Livro inédito de Pedro Paixão, autor que nos habituou a narrativas breves e de forte intensidade emocional, acaba de ser publicado pela Glaciar — editora que tem vindo a reeditar a sua obra de forma consistente e que já conta com seis títulos do autor, incluindo este Nós Não Nascemos Para Morrer.
Sem publicar ficção inédita há vários anos, o autor, que se estreou na literatura em 1992, regressa inesperadamente com um novo livro de contos, fiel ao universo que os leitores reconhecem e procuram na sua escrita. Trata-se de um conjunto de textos marcados por uma profunda carga emocional, atravessados por uma sensação de perda latente, que conferem ao livro uma dimensão íntima e reveladora.
Segue-se um trecho, de Nós Não Nascemos Para Morrer, que ilustra bem esse registo: uma escrita emocionalmente densa, centrada na memória amorosa e na forma como o fim de uma relação raramente é um gesto limpo, mas antes um processo de colapso interior.Excerto
«Bastou uma simples vontade tua para pôr do avesso tudo o que eu julgava seguro. Passaste de alguém sem a qual não se faz vida, para poeira ao vento, flores e folhas caídas, mortas pelo chão. A tua vontade de destruir o breve filme em que nos beijamos mostrou-me a tua maior e única infidelidade: a de querer queimar tudo o que juntos tecemos. De quereres fazer vazio todo o tempo em que sobrevivíamos boca a boca, numa jangada sem destino, demasiado ocupados que estávamos a viver a viagem. Minuto a minuto, olhos nos olhos e sem querer saber de mais nada, nem de mais ninguém. Tu traíste-me, mas não com o corpo — o que te perdoaria. Tu traíste-me com o espírito, o que é irreparável.»
Os títulos de Pedro Paixão que já foram alvo de reedições pela Glaciar:
Nos Teus Braços Morreríamos; Espécie de Amor; Muito, Meu Amor; Lembra-me de Mim; Viver Todos os Dias Cansa.
sexta-feira, 19 de junho de 2026
Pedro Paixão regressa à ficção com «Nós Não Nascemos Para Morrer»
publicado por Miguel Pestana
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