sexta-feira, 23 de maio de 2014

«Um Silêncio Interior - Os retratos de Henri Cartier-Bresson»

«Henri Cartier-Bresson (1908-2004), o fotógrafo superlativo, o dono do olhar que nos deixou boa parte da iconografia fotográfica mais reconhecível (mais matricial e inovadora também) do século XX.» É assim que o jornal «Público» descreve Henri Cartier-Bresson, a quem dá destaque na edição de 16 de Maio de 2014 do suplemento Ípsilon, do Público.
Um Silêncio Interior
Os retratos de Henri Cartier-Bresson
 
Sinopse
Em Um Silêncio Interior, o leitor vai reencontrar algumas das imagens mais famosas do artista, assim como retratos nunca antes publicados. No entanto, todos eles materializam na perfeição o modo como Cartier-Bresson descreveu aquilo que tentava comunicar através dos seus trabalhos. "Acima de tudo, procuro um silêncio interior. Esforço-me por traduzir a personalidade e não a expressão."
Os retratos reproduzidos nesta obra - discretos e destituídos de artifícios - confirmam, uma vez mais, a singularidade do talento de Cartier-Bresson, um fotógrafo que sabia por instinto a fracção de segundo exacta em que deveria disparar a sua máquina. Inclui 97 reproduções em tricromia.

«A Carta Roubada», de Edgar Allan Poe

Ano de Publicação: 2008
N.º de Páginas: 140

Publicada em 1841, Os Crimes da Rua Morgue é considerado por muitos como a primeira obra policial escrita. Nela, Edgar Allan Poe deu a conhecer aos leitores o detective C. Auguste Dupin, um indivíduo solitário e de aguçada inteligência, sendo por alguns críticos considerado o precursor do famosíssimo Sherlock Holmes. No ano seguinte Poe publicou a segunda sequela da série policial, O Mistério de Marie Rogêt, e em 1844 deu por concluída a trilogia protagonizada por Dupin, e intitulou esse conto A Carta Roubada (The Purloined Letter no original). Neste conto — o primeiro de cinco que se encontra compilado neste livro, o n.º 8 da colecção dirigida por Jorge Luis Borges —, cuja acção ocorre em Paris durante o séc. XIX, Dupin é chamado para investigar um alegado roubo de uma carta. O narrador do conto mora com o detective Dupin, e é pela sua voz que vamos conhecendo, paulatinamente, todas as circunstâncias que a investigação toma. A Carta Roubada é a primeira e única narrativa deste livro que não se insere no género fantástico. A Verdade Sobre o Caso de M. Valdemat, Manuscrito Encontrado Numa Garrafa e O Homem da Multidão são os contos seguintes apresentados, que revelam histórias sobre várias maneiras possíveis que o ser humano, quando encontra-se perante adversidades, escolhe para estar no mundo. São contos cujos protagonistas sentem uma fascinante atracção por experimentar os mais horripilantes dos sentimentos.
«Ficara extenuado… às portas da morte por aquela prolongada agonia, e quando finalmente me desamarraram e me autorizaram a sentar, senti-me a desfalecer.» — este é o início do último conto: O Poço e o Pêndulo, sobre o qual Jorge Luis Borges em nota introdutória escreve: «já me esqueci das vezes que (…) o li, reli ou pedi que mo lessem; sei que ainda não cheguei à última vez e que voltarei ainda à prisão quadrangular que se vai comprimindo e ao abismo sem fundo.» O desenrolar da história passa-se em Toledo, na Espanha, na época da Inquisição e o seu narrador é um homem preso num calabouço, que aguarda a sua execução iminente. Aí, ele conta a imensa tortura física e psicológica por que passa. Os danos físicos que os objectos de tortura (que dão título ao conto) podem resultar no seu corpo são detalhadamente dados a conhecer ao leitor pela pena de tinta vermelha de Edgar Allan Poe (1809-1849). Este conto foi adaptado para cinema em 1961 e em 1991, mas ambos, segundo a crítica, não seguem fielmente e macabramente o conto, do autor de Eureka.
A Carta Roubada é uma excelente compilação de textos curtos que levantam muito suspense a quem os lê.

O livro sobre o Caso Renato Seabra, de Marta Dhanis, jornalista da TVI


O Caso Renato Seabra: Por Detrás das Cortinas
de Marta Dhanis

Editora: Chiado
Páginas: 118
Data de publicação: Maio de 2014
Género: Reportagem

Sinopse

O caso fez manchetes no mundo inteiro. Um corpo mutilado é encontrado no quarto de um hotel de 5 estrelas em Nova Iorque.
Uma história com os ingredientes perfeitos até para o tablóides da ‘Big Apple’: sexo, dinheiro e homossexualidade.
Os protagonistas: um modelo português e uma personalidade do mundo do espectáculo de Portugal. Mas afinal quem é quem? Qual era a verdadeira natureza da relação entre um jovem de 21 anos e um homem de 65? E o que levou ao homicídio?

A autora foi a única jornalista a acompanhar o caso de perto, desde a noite do homicídio até à sentença do arguido. O livro conta-lhe o caso passo a passo e ainda o que se passou por detrás das cortinas, incluindo conversas com o homicida. Haverá inocentes nesta história? Haverá algum culpado para além de quem foi condenado? Como será o futuro de Renato Seabra? 


Marta Dhanis é a correspondente da TVI nos Estados Unidos, estando baseada em Nova Iorque desde 2010. Aqui, faz a cobertura de uma ampla variedade de temas, que incluiu o Caso George Wright, a Década do 11 de Setembro, as Eleições Presidenciais de 2012, Furacões Irene e Sandy, Massacre de Newtown e a Morte de Osama Bin Laden. A jornalista portuguesa foi ainda a única a acompanhar o caso Renato Seabra desde a noite do crime até à sentença.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Sarah Lark e de Diane Setterfiel são as autoras dos mais recentes livros da Marcador

Londres, 1852. Duas raparigas empreendem uma viagem de barco rumo à Nova Zelândia e tornam-se amigas. Trata-se, para ambas, do início de uma nova vida como futuras esposas de dois homens que conhecem apenas por correspondência. É o começo de uma nova vida com homens que não conhecem. Gwyneira, de origem nobre, está prometida ao filho de um magnata da criação de ovelhas, enquanto Helen, uma jovem perceptora, parte para se casar com um fazendeiro. Procuram encontrar a felicidade num país que promete ser o paraíso. No entanto, as ilusões de ambas depressa se esfumam, principalmente quando descobrem que a sua amizade está em perigo porque os maridos são inimigos.

Gwyneira e Helen são mais fortes do que acreditavam ser e rompem com os preconceitos e as restrições da sociedade onde vivem, mas serão capazes de alcançar o amor e a felicidade do outro lado do mundo?

No País da Nuvem Branca, de Sarah Lark

Esta é a História de William Bellman, que começa no momento em que, ainda rapaz, brinca com os amigos no meio rural inglês. William impressiona os companheiros ao matar uma gralha-calva com uma fisga. Os anos vão passando e William continua a impressionar. É um jovem de sucesso, tem jeito para os negócios, chega ao cargo mais elevado de uma fiação local, casa-se e tem quatro filhos inteligentes, e espera que a vida lhe continue a correr de feição.

É então que surge uma doença na sua localidade. William perde a mulher e três dos filhos. Em desespero, faz um pacto com um estranho vestido de negro. A sua filha mais velha é poupada, mas William muda-se para Londres, abre uma loja e dedica-se inteiramente ao trabalho, incapaz de reviver as memórias do passado em que conheceu a felicidade.
O Homem Que Perseguia o Tempo, de Diane Setterfiel

Passatempo: «As Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café», de Agnès Martin-Lugand


O romance que revolucionou o panorama editorial francês

Para te habilitares a ganhar 1 exemplar de As Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café, cujo lançamento decorrerá a 28 de Maio (vê aqui a hora e o local), responde acertadamente ao formulário seguinte.


O Passatempo decorrerá até ao dia 27 de Maio.

Boa sorte!



Sê seguidor deste blogue: na barra lateral direita da página clica em "aderir a este site"


Regras do Passatempo:
1) O passatempo decorrerá entre os dias mencionados, sendo exclusivo a participantes residentes em Portugal;
2) Será validado exclusivamente as participações com as respostas acertadas e será aceite apenas uma participação por pessoa ou email (salvo mencionado o contrário);
3) O vencedor será sorteado aleatoriamente através do Random.org e o seu nome publicado aqui neste post, além de ser comunicado ao mesmo via e-mail. Se ao fim de 15 dias, após ser contactado pelo administrador deste blogue, o vencedor não reclamar o prémio, será escolhido outro vencedor;
4) O administrador deste blogue e/ou a editora não se responsabiliza por eventuais extravios dos livros, aquando da expedição dos mesmos ao vencedor. 


terça-feira, 20 de maio de 2014

O primeiro romance inédito de Susanna Tamaro é finalmente publicado


Sou Um Clandestino
de Susanna Tamaro

Data 1ª Edição: 20/05/2014 
Editora: Editorial Presença
Nº de Páginas: 128

Sinopse: O protagonista deste livro é um jovem de 25 anos que decide empreender uma viagem a Illmitz, uma pequena cidade numa região remota da Áustria onde a sua família vivera antes de se mudar para Itália. É uma viagem em busca das suas raízes - mas sobretudo em busca de um sentido para a sua inquietação, para a sua fragilidade. Com ele viajam também os seus fantasmas: Agnese, a irmã que morreu ainda criança; Andrea, o amigo de infância; a mãe, falecida também prematuramente. E há ainda Cecilia, a namorada. Dotada de uma sensualidade exuberante e de uma vitalidade instintiva, Cecilia é tudo aquilo que o protagonista não é. E é com essa imagem tão diferente de si próprio que ele vai ter de se reconciliar…

Sou um Clandestino é o primeiro romance escrito por Susanna Tamaro, que permaneceu inédito até ao início de 2014. Uma obra que se insurge contra a solidão e o exalta o esplendor da vida.

Citações
«Vai Aonde Te Leva o Coração teve um sucesso extraordinário, se bem que, poeticamente, não se compare com Sou um Clandestino.» | Claudio Magris

Todo o Anjo é Terrível e Para Sempre são os livros que antecedem a Sou Um Clandestino.


«O Traje Tradicional da Madeira», livro infanto-juvenil


O Traje Tradicional da Madeira

Data 1ª Edição: 20/05/2014
Editora: Presença
Nº de Páginas: 28

Sinopse: Vem conhecer o traje tradicional da Madeira e recriá-lo através das atividades que encontrarás neste livro! Ao longo das páginas vais ficar a conhecer um pouco mais dos costumes, das tradições e da história desta região autónoma de Portugal. Recorta as duas figuras incluídas no livro e veste-as de acordo com aquilo que aprendeste. Tens ainda páginas para colorir e 50 autocolantes. Só precisas de uma tesoura, lápis ou canetas de cor e cola para começares já a aprender e a divertir-te!

Detox, o livro que Giovanna Antonelli, Deborah Secco e Carolina Dieckmann recomendam


de Andrea Henrique
 
Programa para desintoxicar o seu organismo

Sinopse: Escrito para quem se preocupa com a saúde e a alimentação, mas também para quem tem pouco tempo, este livro apresenta sugestões pessoais da chef Andrea Henrique, receitas e dicas sobre a melhor forma de mudar os maus hábitos alimentares. Detox oferece um programa para sete dias, com opções simples que vão do pequeno-almoço ao jantar, e que permitem a qualquer um fazer em sua casa aquilo que a chef faz na sua cozinha profissional.

O nome Detox vem da abreviatura da palavra Detoxification, que em inglês significa desintoxicar: estimular o organismo a eliminar toxinas. Este livro vai ajudá-lo a dispor de ferramentas para que, durante um período, com uma alimentação sem produtos químicos, corantes ou conservantes, o seu organismo consiga completar mais facilmente essa limpeza.
Citações
  • «A Andrea ensinou-me, com a sua comida, que é possível alimentar-se bem fazendo bem ao nosso corpo!» | Deborah Secco
  • «A comida da Andrea é deliciosa. É até difícil lembrar-se que não está a ingerir glúten, lactose, proteína animal, e tudo o que faz mal…» | Carolina Dieckmann
  • «Conhecer o trabalho da Andrea trouxe-me mais consciência, disciplina e, com isso, subtilmente, aprendi a escutar o meu organismo.» | Giovanna Antonelli

Romance de Nicholas Sparks é relançado pela ASA («True Believer», 2005)

Quem Ama Acredita
de Nicholas Sparks

Sinopse
Jeremy Marsh vive em Manhattan, onde a sua reputação como jornalista científico é irrepreensível. Cético por natureza, deleita-se a desmascarar falsos médiuns, cultos religiosos fraudulentos e terapias duvidosas. No dia em que chega a Boone Creek, uma pequena e pitoresca cidade na Carolina do Norte, Jeremy está seguro de que o mistério das fantasmagóricas luzes no cemitério local tem uma explicação racional.
Lexie Darnell adora Boone Creek, onde trabalha como bibliotecária. Disposta a dar a conhecer a magia da cidade, ela acompanha Jeremy nas suas investigações. Lexie e Jeremy não podiam ser mais diferentes e, contudo, os sentimentos que os unem são intensos e verdadeiros.
Jeremy sabe que a sua estadia em Boone Creek tem um prazo, findo o qual regressará à sua amada Nova Iorque. Por seu lado, Lexie sente que nunca será feliz numa cidade grande. O futuro da relação é impossível. A não ser que a realidade prove não ser tão racional assim…

segunda-feira, 19 de maio de 2014

«Estou Nua, e Agora?» é o novo livro de Francisco Salgueiro

Sinopse
Alex, uma nova-iorquina, vive uma vida perfeita: acabou o curso e tem um emprego garantido. Está prestes a cumprir os sonhos que desenharam para ela. Mas um desgosto de amor leva-a a viajar pelo mundo. Precisa de se conhecer melhor e ultrapassar os seus medos. Da Tailândia ao Brasil, da Austrália a Marrocos, faz Couchsurfing dormindo em colchões, beliches, camas limpas, camas sujas, parques públicos – até em minha casa, em Lisboa. Nudismo, algum sexo, ilhas paradisíacas, jantares românticos, protestos de rua, festivais no deserto, um encontro com Nelson Mandela, mulheres que disparam bolas de ping pong das suas zonas íntimas – tudo isto faz parte desta história real passada nos sete continentes, ao longo de um ano, que representa tudo aquilo que gostaríamos de fazer.
Há pessoas que cometem erros por se acomodarem e outras que cometem erros por tentarem. A Alex preferiu errar tentando. E vocês?

Pornografia e prostituição, são temas que a escritora Claudia Black aborda em «Enganada»

Pornografia, cibersexo, prostituição, voyeurismo, casos múltiplos. Seja qual for a sua «droga» de eleição, os homens com comportamentos sexuais complusivos levam as suas companheiras a oscilar entre o medo, a cólera, uma extraordinária vergonha e o isolamento.
Mas existe esperança. 

Em Enganada (324 pp., Sinais de Fogo), Claudia Black oferece às mulheres que se vêem em relações atormentadas pela traição sexual o afecto e a orientação para encontrarem um novo caminho de clareza, propósito e confiança.

domingo, 18 de maio de 2014

«Oscar Wilde para Inquietos», de Allan Percy

Editora: Marcador
Data Publicação: 6/05/2014
N.º de Páginas: 144

Nesta obra, originalmente intitulada El Coaching de Oscar Wilde, encontramos 99 das mais perspicazes e profundas citações (ditas por Wilde ou expressas por seus célebres personagens) que traduzem a magnitude intelectual wildiana. Após cada frase, que irrompe a negrito em cada capítulo, Allan Percy analisa e desenvolve uma reflexão sobre o que está intrinsecamente subjacente nas curtas frases plenas de jogos irónicos e mordazes, que é apanágio do autor de De Profundis. O autor espanhol não só faz uma interpretação própria das citações como remete o leitor para outros ilustres textos de filófosos, pensadores e escritores, antigos e contemporâneos, como Buda, Dalai Lama, Shakespeare, Dale Canergie, Andy Warhol e Woody Allen, entrelaçando esses pensamentos com os do escritor a quem este livro presta tributo. Um exemplo que mostra a ironia de Wilde é a frase que consta na página 33: «A única diferença entre um capricho e uma paixão eterna é que o capricho é mais duradouro.» Jorge Luis Borges escreveu que «ao contrário de outros escritores, que tentam parecer profundos, Wilde, (…) era-o essencialmente, e tentava parecer frívolo», e é precisamente esta despretensão que transformou as frases de Oscar Wilde as que mais são partilhadas nas redes socias, como sublinha Allan Percy.
De Oscar Wilde para Inquietos, o terceiro livro do autor — que é também especialista em coaching — publicado pela Marcador Editora, há a declarar que é um livro escrito com humor, ideal para quem queira ter compilado algumas das frases que certamente já viu circular pelo seu mail, facebook, etc. Se o autor tivesse puxado mais pelo seu intelecto e menos pelo do dos outros (há demasiadas citações de autores que não Oscar Wilde, que na obra Percy faz uso, para transpor a mensagem de cada aforismo), a obra ganharia mais-valia; ficaria mais homogénea e centrada. Todavia, depois de lido, Oscar Wilde para Inquietos pode estar sempre na mesa-de-cabeceira e aberto aleatoriamente sempre que haja motivos para buscar inspiração, em um qualquer momento mais letárgico, que apresente-se no quotidiano.

http://silenciosquefalam.blogspot.pt/2014/04/oscar-wilde-para-inquietos-e-o-novo.html

Excerto:
«Quando examinamos a sua vida e lemos as suas palavras, tanto as suas obras como todas aquelas frases em forma de citação que nos chegaram dele, fica-nos uma mensagem: Wilde convidava-nos a viver a vida como se fosse uma obra de arte.» (p. 121)

sábado, 17 de maio de 2014

«Tia Guida», de André Fernandes

Editora: Chiado
Data 5.ª edição: Abril 2014
N.º de Páginas: 186

Sobre cancro. É sobre esta doença que André Fernandes (n. 1991) fala neste livro. Tia Guida é um testemunho narrado na primeira pessoa sobre o último ano de vida de Margarida, a tia que ajudara a criar André, filho de pais separados. No Verão de 2011 fora diagnosticado à cinquentenária um tumor já em estado avançado. O marido da tia e André foram os primeiros a saber da notícia tão devastadora. Os médicos prorrogaram-lhe três meses de existência, apenas. A dor de perder alguém que marcou positivamente o seu crescimento e adolescência inteiras antecipou-se na hora que soube do malogrado veredicto: «Achamos, de certa forma, que quem amamos nos pertence.»
A tia Guida lidou com a grave doença à sua maneira, encarou-a de frente e vestiu os seus pensamentos de cores alegres; para ela o cancro que lhe devastava o organismo, alma e o corpo, iria se desvanecer aos poucos, com a ajuda da quimioterapia; tal como se lhe invadira, o carcinoma, sem pedir autorização, ele iria sair também. Por isso a tia de André dispensou aconselhamento psicológico e medicamentos ansiolíticos, para enfrentar a doença. Já o autor, na altura com vinte anos, conta que para superar e dar ânimo à sua querida tia, lhe valeu muitos as suas ideias e crenças mais espirituais, mais adeptas do mundo Oriental. De certa forma, a doença da tia também lhe tocara: «Mas não será o cancro uma doença tanto para aqueles que o têm como para aqueles que os vêem sofrer com ela?», diz-nos o autor no início do livro. Os efeitos da quimioterapia, seu impacto físico e psicológico, não só atingiu a tia como todos em seu redor, amigos, familiares. André conta no livro que durante todo este período doloroso, foi partilhando as suas emoções nas redes sociais e que fora a partir daí que lhe surgira o impulso de escrever este livro. Ele contou também com o apoio de amigos — «As grandes amizades fazem a diferença nas grandes crises.» (p. 115) —, mas, por estranho que pareça ao lermos o seu relato, ele revela que a sua namorada lhe abandonara, logo nessa altura, «num dos piores momentos da minha vida», confessa. «A vida tem, dentro da sua aparente falta de organização, uma ordem meticulosa e tantas vezes irónica e difícil de perceber.» — Esta é apenas uma das inspiradoras reflexões que André Fernandes partilha neste livro. Aliais, o autor revela uma maturidade pouco reconhecida em jovens da sua idade. O crescimento pessoal e espiritual resultado desta luta, sim, que também ele travara, é notório ao longo de todo o relato, que divide-se em mais de trinta capítulos breves. Um dos capítulos intitula-se ‘Porquê? vs Para quê?’, e é um dos textos que confirmam maturidade, sensibilidade e inteligência emocional no jovem escritor.
Se há testemunho que valha a pena ser partilhado em livro, este é, definitivamente, um deles. Tia Guida (que vai já na 5.ª edição) revela o dom nato de André Fernandes para comunicar. Está bem escrito, sem falhas linguísticas e técnicas, e dentro do género literário que se insere, é uma obra bem conseguida e de leitura compulsiva, que por vezes, para os leitores mais sensíveis, torna-se em leitura dolorosa. É sobretudo um livro despretensioso a nível literário, todavia, tem o potencial de chegar a um público extenso: não só aos leitores que vivenciaram de perto com o cancro, mas aos leitores que poderão colher conselhos importantes de quem lidou de perto com a doença oncológica. Só há a salientar que o desfecho do relato poderia ter sido mais esclarecedor, mas compreende-se que nem todos os detalhes do que aconteceu tenha de ser partilhado.
«Há gente que fica na história da História da gente» e há livros que falam sobre essas pessoas.


Excerto:
«Quando o amor que nos liga a alguém é assim tão genuíno, perante a chance de não mais vermos a materialização física da pessoa que amamos à nossa frente, sofremos num vazio difícil de descrever (…)» (p. 33)

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Catálogo 2014 da Dinalivro Edições

http://issuu.com/dinalivro/docs/binder1_5e5eef808c3088
Clica na imagem e conhece todos livros da Dinalivro, a editora que há 40 anos faz do livro uma forma de vida e uma fonte de prazer!
No catálogo já encontra-se mencionado o próximo lançamento da editora: A Borboleta Voando no Vazio, onde pela primeira vez em Portugal, estão traduzidas e reunidas duas obras basilares do pensamento chinês antigo e do taoismo.

«Viciadas em Sapatos» é o título do livro que é publicado a 20 de Maio


Viciadas em Sapatos
de Beth Harbison
Editora: Editorial Presença
N.º de págs.: 280
Data de publicação: 20/05/2014
Sinopse
«És como eu? Adoras sapatos, mas não podes continuar a comprá-los? Se calças o 38 e estás interessada em trocar os teus Manolos por Maglis, etc., terças-feiras à noite na zona de Bethesda, envia um e-mail para Shoegirl2205@aol.com ou liga 301-555-5801. Talvez possamos ajudar-nos mutuamente.» 
Quando se apercebe de que o montante da dívida dos seus cartões de crédito já ascende a 30 mil dólares, Lorna Rafferty decide que tem de fazer algo em relação ao seu vício por sapatos. Decide então criar o grupo Shoe Addicts Anonymous, propondo aos futuros membros que troquem sapatos, de modo a impedir que sintam necessidade de continuar a comprar novos pares. Juntam-se assim quatro mulheres muito diferentes, mas todas em situações desesperadas, que acabam por partilhar muito mais que apenas sapatos, nascendo entre elas a esperança de tempos melhores… 

Críticas de imprensa
«Efervescente... A autora criou personagens vivas, convincentes e bem construídas. Ler este romance é como saborear uma fatia de bolo.»
Publishers Weekly


«Beth Harbison escreveu uma história encantadora e fascinante, cheia de graça e de charme. Com personagens bem conseguidas e um enredo brilhante, este é um livro a não perder.»
RT Book Reviews

A autora
Beth Harbison começou por publicar livros de culinária e romances românticos antes de escrever Viciadas em Sapatos, que entrou para a lista de bestsellers do The New York Times. Beth Harbison vive nos subúrbios de Washington, DC, com o marido e os filhos.

«No Place to Hide», o livro sobre o caso Edward Snowden

Edward Snowden - Sem Esconderijo
de Glenn Greenwald
 
Data publicação: 23/05/2014
Páginas: 312
Editora: Bertrand Editora
 
Sinopse
No Place to Hide é um novo olhar sobre o escândalo de vigilância da NSA, do repórter que trouxe a história a público. O jornalista de investigação do The Guardian e autor best-seller Glenn Greenwald fornece um olhar aprofundado sobre o escândalo NSA, que provocou um debate nos EUA sobre a segurança e a privacidade das informações nacionais. Com novas revelações contidas nos documentos confiados a Glenn Greenwald pelo próprio Edward Snowden, este livro explora a extraordinária cooperação entre a indústria privada e a NSA, e as inumeráveis consequências do programa de vigilância do Governo, tanto a nível nacional como mundial.
 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

«NYPD Red: À Margem da Lei», de James Patterson e Marshall Karp

Editora: TopSeller
Data de Publicação: Abril 2014
N.º de Páginas: 336

Publicado nos Estados Unidos em Março deste ano, NYPD Red: À Margem da Lei é o segundo volume de NYPD Red, a mais recente série da autoria de James Patterson — conta também contando com a colaboração do escritor Marshall Karp. Neste segundo volume, a cidade de Nova Iorque está a ser alvo de assassinatos em série. O suspeito é apelidado pelos mídia como «o assassino de Hazmat», quando o modus operandi que culminou nas mortes, evidencia tortura e vingança inerentes. Quando a quarta vítima, uma mulher, é encontrada num carrossel giratório em Central Park, e passados algumas semanas sem a polícia distrital ter pistas que levem ao assassino, a unidade especial NYPD é chamada a intervir. E sob pressão, pois as eleições estão à porta e o actual presidente camarário da cidade não quer perder eleitores por causa deste caso, sem solução; a sua opositora nas eleições, Muriel Sykes, é que lucraria mais. Este caso ganha maior popularidade quando os nova-iorquinos sabem que o serial killer rastreia ex-criminosos que não foram punidos. Ou seja, é um justiceiro, sedento de raiva.
O detetive Zach Jordan e a sua parceira Kylie MacDonald são destacados para a investigação e logo descobrem que um caso de homicídio não resolvido, há mais de dez anos, em Howard Beach, que envolvia a Máfia, está interligado com as recentes mortes.
Em NYPD Red: À Margem da Lei há duas histórias que se cruzam, que inicialmente parecem não fazerem sentido. Contudo, o elo de ligação das tramas a partir da segunda metade do policial é desvendado e o suspense começa a estar mais iminente. A partir de personagens que não aparentam o que são, que mudam de nome para se camuflar, James Patterson engendrou um thriller policial e político com doses de humor, que prende o leitor quase na totalidade da acção. Todavia, o fio-de-prumo que dá azo à história, a motivação do assassino para cometer os homicídios, é pouco fundamentada e falha na convicção; em todo o caso, é suficiente para criar surpresa no final do livro, e por isso vale a leitura.

«A Cura de Schopenhauer», de Irvin D. Yalom

Ano de Publicação 2.ª ed.: 2009
N.º de Páginas: 320

Julius Hertzfeld, um psicoterapeuta distinto, descobre que tem um melanoma grave e apenas alguns meses de vida. Ele decide que a melhor maneira de gastar o seu tempo restante é continuando a exercer o seu trabalho, melhorando o bem-estar emocional dos seus pacientes. Contudo há uma pergunta que lhe corrói o pensamento: «Será que foste realmente, verdadeiramente, útil aos teus pacientes?» É assim que Julius se lembra de Philip Slate, um ex-paciente que, há vinte e cinco anos, cessou abruptamente o seu tratamento. Ele é actualmente (2005) um homem erudito, conhecedor de toda a filosofia, desde a de Epicuro até à mais contemporânea, mas foi nos ensinamentos de Schopenhauer que Philip direcionara todo o seu intelecto. A biblioterapia, um tratamento através dos livros, no caso de Philip, através de obras filosóficas, foi a verdadeira cura para ele. Todavia, essa cura o deixou emocionalmente sozinho, incapaz e sem vontade de se envolver com outra pessoa, e por isso Julius sente-se culpado. Um compromisso é traçado entre os dois, fazendo com que Philip participe numa terapia de grupo que o terapeuta dirige. Frequentando a grupanálise, com pessoas com personalidades heterogéneas, Pam, Rebecca, Tony, Bonnie, Stuart e Gill, Philip terá que relacionar-nos com os outros, mas também se verá no papel de mestre sobre filosofia e terá um papel fundamental para o êxito do tratamento dos colegas com problemas emocionais.
À medida que a história avança Yalom apresenta, em capítulos entrelaçados, a biografia de Arthur Schopenhauer (1788-1860), citando algumas das frases mais profundas do filósofo sobre a psique humana. Aliais, as epígrafes de todos os 41 capítulos são da autoria do pensador.
A Cura de Schopenhauer é um livro bem escrito, o que já é apanágio de Irvin D. Yalom, e entrelaça filosofia e psicologia de uma forma inteligente e impressionante. O romance transmite a dinâmica da psicoterapia de grupo e sem dúvida algumas das passagens devem fazer parte da experiência clínica do psiquiatra-escritor. The Cure Schopenhauer mostra-nos como revisitar e dar um novo sentido aos traumas em vez de fugir deles através do álcool, da alimentação e do medo, e passa a mensagem de que podemos treinar a nossa mente para enfrentar as dificuldades.

Três livros que a Bizâncio lança em Maio



Hoje Sonhei que Voava
Manual de Interpretação de Sonhos
de J. M. DeBord

Págs.: 240

«O trabalho de interpretação de sonhos é um processo muito pessoal. Não há uma Pedra de Roseta que nos ajude a fazê-lo, nem um significado universal para cada símbolo que neles ocorre», afirma o moderador do fórum de interpretação de sonhos J. M. DeBord. Mas não se assuste. Graças a umas quantas ferramentas simples, em breve poderá começar a descobrir a sabedoria e as orientações de vida específicas que cada um dos seus sonhos contém. Este livro revolucionário conduz-nos passo a passo ao longo do processo de aprendizagem do significado dos sonhos, qu e constituem uma linguagem como qualquer outra. A princípio, é possível que só compreenda as palavras e frases mais simples, mas em breve começará a saber ler nas entrelinhas, descodificando todo o humor, ironia e significado dos seus sonhos. Verá que sonhamos para nos reconciliarmos com o passado, lidarmos com o presente e orientarmos o futuro. Três passos: recordar, interpretar e viver os seus sonhos. É muito mais fácil do que possa pensar.



Entre Dois Séculos
Viagem ao Passado Próximo
de  Amadeu Lopes Sabino

Págs.: 160

«Como na época de Camões, o nosso mundo toma constantemente novas qualidades. Os textos reunidos neste livro falam dos dois séculos tumultuosos em que me tem sido dado viver...
Os protagonistas são o século XX — o Breve Século de que fala Hobsbawm — e os anos iniciais da nova centúria e do novo milénio. De um e outros tenho sido testemunha, às vezes um modesto participante.
Recusando as artimanhas de Cassandra, interrogo as marcas do humano nos sucessos da história e os signos do absoluto na literatura. Posso assim fazer minhas as sábias palavras de Alberto Caeiro: ‘Como uma criança antes de a ensinarem a ser grande, fui verdadeiro e leal ao que vi e ouvi.’»
Amadeu Lopes Sabino



Brasil
de  Michael Palin

Págs.: 320

Brasil — uma nova e emergente potência mundial, do tamanho de meio continente, com uma poderosa mistura de culturas, religiões e raças. Da vastidão quase selvagem, às grandes cidades, dos muito ricos aos abjectamente pobres, o Brasil é um país de fascinantes extremos. Com a aproximação do Campeonato do Mundo de Futebol, e dos Jogos Olímpicos em 2016, nunca o Brasil teve os olhos do mundo tão virados para si.
Michael Palin, o auto-confessado fanático das viagens, explora esta vasta e díspar nação viajando de barco, a pé e de planador, bem fundo na Amazónia, experimentando a modernidade de Brasília, a dança e a arte urbana do Rio de Janeiro.
Visita as favelas e as praias de Copacabana. Viaja pelo Nordeste, onde as raízes africanas das gentes pr oporcionam uma cultura apaixonante, e, caminhando para Sul, prova cerveja alemã, servida num sidecar, acabando nas espectaculares Cataratas de Iguaçu.
Este é o Brasil que nos revela: vibrante, intoxicante, pleno de energia.