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Editora: Alma dos Livros
Data de publicação: 25-02-2026N.º de páginas: 280 |
Uma obra elegante e envolvente, que explora temas como a criação artística, a ambição, o poder e a invisibilização das mulheres na história da arte. Assim é O Artista, romance de estreia da inglesa Lucy Steeds — distinguido com o prémio Livro do Ano Waterstones e amplamente aclamado pela crítica e pelos leitores — é ambientado numa casa de campo isolada, na Provença de 1920 e acompanha a vida de Ettie, cuja existência tem sido inteiramente dedicada ao conforto e ao génio do tio, Édouard Tartuffe, «o pintor mais reputado da sua época, o menino de ouro do panorama artístico de Paris».
Embora a chegada de um jovem jornalista inglês desencadeie a ação, é Ettie quem emerge como a personagem mais interessante e complexa da narrativa. Através dela, a autora aborda o tema da mulher artista cujo talento permanece oculto, não por falta de capacidade, mas devido às circunstâncias e às relações de poder que a rodeiam.
Combinando mistério, romance e uma subtil tensão psicológica, Steeds constrói um retrato intenso de egos desmedidos, autodescoberta e do poder da criação. Um dos aspetos mais conseguidos do romance é a forma como questiona a figura do artista genial. Tartuffe surge como um homem egoísta e controlador, enquanto a arte é apresentada não apenas como fonte de inspiração, mas também como instrumento de domínio.
Paralelamente, a autora recria com grande sensibilidade o ambiente da Provença, através de descrições vívidas da paisagem, da luz e dos processos criativos. A escrita, rica e quase cinematográfica, confere à narrativa uma forte dimensão sensorial, envolvendo o leitor nos aromas, nas cores e na luminosidade do sul de França.
O ritmo é lento e assente na observação, o que poderá não agradar a todos os leitores. Ainda assim, essa opção narrativa contribui para a tensão subtil que percorre toda a obra e para a profundidade psicológica das personagens. Mais do que um romance sobre pintura, O Artista é uma reflexão sobre o desejo de liberdade, o reconhecimento e aqueles que permanecem nas margens da história enquanto outros ocupam o centro da tela.

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