domingo, 5 de abril de 2026

«Isola», de Allegra Goodman

Editor: ASA
Data de publicação: 17-03-2026
N.º de páginas: 432

Na França do século XVI, mergulhamos na vida de Marguerite de La Rocque, uma jovem aristocrata cujo destino é abruptamente alterado pela morte precoce dos pais: «Não conheci a minha mãe. Ela morreu na noite em que nasci, e foi assim que nos cruzámos na escuridão (…) Também não conheci o meu pai. Quando eu tinha três anos ele morreu a combater. (…) Fiquei então rica.» A ambição implacável do seu guardião, que a conhece quando ela tem 9 anos, mergulhou a sua existência numa sombra de sofrimento. 
O romance acompanha a transformação de uma menina privilegiada, rodeada de luxo e segurança, numa mulher resiliente, capaz de sobreviver às condições mais extremas numa ilha desolada da Nova França. Allegra Goodman inspira-se na história real de Marguerite, reconstruindo com sensibilidade e rigor histórico a sua odisseia de solidão, sobrevivência e autodescoberta. 
A autora destaca-se na construção de um enredo envolvente, com capítulos ritmados e cliffhangers que mantêm o leitor em constante tensão. A narrativa explora o confronto entre privilégio e vulnerabilidade, revelando, através da protagonista e da sua ama Damienne, temas universais como a força interior, a fé, a identidade e a resistência humana. A prosa lírica da autora americana imprime elegância e intensidade emocional à história. 
Isola é, simultaneamente, uma epopeia histórica e uma reflexão sobre a autonomia feminina. A autora (que publicou os livros Sam, The Other Side Of The Island, Paradise Park, entre outros) consegue equilibrar factos históricos sem idealizar ou suavizar as dificuldades enfrentadas.
A história de Marguerite, privada de tudo e obrigada a enfrentar a Natureza, é uma poderosa celebração do espírito humano e da capacidade de adaptação e coragem. Para quem aprecia romances históricos que combinam pesquisa meticulosa, lirismo e personagens femininas fortes, Isola é uma leitura memorável e inspiradora. 

Excerto
«A nossa ilha era, ao mesmo tempo, bela e estranha. Sob a luz matinal, as ondas eram prata líquida. A neblina colava-se a nós e era como se caminhássemos no meio de uma nuvem branca. Ao largo, as aves marinhas esvoaçavam em círculos e mergulhavam no mar para apanhar peixes.» (p. 229)

sábado, 4 de abril de 2026

A biografia de Álvaro Siza Vieira, o maior representante da arquitetura modernista portuguesa

A Última Lição de Álvaro Siza Vieira revisita, na primeira pessoa, a vida e o pensamento de uma das figuras maiores da arquitectura contemporânea mundial. O arquitecto português, distinguido com o Prémio Pritzker, o mais importante galardão da arquitectura, deixa-se descobrir numa conversa que convoca as memórias e as reflexões de um criador deslumbrado, que não se cansa de procurar os lugares de beleza e que ainda sonha com o que está por fazer.
Patrícia Reis, conhecida pela sua habilidade em retratar personalidades complexas com sensibilidade e clareza, constrói um retrato rigoroso e sensível, no qual a voz de Álvaro Siza Vieira se impõe com clareza e autenticidade. Num registo íntimo e profundamente humano, este livro de referência sobre arquitectura e o estado da arte em Portugal e no mundo, percorre o trajecto do arquitecto desde a infância até ao reconhecimento internacional, revelando não apenas o criador consagrado, mas também o homem que nunca deixou de observar o mundo com curiosidade. 
Esta é a biografia obrigatória do mais premiado arquiteto contemporâneo português, construída a partir de uma longa conversa conduzida pela autora de O Lugar da Incerteza (2026), A Desobediente - Biografia de Maria Teresa Horta (2024), As Crianças Invisíveis (2019), entre outros títulos. 

Se Eu Quisesse, Enlouquecia - Biografia de Herberto Helder é uma outra biografia que faz parte da colecção da Contraponto Editores.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

«Amor e Desconcerto do Mundo», uma abordagem abrangente da lírica camoniana


Após a publicação de Amore e Disordine del Mondo – sonetti e altre poesie (edição bilingue português-italiano), a Shantarin Editora apresenta agora a versão monolíngue Amor e Desconcerto do Mundo – sonetos e outros poemas. Nesta obra de Luís de Camões, desafia-se a leitura tradicional da lírica camoniana: mais do que um simples tema literário, o amor afirma-se como a força que simultaneamente estrutura e desestabiliza o mundo e o próprio sujeito.

Resultado de uma abordagem que encara o amor como elemento estruturante da existência e das relações humanas, esta antologia distancia-se de uma visão homogénea ou cristalizada de Camões, destacando antes a riqueza e complexidade do seu pensamento poético. Amor e Desconcerto do Mundo – sonetos e outros poemas propõe uma interpretação da experiência amorosa nas suas diversas manifestações, atravessando dimensões afetivas, éticas e sociais, e revelando-a como um espaço privilegiado de tensão, conflito e conhecimento.

Organizada e traduzida pela reconhecida camonista Valeria Tocco (Università di Pisa), esta edição percorre um arco que vai da exaltação do amor neoplatónico ao pessimismo melancólico do Maneirismo. O volume inclui ainda um ensaio de Vítor Manuel de Aguiar e Silva (Universidade do Minho) e ilustrações de Marta Nunes, que acrescentam uma nova dimensão estética aos versos do autor de Os Lusíadas.

Erros meus, má fortuna, amor ardente,
em minha perdição se conjuraram;
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava amor somente.

«Camões está para o imaginário coletivo português como Dante para o italiano ou Shakespeare para o inglês: é o grande poeta, o fundador da identidade cultural nacional» Valeria Tocco

O clássico ensaio de José Medeiros Ferreira sobre a Revolução do 25 de Abril


No mês em que se assinalam os 52 anos da Revolução dos Cravos, importa destacar a obra A Revolução do 25 de Abril. Ensaio Histórico, de José Medeiros Ferreira, publicada pela Shantarin Editora e actualmente na sua 3.ª edição.
A presente edição é enriquecida por um texto de introdução (lê um excerto aqui) da autoria de Pedro Aires Oliveira e Maria Inácia Rezola, que contribui para um enquadramento historiográfico mais aprofundado da obra. De referir que este livro integra as recomendações do programa LER+, do Plano Nacional de Leitura.

Texto sinóptico
A 25 de abril de 1974, um grupo de militares portugueses derrubou uma das últimas ditaduras da Europa ocidental do séc. XX e apresentou-se ao País com um programa político assente em três pilares: Democratizar, Descolonizar e Desenvolver. Aquela que ficou conhecida como a Revolução dos Cravos inaugurava a «terceira vaga da democratização» (Samuel P. Huntington), que depois atingiu a Espanha, a Grécia e dezenas de outros países na América Latina, na Ásia e Pacífico, em África e na Europa de Leste.

Um ano antes, em Abril de 1973, fora apresentada ao 3.º Congresso da Oposição Democrática em Aveiro uma tese que José Medeiros Ferreira enviara do exílio na Suíça. Na referida tese, recebida com desconfiança por vários setores da Oposição, mas que viria a revelar-se premonitória, o autor sublinhava a necessidade de envolvimento das Forças Armadas, primeiro, para pôr termo à ditadura e à guerra nas colónias africanas, e depois para apoiar a execução de um plano de ação nacional que, precisamente, conduzisse à descolonização, à democratização e ao desenvolvimento. Da pena de Medeiros Ferreira — que, regressado do exílio pouco depois da Revolução, desempenhou um papel de relevo na abertura da jovem democracia portuguesa à Europa e ao mundo, afirmando-se mais tarde como um dos mais brilhantes académicos de história contemporânea da sua geração — sairia à estampa, em 1983, o Ensaio Histórico sobre a Revolução do 25 de Abril, que agora se reedita.

Nesta primeira tentativa, pioneira e ousada, de registar uma história da Revolução portuguesa, reconhecendo os riscos da proximidade temporal entre o texto e o objeto de estudo, e bem assim da proximidade entre o narrador e a ação histórica em que fora interveniente, o autor impôs-se um redobrado esforço de rigor metodológico, nomeadamente na seleção, análise e interpretação das fontes disponíveis, legando uma obra que se mantém fundamental, atual e intelectualmente desafiante.

O autor
José Medeiros Ferreira (1942-2014), nascido em S. Miguel, Açores, doutorou-se em História Institucional e Política e foi docente universitário. Enquanto político, fez parte do primeiro Governo Constitucional de Portugal, em 1976. É autor, entre outros, dos livros Os Açores na Política Internacional (2011) e da 
obra póstuma Memórias Anotadas (2017).

Edição em espanhol: La Revolución de los Claveles en Portugal. Ensayo histórico

«A Península das Casas Vazias», o maior fenómeno editorial em Espanha

J. Teixeira de Aguilar trabalhou na tradução portuguesa de A Península das Casas Vazias, obra narrada em tom de realismo mágico, fruto de quinze anos de trabalho e de uma exaustiva viagem de documentação e memória pela geografia espanhola. Para a sua criação, recebeu as bolsas Leonardo e Montserrat Roig.
Ainda hoje, dois anos depois de ter sido publicado, não há em Espanha quem não fale deste romance, já considerado um dos mais importantes sobre a Guerra Civil espanhola, com mais de 300 mil exemplares vendidos, prémios atrás de prémios, assim se tornando num dos maiores acontecimentos literários dos últimos tempos. 
David Úcles
(n. 1990), a nova estrela das letras espanholas é licenciado e mestre em Tradução e Interpretação, escritor, músico e desenhador.
Publicou os romances La ciudad de las luces muertas (2026), La Península de las Casas Vacías (2024), Emilio y Octubre (2020) e El llanto del león (2019). 

A Península das Casas Vazias (obra com 688 páginas; ebook disponível aqui), que chegou às livrarias a 24 de Março, recebeu os seguintes prémios:

Prémio Cálamo Melhor Livro do Ano 2024
Prémio Dulce Chacón 2025
Prémio Andaluzia da Crítica 2025
Prémio Kelvin 505 para o melhor romance original em castelhano 2025
Prémio Espartaco para o melhor romance histórico 2025
Prémio Literário Arcebispo Juan de San Clemente 2025
Prémio Festival 42 para melhor romance em castelhano 2025
Prémio Un Año de Libros 2025 El Corte Inglés Melhor Livro de Ficção

Sinopse
Estamos em presença da história da decomposição total de uma família, da desumanização de um povo, da desintegração de um território e de uma península de casas vazias.
A história de um soldado que retalha a pele para deixar sair a cinza acumulada, de um poeta que cose a sombra de uma menina a seguir a um bombardeamento e de um professor que ensina os seus alunos e fazerem-se de mortos; de um general que dorme junto da mão cortada de uma santa, de um menino cego que recupera a vista durante um apagão e de uma camponesa que pinta de preto todas as árvores do seu quintal; de um fotógrafo estrangeiro que pisa uma mina perto de Brunete e não levanta o pé durante quarenta anos, de um habitante de Guernica que conduz até ao centro de Paris uma furgoneta com os restos fumegantes de um ataque aéreo e de um cão ferido cujo sangue tingirá a última faixa de uma bandeira abandonada em Badajoz.
Estamos, pois, em presença da história total da Guerra Civil espanhola e de uma Ibéria agonizante onde o fantástico escora a crueza do real; onde os anónimos membros de um extenso clã de olivicultores de Jándula cruzam os seus destinos com os de Alberti, Lorca e Unamuno; Rodoreda, Zambrano e Kent; Hemingway, Orwell e Bernanos; Picasso e Mallo; Azaña e Foxá; onde o épico e o costumbrista se entrelaçam para tecer uma portentosa tapeçaria, poética e grotesca, bela e delirante.

Elogios
«Uma família do Sul afunda-se na Guerra Civil espanhola como na maldição de um naufrágio. David Uclés relata a história desta estirpe – espelho de um país inteiro – com perfeito pulso narrativo e exuberância, com insólito engenho, com humor e dor, com o dom da fantasia alada e a imagem nítida.» Irene Vallejo

«É um livro único e extraordinário. Comoveu-me e fez-me entender e sofrer pela Guerra Civil de Espanha. Personagens inesquecíveis e uma prosa mágica que desafia os limites da realidade.» Gioconda Belli

«Que a imaginação é porventura a ferramenta mais reveladora, sólida e bela de investigação da realidade é algo que David Uclés demonstra em cada página deste livro, capaz de encontrar beleza nas paisagens desoladas de um dos episódios mais importantes da história recente da Europa, que talvez tenha sido contada antes, mas nunca assim.» Fernando León de Aranda

«Nenhum romance contemporâneo me comoveu tanto como A Península das Casas Vazias. Estou assombrado e agradecido.» Pablo Martín Sánchez

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Chegam a Portugal livros de Tara Menon e Siri Hustvedt com tradução de Tânia Ganho

Tânia Ganho assina a tradução de dois livros que vão ser lançados nas próximas semanas, pelas editoras Livros do Brasil e Dom Quixote.

Debaixo de Água é uma história sobre amizade e luto, sobre a beleza e a devastação do mundo natural. Este romance de estreia da escritora indiana Tara Menon, actualmente a viver nos Estados Unidos da América, teve direitos vendidos para mais de trinta línguas ainda antes do lançamento. Aclamado pela crítica internacional pela profundidade poética, chega às livrarias a 2 de Abril.

Fantasmas - Um livro de memórias, a publicar a 5 de Maio, é um relato biográfico da autoria da romancista, ensaísta e poeta americana Siri Hustvedt. O livro inclui o esboço da última obra de Paul Auster - seu ex-marido falecido em Abril de 2024. Verão Sem Homens, Aquilo que Eu Amava, Elegia Para Um Americano, O Mundo Ardente (tradução de Tânia Ganho) são títulos de alguns dos seus livros publicados no nosso país. A sua obra está traduzida para mais de trinta línguas.  

Texto sinóptico
Quando Marissa perde a mãe, aos seis anos, é levada pelo pai para viver numa pequena ilha tailandesa, no mar de Andamão. É aí que conhece Arielle e juntas tornam-se companheiras de exploração das maravilhas da natureza envolvente, feita de florestas, recifes e praias. Sustendo a respiração, mergulham cada vez mais fundo e nadam lado a lado com as jamantas, que aprenderam a reconhecer individualmente. Até que, a 26 de dezembro de 2004, um tsunâmi se ergue do oceano Índico e as duas amigas são separadas pelas águas que tanto as haviam unido. Oito anos mais tarde, Marissa vive em Nova Iorque e à medida que uma tempestade de grande intensidade se aproxima vê-se levada de volta ao passado e a uma reflexão sobre a fragilidade da existência. 



Texto sinóptico
Fantasmas é a obra mais pessoal de Siri Hustvedt até à data, uma reflexão sobre os mais de quarenta anos que passou com o marido - o escritor, poeta e cineasta Paul Auster -, desde o encontro de ambos na Nova Iorque dos anos 1980 até à morte dele, em 2024. Siri Hustvedt partilha entradas de diário, notas e cartas de amor trocadas ao longo das décadas, bem como o último livro de Paul Auster - o inacabado Cartas a Miles - dedicado ao neto, nascido a 1 de janeiro de 2024. Parte livro de memórias, parte investigação filosófica, Fantasmas explora a intimidade de uma vida partilhada, os rituais do luto, o poder da linguagem e a própria natureza humana. É uma reflexão profunda sobre o que deixamos para trás e os fantasmas que habitam em nós - mesmo quando seguimos em frente. 

Outro livro de memórias a publicar pela LeYa: Indignidade - Uma vida reimaginada, de Lea Ypi

terça-feira, 31 de março de 2026

«Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado», de Camilo Castelo Branco

Editora: Imprensa Nacional 
Data de publicação: Julho 2024
N.º de páginas: 186

Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado é uma obra satírica que conta a história de Basílio, um homem pobre e sem grande valor social que, através de um “enxerto” (uma metáfora para mudança de identidade e ascensão artificial), consegue integrar-se na alta sociedade. Ao longo das suas aventuras, Camilo Castelo Branco critica com humor e ironia a futilidade, o oportunismo e a hipocrisia das classes sociais, mostrando como a aparência e o estatuto podem ser construídos de forma enganadora. 
Publicado em 1863, esta é uma sátira à ambição social e à falsidade, mostrando o ridículo de quem vive de aparências. Camilo usa humor e ironia para mostrar como este tipo de comportamento é vazio e criticável. 
É de destacar em Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado, o humor inteligente e pela criatividade na construção da personagem principal. A linguagem simples e irónica torna a leitura leve e envolvente, enquanto as situações caricatas revelam uma crítica social subtil. É uma narrativa dinâmica e divertida, capaz de entreter e fazer refletir ao mesmo tempo. Altamente rexomendado. 
Memórias do Cárcere e A Sereia são outros títulos que fazem parte da Colecção 'Edição Crítica de Camilo Castelo Branco', da Imprensa Nacional.

Excerto 
«Brígida apaixonou-se pelo seu poeta, e ele cegamente por Brígida, que, no tocante a cara, valia mais que Etelvina, se me é fiel a memória; de costumes, porém, devo crer que estivesse algum tanto estragada, apesar da pureza atmosférica do convento. 
Devia ser ela quem animou Basílio ao destempero de saltar à cerca do mosteiro pelo lanço mais acessível da muralha. Foi ali pelo Postigo-do-Sol, entre a primeira e segunda ameia, que o temerário escalou o pomar, com ajuda de uma escada de pau, segurada por um caixeiro, já useiro e vezeiro de quejandos assaltos à ternura de outros tachos, abominavelmente viciosos.» (pp. 44-45) 

domingo, 29 de março de 2026

«A Mente Criminosa» é o título de uma das novidades das Edições Sílabo


O primeiro livro, cuja sessão de apresentação decorreu no passado dia 23, contou com a participação de Susana Pinto de Almeida (Psiquiatra Forense), de João Cabaço (Especialista de Polícia Científica) e de José Carlos Antas (Perito Forense – Polícia Judiciária).
O autor, Paulo Finuras, é sociólogo e doutor em Ciência Política. É autor de vários livros, entre os quais: Da Natureza das Causas – Psicologia Evolucionista e Biopolítica (2020), As Outras Razões – Como a Evolução dá sentido àquilo que fazemos (2023) e Os Demónios da Nossa Natureza – Porque é que o autoritarismo é natural e a democracia não? (2025).

Rui Tavares Guedes (Diretor da revista Visão) e de José Roquette (Presidente do Conselho de Administração da Herdade do Esporão) foram os anfitriões da apresentação do livro de Carlos Alberto Cupeto, que ocorreu na passada quinta-feira. 
O autor é 
formado em Geologia e professor na Universidade de Évora desde 1987. No Ministério do Ambiente exerceu cargos dirigentes durante uma década. Foi fundador da TTerra – Engenharia e Ambiente e da APEMETA, diretor da revista 'Indústria & Ambiente', espaço de referência nas tecnologias ambientais. 


Texto de apresentação

A violência, o engano e o crime não são desvios ocasionais da vida social. Atravessam culturas, épocas e sistemas políticos, assumindo formas diferentes, que revelam padrões recorrentes.

Para compreender o crime, é necessário compreender a mente humana. Neste livro, o autor explora as raízes profundas do comportamento violento e transgressor, articulando contributos da psicologia evolucionista, da neurociência, da psicologia social e da criminologia. Longe de explicações simplistas ou moralistas, analisa como mecanismos cognitivos adaptativos – moldados para a sobrevivência e a cooperação – podem, em determinados contextos, dar origem à agressão, à fraude e à transgressão recorrente das normas sociais. 
O que leva seres humanos comuns a mentir, manipular, agredir ou matar?
Uma leitura clara e rigorosa, para leitores com ou sem formação especializada, sobre um dos fenómenos mais persistentes e inquietantes da vida social.

Sobre o livro
«Com A Mente Criminosa, o professor Paulo Finuras dá un contributo inestimável para o conhecimento do fenómeno criminal. A sua compreensão exige uma perspetiva que não pode dispensar o enquadramento evolutivo, aqui rigorosamente fundamentado na sociobiologia e na psicologia evolutiva, áreas em que Paulo Finuras é referência e figura de destaque.»
 – João Carlos Melo (Psiquiatra, Psicoterapeuta e autor de livros como Renascer das Cinzas e Uma Luz na Noite Escura)



Texto de apresentação
Vivemos numa época em que a palavra sustentabilidade é repetida até à exaustão, enquanto o modo de vida dominante continua a empurrar a Humanidade para um colapso anunciado. Conferências globais, metas climáticas e soluções tecnológicas sucedem-se, mas os resultados são escassos. Este livro parte de uma constatação simples e incómoda: o problema não é técnico, é civilizacional.
A crise ecológica não é um problema distante ou abstrato, nem um drama da Terra enquanto sistema geológico. É, sobretudo, uma crise humana — de escala, de cultura, de pertença e de sentido. O crescimento infinito num planeta finito, o consumismo insaciável e a confiança ingénua na tecnologia revelaram-se incapazes de garantir bem-estar duradouro ou justiça ecológica.
Contra a ilusão de uma sustentabilidade global sem rosto, o autor propõe um reenquadramento radical: a vida local como caminho regenerativo. É no lugar — onde há solo, água, ar, memória e relações — que a vida acontece e onde a transição ecológica pode ganhar verdade. Inspirando-se na geografia humanista, na ecologia profunda e em exemplos concretos do território português, este livro defende que a sustentabilidade só é possível quando é vivida e partilhada pelas comunidades. 

Excerto
«Temos em mão um enormíssimo desafio, o modo de vida na Terra como a conhecemos, que nos exige uma radical mudança em alguns paradigmas que têm sustentado as crenças da nossa existência. Como o vamos fazer? Esta é a grande pergunta; será que tem resposta e estamos disponíveis para a aceitar? Temos escolha? Qual é a alternativa?»

sexta-feira, 27 de março de 2026

Títulos da Colecção Edição Crítica de Camilo Castelo Branco, da Imprensa Nacional

O Romance dum Homem Rico e Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado são dois títulos que fazem parte da Colecção 'Edição Crítica de Camilo Castelo Branco', da Imprensa Nacional.

Texto de apresentação
O Romance dum Homem Rico
foi escrito, imediatamente antes de Amor de Perdição, na cadeia da Relação do Porto, em 1861, no momento em que Camilo ali aguardava julgamento do seu caso de adultério com Ana Plácido. 
Era o livro favorito do autor: «É o livro a que eu mais quero, e a meu juízo o mais tolerável de quantos fiz».
«Este foi o mais querido dos meus romances», dele disse o próprio Camilo. E mais: que havia de prevalecer a todos os que viessem. 


Texto de apresentação
«Basílio Fernandes é um sujeito de trinta e sete anos, com senso-comum, engraçado a contar histórias de sua vida, ativo negociante de vinhos no Porto, amigo do seu amigo, e bastante dinheiroso - o que é melhor que tudo já dito e por dizer. Seu pai chamou-se José Fernandes, por alcunha o Enxertado. Pegou-lhe a alcunha, porque, sendo ele natural de uma aldeia daquele nome em Trás-os-Montes, quando já era caixeiro, muitas vezes dizia aos seus companheiros de passeata, aos domingos: O Porto é boa terra; mas lá como o Enxertado ainda não pus os olhos noutra! A caixeirada, menos sensível à saudade das suas aldeias, ria do moço, e, por mofa, lhe chamava o Enxertado, alcunha que ele ajuntou ao seu nome com honras de apelido.» 

Da extensa colecção constam também: Memórias do Cárcere e A Sereia.

«Isola», o aclamado romance da autora americana Allegra Goodman

Da prestigiada autora Allegra Goodman, que vive na cidade de Cambridge, em Massachusetts, Estados Unidos, Isola é o novo título da ESCOLHA DA EDITORA, a nova colecção das Edições ASA.
Eleito um dos Melhores Livros do Ano por várias publicações, este é um romance épico baseado na vida real de uma heroína do século XVI. Isola (que significa “ilha” em italiano) foi traduzido para o nosso idioma por Elsa T. S. Vieira. A obra é uma magnífica celebração do poder do mundo natural e a história intemporal de uma mulher que descobre a sua verdadeira força.
Isola conquistou o Reese’s Book Club (clube de leitura de Reese Witherspoon) e chegou no passado dia 17 de Março aos leitores portugueses.

Texto sinóptico
Na França do século XVI, a jovem aristocrata Marguerite está destinada a uma vida próspera e previsível. Porém, a morte inesperada dos pais deixa-a à mercê de um guardião com poderes absolutos sobre o seu futuro e fortuna. Jean-François de la Rocque de Roberval é um homem instável que a obriga a acompanhá-lo numa arriscada viagem às novas colónias francesas da América do Norte. A solidão e o medo aproximam Marguerite de um criado; a relação entre ambos é intensa, mas proibida, e será punida de forma brutal. Quando Jean-François descobre, abandona-os numa ilha, sem qualquer esperança de resgate.
Outrora uma criança privilegiada que usava vestidos elegantes e entrançava pérolas no cabelo, Marguerite vê-se agora à mercê da Natureza. E, à medida que o clima se torna mais agreste, o gelo começa a cobrir a ilha… 

Sobre a colecção
ESCOLHA DA EDITORA surge quando a editora celebra 75 anos. Pretende unir passado e presente, apresentando novidades literárias de referência e livros emblemáticos e intemporais do catálogo da editora. Compromisso de Long Island de Taffy Brodesser-Akner, e Maurice, obra póstuma de E. M. Forster agora reeditada, estrearam, em Fevereiro, a colecção, à qual se juntarão, em breve Assunto de Família, de Claire Lynch, bem como as novas edições de A Vida em Surdina, de David Lodge e Servidão Humana, de Somerset Maugham.

terça-feira, 24 de março de 2026

Tristan Gooley e Natalia Seijo são autores de dois novos livros da Pergaminho

A arte de interpretar os sinais da Mãe-Natureza, que mudarão para sempre a forma como olhamos para o mundo natural e, em particular, para as árvores; entender a importância de curar os traumas para tratar as maleitas físicas. 
Estas são as premissas de duas novidades de Março da Editora Pergaminho.



Cada árvore que encontramos está repleta de sinais que revelam segredos sobre a vida dessa árvore e a paisagem em que nos encontramos. As pistas são fáceis de detetar quando se sabe o que procurar, mas permanecem invisíveis para a maioria das pessoas.

Como Ler Uma Árvore revela os princípios simples que explicam as formas e os padrões que podemos encontrar nas árvores e o seu significado, permitindo-lhe adquirir um conjunto de competências raras hoje em dia, mas de origem centenária: a arte da navegação na natureza - quer esteja no meio de uma cidade ou de uma floresta!
Explorador com mais de 20 anos de experiência, Tristan Gooley participa em expedições por todo o mundo e dedica a sua vida a ensinar como decifrar os sinais da natureza. As lições contidas neste livro são únicas, práticas e fascinantes, e uma coisa é certa: depois de aprender a ver as pistas que a natureza lhe dá, nunca mais vai olhar para uma árvore da mesma maneira. E a sua vida mudará para sempre. 

Excerto
«Cada pequena diferença no tamanho, no formato, na cor e no padrão de uma árvore revela algo. Sempre que passamos por uma árvore, podemos reparar numa característica singular e encará-la como uma pista sobre o que essa árvore viveu e sobre o que revela do lugar onde estamos. Uma árvore traça-nos um retrato da paisagem local.»

Tristan Gooley
é um explorador e navegador natural, especializado em ensinar as pessoas a compreender a natureza através da observação dos seus sinais mais subtis, e autor de vários bestsellers sobre o tema, publicado em mais de 20 idiomas. A sua escrita combina Ciência, História e Ecologia com um profundo sentido de curiosidade. 

Outro livro da editora com a mesma temática: 
A Vida Secreta das Árvores



Como é que o stresse, a ansiedade ou o trauma afetam o nosso corpo?
 O que têm a inflamação, a dor, a enxaqueca ou a dermatite a ver com o nosso historial psicológico?
Costumamos considerar o nosso corpo um mero espectador da nossa vida, impassível perante aquilo que vivemos e sentimos. Contudo, o corpo está sempre presente e consciente: experimenta, recorda e exprime-se continuamente com sinais que nem sempre sabemos decifrar.
Natalia Seijo, psicóloga e especialista em psicossomática, apresenta 
O Teu Corpo Tem Memória, o guia mais completo e atualizado para compreender a estreita relação que existe entre a nossa saúde mental e física. Através de diversos casos de pacientes a quem a psicoterapia conseguiu devolver a esperança perante todo o tipo de maleitas, oferece-nos as chaves para validar o que sentimos, identificar a origem do nosso mal-estar e viver melhor as experiências que estão por vir.

Natalia Seijo é uma das psicólogas com maior reconhecimento no panorama científico espanhol. É diretora da clínica NS Centro de Psicoterapia e Trauma, na Galiza, codiretora do mestrado em Transtornos Alimentares da Universidade Complutense de Madrid e professora associada no mestrado em Psicoterapia EMDR para Transtornos Psicossomáticos da UNED. É formadora, conferencista, autora de diversos artigos científicos e especialista em trauma complexo, apego, dissociação, transtornos alimentares e psicossomática médica. 

Outras publicações lançadas recentemente pela Pergaminho:
O Código da Inteligência, de Augusto Cury | Atreve-te a Falhar, de Anne-Laure Le Cunff
Amigos Melhores, de Alicia González | Cure o Seu Sistema Nervoso, de Linnea Passaler

segunda-feira, 23 de março de 2026

Novos títulos de poesia da Glaciar Editora

À Espera de um Lugar Sentado
Primeiro livro de poesia de Francisco Guimarães.
Poemas onde o quotidiano se mistura com impressões reflexivas, citando muitos dos seus contemporâneos, de Tolentino Mendonça a João Luís Barreto Guimarães, passando por Adília Lopes. Uma estreia imperdível.

O que se Vê
O novo livro de poemas de Yvette K. Centeno, reflectindo e celebrando o crepúsculo da existência, com uma serenidade e felicidade avassaladoras. 
Na Glaciar publicou Entre Silêncios, Devagar, Ondas, De Marcel Robelin a Leonor Beltrán, Clarice e Guenia e Arger.

Agora em livros, as vozes que falaram sobre Camões e Camilo a Jorge Reis-Sá

A Casa dos Ceifeiros publica este mês Mil Vezes CamõesMil Vezes Camilo, livros resultantes das séries documentais emitidas pela RTP3, apresentadas por Jorge Reis-Sá, escritor vencedor do Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2025 com a obra Prado do Repouso.

Estas entrevistas dedicadas à vida e obra de Camões e de Camilo, foram conversas informativas de especialistas e escritores, como Gonçalo M. Tavares, Mário Cláudio, Manuel Sobrinho Simões, José Viale Moutinho, Júlio Machado Vaz, Rita Blanco e Pedro Mexia.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Baseado em factos verídicos, o novo romance de Alberto S. Santos traz à luz uma história chocante


As Rosas de Barbacena mergulha na história do Hospital Colónia de Barbacena, instituição psiquiátrica fundada no início do século XX que se tornou símbolo de uma das maiores tragédias humanitárias do Brasil. Nesta instituição de saúde mental, milhares de pessoas foram internadas e silenciadas ao longo de décadas. Embora criado para tratar pessoas com transtornos mentais, o local passou a receber milhares de indivíduos sem qualquer diagnóstico — incluindo mulheres consideradas “indesejadas”, homossexuais e opositores políticos. 
O Colónia foi o maior hospital psiquiátrico do Brasil e é palco de um dos episódios mais sombrios da história do país, conhecido como o "Holocausto Brasileiro". Estima-se que 60 mil pessoas tenham morrido na instituição. Por isso, esta obra da autoria de Alberto S. Santos é uma homenagem às vítimas e lembra que, perante a injustiça, a memória pode ser um ato de justiça. 
Reconhecido pela capacidade de transformar episódios históricos quase desconhecidos em narrativas poderosas, o autor de Para lá de Bagdad reafirma-se neste romance ao devolver voz e dignidade aos milhares de vidas que permaneceram na sombra durante demasiado tempo. Este é um romance sobre silêncio, memória e responsabilidade – e sobre o que acontece quando lembrar se torna um ato de justiça. 
Publicado pela Porto Editora, As Rosas de Barbacena, um romance que confronta, comove e permanece muito depois da última página, chega às livrarias a 26 de Março. 

O autor concedeu uma entrevista a este blogue aquando da publicação do livro O Segredo de Compostela.

Texto sinóptico
No Hospital Colónia de Barbacena, onde o esquecimento foi política de Estado, Teresinha é internada grávida e sem defesa.
Bernardo, um homem comum, recusa aceitar que o silêncio seja destino dos vivos. Separados por grades, papéis e escolhas irreversíveis, constroem uma ligação feita de cuidado, responsabilidade e promessa.
Quando Bernardo parte em busca da filha de Teresinha – levada ainda criança para longe da mãe –, o romance atravessa cidades, países e tempos, revelando como a violência institucional não termina nos muros que a escondem: prolonga-se nos corpos e transforma a memória num registo que não se apaga.

Conhece aqui e aqui outros livros lançados esta semana pelo Grupo PE.

domingo, 15 de março de 2026

10 livros a publicar pelo Grupo Porto Editora na próxima semana

No próximo dia 19, o Grupo Porto Editora, através das chancelas Livros do Brasil, Porto Editora, Singular, Ideias de Ler, Assírio & Alvim e Albatroz, vao trazer aos leitores duas mãos cheias de livros. 

Verdade ao Amanhecer, de Ernest Hemingway
Os Buddenbrook, de Thomas Mann

Crónica ficcionada de um derradeiro safári em África, Verdade ao Amanhecer foi o último texto inédito de Ernest Hemingway a ser revelado, em 1999, por altura do centenário do nascimento do autor, com edição do seu filho Patrick, que o acompanhou na viagem. Numa caçada ao leão com a sua mulher, Mary, Ernest acaba por se encantar com uma jovem africana e com toda a comunidade local e vê-se então dividido entre duas mulheres, duas culturas, num conflito que é também o do homem em relação ao mundo natural. Ao mesmo tempo que descreve os anseios humanos com um humor mordaz, Hemingway capta a excitação da caça e a beleza inigualável da paisagem – um trabalho final de tirar o fôlego de um dos escritores mais acarinhados da literatura americana.
A obra é uma peça fundamental para compreender o universo criativo do autor, bem como a sua ligação profunda à natureza e ao ato de escrever. 
Hemingway deixou este manuscrito por publicar, mas na verdade já antes se havia deixado inspirar por esta sua paixão pelo continente africano, as suas gentes e, em particular, os rituais de caça: são disso prova As Verdes Colinas de África e alguns dos seus contos mais reputados, como As Neves do Kilimanjaro ou A Curta e Feliz Existência de Francis Macomber.


Considerado um dos melhores primeiros romances da história da literatura, Os Buddenbrook foi publicado tinha Thomas Mann vinte e seis anos, em 1901, e marcaria indelevelmente as letras alemãs do século xx. Saga familiar que acompanha quatro gerações de uma família burguesa do norte da Alemanha no advento da modernidade, este é o retrato de um mundo em mudança, onde o respeito pelas ligações familiares e pelas tradições começa a ruir, a prosperidade dá lugar à decadência, a estabilidade moral se desfaz em perversão e loucura. Sucedem-se os nascimentos e os funerais, os casamentos e os divórcios, as festas e os investimentos cada vez mais questionáveis nesta história inspirada pelo ambiente em que o próprio Thomas Mann cresceu, aqui narrado com a musicalidade e a envolvência apenas ao alcance de um mestre da escrita.

Soldados de Salamina, de Javier Cercas
Ao ritmo de um slow, de Rainbow Rowell

No final da Guerra Civil Espanhola, um grupo de prisioneiros nacionalistas é executado perto da fronteira com França. Entre eles encontrava-se Rafael Sánchez Mazas, um dos fundadores e ideólogos da Falange, futuro ministro de Franco e poeta, que conseguiu escapar e refugiar-se no bosque. Até que um soldado republicano o descobre, aponta-lhe uma arma e, olhando-o nos olhos, poupa-lhe a vida. Sessenta anos mais tarde, um romancista em crise desenterra este episódio e propõe-se a investigar as circunstâncias daquele gesto de misericórdia. Quem era realmente Rafael Sánchez Mazas? Qual foi a sua verdadeira história de guerra? Quem foi o soldado que o deixou escapar? E porque o fez? Baseado num episódio verídico, Soldados de Salamina explora a complexa relação entre a memória histórica e a ficção literária.

No secundário, Shiloh e Cary eram inseparáveis: cúmplices, confidentes, tinham o tipo de amizade que todos julgavam destinada ao amor. Todos, menos eles. Passaram os verões sentados nos degraus do alpendre da casa de Shiloh, a fazer planos, a prometer que a amizade não mudaria. Mas a vida aconteceu. E a promessa ficou para trás. Catorze anos depois, Shiloh regressa à casa de infância, agora com dois filhos e um casamento desfeito. Quando recebe um convite para o casamento de um velho amigo, uma pergunta persiste: Será que Cary vai estar lá? E, mais ainda: Será que ela quer que esteja?

O Homem do Ano
, de Iliana Xander 

Entregas do céu, de Sanaka Hiiragi 

Natalie nem sequer pensou duas vezes quando viu a sua melhor amiga a sair da festa com um homem – afinal, Cara era assim. No entanto, também nunca imaginou que, no dia seguinte, a encontraria em coma no hospital. O que aconteceu? Desesperada por respostas, mal consegue acreditar na sua sorte quando vê uma fotografia do estranho com quem a amiga saiu. Porém, a sorte acaba quando percebe tratar-se da capa de uma revista que o celebra como o «Homem do Ano». Geoffrey Rosenberg parece intocável – famoso, sedutor, milionário e, segundo ela, potencialmente perigoso. Para o provar, Natalie aceita ocupar uma vaga de empregada doméstica na mansão de Rosenberg. O seu plano é simples: aproximar-se o máximo possível, conseguir provas e vingar-se. Contudo, há algo errado na mansão e, quando descobre que a última empregada de limpeza está desaparecida, Natalie apercebe-se de que nada é como pensava.

Esta é a história de um serviço muito especial, que faz chegar misteriosas encomendas enviadas por alguém que já partiu, mudando para sempre a vida de quem as recebe. A empresa Encomendas do Céu tem como missão fazer chegar os pedidos de pessoas já falecidas a amigos, familiares ou mesmo a quase desconhecidos, a quem querem deixar uma última mensagem. Cada cliente tem a sua razão, o seu segredo ou o seu desejo por cumprir. Essas entregas improváveis trazem com elas a possibilidade de reconciliação, esperança e uma nova compreensão do passado.

Duas Novelas
, de Emmanuel Bove

Cartas de um homem de sucesso ao seu filho, de George H. Lorimer

Pouco se poderá dizer da obra de Emmanuel Bove sem trair a contenção da sua prosa em gordas frases de merecidos elogios. Mas é possível que estas Duas Novelas façam a síntese do seu universo de fracassos, seres medíocres e de um certo desespero quotidiano. Em O Amor de Pierre Neuhart (1929), um homem de meia-idade e uma jovem aspirante a actriz tentam manter uma relação cheia de falsas expectativas, numa Paris triste e contente: ele procura a vitalidade que o seu emprego e rotina perderam, ela deseja a segurança financeira para iniciar a carreira. Em Um Temperamento de Mulher (1999), a filha de um médico e um ex-combatente traumatizado fogem para longe, segurando um romance frágil: ela vê-se na necessidade de pedir dinheiro ao pai, ele carrega a culpa de um crime. Publicadas pela primeira vez em Portugal, estas duas novelas permitem ao leitor português descobrir um autor maior da literatura francesa do século XX.

John Graham, um empresário que cresceu a pulso, escreve uma série de cartas ao filho Pierrepont, através das quais lhe apresenta conselhos claros e diretos sobre ética, trabalho, carácter e responsabilidade. Com humor, franqueza e uma boa dose de exagero, este clássico tornou-se um manual para quem quer entrar no mundo adulto sem perder a noção do que realmente importa: esforço, dedicação, humildade e um bom sentido crítico. O resultado é um guia de instruções sobre a vida e o sucesso... para quem gosta de ler nas entrelinhas.


O Efeito Cortisol, de Marina Wright 
O Poder da Autoestima, de Patrícia Gonçalves 

Com uma abordagem clara e acessível, Marina apresenta um programa de cinco passos que combina regulação do açúcar no sangue, alimentação rica em nutrientes e técnicas eficazes para acalmar o sistema nervoso e reduzir o cortisol. Mais do que conhecimento, este livro oferece um plano de ação real e aplicável. Com estratégias que funcionam a longo prazo, aprenderá a criar rotinas sustentáveis, a ouvir o seu corpo e a impedir que o stress volte a tomar conta da sua vida.

Durante anos, acreditei que o meu valor dependia de agradar aos outros, de ser perfeita, de corresponder a padrões. Só mais tarde percebi que a verdadeira autoestima nasce da aceitação e do respeito por quem somos, mesmo nos dias difíceis. Este livro é um convite a compreenderes as tuas inseguranças e começares a construir uma relação mais saudável contigo mesmo. Através de exemplos práticos, reflexões e exercícios, vais aprender a transformar crenças limitadoras, a lidar com a autocrítica, o perfecionismo e a comparação, e a fortalecer a tua confiança.

sábado, 14 de março de 2026

«Senda Kaizen» e «O direito às coisas belas» são novidades de Março da Bookout

Depois destes lançamentos de Fevereiro, a Bookout publica este mês os livros Senda KaizenO direito às coisas belas.


A filosofia Kaizen está na origem do conceito melhoria contínua que é aplicado à vida pessoal e ao mundo empresarial.
Empreendendo pequenas mudanças diárias é possível converter métodos, hábitos e práticas num processo de melhorias contínuas e sucessivas para uma vida mais feliz e cumprimento de objetivos mais eficaz. 
O autor convida a explorar um método comprovado que está assente numa filosofia poderosa, que teve a sua origem no Japão, para alcançar uma vida mais plena e equilibrada ao traçar o mapa, fazer das prioridades bússola e da procrastinação impulso para ação.

Tomás Navarro é um reconhecido psicólogo, consultor e escritor com diversos livros publicados, entre eles Kintsukuroi (Ed. Matéria Prima, 2018). É especialista em psicologia aplicada, resiliência e desenvolvimento de competências emocionais. 



O direito às coisas belas
é um manifesto filosófico, político e cultural sobre a importância de reivindicar uma vida livre das exigências atuais do capitalismo, do trabalho e da obsessão pela produtividade, propondo uma existência capaz de tirar mais partido do descanso e do prazer pelas coisas belas.
Com uma prosa luminosa e combativa, mas também muito poética, o autor defende um conjunto de direitos, como o direito à preguiça, à jubilação, à cidade ou à literatura; os direitos às coisas belas, não como concessões do sistema, mas como atos radicais de resistência à alienação capitalista.

Juan Evaristo Valls Boix é filósofo, escritor e professor. Doutor em Filosofia Contemporânea e Teoria da Literatura. É professor de Filosofia da Cultura na Universidade Complutense de Madrid. É autor dos ensaios filosóficos Giorgio Agamben e Suely Rolnik, editados em Espanha.

O livro para quem quer saber tudo sobre o Irão, o país que está... por um fio


Ricardo Alexandre, apresentador dos programas 'O Estado do Sítio' e 'Mapa Mundo', e jornalista que fez reportagem de guerra e pós-conflitos em Timor-Leste, Palestina, Balcãs, Afeganistão e Ucrânia, partilha décadas de observação do Irão num livro a publicar quando o país está de novo no centro do mundo.

O Irão volta a ser primeira página de jornais e não pelas melhores razões: operações militares que levaram à morte do líder supremo puseram o país no centro de um cenário de guerra e de ameaça internacional.  
Tudo Sobre o Irão, escrito com a sabedoria e experiência de quem conheceu o país em duas viagens intensas, (em 2005 e 2015), enquanto jornalista, compila análise, reportagem, entrevistas e ensaio. Tudo sobre o Irão é mesmo tudo sobre o Irão: desde a história dos velhos reinos persas à Revolução Islâmica, passando pela atualidade política – já inclui a morte de Khamenei, assim como os ataques e sangrentos protestos de 2026. 
Editado pela Ideias de Ler, na obra, Ricardo Alexandre (autor de livros como Breve História do Afeganistão de A a Z e Irão: o País Nuclear) dá-nos o mais completo quadro desta nação milenar, numa altura em que o Irão está por um fio.