Depois de lançar A Gata, obra escrita com sensualidade que revela a profunda ligação da escritora francesa Colette (1873-1954) aos animais, a Sistema Solar acaba de publicar os romances Suzanne e o Pacífico e O Monstro, também de autores nascidos na França e seus contemporâneos.
«Esta Suzanne, náufraga numa ilha deserta, é um Robinson Crusoe feminino. Mas conhecida assim, através de uma prosa de Jean Giraudoux, é desde logo a certeza de que o leitor, mesmo o mais treinado pela diversidade dos estilos, será confrontado com invenções verbais que lhe vão parecer alucinadas, surpreendido por conscientes fugas à lógica e ao senso do homem comum.
Jean Giraudoux, um dos notáveis escritores franceses do princípio do século XX […] indiferente às vozes que o avaliavam cultivou com audácia as preciosidades da sua riqueza verbal, a sua abundância de metáforas, o seus períodos e parágrafos a perder de vista, os ritmos e as suas musicalidades, as suas incongruências, uma erudição às vezes tocada por duvidosa fantasia, uma irresistível vocação para o virtuosismo.» Aníbal Fernandes«Da sua extensa obra literária podem hoje recordar-se alguns títulos que escaparam menos mal à trituração das modas, das trombetas redireccionantes, das estratégias editoriais; escolhamos cinco: La Maison de Patrice Perrier (1924); La Volupté du mal e Le Flambeau des Riffault (ambos de 1930); Celui du Bois Jacqueline (1932); e a antecedê-los este O Monstro (de 1913), a sua obra hoje mais lida, com particularidades que o desviam da central atitude da literatura perante o incesto. O seu "monstro", vítima inocente de um acasalamento que o fez filho do seu avô e irmão dos seus tios, repudiado com a sua mãe por uma provinciana França novecentista, sublima um incesto com outro duplamente incestuoso, dando a esta sobreposição de incestos o papel de uma purificação. Gaston Chérau sai-se com habilidade desta história que passa pelos perigos de uma promiscuidade incestuosa e por um tema que roça sem maiores desastres pelo melodrama.» Aníbal Fernandes


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