domingo, 3 de maio de 2026

Novidade: «Dias de Vidro», romance multi-premiado e finalista do Prémio Strega


Recentemente publicado pela Editora Alma dos Livros, Dias de Vidro é uma narrativa intensa sobre a capacidade de resistir mesmo nos contextos mais desumanos. Num cenário marcado pela violência e pelo silêncio imposto, acompanha-se a história de uma mulher que encontra formas de permanecer inteira, preservando a sua fé na humanidade. Entre a sombra e a luz, o romance transforma o silêncio numa força viva.

Amplamente reconhecida, Dias de Vidro, com tradução portuguesa de Filipa Ramalho, foi distinguida com o Prémio da União Europeia para a Literatura, o Prémio Alessandro Manzoni (Romance Histórico), o Prémio Literário Chianti e o Prémio The Bridge, além de ter sido finalista do Prémio Strega, entre outros. Nicoletta Verna, nascida em Forlì em 1976, estreou-se com Il Valore Affettivo e afirma-se hoje como uma das vozes mais marcantes da literatura italiana contemporânea, destacando-se pela forma como transforma a memória histórica em ficção viva, aliando rigor narrativo e grande intensidade emocional.

Excerto
«Não é que os meus pais fossem pobres, ou pelo menos não eram mais pobres do que os outros. O meu pai guardava a casa do conde Morelli no Tarascone, que ficava no caminho que passava pela fortaleza, e a minha mãe vendia tremoços no mercado de Santa Maria com um carrinho. Em Castrocaro, havia quem trabalhasse nas Termas e já tivesse uma casa de banho, é verdade, com uma sanita de cerâmica branca, onde despejando água com uma bacia ia tudo por ali abaixo e nem nos apercebíamos de ter feito alguma coisa, enquanto os restantes iam para o barracão no pátio, assim como os outros do bairro, com um odor que fazia vir as lágrimas aos olhos, e punham-se no buraco a chocar e limpavam-se à pressa com um pano. Mas não eram pobres: conseguiam pagar todos os meses a renda da casa na curva da estrada nacional e quase não tinham dívidas.»

Sinopse
Itália, 1924. Giacomo Matteotti, principal opositor de Benito Mussolini, é assassinado no dia em que Redenta vem ao mundo. O medo instala-se, o silêncio torna-se regra e a violência passa a ser instrumento de governo. A morte de um marca o início definitivo da ditadura, o nascimento de outra inaugura uma vontade obstinada de resistir. 
Prometida em criança ao seu melhor amigo, Bruno, que desaparece sem explicação, é mais tarde escolhida para casar com Vetro, um dirigente fascista cujo sadismo parece não ter limites. Ainda assim, algo nela persiste. Uma força silenciosa, quase indestrutível. 
A vida de Redenta cruza-se com a de Iris, uma mulher rebelde e com desejos de liberdade. Duas mulheres, duas formas de coragem, dois destinos que se entrelaçam num dos períodos mais austeros da História.


Outro romance também premiado, recentemente publicado pela editora: O Artista, de 
Lucy Steeds.

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