Morte em Veneza é uma obra que aborda o fascínio fatal da beleza e explora objetivamente temas tabu à época, como a homossexualidade reprimida. A epidemia «escondida» de cólera em Veneza funciona como uma metáfora para a decadência moral do protagonista, Gustav von Aschenbach, e da sociedade europeia.
Inspirado por um episódio real vivido durante umas férias em Veneza, em 1911, Thomas Mann, escritor alemão agraciado com o Prémio Nobel de Literatura em 1929, escreveu aquela que viria a tornar-se uma das obras mais célebres do século XX.
Publicado pela primeira vez em 1912, este é um clássico incontornável e intemporal. Em 1971, Luchino Visconti adaptou Morte em Veneza ao cinema, num filme protagonizado por Dirk Bogarde.
Esta edição da Bertrand Editora chegou às livrarias a 25 de Junho, numa tradução que esteve a cargo de Sara Seruya.
Sinopse
Num romance que, nas palavras de Thomas Mann, trata da «paixão como desequilíbrio e degradação», Gustav von Aschenbach, escritor erudito e respeitável, é acometido por um insondável e turbulento impulso e viaja para Veneza à procura de uma trégua da angústia criativa que o aflige. É no átrio do seu hotel no Lido que observa pela primeira vez Tadzio, um rapaz excecionalmente belo que ali está hospedado com a família.
À medida que os seus dias começam a girar sobre um centro agora ocupado pelo rapaz, o espanto dará lugar à obsessão, num conflito silencioso entre ânsia e desejo, beleza e morte - e a busca por plenitude espiritual que o levou a Veneza transformar-se-á, afinal, na ruína do escritor.
Irremediavelmente fascinado, Aschenbach ver-se-á preso a esta cidade hipnótica, num momento em que a mesma sucumbe a uma epidemia de cólera que ele, cego pela sua fixação, não verá chegar.
Excerto
«Agora, dia após dia o deus de faces inflamadas conduzia, desnudo, pelos espaços celestes a sua quadriga chamejante, com a sua auréola de caracóis de ouro esvoaçando ao vento leste então desencadeado. Um esplendor branco de seda estendia-se pelas longuras do ondeante, indolente Ponto. A areia ardia em brasa. Sob o éter cerúleo cintilando prata, panos de velas cor de ferrugem abriam-se, tendidos, diante das cabinas, e sobre a mancha de sombra marcadamente recortada que ofereciam passavam-se as horas da manhã. Mas também a noite era deliciosa, quando as plantas do parque exalavam os seus balsâmicos perfumes, as constelações nas alturas cirandavam nas suas rodas e o murmúrio do mar, mergulhado em trevas, se desprendia docemente e vinha confiar-se às almas, em segredo.» (p. 61)
«Esta complexa obra-prima fin-de-siècle parece ecoar de forma inquietante a decadência destrutiva que em breve abalaria a própria civilização europeia.»
The Times
«Um profundo e altamente complexo drama da psique humana.»
Financial Times
Encontra, aqui, outros livros do autor publicados recentemente pela Dom Quixote e Livros do Brasil.
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Bertrand Editora edita «Morte em Veneza», de Thomas Mann
publicado por Miguel Pestana
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