sexta-feira, 31 de julho de 2020

«O Peixe Arco-Íris», de Marcus Pfister

Editora: Kalandraka
Data de publicação: Julho 2020
N.º de páginas: 32
Marcus Pfister é um suíço de 60 anos, licenciado em Design Gráfico, que já ilustrou cerca de 50 livros, traduzidos em dezenas de línguas, contando com 30 milhões de exemplares vendidos. O seu primeiro livro infantil foi publicado em 1986; a sua obra mais recente, foi lançada no início deste ano.
Em 1992, ganhou reconhecimento internacional com O Peixe Arco-Íris, motivando-o a exercer a tempo inteiro a profissão de escritor e ilustrador. Esta obra infantil ­ que chega finalmente a Portugal, num trabalho de tradução assinado por Ermelinda Mutenha e Kai Immig, tornou-se num autêntico sucesso de vendas, dando origem a uma colecção de livros (o último título chegou às livrarias em 2003) e adaptado para uma série animada de televisão, protagonizadas por um peixe muito bonito e também muito orgulhoso.
Arco-íris. É assim que o peixe mais bonito de todo o oceano é apelidado pelos outros espécimes, que ficam encantados com a sua beleza exterior: as suas escamas são cintilantes, multi-coloridas e iridescentes - que, de facto, podemos comprovar com a visão e o tacto; brilham como caleidoscópios à medida que viramos cada página do álbum.
Os peixes diziam para ele brincar com eles e se ele podia oferecer-lhes uma das suas reluzentes escamas, já que ele tinha tantas, «mas o peixe Arco-Íris passava por eles, silencioso e vaidoso». Um dia, cansados de serem afugentados e repudiados pela aparente rudeza do confiado peixe, todos lhe viram as costas, deixando-o com a sua infindável formosura e solitude.
Torna-se assim o peixe mais solitário de todo o oceano. «De que adiantavam agora as suas maravilhosas escamas brilhantes se ninguém as admirava?»
Será que um dia, ele encontrará amigos de verdade? Que o aceitem como ele é? Ou terá ele que mudar primeiro algumas atitudes para então atrair a amizade dos outros peixes?
O Peixe Arco-Íris é uma fascinante e didáctica história, adornada com belíssimas ilustrações a lápis e aguarelas, com colagens com papel holográfico (cujo efeito é o ponto mais atraente deste álbum), que adverte-nos sobre o egoísmo e a vaidade em níveis desmesurados, e a importância de aprendermos a ser bondosos, compartilhando com os outros o que temos e que não nos faz falta. Às vezes, o simples acto de partilha (seja de um objecto, uma palavra, um olhar, um sorriso, um silêncio, etc.), pode trazer-nos felicidade, libertação e uma maior aceitação por parte dos outros.
Sobre este que é considerado um clássico da literatura infantil, Marcus Pfister diz: «Queria mostrar às crianças o aspecto positivo da partilha: compartilhar não significa apenas doar algo (o que é bastante difícil para uma criança), mas, acima de tudo, fazer a outra pessoa feliz – ficando ela mesma feliz fazendo isso.»
Salientar que O Peixe Arco-Íris (tal como aconteceu com Onde Vivem os Monstros, de Maurice Sendak) foi um dos livros infantis que Michelle e Barack Obama escolheram para ler às crianças em 2016, no tradicional evento White Egg Egg da Casa Branca (ver aqui e aqui).

Sem comentários: