quarta-feira, 14 de março de 2018

«Uma Biblioteca da Literatura Universal», de Hermann Hesse

Editora: Cavalo de Ferro
Data 2.ª edição: Fevereiro 2018
N.º de páginas: 112
«"Diz-me o que lês e eu dir-te-ei quem és" é verdade; mas conhecer-te-ia melhor se me dissesses o que relês.» Esta frase de François Charles Mauriac (1885-1970), Nobel de Literatura de 1952, vem à tona assim de terminada a leitura de Uma Biblioteca da Literatura Universal, obra ensaística de Hermann Hesse (1887-1962) inédita em Portugal até 2010, altura em que a Editora Cavalo de Ferro, numa tradução de Virgilio Tenreiro Viseu, a publicou.
Este livro com pouco mais de 100 páginas encantará todos os apaixonados pela leitura e pelos livros, porque, nas palavras do autor, quem «lê os livros como se ouvem os amigos, verá como esses revelarão os seus tesouros e se tornarão para ele uma posse íntima.»
Dos onze textos compilados neste livro, escritos entre 1907 e 1945, o primeiro, que dá título ao livro, é o mais sumarento a nível de abordagem ao mundo mágico dos livros. Nele, o Nobel de Literatura de 1946, seguindo a sua experiência de homem e de leitor, de forma despretensiosa, tenta descrever os títulos e autores que na sua óptica não devem faltar numa pequena biblioteca ideial da literatura universal.
Ressalvando que a escolha dos clássicos imorredouros será diferente de leitor para leitor, o autor de Viagem ao país da manhã, enumera títulos da literatura oriental, francesa, inglesa, espanhola, nórdica, russa e alemã, que para ele são de extrema importância para que os leitores possam entender o mundo e enriquecer as suas vidas: «(…) da mais remota antiguidade até à véspera dos nossos dias [1929], remexemos na literatura de vários povos, encontrando uma quantidade de obras dignas de serem admiradas e amadas.»
Para Hermann Hesse, as obras mais velhas são as que envelhecem menos. Pare ele, são indispensáveis na nossa biblioteca, por exemplo: Tao Te Ching, de Lao Tzu («um dos livros máximos da humanidade»), Confissões, de Santo Agostinho, A Divina Comédia, de Dante Alighieri, de Cervantes Dom Quixote («um dos livros mais grandiosos e, ao mesmo tempo, mais encantadores de todos os tempos»), de Goethe Werther, de Tolstoi Guerra e Paz («talvez o mais belo dos romances russos»).
Livros de autores como Confúcio, Shakespeare, Charles Dickens e Oscar Wilde, estão entre a tábua de clássicos aconselhados para leitura, grandes livros e escritores essenciais de todos os tempos.
Uma Biblioteca da Literatura Universal é um livro recheado de conselhos e afirmações inteligentes, ponderadas e refinadas, de um leitor que teve «muitos amores no mundo dos livros» e que ao viver entre os livros, viciou-se nestes desde muito cedo. O seu amor aos livros é contagiante — o autor de Siddhartha e Narciso e Goldmund afirma no último ensaio, datado de 1945 — ele tinha 68 anos — ter lido cerca de 10 mil livros, muitos dos quais alvo de releituras.


Excertos
«A leitura não deve, de modo algum, “distrair-nos”, mas sim concentrar-nos (…) contribuir para dar à nossa vida um significado sempre mais elevado e mais pleno.» (p. 10)

«O facto de nos obrigarmos a ler uma obra-prima só porque é celebérrima e nos envergonharmos de ainda não a conhecermos seria um grave erro.» (p. 12)

«Que cada um comece por aquilo que é capaz de compreender e de amar. Aprender a ler, no sentido mais elevado da palavra, nunca poderá ser feito por intermédio de jornais nem da literatura contemporânea, que nos aparece à mão, mas somente através das obras-primas.» (p. 46)

«Para determinar o valor que um livro pode ter para mim, o facto de o mesmo ser famoso ou de estar na moda não tem praticamente nenhum relevo.» (p. 48)

«Quem lê apenas por passatempo, por muito numerosas e belas que sejam as suas leituras irá esquecê-las rapidamente e dará por si pobre com dantes.» (p. 54)

13 comentários:

Regina Castelo Filipe disse...

Muito obrigada pela sugestão, interessante e a juntar à lista de livros a ler, sem dúvida.

André Silva disse...

Bastante interessante!

Magna Viegas disse...

😊

Andreia Sousa disse...

Seria uma boa prenda ;)

Aninhas Silva disse...

interessante de se saber!!!

Tina António disse...

Fascinante, faz parte da minha lista de livros para ler, quero muito.

Graciosa Reis disse...

Já li e é muito interessante.

Cecilia Carvalho disse...

Na estante à espera de ser lido...

Jorge Martins disse...

Parece ser deveras interessante...

Rita Amorim disse...

Parece-me um livro essencial para quem gosta de ler! A minha enorme lista de livros desejados acabou de aumentar ;)

Isabel Henriques disse...

Parece interessante

Inês Antunes de Caires disse...

Que interessante!

Isabel cristina Azevedo disse...

Nunca li, mas fiquei curiosa