quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Le Clézio e Sartre inauguram 'A Coleção Que Não Precisa de Nome'

Para a rentrée, a Gradiva apresenta, a 22 deste mês, uma nova colecção de ficção, 'A Colecção Que Não Precisa de Nome', por só acolher escritores que receberam o Prémio Nobel da Literatura. 
Os primeiros autores a estrear a colecção são franceses. De J. M. G. Le Clézio, será publicado um inédito em Portugal, O Africano, viagem íntima em que o Nobel em 2008 conduz-nos numa viagem através da África colonial.
De Jean-Paul Sartre, é resgatado do esquecimento de algumas décadas, O Murouma colectânea de narrativas sobre medo, desejo, culpa e liberdade, que se confrontam de forma intensa e inesquecível.


A partir das recordações de um filho, emerge o retrato de um pai que passou mais de 20 anos nas colónias britânicas, exercendo medicina militar. Contudo, O Africano é mais do que uma evocação biográfica, é uma busca da memória, uma tentativa de compreender uma infância vivida entre mundos, a ausência que marcou a relação entre pai e filho e o encontro tardio com um homem que era simultaneamente próximo e estranho, conhecido e insondável.
Com a escrita luminosa e tão humana que o tornou numa das vozes maiores da literatura contemporânea, Le Clézio entrelaça memória e ficção num relato de rara intensidade emocional em que o destino de um homem se cruza com o de uma época. 
Enriquecida com fotografias do acervo pessoal do autor, esta edição oferece ao leitor uma experiência única, em que a memória individual se transforma no testemunho de uma época e de uma herança humana universal.


Jean-Paul Sartre, Prémio Nobel da Literatura 1964 (que recusou), é a figura maior do existencialismo francês. 
Este livro reúne O Muro, O Quarto, Erostrato, Intimidade e A Infância de um Chefe, cinco narrativas que exploram a liberdade, a identidade e os dilemas da condição humana. 
Uma edição de referência da ficção breve de Sartre que reúne num só volume os textos que inauguram a sua obra literária e anteciparam os grandes temas da sua filosofia. 
Uma escrita intensa e psicológica, que alia profundidade filosófica a grande força literária.

Na narrativa que dá título ao livro, três homens condenados à morte aguardam a execução. À medida que o amanhecer se aproxima, cada minuto adquire um valor absoluto, cada pensamento fica mais agudo e cada decisão pode alterar os seus destinos. Quando surge a possibilidade de escapar à morte, um dos prisioneiros vê-se confrontado com um dilema: salvar a própria vida ou permanecer fiel aos seus princípios.
Sem nunca abdicar da força narrativa, a obra explora questões centrais do pensamento sartriano – a liberdade, a responsabilidade e o absurdo –, afirmando-se como um dos textos fundamentais da literatura e da reflexão existencialista do século XX.

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