Pedro Eiras regressa ao romance e revisita o imaginário de Fernando Pessoa

Pedro Eiras (n. 1975) é Professor de Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A sua produção literária distingue-se pela diversidade de géneros e pela profundidade reflexiva, abrangendo a ficção, a poesia, o ensaio e o teatro. Ao longo da sua carreira, tem desenvolvido uma obra vasta e multifacetada, na qual se destacam títulos como Bach, Os Três Desejos de Octávio C., Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa, Constelações, A Cura, bem como a trilogia, publicada pela Assírio & Alvim, Inferno, Purgatório e Paraíso.Nevoeiro - uma investigação é o título do seu novo livro, que acaba de ser publicado.Excerto«Começa por uma tremura ao rés do Tejo. O ar baço confunde as imagens, apaga os contornos de mastros, velas e cordames. Bocados de tela parda pousam sobre a ondulação morosa, arremetidas de vapor infiltram-se nas pedras, esgarçam os ancoradouros. Do rio espesso sobe um manto fantasmagórico, que lentamente galga a terra e embebe as pedras, os pilares.»Texto de apresentaçãoDecido escrever um livro para investigar as relações entre a escrita e o poder. De regresso ao romance e ao universo de Fernando Pessoa, Pedro Eiras segue o poeta português, qual detective no seu encalço, pelos cerrados anos de António Ferro e Salazar nos primeiros avanços do Estado Novo. Tempos de metafórico e espesso nevoeiro, em que talvez se possam reconhecer outras nuvens, bastante mais recentes: «Que resta dizer? Talvez apenas isto: que não se escreve uma investigação sobre o passado sem se ser movido pelo presente. E que não há uma única página desta narrativa – ambientada nos primeiros anos do Estado Novo – que não seja tingida pela sombra dos dias de hoje.
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