quinta-feira, 28 de maio de 2026

Novo livro de Bernardo Pinto de Almeida: «Marilyn - Ninfa e Dasein»


That’s the trouble — a sex symbol becomes a thing. I just hate to be a thing.
— Marilyn à Life, dois dias antes de morrer

Texto de apresentação
A Ninfa, cuja função maior, como nos ensinou Warburg, é tornar visíveis os emblemas da beleza, da vitalidade e da paixão erótica, foi uma incontornável figura da Antiguidade, quer na literatura (mitológica, filosófica e poética) quer nas artes, e sobreviveu, secretamente incógnita, durante séculos. Ela reapareceu no Renascimento, de novo figurada nas artes e nas letras, associada à redescoberta da Antiguidade.

O seu reaparecer no século XX iria fazer-se com o cinema, já que foi o cinema que permitiu repensá-la e, sobretudo, revê-la, sob a forma da imagem-movimento. A Ninfa cumpriu, no século XX, o que fora um desígnio da Antiguidade depois redescoberto pelo Renascimento e agora actualizado: o que Botticelli sugeriu foi, assim, amplificado por Hollywood.

Se for como penso, deveremos procurar entender de que modo essa figuração reapareceu no contexto que é o nosso, contemporâneo, pelo menos desde a Modernidade e até hoje, para poder traçar-lhe uma arqueologia: entender, na luminosa e enigmática figura de Marilyn, um exemplo da nachleben da Ninfa — e uma vez que a nachleben (sobrevivência, imagem póstuma) não significa repetição, mas reinscrição em um novo contexto — na época contemporânea é o propósito deste ensaio. 

Bernardo Pinto de Almeida
(n. 1954). Prémio AICA/Fundação Gulbenkian de Crítica de Arte (1983), Prémio de Poesia do Centro Nacional de Cultura, 2004. Prefaciou mais de cinco centenas de catálogos em Portugal e no estrangeiro. Dirigiu a colecção Caminhos da Arte Portuguesa no Século XX na Editorial Caminho. Colaborou em diversas revistas, nacionais e estrangeiras. 
Publicou vários livros de ensaio e tem poemas traduzidos em várias línguas, nomeadamente espanhol, italiano, francês, inglês, alemão e russo. Publicou em 2023 a obra Sicília. Marilyn - Ninfa e Dasein (Ed. Documenta) é o seu livro mais recente.

Outro livro publicado recentemente pela Documenta: O Fazedor de Teatro.

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