Cemeteries. Para chegarmos ao nosso destino, tínhamos de passar do primeiro para o segundo.»

Crítica
«Esta é uma história intoxicada pelas sensações experimentadas no palco, seduzida pela vertigem do teatro, o qual fornece a sugestão do título do romance e lhe atribui as tábuas que as personagens pisam. Mas não por muito tempo. (…) As personagens de Ana Teresa Pereira estão permanentemente a deslizar entre a ficção e a realidade, e vice-versa – sempre a encontrar corredores que as sugam de um ponto para outro, ambos igualmente ínvios, igualmente terríveis. Com progressiva mas decidida anulação dessas categorias enquanto casulos calafetados – “Kate comprara um caderno barato e escrevera a peça, ao longo de duas noites” (p.43). Como o Orlando de Virginia Woolf, estas personagens parecem atravessar as eras – muitas vezes mantendo o nome.» [«Público»,«ípsilon», Hugo Pinto Santos]


A Porta Secreta, de Ana Teresa Pereira

Excerto
«— Gostava imenso de visitar a Quinta — observou a Sara.
— Não está aberta ao público — disse a mãe. — Nem sequer aos turistas. Não percebo porquê.
— Mas não vive ninguém na velha casa?
— Não, pertence a uma família inglesa que raramente vem cá. Creio que tem muitos móveis antigos, objetos de arte e quadros.
— Como um museu… — comentou a Sara.
— Se fosse um museu poderíamos visitá-la — disse o Miguel, com uma certa irritação na voz.
— Talvez se decidam a abri-la aos visitantes.
— Talvez — disse o Miguel, como se não quisesse falar mais no assunto.»


Um Jantar Muito Original, seguido de A Porta, de Fernando Pessoa



Livro do Desassossego (nova edição, org. Teresa Sobral Cunha), de Fernando Pessoa

Passatempo: «O Livro de Agustina Bessa-Luís», de Agustina Bessa-Luís

O 1.º passatempo de 2014, aqui no Silêncios que Falam, dá a possibilidade a um seguidor do blogue, ganhar um livro de uma das maiores romancistas portuguesas, Agustina Bessa-Luís. Neste livro, a autora de A Sibila ajuíza sobre a sua vida, família e locais habitados.

Para te habilitares a ganhar o livro em sorteio, responde acertadamente ao formulário seguinte:



O Passatempo decorrerá até ao dia 15 de Janeiro.

Boa sorte!



Regras do Passatempo:
1) O passatempo decorrerá entre os dias mencionados, sendo exclusivo a participantes residentes em Portugal;
2) Será validado exclusivamente as participações com as respostas acertadas e será aceite apenas uma participação por pessoa ou email (salvo mencionado o contrário);
3) O vencedor será sorteado aleatoriamente através do Random.org e o seu nome publicado aqui neste post, além de ser comunicado ao mesmo via e-mail. Se ao fim de 15 dias, após ser contactado pelo administrador deste blogue, o vencedor não reclamar o prémio, será escolhido outro vencedor;
4) O administrador deste blogue e/ou a editora não se responsabiliza por eventuais extravios dos livros, aquando da expedição dos mesmos ao vencedor. 


As primeiras novidades da Editorial Presença para 2014

Foto retirada daqui