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Editora: Minotauro
Data de publicação: 05-02-2026N.º de páginas: 248 |
Este livro de memórias, considerado o livro de arte mais notável do ano 2023 para o The Sunday Times, acompanha os dez anos em que o autor trabalhou como vigilante no Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque. A decisão de Patrick Bringley mudar de profissão e de vida surge após a morte do seu irmão mais velho, Tom, em 2008, vítima de cancro, acontecimento que o marca profundamente e o leva a abandonar o seu emprego anterior em busca de um espaço de refúgio e contemplação.
Ao longo da obra, o autor conduz o leitor pelos bastidores de um dos maiores museus do mundo, revelando não apenas o funcionamento interno do Met, mas também o quotidiano dos seus vigilantes e a diversidade de visitantes que por ali passam. Entre salas repletas de obras de mestres como Picasso, Renoir, Monet, Rembrandt, Vermeer, Paul Cézanne e artefactos de civilizações antigas, Bringley descreve uma rotina feita de silêncio, vigilância e observação atenta, onde a arte se cruza constantemente com a vida quotidiana.
Um dos aspetos mais interessantes de Toda a Beleza do Mundo é a forma como o contacto diário com as obras de arte transforma progressivamente a visão do autor, levando-o a desenvolver uma relação mais lenta e profunda com a arte e com o tempo. Paralelamente, a experiência do luto está sempre presente, mas sem se tornar o foco principal da narrativa.
Apesar de, por vezes, o estilo de Bringley ser demasiado poético e metafórico, esta obra, traduzida para o nosso idioma por Sónia Amaro, trata-se de uma autobiografia envolvente e serena, que mostra como o contacto contínuo com a arte pode funcionar como um espaço de abrigo e transformação.
No final, concluí que o livro mostra claramente o poder curativo e transformador da arte, e que, mesmo em tempos de perda, o mundo ainda se pode revelar cheio de beleza e significado.
Excerto
«Estou a começar a descobrir que a vida é longa. (...) Quando Tom morreu, encontrei o caminho para o Met, e foi fácil conceber a idade adulta como um estado final, um fim do crescimento e da mudança, em vez de uma viagem própria. Agora, encontro-me na posição de ter envelhecido mais do que o meu irmão mais velho, e é estranho e não é natural, como ter ficado mais alto do que uma árvore que escalava na infância. Mas agora também tenho perspetiva suficiente para ver que a minha vida se estenderá para lá dos seus horizontes atuais (...)» (p. 193)

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