terça-feira, 2 de junho de 2026

O livro que marcou a estreia de Gertrude Stein na Literatura


Três Vidas foi uma das primeiras publicações deste ano da Ponto de Vírgula editora. Este foi o primeiro livro publicado de Gertrude Stein, em 1909. 
O livro (traduzido para o nosso idioma por Elga Fontes, a partir de Three Livesreúne três novelas centradas em mulheres da classe trabalhadora numa cidade fictícia. A característica mais marcante da obra é o estilo experimental de Stein, baseado em repetições, ritmo e linguagem simples. Três Vidas é frequentemente apontado como um dos livros mais acessíveis e convencionais da autora de A Autobiografia de Alice B. Toklas, servindo como uma excelente introdução ao seu universo literário. 
Esta edição destaca-se pela capa de grafismo disruptivo e multidimensional, uma solução visual particularmente criativa que dialoga com o caráter inovador da própria obra.

Sinopse
«A Boa Anna» é tão gentil como tirana. Sendo empregada, encara a vida como se fosse mãe dos que a rodeia, apesar de não ter filhos. É sempre pobre, mas oferece muito do que tem, e verte tudo de si nos outros, até não restar nada.
«Melanctha» cresceu numa realidade feita dura pela pobreza e áspera pela ausência de afeto. Aprendeu sobre a vida nas ruas, colheu o carinho que lhe chegava sem ter capacidade crítica sobre a sua origem e, das feridas que resultaram, fez nascer o conhecimento possível.
«A Gentil Lena» abdicou da vontade própria à nascença e deixou que o mundo a levasse pela vida como uma corrente. Casada sem possibilidade de escolha, definhou debaixo de abuso.

Em Três Vidas, Gertrude Stein descreve como a pobreza, a classe e a raça aprisionam estas mulheres. Com uma profundidade psicológica impressionante, Stein conta mais do que três histórias: desenvolve três identidades a partir da profundidade da mente humana, amorosa e desesperada. Fá-lo usando uma escrita inovadora, que sublinha os padrões impostos pelo fluxo de discurso repetitivo que espelha na palavra escrita a frustração que atravessa o íntimo de todas as personagens.

Excerto
«Jeff não gostava muito disso hoje em dia, do seu verdadeiro sentimento. Sabia agora muito bem que Melanctha não era suficientemente forte por dentro para suportar mais a sua lenta maneira de agir. E, no entanto, agora ele sabia que não era honesto no seu sentimento. Agora tinha sempre de mostrar mais a Melanctha do que alguma vez sentira. Agora ela fê-lo ir tão depressa, e ele sabia que não era real o seu sentimento, e, mesmo assim, não podia fazê-la sofrer mais por ser sempre tão lento com o seu sentimento.»

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