Judite Canha Fernandes (nascida no Funchal em 1971) deixou a actividade profissional em 2015 para dedicar-se à escrita, desejo que vinha a adiar desde a infância. Publicou poesia, ficção (romance e conto) e teatro. O Mel sem Abelhas, acabado de publicar pela Gradiva, foi o romance vencedor do Prémio Literário Edmundo Bettencourt 2024 - Prémio instituído pela Câmara Municipal do Funchal, que já galardoou nomes de relevo como Ana Teresa Pereira e José Viale Moutinho.
Texto sinóptico
O Mel sem Abelhas, o mais recente romance de Judite Canha Fernandes, vencedora do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís 2018 com Um Passo para Sul,
é uma ficção histórica centrada na cultura da cana do açúcar na ilha da
Madeira. O seu título nasceu da expressão «Juncos que produzem mel sem
abelhas», utilizada para designar a cana-de-açúcar, quando a encontraram
pela primeira vez Índia, cerca do século V A.C.
A novela descreve a
história de Marta, que chega à cidade do Funchal vinda de Angola no
decorrer do século XVI, para trabalhar como escrava na cultura da cana.
Com o olhar do medo, acompanhado pelo fascínio do novo que se lhe
apresenta na ilha, vê-se na necessidade de encontrar na cidade do
Funchal alguma forma de abrigo e, simultaneamente, inventar um modo de
voltar a casa.
Fruto de uma exaustiva investigação histórica e da
afirmação de um talento literário singular já anunciado no seu primeiro
romance, Judite Canha Fernandes traça a história da escravatura
portuguesa e da sociedade colonial madeirense do século XVI açucareiro
através voz de uma mulher escravizada, num romance profundamente
original que é também um fresco de uma época e de uma condição social.

Silêncio no Coração dos Pássaros é uma história crua e honesta sobre o fim de uma relacção. Após O Lugar das Árvores Tristes, Lénia Rufino (n. 1979) está de regresso com um romance intenso e emocionalmente poderoso, centrado na autodescoberta e no confronto com a dor do fim de um ciclo.
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Quando decide pôr fim a um casamento de vinte e sete anos, Laura, uma prestigiada violinista, revisita os principais momentos da sua vida: em criança, o amor pelo violino, o único capaz de preencher os silêncios de uma infância solitária; na transição para a idade adulta, a busca por respostas - ou talvez a compreensão de como se formulam melhor as perguntas; e a certeza de que é na música, sempre na música, que verdadeiramente se encontra.
No prolongamento da catarse, a chegada à maioridade, Álvaro e uma história de amor sem grandes sobressaltos, mas também sem grande entusiasmo; uma parceria apática em casa e na orquestra; e o início do fim: a digressão que faz sozinha pela Europa, a relação com Thomas, um clarinetista austríaco mais novo do que ela, e a tomada de consciência de que é sempre possível fazer voltar a vibrar uma corda que há muito se calou.

Nuno Duarte (n. 1973) é o vencedor do Prémio LeYa 2024 com o romance Pés de Barro, disponível nas livrarias a 15 de Abril. Esta
obra do publicitário e escritor, segundo o juri, «polariza o seu
realismo histórico no quotidiano de um pátio em Alcântara e nas razões
de viver dos que nele se acolhem.»
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Estamos
em 1962, num país orgulhosamente só, e vem aí a construção da primeira
ponte suspensa sobre o Tejo, para a qual vão ser precisos cerca de três
mil homens. A obra irá mudar para sempre a paisagem da capital, muito
especialmente para quem vive em Alcântara, como é agora o caso de Victor
Tirapicos, instalado na casa dos tios depois de ter envergonhado o pai
com dois anos de cadeia só por ter roubado pão e batatas para fintar a
miséria.
É,
de resto, pelos olhos deste serralheiro de vinte e dois anos que
veremos a ponte erguer-se um pouco mais todos os dias e, ali mesmo ao
lado, partirem os navios cheios de rapazes para a guerra do Ultramar,
donde muitos acabarão por voltar estropiados, endoidecidos ou mortos.
Porém,
apesar de a modernidade parecer estar a matar a vida e os costumes do
pátio operário onde convivem (amigavelmente ou nem tanto) uma série de
figuras inesquecíveis – entre elas o mestre sapateiro que faz as
chuteiras para o Atlético Clube de Portugal e um velho culto que aprende
a desler –, Victor Tirapicos encontra o amor de uma rapariga que é muda
mas consegue escutar o planeta, pressentindo a derrocada da estação do
Cais do Sodré e outra catástrofe ainda maior, que se calhar tem pés de
barro e só acontece neste romance, mas bem podia ter acontecido.
A Casa das Letras edita Diogo Alves, Serial Killer, um romance sobre o primeiro serial killer português, o famoso assassino do Aqueduto das Águas Livres. Cruzando realidade e ficção, este livro vem recordar uma das personagens mais sinistras da História de Portugal. E entra na mente do criminoso que chocou a sociedade portuguesa do séc. XIX. Luís Pedro Cabral (n. 1969) é jornalista freelancer, com contos publicados na revista 'Egoísta' e autor do romance A Cidade dos Aflitos.
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Diogo Alves parecia não poder queixar-se do seu destino, e a certa altura chegou mesmo a convencer-se de que o mundo estava ao seu alcance. Chegara inseguro e inexperiente, vindo da Galiza, à capital do império português; mas agora, passados alguns anos, deixara de ser o aprendiz de cavalariça e era um respeitável condutor de carruagens, com trabalho assegurado nalgumas das melhores famílias. Discreto, trabalhador e obediente, assim subira na escada social e tornara-se membro honorário da sociedade lisboeta do início do século XIX.
Na verdade, ninguém podia saber que Diogo não era o que parecia ser, e que no seu íntimo habitava uma personalidade perturbada. Só Gertrudes Maria, mais conhecida por Parreirinha, detectou no fundo daqueles olhos azuis um enorme desejo de transgressão violenta. Seria mesmo na taberna dela, lá para os lados de Palhavã, que Diogo selaria o seu destino, ao cruzar‑se com um velho bêbado que, sem o saber, lhe abriria em definitivo as portas do crime e da perdição.
Outro livro que pode interessar: O Assassino do Aqueduto (2014).
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