sexta-feira, 16 de maio de 2025

«A Sereia» é uma das obras de Camilo Castelo Branco editadas pela Imprensa Nacional

Além de Memórias do Cárcere, Amor de Perdição, O Morgado de Fafe, Vinte Horas de Liteira, O Regicida, A Filha do Regicida, Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado, Novelas do Minho, O Demónio do Ouro e Coração, Cabeça e Estômago, de Camilo Castelo Branco, que este ano assinala-se o bicentenário do seu nascimento, a editora Imprensa Nacional publicou também a obra A Sereia.


Neste 
clássico intemporal da literatura portuguesa, A SereiaCamilo contrapõe duas dimensões opostas — o amor e o conflito — que coexistem ao longo de uma narrativa intensa, emotiva e envolvente, tão típica do seu estilo.
Esta edição, preparada por Ângela Correia e Patrícia Franco, alia à genialidade do autor um sólido rigor crítico, enriquecido com notas que proporcionam uma análise mais aprofundada da obra e do seu criador, sem comprometer o prazer íntimo da leitura.

Este conto/novela curta de caráter romântico e fantástico foi publicado em 1865, cuja narrativa gira em torno de uma figura misteriosa associada ao mar, uma espécie de sereia (ou mulher enigmática com aura sobrenatural), que desperta fascínio e inquietação. Um homem (ou grupo de personagens) entra em contacto com essa figura, sendo levado por uma mistura de atração, ilusão e perigo. No desfecho, como é comum em Camilo, surge um tom trágico ou desencantado, reforçando a ideia de que o desejo e a ilusão podem levar à perda ou sofrimento.

Excerto
«Naquele tempo, os dias de maio, no Porto, eram temperados, alegres, perfumados, encantadores. A primavera, há cem anos, aparecia quando o calendário a dava. Ninguém saía de sua casa às cinco horas duma tarde cálida de maio com um casaco de reserva no braço para resistir ao frio das sete horas; nem o peralta portuense levava escondido na copa do chapéu o cache-nez com que, ao anoitecer, havia de resguardar as orelhas da nortada cortante.»

Sem comentários: