domingo, 9 de agosto de 2020

«Apneia», de Tânia Ganho

Editora: Casa das Letras
Data de publicação: 21-07-2020
N.º de páginas: 696
Todos os anos centenas de mulheres e homens sofrem em silêncio, ao não denunciarem a violência doméstica de que são alvo, seja ela física, psicológica ou sexual. Enquanto nas suas mentes não veem asseguradas as condições necessárias para se libertarem dessas situações opressoras, os anos vão passando e as cicatrizes do corpo e da alma vão-se evidenciando, dando sinais, somatizando-se. Quando existem filhos pelo meio, tudo complica e ganha outra dimensão. Em consequência de divórcios litigiosos, emerge um outro flagelo da sociedade: a alienação parental, que provoca estragos psicológicos profundos nas crianças.
No seu novo romance, a escritora Tânia Ganho (n. 1973) empresta a voz às vítimas de violência doméstica e de abusos sexuais em Portugal, especialmente às «crianças em deriva nos tribunais de família e menores», a quem dedica este seu quinto livro, editado pela Casa das Letras.
Adriana e Alessandro conheceram-se em Itália. Casaram. Tiveram um filho e mudaram-se para Inglaterra. Ele é director financeiro numa multinacional e tem de viajar constantemente pelo mundo; ela é uma artista plástica cujo nome está a adquirir relevo no mundo das artes. Decidem construir de raiz uma casa em Lisboa e assim que esta fica prestes a ser habitável, mudam-se para Portugal. Mas essa moradia com piscina não chega a conhecer a felicidade deste casal. Até porque há muito tempo que a desdita faz parte da vida de Adriana. O homem por quem se apaixonara e deixara-se ficar cega, «lia-lhe os e-mails, as mensagens de telemóvel, entrava-lhe nas redes sociais» (p. 68), ele reduzia-a «até restar apenas o defeito, a imperfeição, o medo.» (p. 103)
Num dia de Setembro de 2009 em que Adriana decide sair de casa e dessa relação tóxica, ele diz que vai tirar-lhe tudo: «o dinheiro, a carreira, a família, o teu filho.» (p. 54) E assim tem início o processo de divórcio e o de guarda partilhada e residência alternada de Edoardo, o filho de ambos, que com apenas seis anos é ouvido, pela primeira vez em tribunal.
Mãe e filho começam assim uma jornada em que dependerão de instituições como o tribunal e o hospital, instituições essas que Adriana comprovará mais diante, pouco comunicam entre si, devido a mau profissionalismo, burocracias ou simplesmente à inanição do sistema. Passando a vida em consultas no psicólogo e pedopsiquiatra com o filho, pois este vinha mais agressivo e perturbado da casa do pai: «Para o tribunal, a mudança semanal de hábitos e de modo de vida era uma questão de somenos importância; “as crianças adaptam-se”, insistiam os magistrados.» (p. 204)
Adriana vê no nado - «era uma criatura aquática» - e na pintura escapes, onde pode extravasar os seus medos: «O auto-retrato era um caminho para regressar a si mesma.» Para recuperar energias e esquecer por uns dias que o objectivo do ex-marido não era obter a guarda do filho, mas sim desestabilizá-la financeira e emocionalmente - nem que para isso tivesse que mentir ao filho: «Edoardo se subjugava sempre aos desejos de Alessandro, porque ele o aliciava ou chantageava.» (p. 53) -, a pintora começa a visitar uma ilha, às vezes com Edoardo, por vezes sozinha. Todavia, estes seus subterfúgios não amenizam o estado permanente de stresse profundo com que vive: «As crises de ansiedade foram a maneira de o seu corpo a obrigar a tomar consciência disso.» (p. 536)
Uma das partes da história que causa mais comoção e transtorno na leitura, é a de um incidente, e de toda a série de acontecimentos que advêm desse episódio. «O dia em que deixou de sentir tristeza pelo fim do seu casamento.» (p. 512)
Até onde será capaz de ir esta mãe corajosa para proteger o filho das lavagens cerebrais que o seu ex-marido, um pai negligente e pérfido, que alicia Edoardo a ver filmes violentos e de teor sexual, que critica constantemente a ex-companheira enquanto pessoa, mãe e profissional, quando ele está à sua guarda?
Através de uma escrita elegante e desenvolta, com vocabulário rico, Tânia Ganho traz à superfície uma discussão necessária sobre a impotência e inércia do sistema português em dar resposta a estes processos complexos e delicados, onde deveria ser salvaguardo, sempre, «o superior interesse da criança». Como afirmou o Prof.º Dr.º Carlos Alberto Poiares (Licenciado em Direito e Doutor em Psicologia) na sessão de apresentação do livro: Enquanto não tivermos avaliações psicológicas forenses obrigatórias [a cada um dos pais] nos tribunais, andamos a brincar.»
Este romance que se sucede a A Mulher-Casa (Porto Editora, 2012) evidencia a mesma escritora de índole sensível, que aqui inclui novamente apontamentos sobre arte, pintura e literatura, mostrando-se ser uma observadora nata das relações humanas e dos acontecimentos recentes que toldaram o mundo. Nesta nova obra que Tânia Ganho nos oferece, cuja feitura durou sete anos, é inevitável, para o leitor que acompanha o seu percurso literário, notar amadurecimento na sua escrita. A história de Apneia foi pensada e escrita de forma cirúrgica; cada acontecimento é dado a conhecer ao leitor na página certa.
Tânia Ganho é uma escritora talentosa que ganha o sustento como tradutora, mas (se não estivéssemos em Portugal) deveria escrever a tempo inteiro e ver os seus livros traduzidos para outros idiomas, principalmente este Apneia, que tem um grande potencial para chegar a um público vasto, pelos temas emergentes que de forma extraordinária aborda e atira para cima da mesa para reflexão.
Esta história intensa e perturbadora – às vezes temos de fazer uma pausa na leitura e suster a respiração por breves momentos – tem também toda a viabilidade para ser transposta para o cinema; todos os ambientes onde ocorre a narrativa são plausíveis de serem filmados, principalmente a ilha onde a protagonista da história procura refúgio.
Apneia revela que a autora fez um primoroso trabalho de pesquisa sobre os diversos assuntos trazidos à tona, ao longo da trama. Referir que esta obra foi inspirada em experiências reais de várias mulheres que partilharam com a autora de A Lucidez do Amor (Porto Editora, 2010) as suas histórias de violência doméstica e de divórcios litigiosos, no Ministério Público, no Tribunal de Família e Menores de Lisboa, entre outras instituições.

Excertos
«Enroscavam-se nos braços um do outro e Adriana tinha vontade de lhe falar de futuro, mas não o fazia. Existiam naquele farol, naquela ilha. Não sabia se teriam lugar no mundo lá fora. Não queria pensar nisso enquanto ali estava. Cabiam naquela cama estreita, no tempo presente.» (p. 220)

«Temos de educar as mulheres, as raparigas, as meninas para gostarem de si próprias. E gostar de nós próprios é dizer “não” quando gritam connosco, fugir quando nos insultam, partir de imediato e definitivamente quando nos levantam a mão, em vez de perdoar.» (p. 403)

«A vida não nos prepara, enquanto filhos, para encontrarmos o vazio onde deveria existir a empatia, o amor, no coração de um pai ou de uma mãe.» (p. 512)

«Quantas mulheres já estiveram em esquadras da polícia a dizer que têm medo, que os filhos estão em perigo, e as mandaram para casa “descansar e pensar positivo”? E, no dia, seguinte, estavam nas capas dos jornais?» (p. 577)

«A arte de sobreviver não passa pelo esquecimento; consiste em aprender a viver com o que magoa e, aos poucos, ir desmontando a dor e separando os seus componentes como quem desarmadilha pacientemente uma bomba. Um dia, sobrarão apenas as peças, arquivadas em caixas.» (p. 689)

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Neurologista e neuropsicóloga portugueses escrevem livro sobre os mitos criados à volta do cérebro

Com prefácio de Carlos Fiolhais e posfácio de Nuno Crato, o livro Neuromitos, de Alexandre Castro Caldas, um dos mais prestigiados neurologistas da actualidade, e da neuropsicóloga Joana Rato, procura desconstruir os principais mitos criados à volta do cérebro e apresentar aquilo que realmente a ciência sabe sobre este órgão.
Neuromitos coloca em confronto a intuição e o senso comum com a realidade científica. Os autores dissecam mitos largamente difundidos, com uma autoridade que só especialistas consagrados na sua área conseguem ter, o que resulta num livro muitíssimo actual, interessante e completo. Um livro indicado para todos os que são curiosos por natureza, que têm um cepticismo saudável e que procuram saber mais, e melhor, sobre o nosso cérebro.

«Recomenda-se este livro a todos os detentores de cérebros, não só pela apresentação resumida e clara do exemplo da teoria das inteligências múltiplas de Gardner, mas também por outras relativas a muitos outros exemplos (...). Recomendo, em particular, este livro a professores e, mais em geral, a educadores, que são todos os pais e encarregados de educação. E, já agora, embora sejam menos, a políticos, a ver se aprendem alguma coisa, passando a acreditar mais na ciência do que em mitos.» Carlos Fiolhais

«Este livro deve ser encarado com grande seriedade. Os autores dissecam mitos largamente propalados e largamente perniciosos. E fazem-no com a autoridade de especialistas consagrados.»
Nuno Crato

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Chega este mês às livrarias «O Poder dos Sonhos», da inglesa Tree Carr

Tree Carr é doula da morte (ou do fim da vida) - pessoa que conhece e compreende a fisiologia do processo do final da vida e morte, que respeita e assegura as necessidades básicas da pessoa que está nesta etapa da vida e, acima de tudo, respeita as opções desta, da sua família e amigos, apoiando nas decisões informadas e conscientes - e conselheira de sonhos. Esta autora pratica a arte do sonho lúcida há várias décadas, ajudando aqueles que desejam activar, explorar e entender melhor os seus domínios de sonho, cultivando uma prática diária de sonhos sob medida. Dá workshops, cursos e retiros em Londres, onde vive, pela Europa, Canadá e EUA. O seu livro O Poder dos Sonhos será publicado pela Pergaminho no próximo dia 14.
Os sonhos ocupam um espaço misterioso entre a vigília e a inconsciência. Na verdade, são um estado alterado de consciência que nos transporta para uma outra realidade - a do interior de nós mesmos. A experiência onírica pode ser usada para enriquecer a vida consciente - desde os sonhos lúcidos aos prescientes, o poder deste estado é de uma riqueza impressionante. Descubra, ao longo destas páginas, que práticas quotidianas (começando pela higiene do sono e pela mindfullness) pode encetar para fazer dos sonhos uma ferramenta de transformação pessoal.

sábado, 1 de agosto de 2020

Novos romances de escritoras como Judith McNaught e Catherine Bybee

10 Minutos e 38 Segundos Neste Mundo Estranho é o título - já à venda - do novo livro da romancista turco-britânica Elif Shafak, autora de A Bastarda de Istambul, A Cidade nos Confins do Céu e Três Filhas de Eva. Com a chancela Editorial Presença, este é um romance «extremamente comovente (The Sunday Times) e uma verdadeira «carta de amor a Istambul (The Economist).
No primeiro minuto que se seguiu à sua morte, a consciência de Leila Tequila começou a abrandar, lenta e firmemente, como uma maré a recuar para a costa. As suas células cerebrais, tendo ficado sem sangue, estavam agora completamente privadas de oxigénio. Mas ainda não se tinham desligado. Não de imediato. Uma última reserva de energia ativara inúmeros neurónios, ligando-os como se fosse a primeira vez. Embora o coração tivesse parado de bater, o cérebro estava a resistir, um combatente até ao fim...
Para Leila, cada minuto após a sua morte traz consigo uma recordação sensual: o sabor do guisado da cabra sacrificada pelo pai, para celebrar o nascimento de um filho há muito esperado; a visão de panelões borbulhantes com uma mistura de limão e açúcar, que as mulheres usam para depilarem as pernas, enquanto os homens se encontram na mesquita; o aroma a café de cardamomo que Leila partilha com o estudante atraente, no bordel onde trabalha. Cada recordação também traz consigo os amigos que fez em cada momento importante da sua vida - amigos que agora estão desesperados para a tentar encontrar...

De Judith McNaught, com mais de 10 obras já traduzidas para português, a ASA lançou recentemente Ao Cair da Noite, que consolida o estatuto desta escritora americana como uma das melhores contadoras de histórias dos nossos dias.
Sloan Reynolds tem uma vida pacata numa pequena vila na Flórida. Abandonada trinta anos antes pelo pai e pela irmã, o seu mundo não podia ser mais diferente do glamour de Palm Beach, de onde agora lhe enviam um inesperado convite para se juntar a eles. Embora se sinta inclinada a recusar, Sloan percebe que está na hora de conhecer verdadeiramente a família, para o melhor e o pior…
Tudo corre na perfeição até ao momento em que conhece o sedutor Noah Maitland e fica pela primeira vez dividida entre desejo e dever. Mas os seus problemas estão apenas a começar. Quando é confrontada com uma acusação infame, Sloan terá de recorrer a todas as suas forças para conseguir descobrir a verdade e salvar o seu coração…

Consegue imaginar como aprende a falar uma filha de pai e mãe surdos? Esta é a premissa de «uma história de uma educação sentimental contemporânea, desorientada pelo passado e pela consciência das diferenças físicas, das distinções sociais, da pertença a um lugar.» Sempre Estrangeira é o primeiro livro da escritora e tradutora Claudia Durastanti a chegar a Portugal, com o cunho Dom Quixote. Já encontra-se nos escaparates das livrarias.
Quando tudo cai, permanece, indomável, o amor.
A primeira pergunta que lhe fazem sempre é como aprendeu a falar e, logo a seguir, em que língua sonha. Filha de pai e mãe surdos que se separaram pouco depois de terem os filhos, a protagonista deste livro viveu uma infância verdadeiramente febril, sempre a andar de um lado para o outro - de Brooklyn, em Nova Iorque, para Basilicata, uma aldeiazinha em Itália - e da mãe para o pai; mas, tal como uma planta obstinada, foi capaz de criar raízes em todo o lado e, já adulta, acabou por replicar este comportamento migratório, fosse por causa dos estudos, da emancipação, do inescapável amor.

Com tradução de Ana Saragoça, a 5 de Agosto, pela Marcador, nas livrarias chegará um tríler cheio de reviravoltas. Com mais de trinta bestsellers publicados, Lisa Jackson é perita em desafiar a sanidade dos leitores. Paranoia é o seu primeiro livro editado em português.
Em Edgewater, Oregon, alguns residentes pensam que, vinte anos antes, Rachel Gaston se safou depois de assassinar uma pessoa. Rachel ainda não faz ideia de como um simples jogo de adolescentes se tornou mortal - nem de quem trocou a sua pistola de ar comprimido por uma arma verdadeira. Quando um vulto se aproximou, vindo da escuridão, ela disparou sem pensar. Demasiado tarde, reconheceu o meio-irmão, Luke, e viu sangue a jorrar do seu peito.
Apesar do acompanhamento psicológico, os sonhos horríveis de Rachel sobre aquela noite persistem. a ansiedade levou ao seu divórcio do detetive Cade Ryder, embora também ele se sinta culpado pelo sucedido. Quando a reunião com os colegas do secundário se aproxima, Rachel sente a imaginação a pregar-lhe partidas, convencendo-a de que os objetos em sua casa se deslocaram. Que há perfume desconhecido no ar. Que alguém está a seguir o seu carro.
A observá-la em casa. Tem razão em sentir medo. E à medida que surgem ligações entre uma nova série de homicídios e a morte de Luke, Rachel percebe que não é possível escapar ao passado e que a verdade pode ser mais sombria do que os seus piores medos...

Catherine Bybee é uma romancista americana com variadíssimos livros publicados pela Bertrand Editora. São exemplos: Solteira até Sábado, Não é bem Namorar e Adorada até Quinta. A 14 do próximo mês fica disponível um novo título: Enganada Uma Vez.
O amor e os segredos podem ser uma combinação perigosa.
Lori Cumberland, advogada de divórcios, teve um casamento fracassado e não pensa em repetir o erro, concentrando-se antes nas ligações temporárias dos seus clientes ricos e famosos. Mas tem uma surpresa quando decide embarcar num cruzeiro com outras divorciadas em busca de diversão, sol e novas amizades…
Reed Barlow é um detetive privado que sabe exatamente o que quer, e isso não passa por um envolvimento emocional… até conhecer Lori.
Mas será que este encontro foi casual? Reed põe em risco a vida de ambos, e só terá uma oportunidade para conquistar Lori.

Um Amor como nos Filmes, da inglesa Rachel Winters, será lançado no início de Setembro pela Saída de Emergência, sob a chancela Chá das Cinco. Este é o seu livro de estreia, com título original Would Like to Meet.
É possível apaixonarmo-nos na vida real como acontece nos filmes?
É o que Evie Summers tem de descobrir. Porque se ela não conseguir convencer Ezra Chester a terminar o argumento para uma comédia romântica, a carreira dela terminará. O problema é que Ezra pensa que as comédias românticas não refletem a realidade — e só voltará a escrever se Evie lhe provar que é possível conhecer um homem na vida real da mesma forma que acontece no grande ecrã. Evie não acredita no amor eterno, mas vai fazer tudo para salvar o seu emprego… mesmo que isso signifique recriar publicamente cenas icónicas de comédias românticas. Entornar sumo de laranja num estranho? Não há problema. Deixar o seu número de telefone em livros por toda a Londres para ver quem lhe telefona? Feito. Com uma pequena ajuda dos amigos — e de Ben e Anette, o adorável duo de pai e filha que testemunham constantemente as suas humilhações —, Evie está determinada em provar que é possível conhecer um homem da mesma maneira que Julia Roberts conheceu Hugh Grant. Mas quais são as chances de uma workaholic que desistiu do amor encontrar o seu príncipe encantado?

sexta-feira, 31 de julho de 2020

«O Peixe Arco-Íris», de Marcus Pfister

Editora: Kalandraka
Data de publicação: Julho 2020
N.º de páginas: 32
Marcus Pfister é um suíço de 60 anos, licenciado em Design Gráfico, que já ilustrou cerca de 50 livros, traduzidos em dezenas de línguas, contando com 30 milhões de exemplares vendidos. O seu primeiro livro infantil foi publicado em 1986; a sua obra mais recente, foi lançada no início deste ano.
Em 1992, ganhou reconhecimento internacional com O Peixe Arco-Íris, motivando-o a exercer a tempo inteiro a profissão de escritor e ilustrador. Esta obra infantil ­ que chega finalmente a Portugal, num trabalho de tradução assinado por Ermelinda Mutenha e Kai Immig, tornou-se num autêntico sucesso de vendas, dando origem a uma colecção de livros (o último título chegou às livrarias em 2003) e adaptado para uma série animada de televisão, protagonizadas por um peixe muito bonito e também muito orgulhoso.
Arco-íris. É assim que o peixe mais bonito de todo o oceano é apelidado pelos outros espécimes, que ficam encantados com a sua beleza exterior: as suas escamas são cintilantes, multi-coloridas e iridescentes - que, de facto, podemos comprovar com a visão e o tacto; brilham como caleidoscópios à medida que viramos cada página do álbum.
Os peixes diziam para ele brincar com eles e se ele podia oferecer-lhes uma das suas reluzentes escamas, já que ele tinha tantas, «mas o peixe Arco-Íris passava por eles, silencioso e vaidoso». Um dia, cansados de serem afugentados e repudiados pela aparente rudeza do confiado peixe, todos lhe viram as costas, deixando-o com a sua infindável formosura e solitude.
Torna-se assim o peixe mais solitário de todo o oceano. «De que adiantavam agora as suas maravilhosas escamas brilhantes se ninguém as admirava?»
Será que um dia, ele encontrará amigos de verdade? Que o aceitem como ele é? Ou terá ele que mudar primeiro algumas atitudes para então atrair a amizade dos outros peixes?
O Peixe Arco-Íris é uma fascinante e didáctica história, adornada com belíssimas ilustrações a lápis e aguarelas, com colagens com papel holográfico (cujo efeito é o ponto mais atraente deste álbum), que adverte-nos sobre o egoísmo e a vaidade em níveis desmesurados, e a importância de aprendermos a ser bondosos, compartilhando com os outros o que temos e que não nos faz falta. Às vezes, o simples acto de partilha (seja de um objecto, uma palavra, um olhar, um sorriso, um silêncio, etc.), pode trazer-nos felicidade, libertação e uma maior aceitação por parte dos outros.
Sobre este que é considerado um clássico da literatura infantil, Marcus Pfister diz: «Queria mostrar às crianças o aspecto positivo da partilha: compartilhar não significa apenas doar algo (o que é bastante difícil para uma criança), mas, acima de tudo, fazer a outra pessoa feliz – ficando ela mesma feliz fazendo isso.»
Salientar que O Peixe Arco-Íris (tal como aconteceu com Onde Vivem os Monstros, de Maurice Sendak) foi um dos livros infantis que Michelle e Barack Obama escolheram para ler às crianças em 2016, no tradicional evento White Egg Egg da Casa Branca (ver aqui e aqui).

Está a chegar «O Fim do Armário», do escritor e activista LGBT Bruno Bimbi

Bruno Bimbi (n. 1978) é um jornalista, escritor e activista LGBT argentino. Começou o seu trabalho como jornalista na revista Veintitrés, escreveu artigos para jornais como o Crítica de la Argentina, O Globo, Folha de São Paulo, The New York Times em espanhol, e para diversas revistas e publicações online. Foi correspondente no Brasil para Todo Noticias, principal canal de notícias da Argentina, onde ainda trabalha como colunista. É autor dos livros Casamento Igualitário e O Fim do Armário, que a 8 de Agosto chega a Portugal pela Sextante Editora, depois do grande sucesso das edições argentina, brasileira, peruana, espanhola e mexicana.

Recorrendo a uma linguagem clara e direta, o autor assina neste livro-manifesto uma série de textos analíticos, crónicas e estudos de caso de vários pontos do mundo. Abordando a questão de uma perspetiva simultaneamente individual e coletiva, política e cultural, esta obra procura desconstruir os preconceitos em redor da comunidade LGBT, revelando exemplos da perseguição e da marginalização que esta tem sofrido ao longo dos tempos. Hoje, em alguns países, é certo que há muitas conquistas a assinalar.

«Com erudição e profundidade reflexiva, Bimbi debruça-se sobre a intimidade da relação sexual entre dois homens e duas mulheres — e a curiosidade que ela gera nos heteros — a construção cultural do ódio homofóbico e o papel das igrejas cristãs fundamentalistas nesta construção. Uma prosa brilhante e necessária.» Jean Wyllys (ex-deputado federal brasileiro)

Agora em livro, o discurso que José Tolentino Mendonça proferiu no Dia de Portugal

A 10 de Junho, nas cerimónias do Dia de Portugal, o poeta, professor e Cardeal José Tolentino Mendonça discursou perante um país que estava a dar os primeiros passos de desconfinamento pós-COVID19. Um discurso com a linguagem e a serenidade de um teólogo aberto ao mundo, que suscitou a curiosidade dos leitores e fica registado no livro O Que é Amar um País, que a Quetzal publica a 14 de Agosto.

José Tolentino Mendonça interroga os sinais da vida quotidiana, mas também os clássicos da literatura, da teologia, da filosofia e da poesia mostrando a importância da beleza e da contemplação em tempos de extrema dor, solidão e imprevisibilidade, quando é tão importante relançar a esperança.
Um livro de grande urgência – que diz respeito a todos.

«E bem precisávamos de um homem do humanismo e, portanto, da cultura, de um pensador, de um escritor, de um poeta para nos falar da importância dos outros e da sua redescoberta, a começar nas famílias, nas vizinhanças, nas amizades, da atenção aos mais pobres, vulneráveis e dependentes, do pacto entre gerações, tentando ultrapassar o abismo já cavado entre os mais e os menos jovens.»
Marcelo Rebelo de Sousa

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Suma de Letras anuncia a publicação do 2.º volume da série 'Faye', de Camilla Läckberg

Já encontra-se em pré-venda Asas de Prata, a tão aguardada continuação da série 'Faye', da escritora sueca Camilla Läckberg, iniciada com Uma Gaiola de Ouro (2019). Na última semana de Agosto, a Suma de Letras publica mais um episódio da história de Faye: traição, redenção e solidariedade feminina num novo drama sobre a vingança.

Sinopse
Graças a um plano refinado e cruel, Faye deixou para atrás a traição e as humilhações sofridas pelo agora ex-marido Jack e parece ter assumido as rédeas da sua existência: é uma mulher independente, reconstruiu a sua vida num outro país e longe do seu passado, Jack está na prisão e a empresa que Faye fundou, Revenge (Vingança), está crescendo com sucesso.
Mas novos desafios correm o risco de quebrar a serenidade conquistada com muito esforço. De facto, o lançamento da marca Revenge nos Estados Unidos de América desperta uma séria ameaça e Faye é forçada a retornar a Estocolmo.

domingo, 26 de julho de 2020

«O Quarto de Giovanni», de James Baldwin

Editora: Alfaguara
Data de publicação: 30-06-2020
N.º de páginas: 192
«A noite cai e eu estou à janela desta bela casa no sul de França, a noite que me conduz à mais terrível manhã da minha vida.» Este é o incipit do segundo romance, datado de 1956, de James Baldwin (1924-1987), uma obra com traços autobiográficos. O Quarto de Giovanni é considerado um clássico moderno da literatura gay e um dos livros mais emblemáticos deste escritor e activista negro norte-americano, cuja obra era totalmente desconhecida no nosso país até 2018, ano em que a Alfaguara publicou Se Esta Rua Falasse, o seu primeiro livro em língua portuguesa (e no passado Se o Disseres na Montanha).
David é o narrador desta história, ambientada na fervilhante e boémia Paris dos anos 1950. Este americano de quase 30 anos, não mudou-se para a França para encontrar melhores oportunidades financeiras. Ele deixou o seu pai e o seu país, e rumou a um destino onde calculou que seria mais fácil encontrar um sentido para a sua vida. Chegado a uma cidade totalmente diferente da que o viu nascer e tornar-se homem, David depara-se com um microcosmo onde a bebida, o sexo e o dinheiro são elos indissociáveis.
Enquanto vai descobrindo novas facetas da sua identidade, a cada dia que passa, David conhece Hella, e com ela inicia um relacionamento. Tempos depois, enquanto a namorada embarca para outro país durante alguns meses, o narrador, que por vontade própria nunca arranjou emprego - pois sustentava-se à custa do dinheiro que o pai mandava - conhece Giovanni, um charmoso barman italiano, por quem se apaixona de forma inesperada. Sem mais dinheiro para continuar a pagar o minúsculo quarto onde tem vindo a morar, o seu amante convida-o a morar com ele.
No quarto de Giovanni ambos entregam-se desgarradamente aos seus desejos. David consegue finalmente olhar para si e… ver-se, mas fica na defensiva e luta para não aceitar a sua identidade: «Nada é mais insuportável, assim que se obtém, do que a liberdade.» Existe nele um auto-preconceito, uma homofobia interna, que lhe é difícil demolir. Através dos seus diálogos, dá-nos a parecer que ele é até racista (o rapaz com quem teve a sua primeira relação homossexual era negro, e essa sua cor de pele é por David associada como sendo a de um lugar obscuro onde se perderia facilmente – Joey é o único personagem negro nesta história). David reconhece que para o italiano, ele não é apenas uma aventura, um affair, mesmo sabendo que ele é comprometido. Quando Hella regressa a Paris, ele é forçado a tomar uma decisão. Seja qual for a escolha do narrador, sabe o leitor, desde as primeiras páginas, que esta história irá acabar em desgraça.
A vergonha, a lascívia e a negação do amor numa sociedade repleta de preconceitos são os assuntos centrais de O Quarto de Giovanni, um romance extremamente triste e emocionante, que é narrado entre o presente (noite anterior à tragédia) e o passado. James Baldwin, um escritor avant-garde, abordou sem tabus questões delicadas e prementes até nos dias correntes, mais de sessenta anos volvidos da publicação do livro, que foi aconselhado ser destruído pelo seu editor na época, para não causar celeuma e manchar a sua ascensão enquanto escritor.
Inspirado na juventude do autor, O Quarto de Giovanni foi considerado pela BBC «um dos 100 romances que moldaram o nosso mundo».

terça-feira, 21 de julho de 2020

Em Agosto e Setembro as livrarias recebem livros de dois monges inspiradores


Shoukei Matsumoto é monge budista no templo Komyo-ji, em Tóquio. É autor de vários bestsellers e considerado uma das figuras mais carismáticas do pensamento budista contemporâneo. Deste autor, a Pergaminho vai publicar no início do próximo mês Manual de um Monge Budista para Limpar a Casa e a Mente, um pequeno guia que demonstra como trazer a tranquilidade e a serenidade de um templo budista para a casa do leitor. "Basta limpar o pó do seu coração."

Em Setembro, pela Albatroz, chega a Portugal Pensa Como um Monge, do palestrante internacional Jay Shetty. Neste livro profundamente inspirador, este monge alia a sabedoria milenar à sua experiência no ashram, apresentando conselhos e exercícios que todos podem usar para ter uma vida menos ansiosa e com mais significado. Para Ellen DeGeneres, «A experiência e a sabedoria de Jay são valiosas para qualquer pessoa que queira tirar mais partido da vida e alcançar todo o seu potencial». Deepak Chopra elogia-o também: «Este livro liberta-o da hipnose do condicionamento social e ajuda-o a ser o arquiteto da sua vida.»

Novo livro de Stephenie Meyer é lançado em Agosto

Sol da Meia-Noite, o novo livro do universo 'Crepúsculo' (que encantou milhões de leitores) aguardado pelos fãs há mais de uma década, chega às livrarias a 5 de Agosto.

Este livro de Stephenie Meyer é um romance épico sobre a beleza prodigiosa e as consequências devastadoras de um amor proibido e imortal.

Novidade Edições Sílabo: «Economia COVID-19»


Economia COVID-19, de José Eduardo Carvalho

Sinopse
Vivemos no planeta vulcão. A Terra, no seu processo normal de evolução, provoca muitas catástrofes a que chamamos naturais. No entanto a história humana mostra que não é só com este tipo de catástrofes que a espécie humana se confronta. Periodicamente, consequências de outro tipo de catástrofes, estas com a marca humana, abatem-se sobre nós.
As pandemias, como a que vivemos agora, não são apenas parte da nossa cultura, muitas vezes têm origem nesta. A globalização transformou a relação entre os humanos e os vírus, onde o local é global e o global é local.
Não existem ainda dados seguros que permitam apurar a dimensão das consequências económicas, sociais e políticas da COVID-19. O futuro é incerto. Estamos a ser confrontados com uma crise, um túnel que teremos que percorrer, mas onde será conveniente não confundir fogos-fátuos com a luz ao fundo do túnel.
Na escuridão, a imaginação dos economistas, não deixou de ser estimulada e várias instituições foram projetando cenários pós COVID-19 com base em hipóteses do comportamento da epidemia e do comportamento humano traduzindo-os em parâmetros económicos. Este livro, sob múltiplos aspetos, debruça-se e reflete sobre as diferentes perspetivas e consequências económicas e sociais da pandemia da COVID-19, uma catástrofe com rosto humano.

Excerto
«Vivemos no planeta vulcão. O planeta Terra, no seu processo normal de evolução, está em constante atividade tectónica e mutação climática, provocando sismos, erupções vulcânicas, maremotos e outras ações imprevisíveis da natureza. Só depois de se aperceber o quanto estava desprotegido em relação às «fúrias» naturais, o ser humano, com o apoio dos avanços tecnológicos, começou a desenvolver ferramentas e técnicas com o intuito de se proteger dos fenómenos quando esses estivessem para acontecer: medidores sísmicos, barómetros, anemómetros e demais tecnologias. Porém, a história humana mostra que nem só com catástrofes naturais convivem os homens e as mulheres, mas também com outros problemas provocados por eles próprios. Como se não bastassem as ações naturais do planeta, o ser humano inventou outros meios para se destruir a si mesmo. Sem falar dos impactos ambientais – assunto caro aos ecologistas – o Mundo, volta e meia, vive as consequências de catástrofes, umas vezes financeiras, outras por guerras e terrorismo ou de ordem da saúde pública, como a recente COVID-19/SARS-CoV-2.»

segunda-feira, 20 de julho de 2020

O sexo e a música e as suas ligações, para conhecer em um novo livro

«Ainda não existe nenhuma cadeira de musicossexologia ou de sexomusicologia na universidade. Por todo o lado se sabe falar de sexualidade, de erotismo, de sexo, e por todo o lado se ensina música, a sua história e as suas técnicas, mas estranhamente é inexistente o conhecimento que combinaria as duas. No entanto, quando se vê no cinema uma cena erótica, escuta-se um certo tipo de música e não outro. Se se recorda um lugar de sedução e de encontros amorosos, ouve-se mentalmente o baile, a orquestra ou a aparelhagem sonora. As canções falam de amor, de desejo. As estátuas gregas apresentam flautas ou liras na nudez branca do mármore, e quando se lê biografias de músicos de rock (e não só), quase nem é surpresa descobrir nelas apetites sexuais insaciáveis!» Étienne Liebig, músico e musicoterapeuta.

Dividido em três partes, O Sexo da Música começa com uma análise aos elos fisiológicos entre o prazer sexual e o prazer de ouvir música; percorre a história da música desde os primórdios da humanidade, abordando de um ponto de vista antropológico e histórico aquilo que, em todas as épocas e em todo o mundo, fez com que a música e o sexo se cruzassem; e termina com um esboço de um estudo sobre todas as formas de representação artística que colocaram o sexo e a música numa correlação evidente.

Traduzido pelo maestro Miguel Graça Moura, O Sexo da Música (Ed. Temas e Debates) é uma obra original e única, que procura explicar – de uma forma científica, histórica, psicológica e antropológica – uma relação que é extremamente pessoal mas também universal.

Porto Editora publica "kit de sobrevivência" para quem quer falar com menos erros

Fala sem erros é o título do novo livro da consultora de linguística e de comunicação Sandra Duarte Tavares. Nele, a especialista elucida o leitor sobre uma centena de dúvidas mais frequentes da língua portuguesa.

Fala com um verdadeiro craque: sem erros e com confiança.
Não faças faltas e o sucesso será teu!

A autora tem mais de 10 livros publicados, entre eles Comunicar Com Sucesso.

sábado, 18 de julho de 2020

Chega a Portugal «Contágio», de um dos nomes mais importantes da actualidade na área da literatura científica

O americano David Quammen (n. 1948) foi desde sempre um apaixonado pela Ciência e pela Natureza. É um conceituado autor de divulgação científica, contando com 15 livros publicados sobre vírus, epidemias, a relação do Homem com a Natureza e a Teoria da Evolução das Espécies de Darwin. Contágio - Uma história dos vírus que estão a mudar o Mundo é o seu primeiro livro a ser traduzido para português e chega na próxima semana às livrarias. Nesta obra, David Quammen conta-nos a história dos principais vírus zoonóticos que ameaçam os humanos e deixa um aviso: temos de nos preparar para o pior.
Este livro com o selo da Objectiva é uma narrativa apaixonante, repleta de imprevistos, hipóteses e interrogações.

Num momento em que a Humanidade perde o chão com o tremendo impacto global da pandemia de um novo coranavírus, o SARS-CoV-2, é urgente ler o livro que previu este desastre viral e que nos diz como impedir que o mesmo volte a acontecer.