sexta-feira, 16 de outubro de 2020

«O Olhar Que Me Persegue», de Helene Flood

Editora: Dom Quixote
Data de publicação: Setembro 2020
N.º de páginas: 368

Além de Viajo Sozinha, de Samuel Bjork, a Dom Quixote publicou recentemente outro livro vindo directamente da Noruega. O Olhar Que Me Persegue, um tríler doméstico intimidante vendido para 26 países, marca a estreia da psicóloga Helene Flood (n. 1982) na ficção.

A história, que tanto vai agradar os fãs de Agatha Christie como os de Hitchcock, tem Oslo como pano de fundo. A narradora e protagonista chama-se Sara Lathus, uma mulher perto dos 30 anos, casada com Sigurd. Ambos trabalham por conta própria: ela dá consultas de Psicologia num anexo da moradia em que vivem e que estão e reabilitar; ele é sócio de um ateliê de arquitectura.
Numa sexta-feira aparentemente normal, Sigurd, que havera combinado passar o fim-de-semana com uns amigos na cabana da família, perto da área florestal de Krokskogen, não aparece no local. Os amigos informam a psicóloga, mas ela diz que o marido telefonou-lhe assim que chegou ao destino. No dia seguinte, o corpo de Sigurd é encontrado cadáver na floresta.
Nos dias seguintes, Sara, uma mulher com poucos amigos e com uma relação distante com a família, em especial com o seu pai, a quem nunca chegou a compreender as suas ideias controversas e fundamentalistas, encontra apoio na irmã, uma advogada que vai tentar protegê-la das investigações da polícia, que apontam Sara como uma suspeita do homicídio.
Ao passar a viver sozinha na casa, ela começa a ouvir ruídos e vozes: «Não se pode confiar no medo. O medo engana os sentidos, perturba o raciocínio.» Será que alguém quer tentar minar a sua credibilidade, a fazê-la parecer louca?
«Esta é a minha vida, a minha tragédia, e terei de viver com ela para o resto dos meus dias.»
O Olhar Que Me Persegue é um romance de suspense psicológico onde a sensação de desconforto se insinua pouco a pouco, consoante o desenrolar dos acontecimentos, que se adensam também.
Os capítulos não são curtos, o que não é muito comum neste género literário, mas como o ritmo é veloz, este método que a autora escolheu para este romance torna-se eficaz.
É um tríler psicológico bem escrito, que aborda temas como as relações conjugais, a solidão, a culpa, a vergonha, a mentira e os traumas. Salientar que Helene Flood é uma psicóloga doutorada em violência, revitimização e traumas, conhecimentos que provavelmente suportaram e deram mais complexidade a algumas passagens deste livro.
O Olhar Que Me Persegue já tem os seus direitos cinematográficos vendidos para a produtora Anonymous Content (True detective, Revenants).
O único ponto negativo a salientar no livro, tem que ver com a revisão pouco atenta - pelo menos cinco gralhas podemos encontrar ao longo do livro.

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